{"id":1096,"date":"2005-10-13T00:00:00","date_gmt":"2005-10-13T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1096"},"modified":"2005-10-13T00:00:00","modified_gmt":"2005-10-13T00:00:00","slug":"comunicaes-em-busca-do-controle-real-do-mundo-virtual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/10\/america-latina\/comunicaes-em-busca-do-controle-real-do-mundo-virtual\/","title":{"rendered":"Comunica&ccedil;&otilde;es: Em busca do controle real do mundo virtual"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 13\/10\/2005 &ndash; O mundo real se envolveu em uma batalha, at&eacute; agora diplom&aacute;tica, pelo controle do mundo virtual, um dos principais assuntos a serem debatidos, entre 16 e 18 de novembro, na c&uacute;pula internacional que acontecer&aacute; em T&uacute;nis. Washington quer manter, contrariando a posi&ccedil;&atilde;o de quase todos os demais governos do mundo, o sistema de dom&iacute;nios e endere&ccedil;os eletr&ocirc;nicos administrado pela Corpora&ccedil;&atilde;o da Internet para a Atribui&ccedil;&atilde;o de Nomes e N&uacute;meros (Icann, sigla em ingl&ecirc;s), um organismo privado, vinculado ao Departamento de Com&eacute;rcio dos Estados Unidos. J&aacute; se falou, inclusive, da possibilidade de ser criada outra rede mundial de computadores, independente do sistema atual sob controle norte-americano.<br \/> <!--more--> <br \/> As atitudes dos Estados Unidos, como a invas&atilde;o do Iraque e as restri&ccedil;&otilde;es a direitos b&aacute;sicos em nome do antiterrorismo, acentuaram a urg&ecirc;ncia de colocar a Internet sob gest&atilde;o internacional, segundo Carlos Afonso, membro brasileiro do Grupo de Trabalho sobre Gerenciamento da Internet (GTGI ou WGIC, em ingl&ecirc;s), criado pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas. Controlar o sistema de nomes de dom&iacute;nio &eacute; um &quot;poder de vida ou morte&quot;, j&aacute; que basta suprimir o identificador de um pa&iacute;s, como .br do Brasil, .ar da Argentina ou .mx do M&eacute;xico, para desterr&aacute;-lo do ciberespa&ccedil;o, explicou &agrave; IPS Alexandre Rangel, coordenador-executivo da n&atilde;o-governamental Sociedade Digital.<\/p>\n<p> Esta quest&atilde;o seguramente preocupa a maior parte dos um bilh&atilde;o de usu&aacute;rios da Internet no mundo, que acreditam que seu meio de comunica&ccedil;&atilde;o, entretenimento e trabalho n&atilde;o corre risco de sofrer mudan&ccedil;as indesej&aacute;veis por decis&atilde;o ou in&eacute;pcia de poder algum, &agrave; margem de seus servidores diretos. Por outro lado, a expans&atilde;o cada dia mais complexa da Internet deixa claro que decis&otilde;es que a afetam n&atilde;o s&atilde;o puramente t&eacute;cnicas. A cria&ccedil;&atilde;o do dom&iacute;nio .xxx para conte&uacute;dos pornogr&aacute;ficos, por exemplo, provocou rea&ccedil;&otilde;es inclusive do governo norte-americano do presidente George W. Bush, pressionado por grupos religiosos, para n&atilde;o falar da China e sociedades mais moralistas.<\/p>\n<p> A esse respeito, Magaly Pazello, ativista de quest&otilde;es de g&ecirc;nero e sociedade da informa&ccedil;&atilde;o, disse &agrave; IPS que, com a globaliza&ccedil;&atilde;o da Internet como um &quot;bem p&uacute;blico&quot;, perde legitimidade um controle baseado em leis nacionais e sob supervis&atilde;o de um minist&eacute;rio espec&iacute;fico de um pa&iacute;s. Rangel afirmou ainda que a centraliza&ccedil;&atilde;o dos dom&iacute;nios permite aos Estados Unidos ficar com os melhores endere&ccedil;os, de acesso mais r&aacute;pido, e faz com que os pa&iacute;ses em desenvolvimento tenham custos maiores de comunica&ccedil;&atilde;o por estarem afastados das redes centrais da Internet. Este &eacute; outro problema identificado pela WGIG, que em seu relat&oacute;rio reconhece tamb&eacute;m &quot;a falta de um mecanismo mundial para um gerenciamento adequado e efetivo que resolva esta quest&atilde;o&quot;.<\/p>\n<p> Por gerenciamento, o Grupo de Trabalho entende &quot;o desenvolvimento e a aplica&ccedil;&atilde;o pelos governos, pelo setor privado e pela sociedade civil organizada, de princ&iacute;pios, normas, regras e procedimentos para definir decis&otilde;es e programas comuns, que configuram a evolu&ccedil;&atilde;o e a utiliza&ccedil;&atilde;o da Internet. A primeira fase da C&uacute;pula Mundial da Sociedade da Informa&ccedil;&atilde;o (CMSI), realizada em dezembro de 2003, em Genebra, resolveu que o gerenciamento da Internet deve ser &quot;multilateral, transparente e democr&aacute;tico&quot;, al&eacute;m de envolver &quot;a participa&ccedil;&atilde;o plena de governos, setor privado, sociedade civil e organismos internacionais&quot;. Entretanto, o desprezo demonstrado pelo atual governo norte-americano para como o multilateralismo estimula a luta por esse gerenciamento, embora tamb&eacute;m constitua um obst&aacute;culo.