{"id":10987,"date":"2012-11-27T08:51:47","date_gmt":"2012-11-27T08:51:47","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10987"},"modified":"2012-11-27T08:51:47","modified_gmt":"2012-11-27T08:51:47","slug":"israel-desfolha-a-margarida-da-guerra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/11\/direitos-humanos\/israel-desfolha-a-margarida-da-guerra\/","title":{"rendered":"Israel desfolha a margarida da guerra"},"content":{"rendered":"<p>Jerusal&eacute;m, Israel, 27\/11\/2012 &ndash; O ataque de Israel ao Ham&aacute;s parece um remake da guerra de 2008-2009 contra a Faixa de Gaza. A diferen&ccedil;a est&aacute; em se saber se tentar&aacute; conseguir o que n&atilde;o conseguiu na ofensiva anterior: derrubar de uma vez por todas o Movimento de Resist&ecirc;ncia Isl&acirc;mica. Para ampliar a opera&ccedil;&atilde;o, o ex&eacute;rcito israelense convocou 75 mil reservistas. H&aacute; quatro anos foram mobilizados menos de dez mil.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10987\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/2011123.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10987\" class=\"size-medium wp-image-10987\" title=\"O primeiro-ministro do Ham&aacute;s, Ismail Haniyeh, enfrenta uma nova arremetida de Israel. Seu escrit&oacute;rio foi destru\u00c3\u00addo no dia 17. - Mohammed Omer\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/2011123.jpg\" alt=\"O primeiro-ministro do Ham&aacute;s, Ismail Haniyeh, enfrenta uma nova arremetida de Israel. Seu escrit&oacute;rio foi destru\u00c3\u00addo no dia 17. - Mohammed Omer\/IPS\" width=\"200\" height=\"131\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10987\" class=\"wp-caption-text\">O primeiro-ministro do Ham&aacute;s, Ismail Haniyeh, enfrenta uma nova arremetida de Israel. Seu escrit&oacute;rio foi destru\u00c3\u00addo no dia 17. - Mohammed Omer\/IPS<\/p><\/div>  O secret&aacute;rio-geral da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), Ban Ki-moon, viajou ontem para Cairo, somando-se aos esfor&ccedil;os mediadores do Egito para conseguir um cessar-fogo entre Israel e o Ham&aacute;s. O atual conflito j&aacute; causou uma centena de mortes palestinas e tr&ecirc;s israelenses.<\/p>\n<p>Quando lan&ccedil;ou a opera&ccedil;&atilde;o Pilar de Defesa, no dia 14, com o assassinato do comandante da ala militar do Ham&aacute;s, Ahmad Jabari, e a destrui&ccedil;&atilde;o da maior parte de seu arsenal de m&iacute;sseis FAJR de longo alcance, o objetivo declarado de Israel era, de algum modo, modesto: empurrar o movimento isl&acirc;mico para um cessar-fogo de longo prazo que inclua todas as fac&ccedil;&otilde;es isl&acirc;micas, garantindo, assim, a tranquilidade em sua fronteira sudoeste.<\/p>\n<p>Os meios empregados est&atilde;o longe de serem modestos. A for&ccedil;a a&eacute;rea e a marinha de Israel utilizaram lan&ccedil;a-m&iacute;sseis, bunkers e centros de comando em centenas de ataques, 200 apenas na noite do dia 15. No dia seguinte, foi bombardeada a sede do Ham&aacute;s, e ontem foi o pr&eacute;dio onde funcionava o canal de televis&atilde;o Al Aqsa. Por outro lado, centenas de m&iacute;sseis ca&iacute;ram em cidades e povoados israelenses localizados em um raio de 40 quil&ocirc;metros de Gaza, matando tr&ecirc;s civis.