{"id":10993,"date":"2012-11-27T08:59:03","date_gmt":"2012-11-27T08:59:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=10993"},"modified":"2012-11-27T08:59:03","modified_gmt":"2012-11-27T08:59:03","slug":"africanos-jovens-desafiam-a-tradio-de-ter-muitos-filhos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/11\/africa\/africanos-jovens-desafiam-a-tradio-de-ter-muitos-filhos\/","title":{"rendered":"Africanos jovens desafiam a tradi&ccedil;&atilde;o de ter muitos filhos"},"content":{"rendered":"<p>Kampala, Uganda,, 27\/11\/2012 &ndash; O ugandense Charles Kayongo, &eacute; pai de duas meninas pequenas. Embora as tradi&ccedil;&otilde;es de seu grupo &eacute;tnico, os baganda, o obriguem a ter um grande n&uacute;mero de filhos, ele se nega.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_10993\" style=\"width: 162px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/2111121.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-10993\" class=\"size-medium wp-image-10993\" title=\"Charles Kayongo e sua fam\u00c3\u00adlia. - Dennis Kasirye\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/2111121.jpg\" alt=\"Charles Kayongo e sua fam\u00c3\u00adlia. - Dennis Kasirye\/IPS\" width=\"152\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-10993\" class=\"wp-caption-text\">Charles Kayongo e sua fam\u00c3\u00adlia. - Dennis Kasirye\/IPS<\/p><\/div>  Como v&aacute;rios outros pais jovens com escassos recursos neste pa&iacute;s da &Aacute;frica oriental, que sonham com um modelo de vida mais moderno, Kayongo afirma que ele e sua mulher, Eunice, querem uma fam&iacute;lia pequena.<\/p>\n<p>&quot;&Eacute; suficiente. N&atilde;o quero mais filhos. Discuti isto com minha mulher, e usamos p&iacute;lulas e camisinha nos dois &uacute;ltimos anos. Os custos dos alimentos, da escola e dos rem&eacute;dios j&aacute; s&atilde;o muito altos para mim&quot;, disse &agrave; IPS este homem de 33 anos em sua casa em Mukono, nos arredores de Kampala.<\/p>\n<p>Kayongo, dono de um bar, disse que gasta US$ 10 por dia com sua fam&iacute;lia, e ganha um total de US$ 440 por m&ecirc;s. &quot;Estou interessado no planejamento familiar porque nos ajuda a ter uma vida melhor. Vou com minha mulher &agrave; cl&iacute;nica. Tenho que pensar nas finan&ccedil;as da minha fam&iacute;lia&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p>Uganda, com 34 milh&otilde;es de habitantes, &eacute; um dos pa&iacute;ses com maior crescimento populacional do mundo, com taxa anual de 3,2%. &quot;Anualmente se somam um milh&atilde;o de pessoas, mas os recursos n&atilde;o crescem no mesmo ritmo&quot;, explicou &agrave; IPS o chefe de programas da Secretaria de Popula&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio de Finan&ccedil;as, Planejamento e Desenvolvimento Econ&ocirc;mico, Anthony Bugembe.<\/p>\n<p>Kayongo integra uma nova gera&ccedil;&atilde;o de jovens maridos ugandenses que come&ccedil;am a desafiar as antigas tradi&ccedil;&otilde;es africanas sobre paternidade, e preferem ter fam&iacute;lias menos numerosas e, portanto, mais f&aacute;ceis de manter. Lynda Birungi, da organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental Sa&uacute;de Reprodutiva em Uganda, disse que cada vez mais pais jovens aceitam o controle da natalidade, sobretudo por motivos financeiros. Entretanto, estes homens ainda s&atilde;o minoria.<\/p>\n<p>&quot;De cada cinco mulheres que v&ecirc;m &agrave; nossa cl&iacute;nica, apenas uma chega acompanhada de um homem. Contudo, h&aacute; mais de 20 anos n&atilde;o vinha nenhum. Agora, a gera&ccedil;&atilde;o de pais jovens quer um n&iacute;vel de vida melhor e sente que isto s&oacute; se pode conseguir tendo fam&iacute;lias menores&quot;, pontuou Birungi.<\/p>\n<p>Por outro lado, no Malawi, o que come&ccedil;ou como um teatro itinerante, formado por dez oficiais de pol&iacute;cia h&aacute; 11 anos, se transformou em um movimento hoje integrado por mais de mil homens que conscientizam contra a viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero, a gravidez n&atilde;o desejada e a mortalidade materna. A Confer&ecirc;ncia dos Homens Itinerantes (MTC), tamb&eacute;m integrada por algumas mulheres, &eacute; financiada pelo governo da Noruega e pelo Fundo de Popula&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas.