{"id":1094,"date":"2005-10-11T00:00:00","date_gmt":"2005-10-11T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1094"},"modified":"2005-10-11T00:00:00","modified_gmt":"2005-10-11T00:00:00","slug":"sia-terremoto-na-caxemira-pe-prova-relaes-entre-ndia-e-paquisto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/10\/america-latina\/sia-terremoto-na-caxemira-pe-prova-relaes-entre-ndia-e-paquisto\/","title":{"rendered":"&Aacute;sia: Terremoto na Caxemira p&otilde;e &agrave; prova rela&ccedil;&otilde;es entre &Iacute;ndia e Paquist&atilde;o"},"content":{"rendered":"<p>Nova D&eacute;lhi, 11\/10\/2005 &ndash; O terremoto de s&aacute;bado na Caxemira que matou pelo menos 20 mil pessoas e deixou outras 40 mil feridas p&ocirc;s &aacute; prova a aproxima&ccedil;&atilde;o diplom&aacute;tica entre &Iacute;ndia e Paquist&atilde;o, pa&iacute;ses que disputam esse territ&oacute;rio h&aacute; 58 anos e agora est&atilde;o em uma fase de &quot;reconcilia&ccedil;&atilde;o&quot;. Dados n&atilde;o definitivos indicam que a grande maioria das mortes em raz&atilde;o do sismo, de 7,6 pontos na escala Richter, aconteceu do lado paquistan&ecirc;s da prov&iacute;ncia. Das mais de 20 mil v&iacute;timas fatais, 450 foram do lado indiano. <br \/> <!--more--> <br \/> &Iacute;ndia e Paquist&atilde;o disputam o controle da Caxemira desde 1947, quando ficaram independentes do imp&eacute;rio brit&acirc;nico. Trata-se de uma zona rica em petr&oacute;leo e cuja popula&ccedil;&atilde;o &eacute; majoritariamente mu&ccedil;ulmana, como no Paquist&atilde;o. Esta disputa provocou tr&ecirc;s guerras entre os dois pa&iacute;ses, levando a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas a criar uma fronteira provis&oacute;ria &#8211; a chamada linha de controle &#8211; atrav&eacute;s da qual, entretanto, a troca de tiros ainda &eacute; freq&uuml;ente. Na parte sob controle indiano, integrada ao Estado de Jammu e Caxemira, atuam grupos separatistas que cometeram nos &uacute;ltimos anos v&aacute;rios atentados. Nova D&eacute;lhi acusa Islamabad de apoiar militarmente esses guerrilheiros isl&acirc;micos, mas o governo paquistan&ecirc;s afirma que somente lhes d&aacute; &quot;apoio moral e diplom&aacute;tico&quot;. <\/p>\n<p> A &Iacute;ndia foi o primeiro pa&iacute;s a oferecer ajuda ao Paquist&atilde;o para as opera&ccedil;&otilde;es de resgate, mas at&eacute; agora n&atilde;o se sabe se Islamabad aceitar&aacute;. No s&aacute;bado &agrave; noite, o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, telefonou ao presidente paquistan&ecirc;s, Pervez Musharraf, e lhe ofereceu toda ajuda de seu governo, anunciou o porta-voz da administra&ccedil;&atilde;o indiana, Sanjaya Baru. &quot;Embora haja partes da &Iacute;ndia que tamb&eacute;m foram atingidas pelo terremoto, estamos preparados para estender nossa ajuda at&eacute; onde for considerado apropriado&quot;, teria dito Singh a Musharraf. O analista indiano Kamal Mitra Chenouy, da Universidade Jawaharlal Nehru, em Nova D&eacute;lhi, disse &agrave; IPS que &quot;a resposta teria sido melhor se o Paquist&atilde;o tivesse um governo civil genu&iacute;no&quot;.<\/p>\n<p> &quot;A &Iacute;ndia est&aacute; em uma posi&ccedil;&atilde;o &uacute;nica para colaborar com as opera&ccedil;&otilde;es de resgate na regi&atilde;o da Caxemira controlada pelo Paquist&atilde;o&quot;, mas Islamabad prefere a ajuda de outros pa&iacute;ses mais distantes, como Estados Unidos e Gr&atilde;-Bretanha, disse Chenouy. &quot;Se o Paquist&atilde;o aceitar, a &Iacute;ndia poder&aacute; enviar ajuda &agrave;s zonas afetadas em quest&atilde;o de horas, j&aacute; que o terreno &eacute; familiar para seus soldados.&quot;Lamentavelmente, o enfoque continua sendo militar e n&atilde;o humanit&aacute;rio&quot;, disse Chenoy. Muitas &aacute;reas da Caxemira paquistanesa, afetadas especialmente por desmoronamentos causados pelo terremoto, s&atilde;o mais acess&iacute;veis a partir do lado indiano, mas at&eacute; agora h&aacute; pouca coopera&ccedil;&atilde;o entre os ex&eacute;rcitos dos dois pa&iacute;ses na fronteira.