{"id":11010,"date":"2012-11-27T09:18:26","date_gmt":"2012-11-27T09:18:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11010"},"modified":"2012-11-27T09:18:26","modified_gmt":"2012-11-27T09:18:26","slug":"chineses-e-brasileiros-se-unem-na-construo-de-luanda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/11\/africa\/chineses-e-brasileiros-se-unem-na-construo-de-luanda\/","title":{"rendered":"Chineses e brasileiros se unem na constru&ccedil;&atilde;o de Luanda"},"content":{"rendered":"<p>Luanda, Angola, 27\/11\/2012 &ndash; &quot;Em Luanda n&atilde;o h&aacute; f&oacute;sforos&quot;, destacou Gabriel Garc&iacute;a M&aacute;rquez na primeira linha de uma reportagem desde a capital de Angola em 1977. Tamb&eacute;m faltam sab&atilde;o, leite, sal e aspirinas em uma cidade que &quot;surpreende&quot; por sua &quot;beleza moderna e radiante&quot;, mas que, na realidade, &eacute; &quot;uma deslumbrante casca vazia&quot;, acrescentou.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11010\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/2611121.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11010\" class=\"size-medium wp-image-11010\" title=\"Cartazes em mandarim pautam a forte participa&ccedil;&atilde;o chinesa na constru&ccedil;&atilde;o da nova Angola. - Mario Osava\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/2611121.jpg\" alt=\"Cartazes em mandarim pautam a forte participa&ccedil;&atilde;o chinesa na constru&ccedil;&atilde;o da nova Angola. - Mario Osava\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11010\" class=\"wp-caption-text\">Cartazes em mandarim pautam a forte participa&ccedil;&atilde;o chinesa na constru&ccedil;&atilde;o da nova Angola. - Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>  A &ecirc;nfase dada por Garc&iacute;a M&aacute;rquez &agrave; escassez que este pa&iacute;s sofria feriu o orgulho dos poucos angolanos que o puderam ler, embora efetivamente explicasse o caos herdado do colonialismo e da guerra de liberta&ccedil;&atilde;o. A independ&ecirc;ncia tinha sido conquistada um ano e meio antes.<\/p>\n<p>Hoje, 35 anos mais tarde, Luanda impressiona por seus exageros. O tr&acirc;nsito confuso com autom&oacute;veis modernos, entre milhares de grandes edif&iacute;cios ainda vazios ou em constru&ccedil;&atilde;o e novas avenidas e estradas, contrasta com enormes bairros super- habitados. E os muros com identifica&ccedil;&otilde;es ou cartazes em mandarim, omitindo o portugu&ecirc;s local, em numerosas obras, d&atilde;o a medida da forte participa&ccedil;&atilde;o chinesa na constru&ccedil;&atilde;o desta nova Angola. A obra m&aacute;xima a cargo de companhias chinesas &eacute; a Cidade do Kilamba, um complexo habitacional previsto para receber meio milh&atilde;o de pessoas, situado 20 quil&ocirc;metros ao sul do centro de Luanda.<\/p>\n<p>Esse novo bairro contar&aacute; com mais de 80 mil apartamentos para fam&iacute;lias numerosas, como costumam ser as angolanas, em pr&eacute;dios de cinco a 13 andares, aos quais ser&atilde;o agregados todos os servi&ccedil;os, como dezenas de escolas, creches, centros de sa&uacute;de e com&eacute;rcio. J&aacute; est&aacute; constru&iacute;do quase um quarto dos edif&iacute;cios, mas praticamente todos seguem sem ocupa&ccedil;&atilde;o, embora a primeira fase do projeto tenha sido inaugurada em julho de 2011, quando j&aacute; havia 3.180 apartamentos dispon&iacute;veis.<\/p>\n<p>Nas obras que estruturam a nova metr&oacute;pole tamb&eacute;m se destacam empresas brasileiras, sobretudo a Odebrecht, encarregada de projetos destinados a fornecer eletricidade, &aacute;gua, estradas e avenidas. Essa presen&ccedil;a estrangeira nas grandes obras &quot;n&atilde;o &eacute; de admirar, j&aacute; que n&atilde;o havia nenhuma empresa nacional com capacidade para faz&ecirc;-las&quot;, reconheceu o escritor Pepetela, como &eacute; conhecido Artur Pestana, tamb&eacute;m professor de sociologia.<\/p>\n<p>&quot;Os chineses s&atilde;o mais r&aacute;pidos para construir, trabalham por turnos sem parar&quot; e oferecem financiamento &quot;quase sem juros&quot; a prazos longu&iacute;ssimos, mas empregam poucos trabalhadores angolanos, e &quot;h&aacute; muitas queixas sobre a qualidade de suas obras&quot;, afirmou Pepetela. J&aacute; as empresas brasileiras &quot;parecem ter aprendido a li&ccedil;&atilde;o de alguns fiascos iniciais que viraram piada nacional e agora primam pela qualidade&quot;, o que lhes permite competir com os chineses, disse o autor de romances hist&oacute;ricos e de cr&iacute;tica pol&iacute;tica.