{"id":10935,"date":"2012-11-06T10:53:01","date_gmt":"2012-11-06T10:53:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10935"},"modified":"2012-11-06T10:53:01","modified_gmt":"2012-11-06T10:53:01","slug":"o-sul-deve-reconsiderar-polticas-e-estratgias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/11\/mundo\/o-sul-deve-reconsiderar-polticas-e-estratgias\/","title":{"rendered":"O Sul deve reconsiderar pol&iacute;ticas e estrat&eacute;gias"},"content":{"rendered":"<p>Genebra, Su&iacute;&ccedil;a, 06\/11\/2012 &ndash; H&aacute; diversas raz&otilde;es para crer que as for&ccedil;as que impulsionaram o crescimento das economias em desenvolvimento e emergentes desde 2009 desaparecer&atilde;o no m&eacute;dio prazo. Tampouco voltar&atilde;o as muito favor&aacute;veis condi&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas internacionais existentes antes da crise global. <!--more--> Isso significa que, a menos que existam mudan&ccedil;as fundamentais em como esses pa&iacute;ses se integram &agrave; economia mundial, a recente assombrosa ascens&atilde;o do Sul poder&aacute; ser apenas um fen&ocirc;meno passageiro, e a velocidade de sua converg&ecirc;ncia com os n&iacute;veis de renda das economias avan&ccedil;adas poder&aacute; diminuir nos pr&oacute;ximos anos.<\/p>\n<p>Os pa&iacute;ses em desenvolvimento enfrentam dois desafios interdependentes que exigem uma reconsidera&ccedil;&atilde;o de suas estrat&eacute;gias. Em um futuro imediato correr&atilde;o o risco de uma relevante queda em suas taxas de crescimento, que poder&aacute; ser mais severa se se aprofundarem a recess&atilde;o europeia e o consequente dano &agrave; economia norte- americana.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, no m&eacute;dio prazo e com o atual modelo econ&ocirc;mico, esses pa&iacute;ses n&atilde;o poder&atilde;o voltar ao ritmo desfrutado durante o per&iacute;odo de expans&atilde;o do cr&eacute;dito imobili&aacute;rio nos Estados Unidos, mesmo com os pa&iacute;ses avan&ccedil;ados se recuperando completamente e empreendendo um caminho rigoroso e est&aacute;vel para o crescimento.<\/p>\n<p>Os pa&iacute;ses em desenvolvimento agora t&ecirc;m menos espa&ccedil;o para instrumentalizar uma resposta antic&iacute;clica diante dos impulsos deflacion&aacute;rios e desestabilizadores. Em muitas economias emergentes ampliaram-se os desequil&iacute;brios fiscais e externos nos &uacute;ltimos anos, e agora devem recorrer a todos os meios poss&iacute;veis para evitar uma acentuada queda da atividade e um aumento do desemprego.<\/p>\n<p>Muitas economias em desenvolvimento e emergentes, especialmente na Am&eacute;rica Latina, t&ecirc;m algum espa&ccedil;o em suas pol&iacute;ticas comerciais, especialmente em mat&eacute;ria de tarifas alfandeg&aacute;rias, mas as margens s&atilde;o bastante estreitas para a maioria delas.<\/p>\n<p>Uma sa&iacute;da poderia ser invocar, como &uacute;ltimo recurso, as medidas de salvaguarda do Acordo Geral sobre Com&eacute;rcio de Servi&ccedil;os, destinadas a enfrentar as dificuldades de pagamentos que alguns pa&iacute;ses possam ter em consequ&ecirc;ncia de seus esfor&ccedil;os para expandir seus mercados internos ou das instabilidades nos termos do interc&acirc;mbio.<\/p>\n<p>Usadas cuidadosamente, tais medidas n&atilde;o restringiriam necessariamente o volume total das importa&ccedil;&otilde;es, mas sua composi&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Por outro lado, a restri&ccedil;&atilde;o seletiva das importa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o essenciais, bem como as de bens e servi&ccedil;os que possam ser substitu&iacute;das por produtos nacionais, poderia aliviar os problemas de pagamento e facilitar pol&iacute;ticas macroecon&ocirc;micas expansivas.<\/p>\n<p>Naturalmente, o fornecimento de uma adequada liquidez internacional por parte das institui&ccedil;&otilde;es financeiras multilaterais poderia atenuar a necessidade de medidas de restri&ccedil;&atilde;o comercial, embora n&atilde;o fosse sensato para as economias em desenvolvimento usar tais recursos para importar bens e servi&ccedil;os n&atilde;o essenciais.<\/p>\n<p>Na eventualidade de continuadas e amplas fugas de capitais, esses pa&iacute;ses deveriam estar preparados para impor restri&ccedil;&otilde;es cambi&aacute;rias e inclusive a suspens&atilde;o transit&oacute;ria do servi&ccedil;o da d&iacute;vida, e isso deveria ser apoiado pelo Fundo Monet&aacute;rio Internacional por meio da concess&atilde;o de empr&eacute;stimos.