{"id":10954,"date":"2012-11-15T07:14:25","date_gmt":"2012-11-15T07:14:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10954"},"modified":"2012-11-15T07:14:25","modified_gmt":"2012-11-15T07:14:25","slug":"o-alumnio-tem-defensores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/11\/america-latina\/o-alumnio-tem-defensores\/","title":{"rendered":"O alum&iacute;nio tem defensores"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 15\/11\/2012 &ndash; Recha&ccedil;ado por ambientalistas devido &agrave; quantidade de energia necess&aacute;ria para produzi-lo, o alum&iacute;nio &eacute; um dos alvos da intensa campanha contra as centrais hidrel&eacute;tricas da Amaz&ocirc;nia brasileira. Contudo, sua defesa conta com argumentos de pesos. <!--more--> Os benef&iacute;cios pelo uso deste metal n&atilde;o s&atilde;o poucos para o meio ambiente, al&eacute;m de, pontualmente, sua produ&ccedil;&atilde;o promover o desenvolvimento industrial de uma &aacute;rea empobrecida do norte do Brasil, assegurou &agrave; IPS o presidente a Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira do Alum&iacute;nio (Abal), Adjarma Azevedo.<\/p>\n<p>Precisamente, por ser a energia o principal insumo, o crescimento do setor viabiliza a constru&ccedil;&atilde;o de grandes complexos hidrel&eacute;tricos, aproveitados por sua condi&ccedil;&atilde;o de fonte renov&aacute;vel. Tamb&eacute;m se trata do produto que apresenta o maior &iacute;ndice de reciclagem no Brasil, destacou Azevedo. O crescente uso do alum&iacute;nio agiliza a constru&ccedil;&atilde;o e a economia de combust&iacute;veis no transporte por pesar menos do que outros produtos.<\/p>\n<p>Assim, o consumo desse metal no Brasil tende a crescer mais r&aacute;pido do que a pr&oacute;pria economia em geral. Isto exige mais energia a pre&ccedil;os reduzidos se a ideia &eacute; atender a demanda apenas com a produ&ccedil;&atilde;o nacional. C&aacute;lculos da Abal estimam que o mercado interno crescer&aacute;, em m&eacute;dia, 7,2% ao ano at&eacute; 2025, embora se trate de um produto sens&iacute;vel &agrave;s oscila&ccedil;&otilde;es comerciais.<\/p>\n<p>Em 2009, seu uso caiu 10% devido &agrave; crise global com epicentro na Europa, mas a demanda se recuperou com juros no ano seguinte, quando aumentou 31%, e em 2011 sua expans&atilde;o foi de 8,2%, enquanto este ano novamente apresenta indicadores paralisados. A grande explos&atilde;o de atividades e bens que empregam muito alum&iacute;nio, como constru&ccedil;&atilde;o, embalagens e ve&iacute;culos automotores, justificam as previs&otilde;es otimistas, afirmou Azevedo.<\/p>\n<p>O aumento dos sal&aacute;rios e de outras rendas nos &uacute;ltimos anos entre a popula&ccedil;&atilde;o m&eacute;dia e trabalhadora do pa&iacute;s fez com que aumentassem as amplia&ccedil;&otilde;es e melhorias nas moradias, o que demanda materiais de constru&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m ajudam as obras necess&aacute;rias para a realiza&ccedil;&atilde;o da Copa Mundial de Futebol de 2014, que envolve 12 cidades, e os Jogos Ol&iacute;mpicos de 2016 no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Por outro lado, o governo determinou que os novos ve&iacute;culos a serem fabricados contenham componentes que reduzam a emiss&atilde;o de gases contaminantes. Esta meta ambiental exigir&aacute; novas tecnologias, mas tamb&eacute;m elementos mais leves, feitos de alum&iacute;nio, comemorou o presidente da Abal. Por&eacute;m, a produ&ccedil;&atilde;o nacional deste metal dificilmente poder&aacute; acompanhar o aumento da demanda se a energia el&eacute;trica no pa&iacute;s continuar sendo uma das mais caras do mundo, a ponto de atualmente representar mais de um ter&ccedil;o do custo de produ&ccedil;&atilde;o de alum&iacute;nio prim&aacute;rio.