{"id":10989,"date":"2012-11-27T08:54:05","date_gmt":"2012-11-27T08:54:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10989"},"modified":"2012-11-27T08:54:05","modified_gmt":"2012-11-27T08:54:05","slug":"obama-e-amrica-latina-mais-quatro-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/11\/america-latina\/obama-e-amrica-latina-mais-quatro-anos\/","title":{"rendered":"Obama e Am&eacute;rica Latina, mais quatro anos"},"content":{"rendered":"<p>Bogot&aacute;, Col&ocirc;mbia, 27\/11\/2012 &ndash; Barack Obama venceu com 303 votos no Col&eacute;gio Eleitoral (precisava de 270) e obteve 51% do voto popular, mas o apoio a Mitt Romney (47%) tamb&eacute;m &eacute; substancial. A absten&ccedil;&atilde;o chegou a 40%. O jornal The New Republic comenta esta realidade: &quot;Hoje, os Estados Unidos n&atilde;o s&atilde;o uma na&ccedil;&atilde;o, mas duas&quot;. <!--more--> Tal &eacute;, de fato, a crua realidade que Obama enfrentar&aacute; em seus pr&oacute;ximos quatro anos na Casa Branca. Esta divis&atilde;o partid&aacute;ria n&atilde;o &eacute; nova. Desde o in&iacute;cio de seu mandato, os republicanos lan&ccedil;am uma virulenta campanha contra o mandat&aacute;rio, qualificada de racista, para faz&ecirc;-lo fracassar.<\/p>\n<p>O Congresso &eacute; um dos mais hostis de sua hist&oacute;ria. A divis&atilde;o se solidifica, pois os republicanos mant&ecirc;m at&eacute; agora uma folgada maioria na C&acirc;mara de Representantes (233 contra 193). No Senado, sob controle dos democratas (54 contra 45), a diferen&ccedil;a &eacute; de apenas nove cadeiras.<\/p>\n<p>Apesar dessa brutal oposi&ccedil;&atilde;o, Obama consegue &ecirc;xitos hist&oacute;ricos: &eacute; o primeiro presidente a conseguir a criticada reforma integral da sa&uacute;de; a reforma financeira pela primeira vez enquadra Wall Street e o setor financeiro, espinhos do capitalismo, e suas leis e reformas no campo da educa&ccedil;&atilde;o abrem portas para os setores estudantis mais pobres.<\/p>\n<p>&Eacute; uma agenda liberal, focada na defesa da classe m&eacute;dia e dos setores mais vulner&aacute;veis. Algu&eacute;m comenta: &quot;Obama est&aacute; realizando a anunciada mudan&ccedil;a do pa&iacute;s a partir de dentro&quot;.<\/p>\n<p>A maioria pr&oacute;-Obama, especialmente os latinos (71% de seus votos asseguraram sua reelei&ccedil;&atilde;o), comemoram sua vit&oacute;ria com imenso j&uacute;bilo, e com grande al&iacute;vio. Com Romney e Paul Ryan, seu companheiro de chapa, o pa&iacute;s teria regressado &agrave; era conservadora e retr&oacute;grada de Bush, pois seus 200 assessores de pol&iacute;tica exterior s&atilde;o extremistas, neoconservadores e do Tea Party.<\/p>\n<p>Romney adota os valores e as prioridades de seu partido, ultraconservador, cada dia mais reacion&aacute;rio e mais r&iacute;gido em quest&otilde;es sociais. Op&otilde;e-se &agrave;s medidas de Obama para melhorar as crescentes desigualdades, &agrave; sua reforma integral da sa&uacute;de, an&aacute;tema para o GOP e o Tea Party.