<\/p>\n<p>Em 2003, a MTC celebrou de maneira original a campanha anual internacional &quot;16 dias de ativismo contra a viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero&quot;. Homens da Eti&oacute;pia, Z&acirc;mbia e do Qu&ecirc;nia se dirigiram para a capital do pa&iacute;s, Lilongwe, ap&oacute;s longas viagens de &ocirc;nibus. Pelo caminho, paravam em cada comunidade por onde passavam e deixavam uma mensagem contra a viol&ecirc;ncia de g&ecirc;nero. Desde ent&atilde;o, a cada m&ecirc;s de dezembro, membros da MTC viajam de &ocirc;nibus por v&aacute;rias comunidades de Malawi para criar consci&ecirc;ncia entre os homens.<\/p>\n<p>Wisdom Samu &eacute; integrante da MTC. Em setembro de 2001 perdeu sua mulher pouco depois de ela dar &agrave; luz ao seu s&eacute;timo filho. &quot;Gra&ccedil;as &agrave; MTC entendi que a culpa era minha. Nunca permiti que ela usasse m&eacute;todos de planejamento familiar, porque eu queria mais filhos&quot;, contou &agrave; IPS. Desde ent&atilde;o, Samu conversa com outros homens de sua comunidade em Namitete, a 50 quil&ocirc;metros de Liongwe, para que adotem m&eacute;todos de controle de natalidade.<\/p>\n<p>&quot;Digo a eles para ouvirem suas mulheres e planejarem juntos, e que permitam a elas usar m&eacute;todos modernos de planejamento familiar&quot;, enfatizou. H&aacute; hist&oacute;rias semelhantes a esta em todo Malawi, pa&iacute;s onde a cada dia morrem 13 mulheres v&iacute;timas de complica&ccedil;&otilde;es na gravidez. &quot;Foram essas assustadoras estat&iacute;sticas que nos fizeram pensar. Concordamos em reunir e mobilizar homens de todos os n&iacute;veis e setores para difundir estes temas por meio de obras de teatro, m&uacute;sicas e debates&quot;, explicou &agrave; IPS a presidente da organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental malawiana Rede de Coordena&ccedil;&atilde;o sobre G&ecirc;nero, Emma Kaliya.<\/p>\n<p>Enquanto isso, em Mali, no oeste do continente, acontecem lentos mas firmes avan&ccedil;os. A taxa de mortalidade materna neste pa&iacute;s caiu de 582 para 464 mortes para cada cem mil nascidos vivos entre 2001 e 2006, segundo um informe de 2010 do Programa das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Desenvolvimento. Isto foi alcan&ccedil;ado em parte gra&ccedil;as &agrave;s intensas campanhas para envolver os homens no planejamento familiar.<\/p>\n<p>&quot;H&aacute; dez anos, minha cl&iacute;nica em Bamako recebia apenas mulheres, mas hoje elas chegam acompanhadas dos maridos, e isso para mim &eacute; um sinal de que o que estamos fazendo funciona&quot;, disse Mountaga Toure, diretor executivo da Associa&ccedil;&atilde;o Malawiana para a Prote&ccedil;&atilde;o e Promo&ccedil;&atilde;o da Fam&iacute;lia (AMPFF). A entidade &eacute; filiada &agrave; Federa&ccedil;&atilde;o Internacional de Planejamento Familiar (IPPF). &quot;&Agrave;s vezes vejo homens que v&ecirc;m por sua pr&oacute;pria conta retirar anticoncepcionais para suas companheiras, e explicam que elas est&atilde;o muito ocupadas&quot;, contou Toure por telefone &agrave; IPS.<\/p>\n<p>Isto reflete uma enorme mudan&ccedil;a em um pa&iacute;s como Mali, de fortes tradi&ccedil;&otilde;es isl&acirc;micas. Segundo Toure, a AMPFF, em sociedade com a IPPF, motiva os homens a falar sobre temas que sempre foram considerados tabus. &quot;Para faz&ecirc;-los entender, falamos sobre economia, se um homem pode manter dez filhos. Isto os ajuda a compreender a raz&atilde;o pela qual &eacute; necess&aacute;rio planejar com suas mulheres quantos filhos s&atilde;o capazes de manter com seus bolsos&quot;, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Com colabora&ccedil;&atilde;o de Mabvuto Banda (Malawi).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Kampala, Uganda,, 27\/11\/2012 &ndash; O ugandense Charles Kayongo, &eacute; pai de duas meninas pequenas. 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