{"id":11017,"date":"2012-11-29T08:59:20","date_gmt":"2012-11-29T08:59:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11017"},"modified":"2012-11-29T08:59:20","modified_gmt":"2012-11-29T08:59:20","slug":"gana-pai-luta-para-salvar-filha-da-mutilao-genital-feminina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/11\/africa\/gana-pai-luta-para-salvar-filha-da-mutilao-genital-feminina\/","title":{"rendered":"Gana: Pai Luta para Salvar Filha da Mutila&ccedil;&atilde;o Genital Feminina"},"content":{"rendered":"<p>Acra,, 29\/11\/2012 &ndash; Quando Jack Sabadgou deixou o Gana e partiu para a Sui&ccedil;a h&aacute; 10 anos, deixou a filha beb&eacute; com a m&atilde;e dele. Agora quer a filha de volta mas est&aacute; a ficar sem tempo para impedir que a filha seja submetida &agrave; pr&aacute;tica tradicional de mutila&ccedil;&atilde;o genital, que &eacute; proibida. <!--more--> A filha de Sabadgou, Yuma, tem agora 13 anos e vive na aldeia de Bawku, no norte do Gana, onde as pessoas ainda seguem as pr&aacute;ticas tradicionais, inclu&iacute;ndo a mutila&ccedil;&atilde;o genital feminina. Depois da av&oacute; de Yuma ter sido diagnosticada com cancro da mama, atribu&iacute;u a doen&ccedil;a a maus esp&iacute;ritos, que, segundo ela, decidiram castig&aacute;-la por n&atilde;o ter ainda mutilado a sua neta.<\/p>\n<p>&quot;&Eacute; uma quest&atilde;o de doen&ccedil;a,&quot; disse Sabadgou na sua casa na Sui&ccedil;a, acrescentando que a m&atilde;e n&atilde;o compreende que o cancro nada tem a ver com maus esp&iacute;ritos ou com a neta. &quot;N&atilde;o quero perder as duas,&quot; afirma, lutando contra as l&aacute;grimas. &quot;Gosto das duas.&quot; A mutila&ccedil;&atilde;o genital feminina foi criminalizada no Gana em 1994. As Na&ccedil;&otilde;es Unidas e a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de (OMS) condenam esta pr&aacute;tica que implica a remo&ccedil;&atilde;o da parte externa dos org&atilde;o sexuais femininos, incluindo o cl&iacute;toris e os l&aacute;bios da vagina. A OMS refere que a pr&aacute;tica n&atilde;o tem benef&iacute;cios para a sa&uacute;de e s&oacute; causa problemas. Pode levar a infec&ccedil;&otilde;es recorrentes na bexiga e no tracto urin&aacute;rio, quistos e infertilidade. Mas em aldeias como Bawku, a pr&aacute;tica continua em segredo. O desespero de Sabadgou para salvar a filha &eacute; palp&aacute;vel, mesmo &agrave; dist&acirc;ncia de um continente.<\/p>\n<p>Sabadgou regressou ao Gana no in&iacute;cio de Fevereiro para obter a guarda jur&iacute;dica da filha para poder lev&aacute;-la para um lugar seguro na Sui&ccedil;a. Preencheu a documenta&ccedil;&atilde;o necess&aacute;ria e falou com os l&iacute;deres em Bawku sobre as suas preocupa&ccedil;&otilde;es relacionadas com a mutila&ccedil;&atilde;o genital feminina, mas os seus apelos ca&iacute;ram em orelhas moucas. Desde ent&atilde;o regressou &agrave; Sui&ccedil;a. Nas regi&otilde;es do norte do Gana a mutila&ccedil;&atilde;o genital feminina &eacute; geralmente praticada entre Dezembro e Fevereiro. Sabadgou acredita que a filha tem at&eacute; Dezembro antes da sua vida mudar irrevers&iacute;velmente para pior. Florence Ali, presidente da Associa&ccedil;&atilde;o do Bem-Estar das Mulheres do Gana, uma ONG, foi a &uacute;nica aliada de Sabadgou no Gana. Antes de dedicar a sua vida a favor da luta contra a mutila&ccedil;&atilde;o genital feminina, Ali foi parteira. As mulheres e os nascituros ao seu cuidado morriam devido a complica&ccedil;&otilde;es causadas pela mutila&ccedil;&atilde;o genital feminina. Uma mulher n&atilde;o conseguiu dar &agrave; luz devido &agrave;s cicatrizes vaginais. Ali n&atilde;o estava preparada para fazer um parto por cesariana e a mulher e o beb&eacute; faleceram. Mariama