{"id":10969,"date":"2012-11-27T08:08:17","date_gmt":"2012-11-27T08:08:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10969"},"modified":"2012-11-27T08:08:17","modified_gmt":"2012-11-27T08:08:17","slug":"classe-mdia-cresce-com-ossos-frgeis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/11\/america-latina\/classe-mdia-cresce-com-ossos-frgeis\/","title":{"rendered":"Classe m&eacute;dia cresce com ossos fr&aacute;geis"},"content":{"rendered":"<p>Washington, Estados Unidos, 27\/11\/2012 &ndash; A classe m&eacute;dia na Am&eacute;rica Latina cresceu 50% nos &uacute;ltimos dez anos, segundo o Banco Mundial. Por&eacute;m, os governos da regi&atilde;o ainda t&ecirc;m o desafio de conseguir que este avan&ccedil;o gere um &quot;c&iacute;rculo vicioso&quot;.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10969\" style=\"width: 160px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/1611121.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10969\" class=\"size-medium wp-image-10969\" title=\"Centro comercial Galer\u00c3\u00adas Pac\u00c3\u00adfico, em Buenos Aires. - Alicia Nijdam\/cc by 2.0\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/1611121.jpg\" alt=\"Centro comercial Galer\u00c3\u00adas Pac\u00c3\u00adfico, em Buenos Aires. - Alicia Nijdam\/cc by 2.0\" width=\"150\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10969\" class=\"wp-caption-text\">Centro comercial Galer\u00c3\u00adas Pac\u00c3\u00adfico, em Buenos Aires. - Alicia Nijdam\/cc by 2.0<\/p><\/div>  O &uacute;ltimo informe do Banco Mundial indica que a classe m&eacute;dia da regi&atilde;o passou de 103 milh&otilde;es de pessoas, em 2003, para 152 milh&otilde;es, em 2009. Al&eacute;m disso, 24 milh&otilde;es, dos 73 milh&otilde;es de latino- americanos que sa&iacute;ram da pobreza, n&atilde;o entraram diretamente na classe m&eacute;dia, mas passaram a incrementar o que o Banco chama de &quot;classe vulner&aacute;vel&quot;.<\/p>\n<p>Este setor &eacute; hoje o maior grupo socioecon&ocirc;mico da regi&atilde;o, com 38% dos 577 milh&otilde;es de latino- americanos. Esta classe baixa e a classe m&eacute;dia representam cada uma 30% da popula&ccedil;&atilde;o, e a classe alta 2%. O Banco Mundial define a classe m&eacute;dia como o grupo socioecon&ocirc;mico formado por aqueles que ganham entre US$ 10 e US$ 50 por dia ou integram uma fam&iacute;lia cuja renda fique entre US$ 14,6 mil e US$ 73 mil por ano.<\/p>\n<p>Grande parte do crescimento da regi&atilde;o, governada majoritariamente nesta d&eacute;cada por partidos de esquerda e centro-esquerda, foi impulsionado pelo bom desempenho econ&ocirc;mico internacional at&eacute; o final de 2008. A capacidade dos governos para manter esta tend&ecirc;ncia, diante da mais fraca situa&ccedil;&atilde;o atual, determinar&aacute; o grau em que se consolidar&atilde;o os avan&ccedil;os.<\/p>\n<p>&quot;Devido &agrave; crise na zona do euro, muitos pa&iacute;ses agora pensam muito no curto prazo. Mas a Am&eacute;rica Latina, gra&ccedil;as a anos de esfor&ccedil;os, tem o luxo de pensar mais a longo prazo, e isso &eacute; importante&quot;, destacou o presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, ao apresentar o informe A Mobilidade Econ&ocirc;mica e o Crescimento da Classe M&eacute;dia na Am&eacute;rica Latina, na sede do Banco, no dia 13. As raz&otilde;es por tr&aacute;s desta mudan&ccedil;a incluem o crescimento (econ&ocirc;mico) sustentado, gera&ccedil;&atilde;o de empregos e redu&ccedil;&atilde;o da desigualdade, mas os pa&iacute;ses ainda devem se concentrar nos 7% da popula&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o tem acesso a &aacute;gua pot&aacute;vel e nos 20% que carecem de saneamento&quot;, indicou Kim.