{"id":10965,"date":"2012-11-27T08:03:52","date_gmt":"2012-11-27T08:03:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10965"},"modified":"2012-11-27T08:03:52","modified_gmt":"2012-11-27T08:03:52","slug":"o-racismo-faz-mal-sade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/11\/america-latina\/o-racismo-faz-mal-sade\/","title":{"rendered":"O racismo faz mal &agrave; sa&uacute;de"},"content":{"rendered":"<p>RIO DE JANEIRO, Brasil, 27\/11\/2012 &ndash; Entre a emerg&ecirc;ncia de uma parturiente negra e uma branca, o m&eacute;dico brasileiro escolhe a branca porque &quot;as negras s&atilde;o mais resistentes &agrave; dor e est&atilde;o acostumadas a parir&quot;.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10965\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/161112.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10965\" class=\"size-medium wp-image-10965\" title=\"Crian&ccedil;as negras e mesti&ccedil;as em Ara&ccedil;ua\u00c3\u00ad, Minas Gerais. - Rodrigo Dai - Cortesia Ser Crian&ccedil;a\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/161112.jpg\" alt=\"Crian&ccedil;as negras e mesti&ccedil;as em Ara&ccedil;ua\u00c3\u00ad, Minas Gerais. - Rodrigo Dai - Cortesia Ser Crian&ccedil;a\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10965\" class=\"wp-caption-text\">Crian&ccedil;as negras e mesti&ccedil;as em Ara&ccedil;ua\u00c3\u00ad, Minas Gerais. - Rodrigo Dai - Cortesia Ser Crian&ccedil;a<\/p><\/div>  As conven&ccedil;&otilde;es culturais e sociais brasileiras &quot;imputam ao negro condi&ccedil;&otilde;es de estere&oacute;tipo, que fazem com que n&atilde;o tenha as mesmas garantias de tratamento da sa&uacute;de que um branco&quot;, disse &agrave; IPS a psic&oacute;loga Crisfanny Souza Soares, da Rede Nacional de Controle Social e Sa&uacute;de da Popula&ccedil;&atilde;o Negra. Estes estere&oacute;tipos refletem um racismo que faz mal &agrave; sa&uacute;de e que uma campanha tenta extirpar do sistema hospitalar brasileiro.<\/p>\n<p>Dos 192 milh&otilde;es de brasileiros, metade se reconhece como negra. A Mobiliza&ccedil;&atilde;o Nacional Pr&oacute;-Sa&uacute;de da Popula&ccedil;&atilde;o Negra, foi lan&ccedil;ada este ano por organiza&ccedil;&otilde;es de afro-brasileiros, com apoio do Fundo de Popula&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (UNFPA). Sob o lema &quot;Vida longa, com sa&uacute;de e sem racismo&quot;, o objetivo da campanha &eacute; a sa&uacute;de integral em todas as fases da vida, incentivando a sociedade, e em particular o sistema sanit&aacute;rio, a combater a discrimina&ccedil;&atilde;o para reduzir os altos &iacute;ndices de mortalidade da popula&ccedil;&atilde;o de origem africana.<\/p>\n<p>&quot;Praticamente, todos os &iacute;ndices de sa&uacute;de da mulher negra s&atilde;o piores do que os da branca. Em uma consulta sobre c&acirc;ncer de mama, as negras s&atilde;o menos apalpadas do que as brancas; e recebem menos anestesia no parto&quot;, afirma Crisfanny. O Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de, que desde 2006 impulsiona uma pol&iacute;tica nacional integral para este grupo de popula&ccedil;&atilde;o no contexto do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS), realiza estudos para detectar este tipo de situa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&quot;A ideia de que a popula&ccedil;&atilde;o negra &eacute; mais resistente &agrave; dor e tem melhores condi&ccedil;&otilde;es de conviver com a doen&ccedil;a est&aacute; presente em todo o sistema de sa&uacute;de, desde os t&eacute;cnicos de enfermagem at&eacute; os m&eacute;dicos&quot;, afirmou Deise Queiroz, coordenadora da Articula&ccedil;&atilde;o de Jovens Negras, da Bahia. Ela conhece bem isso, especialmente porque sua m&atilde;e, que sofre de diabete e press&atilde;o alta, deve recorrer com frequ&ecirc;ncia ao sistema p&uacute;blico de sa&uacute;de. Segundo a ativista, o SUS, que foi um modelo de democratiza&ccedil;&atilde;o do servi&ccedil;o de sa&uacute;de, hoje n&atilde;o consegue atender tanta demanda, e &quot;as atitudes racistas ficam mais evidentes&quot;.<\/p>\n<p>A Constitui&ccedil;&atilde;o determina que a sa&uacute;de &eacute; um direito universal e o Estado tem o dever de proporcion&aacute;-la. O SUS estabelece que &quot;todas as pessoas t&ecirc;m direito ao tratamento de qualidade humanizado e sem nenhuma discrimina&ccedil;&atilde;o&quot;. Entretanto, o racismo se infiltra aberta ou sutilmente. &quot;Ele se incorpora nas condi&ccedil;&otilde;es de vida da popula&ccedil;&atilde;o, na organiza&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de e na formula&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas&quot;, explicou &agrave; IPS a representante auxiliar do UNFPA no Brasil, Fernanda Lopes. &quot;Por isto &eacute; necess&aacute;rio construir pol&iacute;ticas espec&iacute;ficas de equidade&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Um estudo epidemiol&oacute;gico do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de apresenta informa&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica para ajudar a preencher esses vazios, ao comparar indicadores como assist&ecirc;ncia pr&eacute;-natal por ra&ccedil;a, cor e etnia. Tamb&eacute;m analisa outros aspectos, como o direito e o acesso a planejamento familiar, que &eacute; mais prec&aacute;rio entre as afrodescendentes. Precisamente este aspecto &eacute; o centro do informe mundial do UNFPA, apresentado no dia 14, com o t&iacute;tulo Sim &agrave; Op&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o ao Acaso &#8211; Planejamento da Fam&iacute;lia, Direitos Humanos e Desenvolvimento.