<\/p>\n<p>Diante disso, o governo da presidente Dilma Rousseff adotou em setembro medidas para baratear o custo da eletricidade, que incluem redu&ccedil;&atilde;o de impostos e prorroga&ccedil;&atilde;o de concess&otilde;es de gera&ccedil;&atilde;o, transmiss&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o, que caducar&atilde;o entre 2015 e 2017. O principal objetivo &eacute; recuperar a competitividade das ind&uacute;strias em geral, para, assim, evitar uma precoce e irrevers&iacute;vel diminui&ccedil;&atilde;o desse setor diante do forte aumento dos custos de produ&ccedil;&atilde;o nos &uacute;ltimos anos.<\/p>\n<p>No entanto, para a Abal, as medidas s&atilde;o insuficientes e at&eacute; incertas, pois dependem da aprova&ccedil;&atilde;o do parlamento, onde a iniciativa governamental que cont&eacute;m estes benef&iacute;cios j&aacute; sofreu o bombardeio de 431 propostas de emenda. &quot;Com o megawatt\/hora a US$ 35 s&oacute; &eacute; poss&iacute;vel manter a ind&uacute;stria de alum&iacute;nio no ritmo atual&quot;, sendo que um pre&ccedil;o menor do que este estimularia novos investimentos para ampliar a produ&ccedil;&atilde;o, observou Azevedo.<\/p>\n<p>A m&eacute;dia mundial do valor da energia el&eacute;trica gira em torno dos US$ 40, mas essa m&eacute;dia cai para US$ 27 se for exclu&iacute;da a China, onde esta atividade &eacute; subsidiada. Empres&aacute;rios no Brasil asseguram que inclusive chegam a pagar US$ 60 por MW\/h. Por isto, a ind&uacute;stria do alum&iacute;nio busca se converter no principal s&oacute;cio, por exemplo, da central hidrel&eacute;trica de Estreito, no Rio Tocantins, centro do Brasil, com pot&ecirc;ncia de 1.087 megawatts.<\/p>\n<p>No mesmo Tocantins, cerca de 500 quil&ocirc;metros rio abaixo, foi constru&iacute;da h&aacute; 28 anos a gigantesca central de Tucuru&iacute;, com capacidade para gerar 8.370 MW, boa parte deles destinada a complexos de minera&ccedil;&atilde;o e industriais do alum&iacute;nio. Ativistas sociais e ambientais acusam essa ind&uacute;stria de ter induzido a constru&ccedil;&atilde;o de Tucuru&iacute; para desfrutar de sua energia a pre&ccedil;os subsidiados, ignorando seus impactos negativos. A represa inundou 2.917 quil&ocirc;metros quadrados de muita floresta e for&ccedil;ou o deslocamento de milhares de pessoas.<\/p>\n<p>Azevedo, que j&aacute; presidiu o ramo brasileiro da Alcoa, uma das empresas supostamente favorecidas, tem outra vers&atilde;o. O Brasil sofria os efeitos da brutal alta do petr&oacute;leo desde 1973 e precisava de muita energia para realizar seu ambicioso plano de desenvolvimento econ&ocirc;mico, substituindo hidrocarbonos importados a pre&ccedil;o de ouro.<\/p>\n<p>Tucuru&iacute; era uma solu&ccedil;&atilde;o, por isso foram chamados capitais japoneses e empresas transnacionais como a Alcoa para desenvolver grandes projetos de extra&ccedil;&atilde;o de bauxita e sua transforma&ccedil;&atilde;o em alumina e alum&iacute;nio. Assim, serviram de &quot;&acirc;ncoras que fixaram a energia na regi&atilde;o&quot;, onde a pequena economia e a popula&ccedil;&atilde;o n&atilde;o formavam uma demanda suficiente para impulsionar uma hidrel&eacute;trica t&atilde;o grande, pontuou Azevedo.