<\/p>\n<p>Alguns pa&iacute;ses se destacaram particularmente, como a Col&ocirc;mbia, onde 54% da popula&ccedil;&atilde;o subiu de n&iacute;vel socioecon&ocirc;mico, e o Brasil, onde foi produzida 40% de toda a mobilidade econ&ocirc;mica registrada na regi&atilde;o. No entanto, economistas brasileiros questionam o n&uacute;mero de pessoas que teriam sa&iacute;do da classe baixa no Brasil, afirmando que para os c&aacute;lculos devem ser contemplados outros fatores, al&eacute;m da renda familiar, como o consumo.<\/p>\n<p>Outras an&aacute;lises destacam o importante papel que desempenharam as mulheres na redu&ccedil;&atilde;o da pobreza na Am&eacute;rica Latina. &quot;As mulheres latino- americanas foram respons&aacute;veis por 30% da redu&ccedil;&atilde;o da extrema pobreza na regi&atilde;o na &uacute;ltima d&eacute;cada, como resultado de sua crescente participa&ccedil;&atilde;o na for&ccedil;a de trabalho e da melhora de renda&quot;, escreveu no dia 13 a analista Stephanie Leutert, do centro de estudos Council on Foreign Relations, com sede em Washington. &quot;Como em outros lugares, o declive econ&ocirc;mico mundial teve impacto mais forte na renda dos homens. Em resposta, as mulheres latino-americanas ocuparam o espa&ccedil;o, provocando mais da metade da redu&ccedil;&atilde;o da pobreza de 2009&quot;, explicou Leutert.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s v&aacute;rios anos de desigualdade extremamente alta, sua redu&ccedil;&atilde;o significativa foi &quot;completamente inesperada&quot;, reconheceu o economista-chefe do Banco Mundial para a Am&eacute;rica Latina e o Caribe, Augusto de la Torre, em conversa com os jornalistas. &quot;Durante anos, a Am&eacute;rica Latina foi uma das regi&otilde;es mais desiguais, mas agora &eacute; uma das poucas, se n&atilde;o a &uacute;nica, onde a brecha entre ricos e pobres diminui. Este &eacute; um fen&ocirc;meno not&aacute;vel&quot;, enfatizou.<\/p>\n<p>&quot;Uma sociedade com crescente classe m&eacute;dia tem mais probabilidade de reduzir as desigualdades, e, al&eacute;m disso, este setor &eacute; amplamente reconhecido como um agente de estabilidade e prosperidade&quot;, segundo De La Torre. &quot;Para uma regi&atilde;o de renda m&eacute;dia como a Am&eacute;rica Latina, a classe m&eacute;dia tem implica&ccedil;&otilde;es cruciais&quot;. Contudo, sugeriu cautela e recomendou n&atilde;o &quot;chamar isto de vit&oacute;ria&quot;, pelo menos por tr&ecirc;s raz&otilde;es.<\/p>\n<p>A primeira &eacute; que a fr&aacute;gil situa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica mundial exigir&aacute; dos governos nacionais uma s&eacute;rie de fortes medidas de resposta. O Banco Mundial se concentrar&aacute; em promover reformas nos sistemas de prote&ccedil;&atilde;o social, junto com novos e criativos investimentos em educa&ccedil;&atilde;o. Em segundo lugar, a desigualdade ainda n&atilde;o foi abatida por completo, e as circunst&acirc;ncias de nascimento para a popula&ccedil;&atilde;o latino-americana continuam sendo extremamente importantes.