<\/p>\n<p>Por exemplo, 19% das crian&ccedil;as nascidas vivas s&atilde;o de m&atilde;es adolescentes brancas entre 15 e 19 anos. Contudo, a incid&ecirc;ncia de gravidez em adolescentes &eacute; de 29% entre as jovens afro-brasileiras da mesma faixa et&aacute;ria. Al&eacute;m disso, enquanto 62% das m&atilde;es de crian&ccedil;as brancas informavam ter realizado sete ou mais consultas pr&eacute;-natais, apenas 37% das m&atilde;es de rec&eacute;m-nascidos mulatos e negros realizaram essa quantidade de exames antes do parto.<\/p>\n<p>A mortalidade infantil tamb&eacute;m apresenta disparidades. O risco de uma crian&ccedil;a negra ou mulata morrer antes dos cinco anos de idade por doen&ccedil;as infecciosas e parasit&aacute;rias &eacute; 60% maior em rela&ccedil;&atilde;o a uma crian&ccedil;a branca. E o de morte por desnutri&ccedil;&atilde;o &eacute; 90% superior. O estudo tamb&eacute;m constatou que morrem mais gr&aacute;vidas afrodescendentes do que brancas por causas vinculadas &agrave; gesta&ccedil;&atilde;o, como hipertens&atilde;o.<\/p>\n<p>&quot;Dizem que os piores &iacute;ndices sanit&aacute;rios da popula&ccedil;&atilde;o negra se deve ao fato de a maioria ser pobre e, por isso, mais vulner&aacute;vel&quot;, apontou Crisfanny. Por&eacute;m, n&atilde;o se pode negar outras vari&aacute;veis estritamente racistas, advertiu. &quot;Se em um hospital vemos dois jovens baleados, &eacute; mais f&aacute;cil o imagin&aacute;rio cultural colocar o branco no papel de v&iacute;tima, enquanto o negro estaria ali porque se envolveu em um crime&quot;, ressaltou a psic&oacute;loga, afirmando que &agrave;s vezes essa refer&ecirc;ncia &quot;faz com que um profissional estabele&ccedil;a prioridades no atendimento&quot;.<\/p>\n<p>Outra preocupa&ccedil;&atilde;o se refere &agrave;s doen&ccedil;as prevalentes na popula&ccedil;&atilde;o afrodescendente, como anemia falciforme, diabete mellitus Tipo II e hipertens&atilde;o, que o sistema sanit&aacute;rio n&atilde;o est&aacute; preparado para abordar de maneira espec&iacute;fica. As mulheres negras t&ecirc;m 50% mais possibilidades de desenvolver esse tipo de diabete, com o agravante de a hipertens&atilde;o arterial entre elas ser duas vezes maior do que na popula&ccedil;&atilde;o em geral.<\/p>\n<p>O mesmo ocorre com a anemia falciforme, que poderia ser detectada nos rec&eacute;m-nascidos. Segundo a Mobiliza&ccedil;&atilde;o Nacional Pr&oacute;-Sa&uacute;de, cerca de 3.500 crian&ccedil;as brasileiras nascem a cada ano com essa enfermidade, fazendo dela a doen&ccedil;a gen&eacute;tica de maior incid&ecirc;ncia no pa&iacute;s. &quot;A popula&ccedil;&atilde;o negra morre, em geral, mais cedo, e suas mortes por causas evit&aacute;veis s&atilde;o mais frequentes&quot;, pontuou Fernanda. Por isso, uma pol&iacute;tica para combater a discrimina&ccedil;&atilde;o na sa&uacute;de &quot;chega para minimizar o impacto das desigualdades hist&oacute;ricas mediante estrat&eacute;gias de a&ccedil;&atilde;o afirmativa&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>O UNFPA contribui com o governo e o movimento negro para fortalecer essa pol&iacute;tica e a forma&ccedil;&atilde;o profissional que deve acompanh&aacute;-la. &quot;O desafio &eacute; responder por que, em um pa&iacute;s onde a popula&ccedil;&atilde;o negra representa 50,3% do total, temos um quadro sanit&aacute;rio t&atilde;o diferenciado&quot; entre negros e brancos, admite o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RIO DE JANEIRO, Brasil, 27\/11\/2012 &ndash; Entre a emerg&ecirc;ncia de uma parturiente negra e uma branca, o m&eacute;dico brasileiro escolhe a branca porque &quot;as negras s&atilde;o mais resistentes &agrave; dor e est&atilde;o acostumadas a parir&quot;. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/11\/america-latina\/o-racismo-faz-mal-sade\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":75,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,6,7],"tags":[27,24],"class_list":["post-10965","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-direitos-humanos","category-saude","tag-brasil","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10965","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10965"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10965\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10965"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10965"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10965"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}