{"id":10946,"date":"2012-11-15T06:53:07","date_gmt":"2012-11-15T06:53:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10946"},"modified":"2012-11-15T06:53:07","modified_gmt":"2012-11-15T06:53:07","slug":"almoo-comunitrio-em-uma-espanha-em-queda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/11\/economia\/almoo-comunitrio-em-uma-espanha-em-queda\/","title":{"rendered":"Almo&ccedil;o comunit&aacute;rio em uma Espanha em queda"},"content":{"rendered":"<p>M&aacute;laga, Espanha, 15\/11\/2012 &ndash; Uma grande ca&ccedil;arola com arroz fumega no restaurante social que a organiza&ccedil;&atilde;o Ema&uacute;s tem no munic&iacute;pio de Torremolinos, nesta cidade. Como toda manh&atilde;, Pepi, Adriana e Diego est&atilde;o cozinhando para acalmar o apetite de mais de uma centena de pessoas que j&aacute; n&atilde;o conseguem pagar por seus alimentos.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10946\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/1511122.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10946\" class=\"size-medium wp-image-10946\" title=\"Cerca de 30 pessoas almo&ccedil;am no restaurante da Ema&uacute;s, em Torremolinos, M&aacute;laga. - In&eacute;s Ben\u00c3\u00adtez\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/1511122.jpg\" alt=\"Cerca de 30 pessoas almo&ccedil;am no restaurante da Ema&uacute;s, em Torremolinos, M&aacute;laga. - In&eacute;s Ben\u00c3\u00adtez\/IPS\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10946\" class=\"wp-caption-text\">Cerca de 30 pessoas almo&ccedil;am no restaurante da Ema&uacute;s, em Torremolinos, M&aacute;laga. - In&eacute;s Ben\u00c3\u00adtez\/IPS<\/p><\/div>  A crise econ&ocirc;mico-financeira que sufoca a Espanha, com altas taxas de desemprego e centenas de pessoas desalojadas de suas casas por n&atilde;o poderem pagar a hipoteca ou o aluguel, fez disparar o n&uacute;mero de usu&aacute;rios dos restaurantes sociais, geridos em sua maioria por associa&ccedil;&otilde;es sem fins lucrativos e funda&ccedil;&otilde;es particulares que recebem ajuda estatal.<\/p>\n<p>&quot;Meu pai n&atilde;o tem trabalho e somos tr&ecirc;s irm&atilde;os&quot;, conta &agrave; IPS a dominicana Dariana, de 18 anos, que chegou ao restaurante de Ema&uacute;s ao meio-dia para pegar por&ccedil;&otilde;es de arroz quente, salada, sandu&iacute;ches, p&atilde;o e fruta para a ceia dos quatro membros de sua fam&iacute;lia. A organiza&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria cat&oacute;lica Ema&uacute;s, com seis trabalhadores e v&aacute;rios volunt&aacute;rios, fornece alimenta&ccedil;&atilde;o a doentes e idosos, tanto em suas casas como em sua sede, onde por volta das 12h30 come&ccedil;a a se formar uma fila de pessoas que esperam para retirar sacolas com alimentos, enquanto uma hora mais tarde outros almo&ccedil;ar&atilde;o em um sal&atilde;o com capacidade para cerca de 30 pessoas.<\/p>\n<p>&quot;Nunca imaginei que teria que pedir comida&quot;, disse com pesar &agrave; IPS a jovem J&eacute;ssica, de 29 anos, tendo pela m&atilde;o sua filha, Janira, de dois anos. Elas vivem na casa da av&oacute; da menina, mas h&aacute; dois meses v&atilde;o ao restaurante do Ema&uacute;s porque ela e o marido ficaram desempregados, n&atilde;o t&ecirc;m nenhuma renda, &quot;e s&atilde;o quatro bocas para alimentar&quot;, contou. Nos &uacute;ltimos anos, o fen&ocirc;meno da pobreza se tornou &quot;mais extenso, intenso e cr&ocirc;nico&quot;, alerta a organiza&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria cat&oacute;lica C&aacute;ritas no VII Informe do Observat&oacute;rio da Realidade Social, no qual indica que a alimenta&ccedil;&atilde;o &eacute; uma das &quot;necessidades b&aacute;sicas de maior demanda&quot; na Espanha, seguida de moradia e emprego.<\/p>\n<p>Mais de 21% dos 47 milh&otilde;es de habitantes da Espanha vivem este ano abaixo da linha de pobreza, segundo a Pesquisa sobre Popula&ccedil;&atilde;o Ativa do Instituto Nacional de Estat&iacute;stica (INE), que alerta que 12,7% das fam&iacute;lias afirmam chegar ao fim de cada m&ecirc;s com dificuldades, e 7,4% est&atilde;o atrasados com pagamentos referentes a moradia. O INE situa atualmente a linha de pobreza em 7.355 euros (US$ 9.339) para fam&iacute;lias de uma pessoa.