{"id":10973,"date":"2012-11-27T08:23:58","date_gmt":"2012-11-27T08:23:58","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10973"},"modified":"2012-11-27T08:23:58","modified_gmt":"2012-11-27T08:23:58","slug":"superestrelas-por-um-mundo-com-menos-pobreza","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/11\/mundo\/superestrelas-por-um-mundo-com-menos-pobreza\/","title":{"rendered":"Superestrelas por um mundo com menos pobreza"},"content":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 27\/11\/2012 &ndash; A iniciativa Why Poverty? (Por Que a Pobreza?) re&uacute;ne 30 curtas-metragens document&aacute;rios, de premiados diretores e de novos talentos do cinema, sobre diferentes aspectos da mis&eacute;ria, como desigualdade de g&ecirc;nero, segrega&ccedil;&atilde;o residencial, ajuda e com&eacute;rcio.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10973\" style=\"width: 160px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/1611123.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10973\" class=\"size-medium wp-image-10973\" title=\"O diretor sueco Bosse Lindquist coloca o cinema a servi&ccedil;o da luta contra a pobreza. - Cortesia do entrevistado\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/1611123.jpg\" alt=\"O diretor sueco Bosse Lindquist coloca o cinema a servi&ccedil;o da luta contra a pobreza. - Cortesia do entrevistado\" width=\"150\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10973\" class=\"wp-caption-text\">O diretor sueco Bosse Lindquist coloca o cinema a servi&ccedil;o da luta contra a pobreza. - Cortesia do entrevistado<\/p><\/div>  Bosse Lindquist &eacute; um deles. De 25 a 30 deste m&ecirc;s, os filmes ser&atilde;o transmitidos para todo o mundo por interm&eacute;dio de 62 canais nacionais, chegando a 500 milh&otilde;es de pessoas. Depois haver&aacute; um debate na internet sobre o assunto.<\/p>\n<p>A Why Poverty? foi lan&ccedil;ada em 27 de setembro na Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) e &eacute; administrada pela Steps, uma entidade com sedes na Dinamarca e na &Aacute;frica do Sul. A agenda n&atilde;o busca arrecadar dinheiro ou impulsionar uma solu&ccedil;&atilde;o &uacute;nica para a pobreza mundial, mas provocar discuss&otilde;es sobre todos os aspectos poss&iacute;veis da pobreza.<\/p>\n<p>Em sua colabora&ccedil;&atilde;o, o cineasta sueco Bosse Lindquist aborda o ponto de vista da caridade, com o document&aacute;rio Give us the Money (Nos D&ecirc; Dinheiro). Lindquist conversou com a IPS sobre o filme e o fato de focar nas estrelas de rock irlandesas Bob Geldof e Bono, que h&aacute; anos defendem os mais pobres.<\/p>\n<p>IPS: Como lhe ocorreu a ideia do filme?<\/p>\n<p>BOSSE LINDQUIST: Fui convidado pela BBC, a SVT e demais editores encarregados, para lan&ccedil;ar um olhar para a solidariedade e o desenvolvimento. Ap&oacute;s ter explorado o mundo dos famosos, me dei conta de que Geldof, que iniciou de muitas maneiras a participa&ccedil;&atilde;o das celebridades na luta contra a pobreza, era um dos poucos atores consistentes no longo prazo. Ele &eacute; ativista desde 1984, quando come&ccedil;ou arrecadando dinheiro para as v&iacute;timas da fome e depois trabalhando pela mudan&ccedil;a de sistema. Logo ficou claro que Bono unira-se a ele nesta luta, j&aacute; nos anos 1990, e que ambos, cooperando com muitos outros indiv&iacute;duos e organiza&ccedil;&otilde;es, conseguiram &ecirc;xitos destac&aacute;veis. E ainda o fazem.<\/p>\n<p>IPS: Os shows e as campanhas iniciadas por artistas como Bono e Geldof conseguiram ajudar os pobres?