{"id":11002,"date":"2012-11-27T09:10:31","date_gmt":"2012-11-27T09:10:31","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11002"},"modified":"2012-11-27T09:10:31","modified_gmt":"2012-11-27T09:10:31","slug":"caa-aos-abutres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/11\/africa\/caa-aos-abutres\/","title":{"rendered":"Ca&ccedil;a aos abutres"},"content":{"rendered":"<p>Nair&oacute;bi, Qu&ecirc;nia, 27\/11\/2012 &ndash; Um novo site do Qu&ecirc;nia, que vincula pol&iacute;ticos de alto escal&atilde;o com casos de corrup&ccedil;&atilde;o e outros esc&acirc;ndalos, se converteu no mais visitado deste pa&iacute;s africano. Mavulture.com, que significa &quot;muitos abutres&quot; em swahili, re&uacute;ne, condensa e publica irregularidades cometidas por dirigentes pol&iacute;ticos quenianos.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11002\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/231112.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11002\" class=\"size-medium wp-image-11002\" title=\"Mwangi &eacute; conhecido por seus grafites e murais pol\u00c3\u00adticos em toda Nair&oacute;bi. - Mike Elkin\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/231112.jpg\" alt=\"Mwangi &eacute; conhecido por seus grafites e murais pol\u00c3\u00adticos em toda Nair&oacute;bi. - Mike Elkin\/IPS\" width=\"200\" height=\"145\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11002\" class=\"wp-caption-text\">Mwangi &eacute; conhecido por seus grafites e murais pol\u00c3\u00adticos em toda Nair&oacute;bi. - Mike Elkin\/IPS<\/p><\/div>  Criado no dia 13, o site &eacute; o mais recente projeto do ativista Boniface Mwangi, conhecido por seus grafites e murais pol&iacute;ticos em toda Nair&oacute;bi, bem como por suas exposi&ccedil;&otilde;es fotogr&aacute;ficas sobre a viol&ecirc;ncia desatada neste pa&iacute;s depois das elei&ccedil;&otilde;es presidenciais de 2007. Depois do an&uacute;ncio dos pol&ecirc;micos resultados das elei&ccedil;&otilde;es de dezembro daquele ano, ocorreram enfrentamentos tribais em todo o pa&iacute;s, deixando cerca de 1.200 mortos e o deslocamento de 600 mil pessoas.<\/p>\n<p>Fot&oacute;grafo independente, Mwangi, 29 anos, recebeu em 2008 e 2010 o Pr&ecirc;mio Fotogr&aacute;fico Mohamed Amin, concedido pela rede de televis&atilde;o CNN, por sua cobertura da viol&ecirc;ncia p&oacute;s-eleitoral. &quot;J&aacute; visitaram o Mavulture.com?&quot;, perguntou em sua conta no Twitter a revista queniana de entretenimento Blink. &quot;Creio que devem visit&aacute;-la antes de votarem no pr&oacute;ximo ano&quot;, ressaltou. Os quenianos voltar&atilde;o &agrave;s urnas em mar&ccedil;o de 2013 para escolher um novo presidente.<\/p>\n<p>O site apresenta at&eacute; agora os perfis de 17 pol&iacute;ticos, incluindo Uhuru Kenyatta, filho do primeiro presidente do Qu&ecirc;nia, atual candidato presidencial e um dos homens investigados pelo Tribunal Penal Internacional por crimes contra a humanidade durante a viol&ecirc;ncia de 2007. Lavagem de dinheiro, apropria&ccedil;&atilde;o de terras, tr&aacute;fico de drogas e assassinato s&atilde;o algumas das acusa&ccedil;&otilde;es que constam no Mavulture.com. Al&eacute;m dos artigos, o site inclui v&iacute;deos e infogr&aacute;ficos sobre cada pol&iacute;tico, bem como cartazes de &quot;Procurado&quot;, ao estilo do Velho Oeste, que podem ser baixados pelos internautas. O site &eacute; financiado por doadores an&ocirc;nimos.<\/p>\n<p>Mwangi disse &agrave; IPS, em entrevista em seu escrit&oacute;rio em Nair&oacute;bi, que o objetivo da p&aacute;gina &eacute; informar os quenianos sobre o hist&oacute;rico de suas autoridades. &quot;Vamos publicar os registros de cada pessoa do governo, cada caso de corrup&ccedil;&atilde;o em que se envolvem e cada acusa&ccedil;&atilde;o contra eles&quot;, afirmou. &quot;Desta forma, na hora de votar, as pessoas poder&atilde;o contar com esta plataforma para ter uma perspectiva informada. Temos corrup&ccedil;&atilde;o em grande escala neste pa&iacute;s, e os mesmos tipos envolvidos nos &uacute;ltimos 49 anos&quot;, detalhou.