<\/p>\n<p> Os aspectos democr&aacute;ticos da Internet, por outro lado, enfrentam resist&ecirc;ncias de muitos governos que, como o da China, buscam controlar ou restringir a comunica&ccedil;&atilde;o. Tamb&eacute;m a quest&atilde;o dos direitos humanos se tornou tema de conflito, nas negocia&ccedil;&otilde;es preparat&oacute;rias da segunda fase da CMSI, diante de den&uacute;ncias de ativistas sobre viola&ccedil;&otilde;es e falta de liberdades em T&uacute;nis. O gerenciamento da Internet continua sem perspectiva de resolu&ccedil;&atilde;o na CMSI, com dez propostas sobre sua reestrutura&ccedil;&atilde;o ainda em discuss&atilde;o depois da &uacute;ltima confer&ecirc;ncia preparat&oacute;ria, que terminou formalmente no dia 30 de setembro, em Genebra. Em uma tentativa para superar esta e outras numerosas controv&eacute;rsias, a prepara&ccedil;&atilde;o da C&uacute;pula de T&uacute;nis, ou segunda fase da CMSI, se prolongar&aacute; em rodadas adicionais entre os dias 24 de 28 de outubro, em Genebra, e de 13 a 15 de novembro na capital tunisina.<\/p>\n<p> A tend&ecirc;ncia, diante das divis&otilde;es e da resist&ecirc;ncia norte-americana a qualquer mudan&ccedil;a, &eacute; que surja uma solu&ccedil;&atilde;o conciliadora, mantendo-se a Icann com suas fun&ccedil;&otilde;es t&eacute;cnicas e, gradualmente, transferindo seu controle para um organismo multilateral, disse &agrave; IPS Carlos Afonso, que tamb&eacute;m &eacute; diretor de planejamento da brasileira Rede de Informa&ccedil;&atilde;o para o Terceiro Setor. O Grupo de Trabalho do qual participou na ONU recomendou uma revis&atilde;o da estrutura atual, apontando como princ&iacute;pio que &quot;nenhum governo deveria ter um papel proeminente no gerenciamento da Internet em n&iacute;vel internacional&quot;, o qual deve ser &quot;multilateral, transparente e democr&aacute;tico&quot;, com a participa&ccedil;&atilde;o de todas as partes interessadas.<\/p>\n<p> O gerenciamento n&atilde;o se limita &agrave; quest&atilde;o de nomes e endere&ccedil;os, atualmente a cargo da Icann, mas compreende outros assuntos de pol&iacute;tica p&uacute;blica, como a infra-estrutura, a gest&atilde;o do sistema de servidores-raiz (a base da arquitetura da rede), seguran&ccedil;a e prote&ccedil;&atilde;o, cria&ccedil;&atilde;o de capacidades, liberdade de express&atilde;o e direitos de propriedade intelectual. O Grupo de Trabalho, composto por 40 membros de diversos pa&iacute;ses e institui&ccedil;&otilde;es, sugeriu a cria&ccedil;&atilde;o de um f&oacute;rum mundial para um &quot;di&aacute;logo em p&eacute; de igualdade&quot; entre todas as partes interessadas sobre os temas do gerenciamento da Internet e definiu quatro modelos de organiza&ccedil;&atilde;o para as fun&ccedil;&otilde;es mais executivas.<\/p>\n<p> O primeiro modelo criaria o Conselho Mundial da Internet, com representantes de governos e outros interessados de todas as regi&otilde;es, para assumir a gest&atilde;o internacional, apoiando-se na ONU, substituindo o Departamento de Com&eacute;rcio dos Estados Unidos e internacionalizando a Icann. O segundo &eacute; o oposto, no qual nada muda, mas apenas refor&ccedil;a a assessoria governamental da Icann e amplia as fun&ccedil;&otilde;es do F&oacute;rum. Os demais modelos tamb&eacute;m prop&otilde;em a cria&ccedil;&atilde;o de conselhos internacionais com outros matizes nas fun&ccedil;&otilde;es e na rela&ccedil;&atilde;o com a Icann. As propostas em discuss&atilde;o para a C&uacute;pula de T&uacute;nis tendem a mesclar partes de cada modelo, gerando novos formatos, explicou Afonso.<\/p>\n<p> O Brasil teve um destacado papel no debate sobre este tema, por ter institu&iacute;do em n&iacute;vel nacional um exemplar Comit&ecirc; Gestor da Internet, com representantes do governo, dos empres&aacute;rios, da sociedade civil e da comunidade cient&iacute;fica. No entanto, o governo de Luiz In&aacute;cio Lula da Silva est&aacute; perdendo apoios por aliar-se, em algumas quest&otilde;es, a governos n&atilde;o-democr&aacute;ticos da &Aacute;sia e do Oriente M&eacute;dio e por ter rejeitado a participa&ccedil;&atilde;o de observadores da sociedade civil em reuni&otilde;es preparat&oacute;rias, coincidiram Afonso e Pazello. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 13\/10\/2005 &ndash; O mundo real se envolveu em uma batalha, at&eacute; agora diplom&aacute;tica, pelo controle do mundo virtual, um dos principais assuntos a serem debatidos, entre 16 e 18 de novembro, na c&uacute;pula internacional que acontecer&aacute; em T&uacute;nis. Washington quer manter, contrariando a posi&ccedil;&atilde;o de quase todos os demais governos do mundo, o sistema de dom&iacute;nios e endere&ccedil;os eletr&ocirc;nicos administrado pela Corpora&ccedil;&atilde;o da Internet para a Atribui&ccedil;&atilde;o de Nomes e N&uacute;meros (Icann, sigla em ingl&ecirc;s), um organismo privado, vinculado ao Departamento de Com&eacute;rcio dos Estados Unidos. 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