<\/p>\n<p> A for&ccedil;a a&eacute;rea indiana colocou &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o seus helic&oacute;pteros para distribuir a ajuda e transportar engenheiros e m&eacute;dicos para Srinagar, uma das cidades mais importantes de Jammu e Caxemira. Toda a opera&ccedil;&atilde;o &eacute; supervisionada pelo ministro da Defesa, Pranab Mukherjee, e pela presidente da governante Alian&ccedil;a Progressista Unida, Sonia Gandhi. &quot;J&aacute; enviamos um grande n&uacute;mero de feridos aos hospitais de Srinagar, e agora nos concentramos em fornecer apoio log&iacute;stico e direto &agrave;s pessoas afetadas em diferentes partes da Caxemira&quot;, afirmou o porta-voz da For&ccedil;a A&eacute;rea indiana, Mahesh Upasini. <\/p>\n<p> As For&ccedil;as Armadas indianas ganharam prest&iacute;gio internacional na ajuda a v&iacute;timas de desastres naturais de pa&iacute;ses vizinhos depois que seus navios foram os primeiros a prestar ajuda a Sri Lanka e Indon&eacute;sia depois do tsunami do dia 26 de dezembro. Pelo menos 11 mil pessoas morreram em Muzaffarabad, capital da Caxemira paquistanesa, e 60% de sua infra-estrutura est&aacute; destru&iacute;da. Enquanto a &Iacute;ndia espera que sua oferta seja aceita, a ajuda ao Paquist&atilde;o come&ccedil;ou a chegar da Austr&aacute;lia, Estados Unidos, Fran&ccedil;a, Jap&atilde;o e Turquia com dinheiro, equipamentos, c&atilde;es treinados, policiais e equipes de resgate.<\/p>\n<p> Chenoy disse que ser&aacute; dif&iacute;cil para o Paquist&atilde;o aceitar a ajuda da &Iacute;ndia &quot;no momento em que se submete a arb&iacute;trio internacional a disputa sobre o rio Indus e seus afluentes, que irrigam as terras agr&iacute;colas da Caxemira&quot;. Entretanto, esfor&ccedil;os de resgate conjuntos poderiam ajudar a melhorar a confian&ccedil;a entre os dois pa&iacute;ses, reconheceu o analista, afirmando que a lenta resposta do governo de Musharraf &agrave; oferta de Singh &eacute; prejudicial. &quot;Ser&aacute; dif&iacute;cil que a &Iacute;ndia a reitere&quot;, ressaltou. O terremoto sacudiu a Caxemira bem depois de o chanceler indiano, Natwar Singh, ter passado quatro dias em Islamabad para elaborar um documento em que os dois pa&iacute;ses se comprometem com uma desmilitariza&ccedil;&atilde;o progressiva da fronteiri&ccedil;a zona glacial Siachen, considerada &quot;o campo de batalha mais alto do mundo&quot;.<\/p>\n<p> Manter tropas na geleira Siachen, cerca de 6.300 metros acima do n&iacute;vel do mar, custa &agrave; &Iacute;ndia mais de US$ 1 milh&atilde;o por dia, al&eacute;m das freq&uuml;entes perdas humanas pela exposi&ccedil;&atilde;o dos soldados a temperaturas extremamente baixas. Est&aacute; prevista para janeiro pr&oacute;ximo uma rodada de di&aacute;logo bilateral para chegar a um acordo sobre o controle dessa zona estrat&eacute;gica. Por outro lado, parece improv&aacute;vel que o Paquist&atilde;o aceite a ajuda indiana para as v&iacute;timas do terremoto. &quot;A &uacute;ltima coisa que o Paquist&atilde;o quer &eacute; ver soldados indianos caminhando por uma zona onde se sabe que est&atilde;o as bases de v&aacute;rios grupos separatistas&quot;, afirmou um analista militar indiano. <\/p>\n<p> (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova D&eacute;lhi, 11\/10\/2005 &ndash; O terremoto de s&aacute;bado na Caxemira que matou pelo menos 20 mil pessoas e deixou outras 40 mil feridas p&ocirc;s &aacute; prova a aproxima&ccedil;&atilde;o diplom&aacute;tica entre &Iacute;ndia e Paquist&atilde;o, pa&iacute;ses que disputam esse territ&oacute;rio h&aacute; 58 anos e agora est&atilde;o em uma fase de &quot;reconcilia&ccedil;&atilde;o&quot;. Dados n&atilde;o definitivos indicam que a grande maioria das mortes em raz&atilde;o do sismo, de 7,6 pontos na escala Richter, aconteceu do lado paquistan&ecirc;s da prov&iacute;ncia. 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