{"id":10961,"date":"2012-11-15T07:24:28","date_gmt":"2012-11-15T07:24:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10961"},"modified":"2012-11-15T07:24:28","modified_gmt":"2012-11-15T07:24:28","slug":"soja-e-cana-nova-frmula-do-conflito-indgena-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/11\/america-latina\/soja-e-cana-nova-frmula-do-conflito-indgena-no-brasil\/","title":{"rendered":"Soja e cana, nova f&oacute;rmula do conflito ind&iacute;gena no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 15\/11\/2012 &ndash; A amea&ccedil;a de suic&iacute;dio coletivo por parte de ind&iacute;genas guarani-kaiow&aacute; no sudoeste do Brasil colocou em evid&ecirc;ncia uma nova f&oacute;rmula de agravamento dos conflitos pela terra ancestral: a expans&atilde;o da soja e da cana-de-a&ccedil;&uacute;car, de alto valor de exporta&ccedil;&atilde;o para o pa&iacute;s.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10961\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/1511129.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10961\" class=\"size-medium wp-image-10961\" title=\"Os guarani-kaiow&aacute;s j&aacute; n&atilde;o esperam que o governo proteja suas terras. - Cortesia CIMI\/Cl&eacute;ber Buzatto\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/1511129.jpg\" alt=\"Os guarani-kaiow&aacute;s j&aacute; n&atilde;o esperam que o governo proteja suas terras. - Cortesia CIMI\/Cl&eacute;ber Buzatto\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10961\" class=\"wp-caption-text\">Os guarani-kaiow&aacute;s j&aacute; n&atilde;o esperam que o governo proteja suas terras. - Cortesia CIMI\/Cl&eacute;ber Buzatto<\/p><\/div>  O estudo Em Terras Alheias &#8211; A Produ&ccedil;&atilde;o de Soja e Cana em &Aacute;reas Guarani no Mato Grosso do Sul, da organiza&ccedil;&atilde;o Rep&oacute;rter Brasil, quer contribuir para essa discuss&atilde;o. Com base em dados oficiais e investiga&ccedil;&otilde;es nas aldeias desse Estado, o trabalho mapeou a incid&ecirc;ncia da cana-de-a&ccedil;&uacute;car e da soja em seis &aacute;reas ind&iacute;genas.<\/p>\n<p>&quot;Quando aumenta o pre&ccedil;o de uma commodity (produto b&aacute;sico) no mercado internacional, &eacute; mais vantajoso plantar soja ou cana-de-a&ccedil;&uacute;car e a terra encarece. Com maior demanda por terras, o fazendeiro se arma contra os ind&iacute;genas e temos picos de conflito como no ano passado&quot;, disse &agrave; IPS uma das respons&aacute;veis pelo estudo, a jornalista e pesquisadora Verena Glass. No Mato Grosso do Sul, onde vivem cerca de 44 mil guaranis-kaiow&aacute;s, os conflitos deste ano foram em propriedades pecu&aacute;rias, mas a l&oacute;gica &eacute; a mesma: &quot;disputa entre commodities e terras reivindicadas por ind&iacute;genas&quot;, ressaltou. Quando o informe foi divulgado, no dia 24 de outubro, os conflitos se agravaram.<\/p>\n<p>O estudo foi realizado em julho, quando as ocupa&ccedil;&otilde;es dos kaiow&aacute;s para recuperar territ&oacute;rios geraram enfrentamentos e rea&ccedil;&otilde;es violentas por parte dos fazendeiros, inclusive com ataques com armas de fogo contra seus acampamentos. Mas o conflito transcendeu as fronteiras estaduais quando cerca de 30 fam&iacute;lias da comunidade Pyelito Kue anunciaram sua &quot;morte coletiva&quot;, caso fossem obrigadas a abandonar suas terras, em processo de demarca&ccedil;&atilde;o e homologa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Cansados de esperar em acampamentos na beira de estradas, os ind&iacute;genas retomaram uma pequena parte de suas terras origin&aacute;rias, ocupadas por fazendas. Por&eacute;m, uma ordem judicial ordenou sua retirada, em outubro. Quando a not&iacute;cia, interpretada como um suic&iacute;dio coletivo, circulou pelo mundo por meio das redes sociais, o governo conseguiu reverter a decis&atilde;o judicial e que os ind&iacute;genas permanecessem no lugar at&eacute; o final da demarca&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Os kaiow&aacute;s disseram ter ficado &quot;meio felizes&quot; com a decis&atilde;o, disse &agrave; IPS Egon Heck, do Conselho Indigenista Mission&aacute;rio (Cimi). Felizes porque n&atilde;o seriam expulsos de suas terras, mas n&atilde;o totalmente porque ficariam confinados por tempo indeterminado em apenas um hectare e sem possibilidade de circular fora dele. &quot;&Eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o agressiva de confinamento, que come&ccedil;ou no s&eacute;culo passado e que foi atualizada por esta decis&atilde;o judicial&quot;, afirmou o representante do Cimi, vinculado &agrave; Confer&ecirc;ncia dos Bispos do Brasil (CNBB).<\/p>\n<p>Heck quer saber at&eacute; que ponto quase 200 ind&iacute;genas, &quot;ligados ao seu territ&oacute;rio e aos recursos naturais como modo de vida, conseguir&atilde;o sobreviver em um hectare. Ser&aacute; que a leitura da Constitui&ccedil;&atilde;o, que garante a terra a esses povos de maneira coletiva, est&aacute; subjugada diante da propriedade privada?