<\/p>\n<p>&quot;Cada vez mais pessoas pedem comida&quot;, disse Pepi &agrave; IPS, enquanto mexia o arroz. &quot;A maioria das que ajudamos tem casa, mas o dinheiro n&atilde;o d&aacute; para a alimenta&ccedil;&atilde;o&quot;. Junto de Pepi est&aacute; Diego, desempregado e volunt&aacute;rio desde julho, que acaba de preparar a salada, enquanto Adriana, que um dia chegou do Uruguai em busca de melhor futuro, corta acelga que depois ser&aacute; conservada no congelador.<\/p>\n<p>O presidente da Ema&uacute;s, Antonio Abril, disse &agrave; IPS que o perfil das pessoas que v&atilde;o aos restaurantes sociais mudou desde que come&ccedil;aram as dificuldades financeiras, quando a crise global nascida em 2008 nos Estados Unidos chegou a terras espanholas e a v&aacute;rios outros pa&iacute;ses da Uni&atilde;o Europeia. No passado esta organiza&ccedil;&atilde;o atendia praticamente apenas idosos, mas agora o leque se ampliou para &quot;pessoas mais jovens que vivem nas ruas ou em casas ocupadas ou, ainda, que foram desalojadas&quot;. Para ser atendido, &quot;o &uacute;nico requisito &eacute; ser pobre&quot;, destacou Abril.<\/p>\n<p>As pessoas que procuram por esta organiza&ccedil;&atilde;o chegam enviadas pelos servi&ccedil;os sociais do munic&iacute;pio de M&aacute;laga e devem ter domic&iacute;lio nesta cidade, explicou &agrave; IPS o professor aposentado Luis Romero, um dos tr&ecirc;s fundadores da Ema&uacute;s em Torremolinos, h&aacute; 16 anos, que tamb&eacute;m tem restaurantes em Estepona, na prov&iacute;ncia de M&aacute;laga, e Guadix e Baza, na vizinha Granada.<\/p>\n<p>Diariamente, dois trabalhadores da organiza&ccedil;&atilde;o percorrem com uma caminhonete o banco de alimentos de M&aacute;laga, bem como empresas e funda&ccedil;&otilde;es colaboradoras que doam frutas, verduras e demais produtos que tornam poss&iacute;vel a prepara&ccedil;&atilde;o das refei&ccedil;&otilde;es de segunda-feira a s&aacute;bado. &Agrave;s 13h20 o restaurante de Terremolinos est&aacute; preparado para cerca de 30 pessoas. As mesas com pratos sobre toalhas rosas ficam em uma sala com paredes cobertas por quadros com imagens religiosas, presidida por uma grande cruz de madeira e duas gaiolas com p&aacute;ssaros em tom amarelo-brilhante.<\/p>\n<p>&quot;Menos mal que estamos aqui e podemos sobreviver&quot;, disse Marco &agrave; IPS, enquanto come arroz. Origin&aacute;rio da Pol&ocirc;nia, h&aacute; quatro anos perdeu seu trabalho na constru&ccedil;&atilde;o civil e h&aacute; um almo&ccedil;a no restaurante. Vive com sua irm&atilde; e sobrinha, tamb&eacute;m desempregadas, e enfrenta uma d&iacute;vida de seis meses de aluguel. Diante do aumento do desemprego, que afeta mais de 25% da popula&ccedil;&atilde;o economicamente ativa, h&aacute; cada vez mais devedores de hipotecas que n&atilde;o podem enfrentar seus pagamentos e, por isso, s&atilde;o despejados.<\/p>\n<p>O paradoxo &eacute; que, apesar de serem postos na rua, continuam com a obriga&ccedil;&atilde;o de pagar ao banco a d&iacute;vida pendente. Halina, da Bielor&uacute;ssia, de cabelo curto e cacheado, compartilha a mesa com Marco. Chegou em 2003 &agrave; Espanha e come&ccedil;ou a trabalhar na &aacute;rea de hotelaria, mas perdeu seu emprego, acabou seu subs&iacute;dio e agora n&atilde;o tem &quot;onde dormir&quot;. A mais idosa dos comensais, Encarnaci&oacute;n, de 94 anos, cabelo curto grisalho e l&aacute;bios com batom vermelho, diz que &quot;ultimamente muitos jovens v&ecirc;m comer aqui por que n&atilde;o h&aacute; trabalho&quot;.<\/p>\n<p>Romero acrescenta que, normalmente, nos almo&ccedil;os costuma haver mais homens do que mulheres, imigrantes, pessoas que dormem em autom&oacute;veis e nas ruas, e alguns enfermos esquizofr&ecirc;nicos. &quot;Houve um aumento impressionante de pessoas da classe m&eacute;dia que se viram obrigadas a pedir comida&quot;, disse &agrave; IPS a volunt&aacute;ria Felisa Castro, fundadora, h&aacute; tr&ecirc;s anos, da organiza&ccedil;&atilde;o Anjos Malaguenhos da Noite. Esta entidade recebe doa&ccedil;&otilde;es e em seu trabalho fornece diariamente, caf&eacute; da manh&atilde;, almo&ccedil;o e jantar que prepara em uma casa em um bairro central de M&aacute;laga, esta cidade do sul da Espanha acostumada h&aacute; anos a ver a chegada de imigrantes em busca de vida melhor. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M&aacute;laga, Espanha, 15\/11\/2012 &ndash; Uma grande ca&ccedil;arola com arroz fumega no restaurante social que a organiza&ccedil;&atilde;o Ema&uacute;s tem no munic&iacute;pio de Torremolinos, nesta cidade. 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