<\/p>\n<p>A China n&atilde;o pode recorrer a outra maci&ccedil;a inje&ccedil;&atilde;o de investimentos para manter um aceit&aacute;vel ritmo de crescimento sem comprometer sua futura estabilidade. Qualquer resposta de pol&iacute;tica antic&iacute;clica deveria ser coerente com os ajustes de longo prazo necess&aacute;rios para manter um crescimento rigoroso, e tamb&eacute;m deveria enfrentar o problema do baixo consumo.<\/p>\n<p>Uma alta imediata no consumo privado poderia ser alcan&ccedil;ada por meio de amplas transfer&ecirc;ncias do setor p&uacute;blico, especialmente para os pobres nas &aacute;reas rurais, bem como um forte aumento das presta&ccedil;&otilde;es para sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A China tamb&eacute;m deve aumentar a participa&ccedil;&atilde;o nos sal&aacute;rios no produto interno bruto (PIB), mais r&aacute;pido do que o efetuado at&eacute; agora.<\/p>\n<p>Com sua crescente demanda, a China tem um papel fundamental para as economias exportadoras de mat&eacute;rias-primas, mas n&atilde;o &eacute; um mercado importante para os exportadores de manufaturas.<\/p>\n<p>Portanto, para formar um mercado importante para as economias em desenvolvimento e emergentes, a China n&atilde;o deve apenas elevar a participa&ccedil;&atilde;o dos sal&aacute;rios e da renda familiar no PIB, mas tamb&eacute;m aumentar as importa&ccedil;&otilde;es relacionadas com o consumo.<\/p>\n<p>Uma virada para o crescimento impulsionada pelos sal&aacute;rios e pelo consumo n&atilde;o implica que, como consequ&ecirc;ncia do aumento de suas importa&ccedil;&otilde;es, a China deixe de ser o maior exportador mundial de manufaturas.<\/p>\n<p>Embora uma parte importante do consumo elevado possa ser atendida por produtores dom&eacute;sticos, tal virada implicaria tamb&eacute;m um significativo aumento na importa&ccedil;&atilde;o desse tipo de bens.<\/p>\n<p>Para outras economias em desenvolvimento e emergentes, os desafios variam, mas todos est&atilde;o vinculados de um modo ou de outro ao ac&uacute;mulo e ao crescimento da produtividade.<\/p>\n<p>Na Am&eacute;rica Latina, os exportadores de mat&eacute;rias- primas t&ecirc;m pouco controle sobre dois determinantes cruciais de seu rendimento econ&ocirc;mico: os fluxos de capitais e a flutua&ccedil;&atilde;o dos pre&ccedil;os internacionais das mat&eacute;rias-primas.<\/p>\n<p>O grande desafio dessa regi&atilde;o &eacute; como ganhar maior autonomia. &Eacute; necess&aacute;rio reduzir a depend&ecirc;ncia do capital estrangeiro. Os ricos latino- americanos, embora recebam maior por&ccedil;&atilde;o da renda nacional do que os ricos asi&aacute;ticos, economizam e investem uma porcentagem muito menor do que os segundos.<\/p>\n<p>Os baixos n&iacute;veis de investimento e produtividade, junto com a alta depend&ecirc;ncia dos capitais estrangeiros, s&atilde;o os principais causadores da desindustrializa&ccedil;&atilde;o da Am&eacute;rica Latina, agravada por recentes booms nos mercados de mat&eacute;rias- primas e nos fluxos de capitais.<\/p>\n<p>O baixo investimento p&uacute;blico e privado e a alta depend&ecirc;ncia do capital estrangeiro s&atilde;o os principais problemas a serem enfrentados, n&atilde;o apenas na Am&eacute;rica Latina, como tamb&eacute;m em alguns pa&iacute;ses exportadores de manufaturas, como a Turquia.<\/p>\n<p>No entanto, uma alta taxa de poupan&ccedil;a nem sempre se traduz em igual n&iacute;vel de investimento e um alto n&iacute;vel de investimento n&atilde;o necessariamente se traduz em um r&aacute;pido crescimento industrial.<\/p>\n<p>Para superar tais dificuldades s&atilde;o necess&aacute;rias interven&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas precisas, com um uso eficaz dos instrumentos macroecon&ocirc;micos e da pol&iacute;tica industrial. Envolverde\/IPS         <\/p>\n<p>* Yilmaz Akyuz &eacute; economista-chefe do South Centre, com sede em Genebra. Para mais informa&ccedil;&atilde;o ver South Centre, Issue 66 e SC RP 44 (www.southcentre.org).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Genebra, Su&iacute;&ccedil;a, 06\/11\/2012 &ndash; H&aacute; diversas raz&otilde;es para crer que as for&ccedil;as que impulsionaram o crescimento das economias em desenvolvimento e emergentes desde 2009 desaparecer&atilde;o no m&eacute;dio prazo. 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