<\/p>\n<p>Para De La Torre, &quot;lamentavelmente, o contexto familiar ainda tem muita import&acirc;ncia na Am&eacute;rica Latina. Nesse sentido, os pobres sofrem uma dupla adversidade: s&atilde;o pobres e t&ecirc;m menos educa&ccedil;&atilde;o, e tamb&eacute;m t&ecirc;m muitas probabilidades de continuarem assim. Isto melhorou, embora, talvez, de forma extremamente lenta&quot;.<\/p>\n<p>A terceira quest&atilde;o, e talvez a mais complicada para os pol&iacute;ticos, &eacute; que os membros da nova classe m&eacute;dia mostram pouca inclina&ccedil;&atilde;o a usar sua fortalecida influ&ecirc;ncia para pressionar os governos nacionais a melhorarem os servi&ccedil;os p&uacute;blicos e as institui&ccedil;&otilde;es. De fato, muitos preferem diretamente ignorar os servi&ccedil;os do governo sempre que isso lhes &eacute; poss&iacute;vel.<\/p>\n<p>No resto do mundo, quando a classe m&eacute;dia come&ccedil;a a crescer, a tend&ecirc;ncia &eacute; que sejam fortalecidas as institui&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas, haja menos n&iacute;veis de corrup&ccedil;&atilde;o e melhore a qualidade dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos. O Banco Mundial explica que assim &eacute; gerado um c&iacute;rculo virtuoso. Por&eacute;m, a classe m&eacute;dia latino-americana ainda n&atilde;o parece contribuir para a melhoria da capacidade institucional no mesmo ritmo visto em outros lugares. &quot;Isto &eacute; preocupante. As pessoas entram na classe m&eacute;dia na Am&eacute;rica Latina, e, em lugar de se envolverem na melhoria institucional, tendem a optar por se afastarem dos servi&ccedil;os p&uacute;blicos&quot;, lamentou De La Torre.<\/p>\n<p>Por exemplo, em lugar de exigir melhoria das escolas, da pol&iacute;cia ou das redes el&eacute;tricas p&uacute;blicas, muitos da nova classe m&eacute;dia preferem pagar col&eacute;gios e servi&ccedil;os de seguran&ccedil;a privados, bem como comprar geradores de energia pr&oacute;prios. Al&eacute;m disso, mostram resist&ecirc;ncia em pagar impostos. Com exce&ccedil;&atilde;o do Brasil, a renda fiscal dos governos latino-americanos equivale, em m&eacute;dia, a 17% de seu produto interno bruto, enquanto a maioria dos pa&iacute;ses do Norte coleta o dobro.<\/p>\n<p>De La Torre alertou que &quot;a Am&eacute;rica Latina corre o risco de entrar em uma era de m&aacute; qualidade de servi&ccedil;os p&uacute;blicos, enquanto o pouco uso destes por parte da classe m&eacute;dia leva a uma escassa disposi&ccedil;&atilde;o por mudan&ccedil;as. Pode-se estar evitando o c&iacute;rculo virtuoso&quot;. O novo informe tamb&eacute;m exorta os legisladores da Am&eacute;rica Latina, explicitamente, a incorporarem a meta de iguais oportunidades nas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas.<\/p>\n<p>O presidente do Banco Mundial afirmou que isto n&atilde;o &eacute; apenas uma quest&atilde;o moral, mas tamb&eacute;m econ&ocirc;mica. &quot;Os pa&iacute;ses que se concentraram em reduzir a desigualdade viram que isto &eacute; de fato bom para o crescimento econ&ocirc;mico. A evid&ecirc;ncia da &uacute;ltima d&eacute;cada na Am&eacute;rica Latina &eacute; clara: o caminho para o crescimento deve incluir muitas pessoas mais&quot;, opinou Kim. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Washington, Estados Unidos, 27\/11\/2012 &ndash; A classe m&eacute;dia na Am&eacute;rica Latina cresceu 50% nos &uacute;ltimos dez anos, segundo o Banco Mundial. 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