{"id":11016,"date":"2012-11-29T08:57:32","date_gmt":"2012-11-29T08:57:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11016"},"modified":"2012-11-29T08:57:32","modified_gmt":"2012-11-29T08:57:32","slug":"as-latrinas-so-cruciais-para-manter-as-crianas-na-escola-no-sul-do-sudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/11\/africa\/as-latrinas-so-cruciais-para-manter-as-crianas-na-escola-no-sul-do-sudo\/","title":{"rendered":"As Latrinas S&atilde;o Cruciais Para Manter as Crian&ccedil;as na Escola no Sul do Sud&atilde;o"},"content":{"rendered":"<p>JUBA, 29\/11\/2012 &ndash; Antes da escola prim&aacute;ria Bor B ter constru&iacute;do latrinas no seu recinto h&aacute; dois anos, as crian&ccedil;as abandonavam a escola logo depois do primeiro recreio e regressavam a casa. A maioria n&atilde;o regressava &agrave; escola at&eacute; &agrave; manh&atilde; seguinte <!--more--> Os professores terminavam as aulas cedo porque tamb&eacute;m n&atilde;o tinham acesso a latrinas. Tinham de visitar a povoa&ccedil;&atilde;o mais pr&oacute;xima e pedir autoriza&ccedil;&atilde;o para usarem as casas de banho de um dos hot&eacute;is antes de regressarem e juntarem novamente os alunos que tinham ficado na escola. O vice-director da escola na capital do estado de Jonglei, Madin Chier, afirmou que a qualidade da educa&ccedil;&atilde;o na escola tinha sido afectada. Mas agora que 16 latrinas tinham sido instaladas, &quot;n&atilde;o havia mais problemas,&quot; acrescentou. A constru&ccedil;&atilde;o de um sistema de ensino funcional no Sul do Sud&atilde;o exige mais do que a instala&ccedil;&atilde;o de latrinas. Menos de metade das crian&ccedil;as que deviam assistir &agrave;s aulas est&atilde;o efectivamente na escola. O pa&iacute;s n&atilde;o tem salas de aulas, professores e equipamentos escolares b&aacute;sicos suficientes para educar todas as crian&ccedil;as. As crian&ccedil;as mais novas competem com adolescentes a lugares dispon&iacute;veis nas aulas da escola prim&aacute;ria devido ao facto de a esses adolescentes ter sido negada a oportunidade da educa&ccedil;&atilde;o durante a guerra de d&eacute;cadas. A maioria das aulas tem lugar ao ar livre ou debaixo de &aacute;rvores, o que significa que, quando chega a &eacute;poca das chuvas, h&aacute; um intervalo de seis meses at&eacute; que terminam as tempestades. Mas para aqueles alunos que conseguem entrar na escola &#8211; mesmo aquelas que funcionam debaixo de uma &aacute;rvore &#8211; o acesso &agrave;s latrinas &eacute; crucial para os manter nelas. De acordo com Emily Lugano, a assessora t&eacute;cnica de educa&ccedil;&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o Save the Children no Sul no Sud&atilde;o, isto aplica-se especialmente &agrave;s raparigas. A organiza&ccedil;&atilde;o Save the Children construiu ou renovou instala&ccedil;&otilde;es sanit&aacute;rias em 71 escolas em sete estados do pa&iacute;s, incluindo esta&ccedil;&otilde;es de lavagem de m&atilde;os. Lugano explicou que faz parte dea iniciativa desta ONG melhorar o ambiente de aprendizagem. Mas tamb&eacute;m &eacute; uma precau&ccedil;&atilde;o de seguran&ccedil;a dirigida &agrave;s alunas. <\/p>\n<p>No Sul do Sud&atilde;o, &eacute; mais prov&aacute;vel ver-se raparigas de 15 anos gr&aacute;vidas do que na escola. Lugano disse que, quando v&atilde;o &agrave; escola, muitas vezes est&atilde;o sujeitas a ass&eacute;dio e intimida&ccedil;&atilde;o, situa&ccedil;&atilde;o exacerbada nalgumas das escolas onde a organiza&ccedil;&atilde;o Save the Children funciona. Em muitos locais espera-se que as raparigas partilhem as latrinas com os rapazes ou que utilizem algum campo pr&oacute;ximo da escola. &quot;S&atilde;o abusadas e assediadas quando partilham as latrinas com os rapazes,&quot; disse Lugano. E &quot;nenhuma rapariga n&atilde;o se sente nada segura quando tem de usar o mato para as suas necessidades&#8230; &Eacute; uma quest&atilde;o crucial para as raparigas na escola.