{"id":10938,"date":"2012-11-08T02:50:26","date_gmt":"2012-11-08T02:50:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10938"},"modified":"2012-11-08T02:50:26","modified_gmt":"2012-11-08T02:50:26","slug":"corrida-para-aumentar-as-colheitas-de-caf-no-uganda-antes-da-produo-de-petrleo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/11\/africa\/corrida-para-aumentar-as-colheitas-de-caf-no-uganda-antes-da-produo-de-petrleo\/","title":{"rendered":"Corrida Para Aumentar as Colheitas de Caf&eacute; no Uganda Antes da Produ&ccedil;&atilde;o de Petr&oacute;leo"},"content":{"rendered":"<p>KAMPALA, 08\/11\/2012 &ndash; O Uganda, o maior exportador de caf&eacute; em &Aacute;frica, est&aacute; a correr contra o tempo para aumentar a produ&ccedil;&atilde;o das colheitas em 60.000 toneladas, ou um milh&atilde;o de sacos de 60 quilos, nos pr&oacute;ximos tr&ecirc;s anos. Mas alguns intervenientes nesta ind&uacute;stria acreditam que essa fa&ccedil;anha &eacute; inating&iacute;vel. <!--more--> O objectivo desta na&ccedil;&atilde;o da &Aacute;frica Oriental &eacute; aumentar a produ&ccedil;&atilde;o anual de 3.5 milh&otilde;es para 4.5 milh&otilde;es de sacos de 60 quilos, e planeia conseguir faz&ecirc;-lo atrav&eacute;s de um programa governamental de replanta&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Francis Chesang, director de produ&ccedil;&atilde;o da Autoridade de Desenvolvimento do Caf&eacute; do Uganda (UCDA), disse &agrave; IPS que tinha confian&ccedil;a que este pa&iacute;s sem acesso ao mar brevemente atingiria este objectivo. <\/p>\n<p>&quot;O nosso programa de replanta&ccedil;&atilde;o est&aacute; a dar resultados e vamos conseguir aumentar a produ&ccedil;&atilde;o anual em 2015&#8230;porque os novos cafeeiros de crescimento r&aacute;pido e com elevado rendimento v&atilde;o come&ccedil;ar a produzir.&quot;<\/p>\n<p>O Uganda, o segundo maior produtor de caf&eacute; depois da Eti&oacute;pia, iniciou o seu programa de replanta&ccedil;&atilde;o de caf&eacute; em 1994, um ano depois de o pa&iacute;s ter detectado a traqueomicose do caf&eacute; que devastou metade da sua reserva de cafeeiros tipo Robusta.<\/p>\n<p>O objectivo do programa &eacute; &quot;repor gradualmente os cafeeiros que est&atilde;o velhos ou t&ecirc;m doen&ccedil;as por novos cafeeiros que sejam geneticamente puros e que ofere&ccedil;am variedades de caf&eacute; altamente rent&aacute;veis ao ritmo de cinco por cento por ano para o Robusta e dois por cento para o Ar&aacute;bica.&quot;<\/p>\n<p>Actualmente, e segundo as autoridades, o Uganda tem uma reserva global de 300 milh&otilde;es de cafeeiros Robusta e Ar&aacute;bica.<\/p>\n<p>Pelo menos 140 milh&otilde;es de cafeeiros, especialmente Robusta, foram plantados nos &uacute;ltimos 18 anos, com o objectivo de plantar um total de 200 milh&otilde;es de cafeeiros at&eacute; 2015, afirmou Chesang. A replanta&ccedil;&atilde;o tem por objectivo &quot;optimizar as receitas em divisas no pa&iacute;s e os pagamentos feitos aos agricultores,&quot; acrescentou.<\/p>\n<p>De acordo com a Autoridade de Desenvolvimento do Caf&eacute; do Uganda, o caf&eacute; &eacute; respons&aacute;vel por 20 a 30 por cento das receitas anuais de exporta&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s, tendo o Uganda ganho 448.9 milh&otilde;es de d&oacute;lares da exporta&ccedil;&atilde;o de 3.15 milh&otilde;es de sacos de caf&eacute; desde Outubro de 2010 at&eacute; ao final de Setembro de 2011. <\/p>\n<p>O pa&iacute;s foi o nono maior exportador de caf&eacute; do mundo durante esse per&iacute;odo, &agrave; frente da Eti&oacute;pia, que ficou em d&eacute;cimo lugar, segundo a Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Caf&eacute;. <\/p>\n<p>De acordo com David Muwonge, Vice-Director Executivo da Uni&atilde;o Nacional das Agroind&uacute;strias de Caf&eacute; e Empresas Agr&iacute;colas, &eacute; pouco prov&aacute;vel que o Uganda atinja a o objectivo de uma maior produ&ccedil;&atilde;o de caf&eacute;, visto que as colheitas continuam a ser menores do que as potencialmente previstas porque o pa&iacute;s ainda n&atilde;o substitu&iacute;u todos os cafeeiros que foram destruidos pela doen&ccedil;a da traqueomicose do caf&eacute; em 1993.