<\/p>\n<p>&quot;Desta forma ser&aacute; poss&iacute;vel comparar. Quando dizem que estamos todos unidos, n&oacute;s vemos que n&atilde;o &eacute; bem assim. Nossas crian&ccedil;as n&atilde;o v&atilde;o a escolas estrangeiras e n&atilde;o t&ecirc;m casas na Gr&atilde;- Bretanha&quot;, ressaltou Mwangi. O &iacute;ndice de percep&ccedil;&atilde;o de corrup&ccedil;&atilde;o de 2011, elaborado pela organiza&ccedil;&atilde;o Transpar&ecirc;ncia Internacional, coloca o Qu&ecirc;nia com 2,2 pontos em dez, no posto 154 na lista de 183 pa&iacute;ses relacionados. Segundo a organiza&ccedil;&atilde;o, a corrup&ccedil;&atilde;o custa ao Qu&ecirc;nia mais de US$ 357 milh&otilde;es por ano.<\/p>\n<p>Mwangi contou que se dedicou ao ativismo pol&iacute;tico ap&oacute;s sentir frustra&ccedil;&atilde;o e raiva pela viol&ecirc;ncia p&oacute;s- eleitoral. Em 2009, criou a exposi&ccedil;&atilde;o fotogr&aacute;fica itinerante Picha Mtaani, com imagens dos assassinatos, para recordar aos quenianos o ocorrido. Depois organizou um grupo de artistas para pintar controvertidos murais por toda Nair&oacute;bi, ilustrando os pol&iacute;ticos do pa&iacute;s como abutres e criticando a popula&ccedil;&atilde;o por sempre votar neles.<\/p>\n<p>Em junho deste ano, liderou uma mobiliza&ccedil;&atilde;o que colocou 49 ata&uacute;des negros na porta do parlamento enquanto este estava em sess&atilde;o. Os caix&otilde;es representavam cada um dos anos que os pol&iacute;ticos gozaram de impunidade desde a independ&ecirc;ncia em 1963, e neles estava escrito: &quot;Enterrem os abutres com seu voto&quot;. Cada um tamb&eacute;m estava identificado com um esc&acirc;ndalo pol&iacute;tico.<\/p>\n<p>As autoridades pintaram por cima de muitos murais na capital, mas uma das imagens mais marcantes de Mwangi permanece intacta, perto do mercado da cidade. Nela, um homem com cabe&ccedil;a de abutre est&aacute; sentado em um trono mostrando um malicioso sorriso. Em uma das m&atilde;os segura uma x&iacute;cara de ch&aacute; e a outra est&aacute; algemada a uma maleta. O homem-abutre est&aacute; pensando: &quot;Eles saqueiam, violam, queimam e matam em minha defesa. Eu roubo seus impostos e me aproprio de terras, mas os idiotas ainda votam em mim&quot;.<\/p>\n<p>&quot;Voc&ecirc; sabe o que faz um abutre?&quot;, pergunta o taxista Kimani Jong Kimani Nganga enquanto olha o mural. &quot;Come carne. Temos pol&iacute;ticos que desde as elei&ccedil;&otilde;es est&atilde;o nos comendo. Devemos mudar isso&quot;, respondeu. Mwangi explicou que desejava provocar uma resposta entre os quenianos, pois sua indiferen&ccedil;a diante de claros abusos pol&iacute;ticos e econ&ocirc;micos apenas fortalece os que se aproveitam do sistema.<\/p>\n<p>&quot;H&aacute; pouco tempo, professores e m&eacute;dicos fizeram uma greve em protesto por seus baixos sal&aacute;rios. Ao mesmo tempo, os legisladores se reuniram no parlamento e em 30 minutos concederam aumento a eles mesmos&quot;, recordou Mwnagi. &quot;N&atilde;o houve nenhum alvoro&ccedil;o por isso. Duzentos legisladores podem fazer isto em um pa&iacute;s de 40 milh&otilde;es de habitantes e ningu&eacute;m ir &agrave;s ruas protestar. Como se chama isso? &Eacute; il&oacute;gico que as pessoas possam ser escravas de um sistema e nunca denunci&aacute;-lo. Veem a injusti&ccedil;a diariamente e apenas ficam olhando&quot;, afirmou de forma veemente.<\/p>\n<p>Uma das principais raz&otilde;es do sil&ecirc;ncio &eacute; o temor de sofrer repres&aacute;lias, reconheceu Mwangi. Por isso ele planeja um protesto em que todos os manifestantes usem m&aacute;scaras. &quot;Este pa&iacute;s &eacute; muito pequeno. A maioria das empresas &eacute; propriedade de pol&iacute;ticos e abutres. Por isso algumas pessoas temem sofrer repres&aacute;lias ou serem demitidas&quot;, enfatizou. O ativista tamb&eacute;m comentou a ironia de que &quot;com m&aacute;scaras as pessoas possam mostrar seu verdadeiro rosto&quot;. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nair&oacute;bi, Qu&ecirc;nia, 27\/11\/2012 &ndash; Um novo site do Qu&ecirc;nia, que vincula pol&iacute;ticos de alto escal&atilde;o com casos de corrup&ccedil;&atilde;o e outros esc&acirc;ndalos, se converteu no mais visitado deste pa&iacute;s africano. 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