Yayah, directora do Departamento das Crian&ccedil;as do Gana, disse que a mutila&ccedil;&atilde;o genital feminina &eacute; praticada no Gana para impedir que as mulheres tenham prazer sexual e assim permanecerem fi&eacute;is aos maridos. Muitos nas regi&otilde;es do norte do Gana consideram a pr&aacute;tica como uma parte normal da feminilidade, apontou. Sabadgou planeia regressar a Bawku em Dezembro para dizer &agrave;s raparigas locais que a pr&aacute;tica n&atilde;o &eacute; aceit&aacute;vel. &quot;Vai haver uma luta,&quot; disse. &quot;N&atilde;o vai ser f&aacute;cil.&quot; Asseverou que ningu&eacute;m na sua aldeia apoia a sua posi&ccedil;&atilde;o contra a mutila&ccedil;&atilde;o genital feminina. Mas &eacute; uma convic&ccedil;&atilde;o pela qual est&aacute; preparado para morrer. No Gana, as pessoas que praticam esta pr&aacute;tica proibida podem apanhar entre cinco a 10 anos de pris&atilde;o se forem a tribunal. Mas as autoridades n&atilde;o fazem o suficiente para impedir a pr&aacute;tica, queixou-se Sabadgou. A OMS calcula que 92 milh&otilde;es de raparigas em &Aacute;frica com mais de 10 anos foram sujeitas &agrave; mutila&ccedil;&atilde;o genital feminina e refere que s&oacute; existem 22 pa&iacute;ses no continente que aprovaram leis contra esta pr&aacute;tica. O Mali, por exemplo, n&atilde;o tem nenhuma lei que pro&iacute;ba a mutila&ccedil;&atilde;o genital feminina. Em 2008, a Assembleia Mundial da Sa&uacute;de aprovou uma resolu&ccedil;&atilde;o que pro&iacute;be a mutila&ccedil;&atilde;o genital feminina. Ali disse que, em 2011, a assembleia dos l&iacute;deres africanos em Malabo, na Guin&eacute; Equatorial, apoiou uma proposta de resolu&ccedil;&atilde;o durante a 66&ordf; Sess&atilde;o Ordin&aacute;ria da Assembleia Geral a favor da proibi&ccedil;&atilde;o da mutila&ccedil;&atilde;o genital feminina em todo o mundo. &quot;Esperamos que na pr&oacute;xima reuni&atilde;o da Assembleia Geral tenhamos uma proibi&ccedil;&atilde;o a n&iacute;vel mundial contra a mutila&ccedil;&atilde;o genital feminina,&quot; afirmou. Para Sabadgou, a luta contra a mutila&ccedil;&atilde;o genital feminina no Gana come&ccedil;a com a sensibiliza&ccedil;&atilde;o. &quot;Precisamos de falar acerca deste assunto,&quot; disse. &quot;Precisamos de come&ccedil;ar agora.&quot; Afirmou que os meios de comunica&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s ainda n&atilde;o fizeram o suficiente para denunciar este costume e que os ministros das regi&otilde;es do norte do Gana deviam discutir a quest&atilde;o no parlamento. O Departamento das Crian&ccedil;as do Gana j&aacute; levou a cabo ac&ccedil;&otilde;es de sensibiliza&ccedil;&atilde;o sobre este assunto mas os seus recursos s&atilde;o limitados. A organiza&ccedil;&atilde;o de Ali ainda tem ainda mais problemas or&ccedil;amentais. Ela tem um escrit&oacute;rio min&uacute;sculo ao lado do p&aacute;tio de uma escola em Acra. Centenas de crian&ccedil;as jogam no campo de futebol no exterior enquanto ela levanta a voz para discutir a sua luta contra a mutila&ccedil;&atilde;o genital feminina para poder ser ouvida por cima do barulho ambiente. &quot;N&atilde;o &eacute; f&aacute;cil combater a mutila&ccedil;&atilde;o genital feminina mas continuamos a lutar para expulsar esta pr&aacute;tica do sistema,&quot; disse Ali. &quot;Ainda temos um longo caminho a percorrer na nossa luta contra a mutila&ccedil;&atilde;o genital feminina. Toda a gente tem um papel a desempenhar.&quot;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Acra,, 29\/11\/2012 &ndash; Quando Jack Sabadgou deixou o Gana e partiu para a Sui&ccedil;a h&aacute; 10 anos, deixou a filha beb&eacute; com a m&atilde;e dele. 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