<\/p>\n<p>Op&otilde;e-se ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, aos direitos dos homossexuais e ao aborto, e n&atilde;o se preocupa com os desastres clim&aacute;ticos. Al&eacute;m disso, favorece uma agressiva pol&iacute;tica contra os imigrantes ilegais e qualifica as leis racistas do Arizona, voltadas contra os latinos (que os impede de trabalhar, dirigir, estudar e transitar livremente), como um modelo para a na&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>As legaliza&ccedil;&otilde;es em massa, propostas por Obama (cerca de 11 milh&otilde;es) s&atilde;o &quot;impens&aacute;veis&quot;, afirma Romney. E anuncia m&atilde;o dura contra o regime cubano. Seu plano econ&ocirc;mico &eacute; regressivo, baseado em cortes de impostos para os mais ricos (pagam tributos extraordinariamente baixos) e na desregula&ccedil;&atilde;o dos mercados. Tais pol&iacute;ticas, da era Bush, conduziram ao colapso financeiro de 2008.<\/p>\n<p>O tema da Am&eacute;rica Latina n&atilde;o apareceu nas campanhas nem nos debates presidenciais. N&atilde;o foi prioridade do governo de Obama, e &eacute; evidente sua falta de interesse pela regi&atilde;o.<\/p>\n<p>Um porta-voz de sua campanha tentou provar o contr&aacute;rio: &quot;Se tivesse havido um debate, se veria o profundo contraste entre as pol&iacute;ticas dos dois candidatos&quot;. E aponta &quot;um recorde de seus &ecirc;xitos na Am&eacute;rica Latina&quot;: em menos de quatro anos viajou cinco vezes &agrave; regi&atilde;o.<\/p>\n<p>Entretanto, tais visitas n&atilde;o produzem resultados memor&aacute;veis. Vai a Trinidad e Tobago para a V C&uacute;pula das Am&eacute;ricas (projeto inventado por Bill Clinton em 1994), mas de tal encontro saem apenas promessas n&atilde;o cumpridas: n&atilde;o ocorre o di&aacute;logo &quot;de igual para igual&quot; nem melhoram as rela&ccedil;&otilde;es com Cuba.<\/p>\n<p>Ao M&eacute;xico, vai duas vezes, e com o presidente Felipe Calder&oacute;n conversa sobre revisar o Tratado de Livre Com&eacute;rcio da Am&eacute;rica do Norte (Nafta) &#8211; entre Estados Unidos, Canad&aacute; e M&eacute;xico -, que &eacute; desastroso para as maiorias camponesas e as classes trabalhadoras mexicanas. N&atilde;o o fazem.<\/p>\n<p>Em mar&ccedil;o de 2011, vai a tr&ecirc;s pa&iacute;ses. Em El Salvador, onde fica a base militar Comalapa, desde a era Reagan sob controle do Pent&aacute;gono, os salvadorenhos o criticam por n&atilde;o ter proposto nada.<\/p>\n<p>Vai ao Chile e ao Brasil. Com os presidentes Sebasti&aacute;n Pi&ntilde;era, de direita, e Dilma Rousseff, de esquerda, troca palavras de amizade, desejos de ampliar sua coopera&ccedil;&atilde;o sobre seguran&ccedil;a, uma prioridade.<\/p>\n<p>Entre suas pol&iacute;ticas negativas para o continente est&aacute;, em primeiro lugar, seu errado apoio aos golpistas de Honduras. Vai na contram&atilde;o do consenso, defendido por seus colegas latino- americanos, e traz funestas consequ&ecirc;ncias. Legitima o novo tipo de golpe institucional para derrubar presidentes. Repete-se no Paraguai contra o presidente Fernando Lugo.<\/p>\n<p>Sua associa&ccedil;&atilde;o com o corrupto governo p&oacute;s-golpe de Porfirio Lobo, n&atilde;o reconhecido pela maioria do continente, &eacute; cada dia mais dif&iacute;cil de defender no Congresso.<\/p>\n<p>Hillary Clinton, secret&aacute;ria de Estado, recebe duras cr&iacute;ticas &agrave; pol&iacute;tica de seu governo em Honduras, aponta-se seu sil&ecirc;ncio sobre os cont&iacute;nuos assassinatos seletivos de defensores de direitos humanos, jornalistas e opositores, enquanto investe US$ 24 milh&otilde;es para fortalecer as instala&ccedil;&otilde;es de suas tropas na base a&eacute;rea Soto Cano. Tropas dessa base e do Comando Sul participam do golpe contra o presidente constitucional Manuel Zelaya.