&quot;, questionou. Maur&iacute;cio Santoro, assessor para direitos humanos da Anistia Internacional no Brasil, disse &agrave; IPS que o Mato Grosso do Sul tem &aacute;reas ind&iacute;genas densamente povoadas, mas espalhadas entre cultivos de soja e &aacute;reas de pecu&aacute;ria. &quot;Essas terras ainda n&atilde;o foram demarcadas pelo governo federal, e esse vazio jur&iacute;dico estimula os conflitos&quot;, alertou.<\/p>\n<p>Assim como Pyelito Kue, outras comunidades foram expulsas de suas terras e est&atilde;o acampadas nas margens de rodovias, sem servi&ccedil;os m&eacute;dicos e amea&ccedil;adas por pistoleiros pagos pelos fazendeiros. &quot;A demora tamb&eacute;m est&aacute; matando o povo. Ningu&eacute;m decide. Vamos ocupar todas as terras mesmo sabendo que n&atilde;o h&aacute; seguran&ccedil;a, que vamos morrer. O povo decidiu&quot;, disse em setembro &agrave; IPS o ind&iacute;gena kaiow&aacute; Tonico, se referindo &agrave;s ocupa&ccedil;&otilde;es. Os &iacute;ndices de desnutri&ccedil;&atilde;o, suic&iacute;dio e viol&ecirc;ncia s&atilde;o muito altos, afirmou Santoro. Segundo o Cimi, o suic&iacute;dio est&aacute; presente h&aacute; tempo entre os kaiow&aacute;s e em outros grupos guaranis, sobretudo entre os jovens. De 2003 a 2010, houve 555 suic&iacute;dios.<\/p>\n<p>Desde 1991, foram homologadas apenas oito terras para estas comunidades, que formam o segundo povo ind&iacute;gena mais numeroso do Brasil, e vive em &aacute;reas diminutas. A expans&atilde;o do agroneg&oacute;cio, fortemente impulsionado pelo governo estadual, agravou a situa&ccedil;&atilde;o. O tipo de agricultura que pratica, baseada no uso intensivo de pesticidas, destrui&ccedil;&atilde;o de micro-organismos dos solos e extin&ccedil;&atilde;o de rios e florestas, foi um &quot;agravante fort&iacute;ssimo&quot; para um processo hist&oacute;rico de extin&ccedil;&atilde;o e expuls&atilde;o dos guarani-kaiow&aacute;s, descreveu Heck.<\/p>\n<p>A mecaniza&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola e o uso de agrot&oacute;xicos reduziram ao mesmo tempo o emprego de m&atilde;o de obra ind&iacute;gena que, sem possibilidade de obter frutos de suas terras, trabalha em fazendas ou usinas de etanol (extra&iacute;do da cana-de-a&ccedil;&uacute;car). &quot;Em pouco tempo n&atilde;o ter&atilde;o nem esse trabalho que, embora seja semiescravo, &eacute; praticamente a &uacute;nica renda&quot; dispon&iacute;vel, al&eacute;m da assist&ecirc;ncia governamental, alertou Heck.<\/p>\n<p>A organiza&ccedil;&atilde;o Rep&oacute;rter Brasil iniciou uma campanha para que as empresas multinacionais deixem de comprar mat&eacute;rias-primas de fazendas localizadas irregularmente em terras ind&iacute;genas. &quot;A proposta &eacute; que os grandes compradores deixem de adquirir o que &eacute; produzido em terras ind&iacute;genas como uma forma de castigo. Dessa forma se enfraquece economicamente os produtores e se reduz um pouco o valor dessa terra ind&iacute;gena&quot;, explicou Glass.<\/p>\n<p>Nesse contexto, conseguiu-se que duas usinas de etanol do Estado, S&atilde;o Fernando e Ra&iacute;zen, se comprometessem a n&atilde;o comprar mais cana de &aacute;reas ind&iacute;genas. Contudo, outras, como Monte Verde, da multinacional Bunge, adquirem gr&atilde;os de cinco propriedades instaladas em terras ind&iacute;genas ainda em processo de demarca&ccedil;&atilde;o, segundo Glass. A empresa argumenta que n&atilde;o est&aacute; infringindo normas enquanto os fazendeiros n&atilde;o forem obrigados por lei a abandonarem essas &aacute;reas.<\/p>\n<p>O governo de Dilma Rousseff prometeu acelerar a regulariza&ccedil;&atilde;o de terras. J&aacute; os produtores rurais pedem compensa&ccedil;&otilde;es econ&ocirc;micas para se retirarem delas, e criticam que se pague um erro &quot;com outro erro hist&oacute;rico&quot;: penalizar um setor produtivo. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 15\/11\/2012 &ndash; A amea&ccedil;a de suic&iacute;dio coletivo por parte de ind&iacute;genas guarani-kaiow&aacute; no sudoeste do Brasil colocou em evid&ecirc;ncia uma nova f&oacute;rmula de agravamento dos conflitos pela terra ancestral: a expans&atilde;o da soja e da cana-de-a&ccedil;&uacute;car, de alto valor de exporta&ccedil;&atilde;o para o pa&iacute;s. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/11\/america-latina\/soja-e-cana-nova-frmula-do-conflito-indgena-no-brasil\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":75,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,6,5,10],"tags":[27,25],"class_list":["post-10961","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-direitos-humanos","category-economia","category-energia","tag-brasil","tag-ibsa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10961","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10961"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10961\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10961"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10961"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10961"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}