<\/p>\n<p>&quot;Penso que vai ser extremamente dif&iacute;cil atingir este objectivo porque ainda temos de plantar 60 milh&otilde;es de &aacute;rvores,&quot; disse. &quot;O objectivo &eacute; alcan&ccedil;&aacute;vel mas s&oacute; quando todos os novos cafeeiros estiverem a produzir.&quot;<\/p>\n<p>Muwonge acrescentou que o n&uacute;mero insuficiente de cafeeiros, cafeeiros envelhecidos, m&eacute;todos agr&iacute;colas ineficientes e o impacto das altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas indicavam claramente que n&atilde;o era vi&aacute;vel aumentar a produ&ccedil;&atilde;o de caf&eacute; em um milh&atilde;o de sacos de 60 quilos nos pr&oacute;ximos tr&ecirc;s anos.<\/p>\n<p>Fred Kyobe, agricultor de 64 anos no Distrito de Wakison, na Regi&atilde;o Central do Uganda, disse &agrave; IPS que os volumes de produ&ccedil;&atilde;o demoraram a recuperar da devasta&ccedil;&atilde;o causada pela doen&ccedil;a da traqueomicose do caf&eacute;, uma vez que os jovens n&atilde;o tinham paci&ecirc;ncia para se lan&ccedil;arem na produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola do caf&eacute;. Queixou-se que o impacto da atrac&ccedil;&atilde;o pelos empregos de pagamento r&aacute;pido nos centros urbanos levava os jovens a abandonar a produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola do caf&eacute; porque demorava mais de tr&ecirc;s anos antes da colheita do caf&eacute; come&ccedil;ar a dar frutos. <\/p>\n<p>&quot;Os meus filhos abandonaram a agricultura a favor de empresas de transporte em motocicletas-t&aacute;xi na cidade, e a minha energia est&aacute; em decl&iacute;nio devido &agrave; idade,&quot; lamentou. &quot;O choque que senti quando a traqueomicose do caf&eacute; atacou as minhas colheitas reduziu o meu entusiasmo por esta actividade.&quot;<\/p>\n<p>De acordo com a UCDA, o caf&eacute; &eacute; plantado pelo menos por meio milh&atilde;o de pequenos agricultores, 90 por cento dos quais s&atilde;o propriet&aacute;rios de terras com 0.5 a 2.5 hectares. O sector emprega 3.5 milh&otilde;es de pessoas.<\/p>\n<p>&quot;O caf&eacute; continua a desempenhar um papel crucial na economia do Uganda, muito contribuindo para as receitas de exporta&ccedil;&atilde;o que ascenderam a 449 milh&otilde;es de d&oacute;lares em 2010\/11 e proporcionaram sustento a cerca de 1.32 milh&otilde;es dos 3.95 milh&otilde;es de fam&iacute;lias rurais que trabalham na agricultura,&quot; afirmou a UCDA no seu website. <\/p>\n<p>Muwonge explicou que o caf&eacute; continuava a ser o principal produto base de exporta&ccedil;&atilde;o no Uganda, apesar da sua anterior quota de 60 por cento da receita de exporta&ccedil;&atilde;o ter baixado para os actuais 20 ou 30 por cento.  &quot;O caf&eacute; continua a ser crucial para a economia do Uganda, proporciona emprego e rendimento aos agricultores, assim como receitas em divisas, apesar da diminui&ccedil;&atilde;o da sua quota nas receitas de exporta&ccedil;&atilde;o devido &agrave; diversifica&ccedil;&atilde;o das exporta&ccedil;&otilde;es,&quot; afirmou. &quot;O aumento do investimento no sector pode dar frutos nos programas governamentais de redu&ccedil;&atilde;o de pobreza.&quot; <\/p>\n<p>O Uganda reduziu a sua pesada depend&ecirc;ncia do caf&eacute; para obten&ccedil;&atilde;o de receitas em divisas atrav&eacute;s da promo&ccedil;&atilde;o de exporta&ccedil;&otilde;es n&atilde;o tradicionais, incluindo peixe, produtos hort&iacute;colas, milho, cacau, couro e peles. <\/p>\n<p>O Presidente do Uganda, Yoweri Museveni, salientou a import&acirc;ncia do caf&eacute; na semana passada quando afirmou que qualquer pessoa respons&aacute;vel pela contamina&ccedil;&atilde;o da qualidade do caf&eacute; devia ser detida e julgada em tribunal. No passado, alguns agricultores foram acusados de colher gr&atilde;os de caf&eacute; n&atilde;o maduros e alguns comerciantes foram acusados de misturar caf&eacute; de baixa qualidade com marcas de melhor qualidade e de o vender como se fosse de qualidade superior. <\/p>\n<p>&quot;A vontade de colher caf&eacute; n&atilde;o maduro &eacute; causada pela pobreza, porque &agrave;s vezes podem surgir necessidades urgentes antes das colheitas estarem suficientemente maduras,&quot; afirmou &agrave; IPS Sunday Mugaga, produtor de caf&eacute; do Distrito de Kayunga, na Regi&atilde;o Central do Uganda.