<\/p>\n<p>Os aliados europeus celebram sua vit&oacute;ria, sua pol&iacute;tica &eacute; de alian&ccedil;a e de solu&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, antes de militares. Para Romney, por outro lado, o que importa &eacute; &quot;reafirmar o poderio dos Estados Unidos&quot;, dar apoio militar &agrave; oposi&ccedil;&atilde;o s&iacute;ria, manter m&atilde;o dura contra o Ir&atilde; e apoiar um ataque militar israelense, condenado por membros da comunidade mundial.<\/p>\n<p>A resposta militar do Ir&atilde; seria o in&iacute;cio de uma guerra de propor&ccedil;&otilde;es incalcul&aacute;veis.<\/p>\n<p>Sem elei&ccedil;&otilde;es &agrave; vista, e livre do cuidadoso manejo pol&iacute;tico que deve dar aos grupos de press&atilde;o cujo apoio se traduz em votos, agora desnecess&aacute;rios, as lutas de Obama por sua agenda poder&atilde;o ser mais agressivas e menos dependentes da coopera&ccedil;&atilde;o bipartid&aacute;ria.<\/p>\n<p>Prometeu conseguir a reforma integral de imigra&ccedil;&atilde;o e, talvez, normalizar as rela&ccedil;&otilde;es com Cuba, embora para levantar o embargo o Congresso tenha que modificar o enxame de leis que o sustentam.<\/p>\n<p>Se nestes quatro anos Obama n&atilde;o se ocupar, como at&eacute; agora, da Am&eacute;rica Latina, regi&atilde;o do mundo onde &eacute; mais clara a queda da influ&ecirc;ncia norte-americana, nada acontecer&aacute;.<\/p>\n<p>J&aacute; n&atilde;o &eacute; seu principal s&oacute;cio comercial, os pa&iacute;ses diversificaram suas rela&ccedil;&otilde;es com outros continentes, e sua economia, segundo a Comiss&atilde;o Econ&ocirc;mica para a Am&eacute;rica Latina e o Caribe, &eacute; favor&aacute;vel.<\/p>\n<p>No entanto, a pol&iacute;tica hostil contra os governos progressistas da nova esquerda continua. Rafael Correa, presidente do Equador, denuncia atividades da CIA para impedir sua reelei&ccedil;&atilde;o, como tentou contra Ch&aacute;vez. As elei&ccedil;&otilde;es ser&atilde;o no dia 17 de fevereiro e o mandato &eacute; de quatro anos. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Clara Nieto &eacute; escritora e diplomata, ex- embaixadora da Col&ocirc;mbia junto &agrave; ONU e autora do livro Obama e a Nova Esquerda Latino-Americana.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bogot&aacute;, Col&ocirc;mbia, 27\/11\/2012 &ndash; Barack Obama venceu com 303 votos no Col&eacute;gio Eleitoral (precisava de 270) e obteve 51% do voto popular, mas o apoio a Mitt Romney (47%) tamb&eacute;m &eacute; substancial. A absten&ccedil;&atilde;o chegou a 40%. O jornal The New Republic comenta esta realidade: &quot;Hoje, os Estados Unidos n&atilde;o s&atilde;o uma na&ccedil;&atilde;o, mas duas&quot;. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/11\/america-latina\/obama-e-amrica-latina-mais-quatro-anos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1439,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,5,11],"tags":[14],"class_list":["post-10989","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-economia","category-politica","tag-america-do-norte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10989","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1439"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10989"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10989\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10989"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10989"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10989"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}