<\/p>\n<p>A Odebrecht, um cons&oacute;rcio brasileiro com atua&ccedil;&atilde;o em 35 pa&iacute;ses, conquistou sua posi&ccedil;&atilde;o de predom&iacute;nio nas obras de infraestrutura a partir de 1984, quando assinou o contrato para construir a hidrel&eacute;trica de Capanda, no Rio Kwanza, para abastecer Luanda, a 360 quil&ocirc;metros de dist&acirc;ncia. A guerra civil, que assolou Angola desde sua independ&ecirc;ncia, for&ccedil;ou a longas interrup&ccedil;&otilde;es na obra, que s&oacute; come&ccedil;ou a gerar energia em 2004.<\/p>\n<p>O fim do conflito armado interno em 2002 desatou uma intensa onda de investimentos em reconstru&ccedil;&atilde;o e moderniza&ccedil;&atilde;o de Angola, contando com o impulso inicial dos cr&eacute;ditos chineses e da renda com o petr&oacute;leo. Al&eacute;m das obras de outras grandes hidrel&eacute;tricas, a Odebrecht impulsiona a produ&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&uacute;car, etanol e eletricidade a partir da cana, executa o projeto de expans&atilde;o do fornecimento de &aacute;gua pot&aacute;vel para Luanda e a constru&ccedil;&atilde;o de condom&iacute;nios, estradas, avenidas e obras de saneamento. Tamb&eacute;m se dedica &agrave; minera&ccedil;&atilde;o de diamantes e controla a rede de 29 mercados Nosso Super.<\/p>\n<p>A Odebrecht foi a primeira empresa brasileira n&atilde;o petroleira a se instalar em Angola com &quot;vis&atilde;o de longo prazo&quot;, com o efeito &quot;positivo&quot; de atrair outras companhias com esse horizonte, superando a busca de oportunidades pontuais, reconheceu Victor Fontes, diretor-geral da angolana Elektra, especializada em eletricidade e &aacute;gua. A esse respeito, o diretor de Rela&ccedil;&otilde;es Institucionais da Odebrech Angola, Alexandre Assaf, explicou &agrave; IPS que o compromisso do cons&oacute;rcio neste pa&iacute;s &eacute; com &quot;a continuidade&quot;, acima de guerras ou efeitos da crise internacional.<\/p>\n<p>H&aacute; cinco anos, apenas 9% dos &quot;cargos estrat&eacute;gicos&quot; da companhia eram ocupados por angolanos, mas agora j&aacute; chegam a 41%, citou Assaf como exemplo do compromisso com o desenvolvimento local. Al&eacute;m de diretores e gerentes, Assaf inclui nessa elite os &quot;jovens parceiros&quot;, novos trabalhadores recrutados nas universidades de Angola com a perspectiva de se formarem na empresa como futuros l&iacute;deres.<\/p>\n<p>Entretanto, Fontes questiona que a posi&ccedil;&atilde;o de &quot;quase monop&oacute;lio&quot; em alguns setores da Odebrecht &quot;trava a iniciativa local&quot;, prejudicando o desenvolvimento de pequenas e m&eacute;dias empresas nacionais que poderiam se encarregar de obras de menor envergadura que n&atilde;o exijam a interven&ccedil;&atilde;o de firmas transnacionais, como reformar ruas e bairros. Al&eacute;m disso, o pa&iacute;s paga &quot;mais do que o razo&aacute;vel por determinados infraestruturas e servi&ccedil;os&quot; executados pela empresa brasileira, com qualidade mas a pre&ccedil;os elevados, segundo Fontes, reconhecendo que a Odebrecht &quot;trouxe boas pr&aacute;ticas de gest&atilde;o&quot; e &quot;as melhores no setor de constru&ccedil;&atilde;o&quot; em seguran&ccedil;a do trabalho.<\/p>\n<p>O desafio dos angolanos e das empresas estrangeiras &eacute; solucionar os graves problemas que se acumularam em Luanda, onde a popula&ccedil;&atilde;o cresceu desmesuradamente. A capital tinha 475.328 habitantes em 1970, segundo o &uacute;ltimo censo realizado pelo governo colonial portugu&ecirc;s, enquanto atualmente chega a mais de sete milh&otilde;es, segundo v&aacute;rias estimativas. Os condom&iacute;nios ou pr&eacute;dios que proliferaram na cidade n&atilde;o atenuam o d&eacute;ficit habitacional, porque os mais necessitados n&atilde;o t&ecirc;m recursos para comprar as novas moradias, constru&iacute;das para uma classe m&eacute;dia pouco numerosa. A contradi&ccedil;&atilde;o &eacute; que essa grande oferta n&atilde;o baixou os pre&ccedil;os de compra nem de aluguel.<\/p>\n<p>&Aacute;gua e luz escassas s&atilde;o outras queixas comuns em meio &agrave; febre da constru&ccedil;&atilde;o. A solu&ccedil;&atilde;o est&aacute; a caminho, segundo os planos cujos projetos estrat&eacute;gicos s&atilde;o executados pela Odebrecht, mas ser&atilde;o precisos muitos anos para silenciar os geradores dom&eacute;sticos que se ouve em todas as partes durante os apag&otilde;es e tamb&eacute;m para garantir &aacute;gua em volume satisfat&oacute;rio. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Luanda, Angola, 27\/11\/2012 &ndash; &quot;Em Luanda n&atilde;o h&aacute; f&oacute;sforos&quot;, destacou Gabriel Garc&iacute;a M&aacute;rquez na primeira linha de uma reportagem desde a capital de Angola em 1977. 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