<\/p>\n<p>BL: Sim, e tamb&eacute;m &eacute; importante mencionar que n&atilde;o h&aacute; estudos cient&iacute;ficos mostrando exatamente o impacto que causaram. Lamentavelmente, o mesmo ocorre com a incid&ecirc;ncia geral da ajuda para o desenvolvimento econ&ocirc;mico na &Aacute;frica. Estes s&atilde;o assuntos muito complicados, que dependem de m&uacute;ltiplos fatores. De todo modo, fica claro que Bono e Geldof tiveram um papel importante ao conseguirem que, em 2005, fosse cancelada a elevada d&iacute;vida da &Aacute;frica com o mundo rico. Eles tamb&eacute;m ajudaram o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, a criar o Pepfar (Plano de Emerg&ecirc;ncia do Presidente para Al&iacute;vio da Aids) e a fazer com que o mundo rico financiasse a Gavi (iniciativa mundial para a vacina contra a aids). Estes dois projetos, juntos, financiam uma grande parte dos medicamentos que salvam vidas e que atualmente chegam a oito milh&otilde;es de africanos infectados com o v&iacute;rus HIV, causador da aids.<\/p>\n<p>IPS: Uma superestrela rica e branca pode se converter em porta-voz dos pobres da &Aacute;frica?<\/p>\n<p>BL: Bono e Geldof se tornaram h&aacute;beis defensores e lobistas que trabalham por maiores recursos para os extremamente pobres da &Aacute;frica, bem como por uma mudan&ccedil;a de sistema em n&iacute;vel mundial para conseguir legisla&ccedil;&atilde;o importante a respeito da transpar&ecirc;ncia da ajuda. Mas porta-vozes, n&atilde;o. Este trabalho deve ser feito por africanos.<\/p>\n<p>IPS: Quanto do ativismo dos artistas se utiliza para potencializar sua imagem e quanto para ajudar?<\/p>\n<p>BL: Pouqu&iacute;ssimas celebridades participam de atividades solid&aacute;rias para se beneficiar artisticamente. N&atilde;o h&aacute; provas de que Bono e Geldof fa&ccedil;am isto. Mas, naturalmente, seu genu&iacute;no ativismo, sem d&uacute;vida, n&atilde;o prejudica suas imagens nem suas vendas recordes de &aacute;lbuns.<\/p>\n<p>IPS: Dos pa&iacute;ses mais ricos, 20% consomem 80% dos recursos naturais do mundo. Alguns vivem no luxo absoluto, outros passam fome. &Eacute; poss&iacute;vel conseguir a igualdade?<\/p>\n<p>BL: Simplesmente devemos trabalhar por um mundo mais justo e equitativo. Qualquer outra coisa ser&aacute; injusta. Tamb&eacute;m, esta &eacute; a &uacute;nica maneira, se queremos fazer o mundo mais pac&iacute;fico e seguro. Creio que isto tamb&eacute;m &eacute; um requisito para fazer com que todos juntem esfor&ccedil;os e combatam os perigos ambientais e o aquecimento global.<\/p>\n<p>IPS: Como podemos conseguir isto?<\/p>\n<p>BL: O combate tem que se desenvolver em numerosas plataformas. Uma luta muito importante tem a ver com aprovar leis para enfrentar a corrup&ccedil;&atilde;o e o roubo nas transa&ccedil;&otilde;es entre pa&iacute;ses com recursos minerais ou agr&iacute;colas e os compradores no mundo rico. Outra luta enorme tem a ver com dar educa&ccedil;&atilde;o a cada crian&ccedil;a na Terra. E uma terceira luta, obviamente, &eacute; para garantir que as mulheres tenham as mesmas oportunidades que os homens.<\/p>\n<p>IPS: O que diz sobre o conceito de &quot;armadilha da ajuda&quot;, teoria segundo a qual os pa&iacute;ses pobres podem ficar dependentes da ajuda externa?<\/p>\n<p>BL: N&atilde;o &eacute; tanto o caso de os pa&iacute;ses mais pobres se tornarem dependentes, mas sim de os funcion&aacute;rios de seus governos ficarem dependentes. H&aacute; um elemento corruptor em todas as grandes transfer&ecirc;ncias de dinheiro, e h&aacute; um perigo constante de que a pessoa seja seduzida por isto. Mas o fato de tal &quot;armadilha da ajuda&quot; existir n&atilde;o &eacute; motivo para fre&aacute;-la, embora seja um motivo muito forte para cobrar transpar&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o a quanta ajuda se d&aacute; e se distribui, com meios inerentes para que os pr&oacute;prios receptores controlem como se desembolsa o dinheiro dado a um pa&iacute;s. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 27\/11\/2012 &ndash; A iniciativa Why Poverty? 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