<\/p>\n<p>O rendimento que Mugaga obt&eacute;m do caf&eacute; mal &eacute; suficiente para sustentar a fam&iacute;lia, obrigando-o a vender o peixe que apanha no Rio Nilo que atravessa o distrito. A tenta&ccedil;&atilde;o de expandir a sua explora&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola em quase um hectare &eacute; forte, mas ele est&aacute; limitado pela falta de terra dispon&iacute;vel.<\/p>\n<p>&quot;Os meus dois irm&atilde;os e eu herd&aacute;mos s&oacute; quatro hectares de terra do nosso pai, o que limita a minha expans&atilde;o. Mas com o tempo plantarei mais caf&eacute; quando adquirir mais terra,&quot; disse. <\/p>\n<p>&quot;Aprecio o caf&eacute; porque o rendimento dele obtido permitiu-me enviar os meus cinco filhos para a escola, embora reconhe&ccedil;a que o dinheiro n&atilde;o &eacute; suficiente para cobrir as minhas necessidades,&quot; acrescentou.<\/p>\n<p>Mas o Uganda ainda pode apostar no caf&eacute; para a maior parte das suas receitas de exporta&ccedil;&atilde;o nos pr&oacute;ximos tr&ecirc;s anos, antes do planeado in&iacute;cio da sua produ&ccedil;&atilde;o petrol&iacute;fera em 2016, disse &agrave;o IPS Robert Kasozi, investigador independente na &aacute;rea de economia,. <\/p>\n<p>A companhia Tullow Oil Plc, sediada em Londres, a Total SA de Fra&ccedil;a e a Corpora&ccedil;&atilde;o Nacional de Petr&oacute;leo Offshore da China est&atilde;o a desenvolver, em conjunto, os campos petrol&iacute;feros do Uganda cujas reservas foram revistas peloo governo de 2.5 milh&otilde;es para 3.5 barris de petr&oacute;leo. <\/p>\n<p>&quot;Uma vez que n&atilde;o se prev&ecirc; que a produ&ccedil;&atilde;o de petr&oacute;leo chegue a n&iacute;veis comerciais at&eacute; 2016, a produ&ccedil;&atilde;o de caf&eacute; ainda tem um papel significativo a desempenhar na economia do pa&iacute;s,&quot; referiu. &quot;O Uganda pode beneficiar com o aumento da sua produ&ccedil;&atilde;o nos pr&oacute;ximos tr&ecirc;s anos sob a forma de mais receitas de exporta&ccedil;&atilde;o.&quot;<\/p>\n<p>O pa&iacute;s pode tamb&eacute;m beneficiar com o aumento da procura mundial, que se prev&ecirc; que exceda a produ&ccedil;&atilde;o nos pr&oacute;ximos tr&ecirc;s anos, impulsionada pela crescente procura do caf&eacute; no Brasil, R&uacute;ssia, &Iacute;ndia e China, afirmou Kasozi. <\/p>\n<p>Entretanto, muitos agricultores continuam a apostar no caf&eacute; devido aos pre&ccedil;os elevados que recebem pelas colheitas gra&ccedil;as &agrave; crescente procura global, disse &agrave; IPS Isaac Ntumwa, produtor de caf&eacute; do Distrito de Masaka, na Regi&atilde;o Central. <\/p>\n<p>&quot;Muitos agricultores no meu distrito optaram pelo caf&eacute; com a esperan&ccedil;a de terem melhores colheitas nos pr&oacute;ximos anos,&quot; confidenciou Ntumwa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>KAMPALA, 08\/11\/2012 &ndash; O Uganda, o maior exportador de caf&eacute; em &Aacute;frica, est&aacute; a correr contra o tempo para aumentar a produ&ccedil;&atilde;o das colheitas em 60.000 toneladas, ou um milh&atilde;o de sacos de 60 quilos, nos pr&oacute;ximos tr&ecirc;s anos. Mas alguns intervenientes nesta ind&uacute;stria acreditam que essa fa&ccedil;anha &eacute; inating&iacute;vel. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/11\/africa\/corrida-para-aumentar-as-colheitas-de-caf-no-uganda-antes-da-produo-de-petrleo\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1319,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-10938","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10938","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1319"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10938"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10938\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10938"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10938"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10938"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}