&quot; Durante os per&iacute;odos menstruais, as raparigas recusam ir &agrave; escola, onde n&atilde;o a sua privacidade n&atilde;o &eacute; respeitada. Chier explicou que todos os meses algumas raparigas na sua escola n&atilde;o apareciam durante uma semana ou mais, levando-as a ficar cada vez mais atrasadas em rela&ccedil;&atilde;o ao resto da turma. &quot;Em todos os pa&iacute;ses em desenvolvimento,&quot; disse Lugano, a falta de acesso a latrinas privadas &quot;contribu&iacute;a para que muitas raparigas tivesem um mau desempenho escolar porque perdiam parte do programa de estudo.&quot; Devido ao facto de ser uma escola, h&aacute; tamb&eacute;m uma componente educacional que acompanha a quest&atilde;o das latrinas e das esta&ccedil;&otilde;es de lavagem de m&atilde;os e que vai al&eacute;m das diferen&ccedil;as do g&eacute;nero. Chier afirmou que a sua escola utiliza estas instala&ccedil;&otilde;es para ensinar os alunos sobre a higiene b&aacute;sica, o que ajuda a reduzir as doen&ccedil;as. A iniciativa tem sido popular na Bor B, levando os alunos a criar um Clube de Saneamento e Higiene. Recentemente, Simon Peter Maiur, aluno de 20 anos da 7&ordf; Classe, aderiu ao Clube. Tem estado a aprender as cantigas e hist&oacute;rias do clube, que encorajam os estudantes a lavarem as m&atilde;os e a terem cuidado com a sua higiene pessoal. Tamb&eacute;m ajuda a fazer patrulhas respons&aacute;veis pela recolha de lixo no recinto escolar. &quot;O Clube ensina-nos como devemos limpar o corpo do mesmo modo como limpamos a escola,&quot; disse. Parte do conceito subjacente ao clube &eacute; transformar os alunos em professores e levar as mensagens acerca da higiene b&aacute;sica &agrave;s suas pr&oacute;prias comunidades. &quot;As pr&aacute;ticas de promo&ccedil;&atilde;o de higiene n&atilde;o s&atilde;o eficazes neste pa&iacute;s,&quot; disse Lugano. A maioria das cidades e &aacute;reas rurais n&atilde;o tem servi&ccedil;os b&aacute;sicos como &aacute;gua corrente, mas os alunos podem ajudar a &quot;transmitir a higiene b&aacute;sica &agrave;s comunidades.&quot; Maiur afirmou que parte da miss&atilde;o do seu clube consiste em partilhar informa&ccedil;&atilde;o com os amigos e a fam&iacute;lia. Acrescentou que, com o seu encorajamento, a fam&iacute;lia faz o melhor que pode para praticar melhor higiene, como a lavagem de m&atilde;os. Mas estes esfor&ccedil;os s&oacute; funcionam em zonas onde h&aacute; um sistema de ensino estruturado. O governo do Sul do Sud&atilde;o atribu&iacute;u menos de seis por cento do or&ccedil;amento de 2011 para a educa&ccedil;&atilde;o. Segundo Lugano, a grande maioria desse montante &eacute; usado para pagar os sal&aacute;rios dos professores. Em geral, parece que o financiamento que o governo disponibiliza para a educa&ccedil;&atilde;o vai ser reduzido, visto que o encerramento do oleoduto do pa&iacute;s eliminou 98 por cento das suas receitas. Em Bor B, Chier deixa os alunos da 8&ordf; Classe regressarem a casa mais cedo porque as salas foram todas ocupadas pelos alunos mais novos, algumas delas com mais de 150 estudantes. Compete ent&atilde;o &agrave;s ONG, como a Save the Children, continuarem a financiar o desenvolvimento de infra-estruturas e entregar materiais b&aacute;sicos, como manuais escolares, aos alunos. Embora os programas que visam melhorar o saneamento e a higiene nas escolas possam ter um impacto de grande alcance na sa&uacute;de e seguran&ccedil;a fora do recinto escolar, Lugano explicou que estes esfor&ccedil;os s&oacute; seriam eficazes se existirem escolas para os aplicar. *Andrew Green em reportagem no Sul do Sud&atilde;o com uma bolsa do Projecto Internacional de Not&iacute;cias, um programa de jornalismo independente localizado em Washington, D.C.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>JUBA, 29\/11\/2012 &ndash; Antes da escola prim&aacute;ria Bor B ter constru&iacute;do latrinas no seu recinto h&aacute; dois anos, as crian&ccedil;as abandonavam a escola logo depois do primeiro recreio e regressavam a casa. 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