<\/p>\n<p>Pela primeira vez desde a primeira Guerra do Golfo (1991), m&iacute;sseis de longo alcance chegaram &agrave; &aacute;rea metropolitana de Tel Aviv, sem causar danos. &quot;Todos os sinais sugerem que Israel se fixou em um objetivo relativamente modesto: uma tr&eacute;gua de longo prazo&quot;, escreveu o analista de defesa israelense Ron Ben-Yishai no jornal centrista Yedioth Ahronoth. Entretanto, n&atilde;o h&aacute; ind&iacute;cios plaus&iacute;veis de que o Ham&aacute;s esteja pronto para semelhante tr&eacute;gua.<\/p>\n<p>H&aacute; quatro anos, no come&ccedil;o da opera&ccedil;&atilde;o Chumbo Derretido, Israel ainda gozava de uma relativa liberdade de a&ccedil;&atilde;o e do apoio do Ocidente. Um fator que poderia limitar suas for&ccedil;as armadas agora &eacute; o risco de que a ofensiva leve a um uso ainda mais desproporcional da for&ccedil;a e a uma indiscriminada matan&ccedil;a de civis palestinos. Na guerra, que se desenvolveu entre 27 de dezembro de 2008 e 18 de janeiro de 2009, morreram 1.400 palestinos, 300 deles menores de 18 anos.<\/p>\n<p>Em um informe divulgado em setembro de 2009 por uma comiss&atilde;o investigadora liderada pelo juiz Richard Goldstone, Israel foi acusado de crimes de guerra. Na &eacute;poca, o governo israelense argumentou que havia restabelecido sua capacidade de dissuas&atilde;o. De fato, per&iacute;odos de calma se alternaram com outros de tens&atilde;o. Este ano, com 750 m&iacute;sseis lan&ccedil;ados contra Israel pelas guerrilhas palestinas antes da atual escalada, os par&ecirc;nteses de tranquilidade duraram cada vez menos.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, h&aacute; uma considera&ccedil;&atilde;o importante nos planos de conting&ecirc;ncia israelenses para um eventual ataque por terra: a Primavera &Aacute;rabe mudou a regi&atilde;o, cercando Israel em suas fronteiras do norte e do sul e agu&ccedil;ando a sensa&ccedil;&atilde;o de inseguran&ccedil;a prevalente no pa&iacute;s. No prazo de uma semana, bombardeios errantes lan&ccedil;ados pelo ex&eacute;rcito da S&iacute;ria contra posi&ccedil;&otilde;es de grupos rebeldes desse pa&iacute;s aterrorizaram as colinas de Gol&atilde;, ocupadas pelo Estado judeu, somando-se ao ataque com m&iacute;ssil que o Ham&aacute;s assumiu contra um jipe israelense. &quot;A fa&iacute;sca&quot; que, segundo Israel, acendeu o conflito atual. Israel realizou repres&aacute;lias duas vezes, bombardeando posi&ccedil;&otilde;es s&iacute;rias.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m enfrenta ataques guerrilheiros vindos do Sinai, uma regi&atilde;o eg&iacute;pcia vizinha &agrave; Faixa de Gaza. Da&iacute; a atual ofensiva tamb&eacute;m buscar colocar &agrave; prova a rea&ccedil;&atilde;o do Egito, cuja coopera&ccedil;&atilde;o &eacute; necess&aacute;ria para manter em vigor o tratado de paz de 1979, bem como a estabilidade no Sinai e em Gaza. Ao retirar o embaixador eg&iacute;pcio de Israel e solicitar a interven&ccedil;&atilde;o dos Estados Unidos e da Liga &Aacute;rabe, o presidente Mohammad Morsi pareceu mostrar sua prefer&ecirc;ncia pela diplomacia. No dia 16, enviou o primeiro-ministro, Hesham Qandil, para uma breve visita de solidariedade a Gaza.