<\/p>\n<p>Entretanto, &quot;n&atilde;o era uma boa localiza&ccedil;&atilde;o&quot;, j&aacute; que est&aacute; muito longe dos principais mercados consumidores, sem estradas, infraestrutura, m&atilde;o de obra qualificada e fornecedores de servi&ccedil;os, acrescentou o empres&aacute;rio. De qualquer modo, as empresas aceitaram o desafio, tornando fact&iacute;vel Tucuru&iacute; e capacitando fornecedores e trabalhadores locais, destacou. Para compensar os altos custos, o governo ofereceu, por 20 anos, desconto de 10% nos contratos de fornecimento de eletricidade em tens&atilde;o extra-alta, a partir de 230 quilowatts. N&atilde;o se tratava de subs&iacute;dios, esclareceu Azevedo.<\/p>\n<p>A Alcoa associou-se &agrave;s tamb&eacute;m transnacionais BHP Billiton e Rio Tinto Alcan para formar o complexo industrial Alumar e produzir alumina e alum&iacute;nio prim&aacute;rio em S&atilde;o Lu&iacute;s, capital do Maranh&atilde;o, 980 quil&ocirc;metros a leste de Tucuru&iacute;. Teria sido melhor instalar-se mais perto, evitando a transmiss&atilde;o de eletricidade por longa dist&acirc;ncia e tamb&eacute;m o transporte de mat&eacute;ria-prima por quase dois mil quil&ocirc;metros, afirmou Jo&atilde;o Meirelles, diretor do n&atilde;o governamental Instituto Peabiru, com sede em Bel&eacute;m, capital do Par&aacute;.<\/p>\n<p>O alum&iacute;nio &eacute; uma voca&ccedil;&atilde;o natural da Amaz&ocirc;nia oriental, especialmente do Par&aacute;, por concentrar enormes jazidas da melhor bauxita e rios de potencial hidrel&eacute;trico a ser aproveitado, ressaltou Meirelles &agrave; IPS, discordando de seus colegas ambientalistas ao defender essa op&ccedil;&atilde;o de desenvolvimento. O alum&iacute;nio &eacute; &quot;material do futuro&quot; e o &quot;mais reutiliz&aacute;vel&quot;, justificou. Por&eacute;m, &eacute; necess&aacute;rio &quot;verticalizar a produ&ccedil;&atilde;o local&quot;, fazer produtos finais, n&atilde;o apenas o alum&iacute;nio prim&aacute;rio para exportar para o sul do pa&iacute;s e para outros pa&iacute;ses, como acontece agora, e promover o &quot;desenvolvimento integrado&quot;, o que gera mais empregos qualificados e &quot;capacidade humana local&quot;, acrescentou o diretor do Peabiru.<\/p>\n<p>Meirelles reconhece os danos ambientais e sociais dos projetos que exploram recursos naturais amaz&ocirc;nicos, mas tamb&eacute;m acredita que &eacute; poss&iacute;vel mitig&aacute;-los, como tenta fazer a Alcoa em sua nova mina de bauxita, em Juruti, oeste do Par&aacute;. E os relativiza, apontando a pecu&aacute;ria como principal fator de desmatamento a ser combatido. Tamb&eacute;m defende novas formas de negociar compensa&ccedil;&otilde;es pelos impactos dos grandes projetos, como as hidrel&eacute;tricas, a minera&ccedil;&atilde;o e as estradas. &Eacute; preciso lutar por &quot;compensa&ccedil;&otilde;es estrat&eacute;gicas&quot;, como o fim do desmatamento amaz&ocirc;nico, e n&atilde;o se limitar a problemas locais, como hospitais e saneamento de cidades afetadas, que s&atilde;o fun&ccedil;&otilde;es do poder p&uacute;blico, concluiu Meirelles. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 15\/11\/2012 &ndash; Recha&ccedil;ado por ambientalistas devido &agrave; quantidade de energia necess&aacute;ria para produzi-lo, o alum&iacute;nio &eacute; um dos alvos da intensa campanha contra as centrais hidrel&eacute;tricas da Amaz&ocirc;nia brasileira. 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