<\/p>\n<p>O motivo ulterior de Israel pode ser simplesmente este: n&atilde;o s&oacute; enviar uma mensagem de dissuas&atilde;o ao Ham&aacute;s por interm&eacute;dio do Egito, mas mostrar ao mundo &aacute;rabe (inclu&iacute;da a organiza&ccedil;&atilde;o xiita libanesa Hezbol&aacute;) e, mais al&eacute;m, o Ir&atilde;, que o Estado judeu ainda &eacute; forte e ataca quando se sente amea&ccedil;ado. Em termos gerais, a opera&ccedil;&atilde;o &eacute; funcional para os interesses dos dois lados. Serve a Israel em parte porque, enquanto continuar, deixa de ser um problema a inten&ccedil;&atilde;o do presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, de que a Assembleia Geral da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas aprove a Palestina como Estado-membro.<\/p>\n<p>Depois de evitar que fac&ccedil;&otilde;es palestinas mais extremistas bombardeassem Israel durante quatro anos de inc&ocirc;moda &quot;coopera&ccedil;&atilde;o&quot; de seguran&ccedil;a com o Estado judeu, o Ham&aacute;s finalmente pode se recolocar como vanguarda da resist&ecirc;ncia contra a ocupa&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, o rep&uacute;dio do Ham&aacute;s a uma tr&eacute;gua imposta por Israel constitui uma t&aacute;tica deliberada para arrastar os militares israelenses para Gaza, em um remake da guerra de 2008-2009, com a esperan&ccedil;a de que a invas&atilde;o desperte a condena&ccedil;&atilde;o internacional. Na noite do dia 16, foram lan&ccedil;ados m&iacute;sseis Fajr contra Jerusal&eacute;m e ca&iacute;ram na Cisjord&acirc;nia ocupada.<\/p>\n<p>Pelo menos em teoria, a arriscada pol&iacute;tica do Ham&aacute;s poderia levar ao que n&atilde;o conseguiu a guerra anterior de Gaza: que esse movimento seja derrubado ap&oacute;s cinco anos de mandato, e substitu&iacute;do pela ANP de Abbas. Mas o Ham&aacute;s e Israel sabem bem que &eacute; improv&aacute;vel que a ANP assuma o controle da Faixa nessas condi&ccedil;&otilde;es. E tamb&eacute;m &eacute; muito dif&iacute;cil que, tendo se retirado de Gaza voluntariamente em 2005, Israel queira voltar a ocup&aacute;-la. Al&eacute;m disso, com os antecedentes negociadores do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, o per&iacute;odo de gra&ccedil;a que desfruta Israel ter&aacute; vida curta se o mandat&aacute;rio ordenar uma invas&atilde;o total de Gaza.<\/p>\n<p>Por fim, a perspectiva de que em dois meses Netanyahu seja reeleito pode ter um efeito moderador sobre a ofensiva, embora seja funcional, pelos c&aacute;lculos do primeiro-ministro, que a seguran&ccedil;a &#8211; n&atilde;o a paz nem os assuntos sociais &#8211; ocupe um lugar priorit&aacute;rio na agenda da campanha eleitoral. No final, Israel continuar enredado em Gaza por tempo prolongado e muito perto da data das elei&ccedil;&otilde;es pode colocar em risco as chances eleitorais de Netanyahu. Por&eacute;m, enquanto o Ham&aacute;s se negar a acordar uma tr&eacute;gua com Israel, a ofensiva continuar&aacute;, com todos os riscos de um confronto mais profundo e agressivo. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jerusal&eacute;m, Israel, 27\/11\/2012 &ndash; O ataque de Israel ao Ham&aacute;s parece um remake da guerra de 2008-2009 contra a Faixa de Gaza. A diferen&ccedil;a est&aacute; em se saber se tentar&aacute; conseguir o que n&atilde;o conseguiu na ofensiva anterior: derrubar de uma vez por todas o Movimento de Resist&ecirc;ncia Isl&acirc;mica. Para ampliar a opera&ccedil;&atilde;o, o ex&eacute;rcito israelense convocou 75 mil reservistas. 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