{"id":11020,"date":"2012-12-03T07:28:40","date_gmt":"2012-12-03T07:28:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11020"},"modified":"2012-12-03T07:28:40","modified_gmt":"2012-12-03T07:28:40","slug":"fukushima-uma-mancha-difcil-de-limpar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/12\/ambiente\/fukushima-uma-mancha-difcil-de-limpar\/","title":{"rendered":"Fukushima, uma mancha dif&iacute;cil de limpar"},"content":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 03\/12\/2012 &ndash; O engenheiro industrial aposentado Yastel Yamada tem 73 anos. Este japon&ecirc;s, junto com outros 700 contempor&acirc;neos, est&aacute; ansioso para trabalhar como volunt&aacute;rio na limpeza da central nuclear de Fukushima Daiichi, para livrar os mais jovens dos efeitos da radia&ccedil;&atilde;o extrema. <!--more--> Essa usina, localizada no nordeste do Jap&atilde;o, foi danificada por um fort&iacute;ssimo terremoto e posterior tsunami no dia 11 de mar&ccedil;o de 2011.<\/p>\n<p>Yamada e seu ex&eacute;rcito de samaritanos da radia&ccedil;&atilde;o s&atilde;o de alguns dos, cada vez em maior n&uacute;mero, grupos da sociedade civil em todo o Jap&atilde;o que adotam medidas para informar o p&uacute;blico sobre os perigos da radia&ccedil;&atilde;o, promovendo uma resposta governamental mais forte ao maior desastre nuclear ocorrido desde a explos&atilde;o da central ucraniana de Chernobyl, em 1986.<\/p>\n<p>&quot;Quando desenvolvermos c&acirc;ncer, j&aacute; estaremos mortos de qualquer forma&quot;, disse Yamada &agrave; IPS, ap&oacute;s uma viagem aos Estados Unidos para promover os esfor&ccedil;os para que sua organiza&ccedil;&atilde;o, chamada Corpo de Veteranos Qualificados para Fukushima, tenha acesso ao local, o que at&eacute; agora &eacute; negado. Um dos objetivos de seu grupo &eacute; gerar press&atilde;o pol&iacute;tica internacional para for&ccedil;ar o governo japon&ecirc;s a assumir o desastre e dar participa&ccedil;&atilde;o a especialistas mundiais no processo de recupera&ccedil;&atilde;o da usina que, segundo se estima, levar&aacute; 20 anos de limpeza e 40 de controles. &quot;Chernobyl foi maior, mas bem menos complicado&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>No entanto, at&eacute; agora a responsabilidade sobre a central continua em m&atilde;os da privada Companhia de Eletricidade de T&oacute;quio (Tepco), uma empresa com pouca per&iacute;cia em mat&eacute;ria de limpeza, alertou Yamada. S&atilde;o cerca de 400 firmas que atualmente realizam tarefas de limpeza em Fukushima Daiichi, acrescentou o engenheiro, explicando que a elaborada e complexa estrutura das subcontrata&ccedil;&otilde;es se interp&otilde;e no caminho dos veteranos que querem trabalhar na usina.<\/p>\n<p>Yamada culpou o &iacute;ntimo v&iacute;nculo entre as autoridades japonesas e o setor empresarial pela negativa governamental de retirar o processo de limpeza da &oacute;rbita da Tepco. O &ecirc;xito ou fracasso dessa limpeza afetar&aacute; as gera&ccedil;&otilde;es futuras em todo o planeta. Os la&ccedil;os pr&oacute;ximos com a ind&uacute;stria, a vacilante informa&ccedil;&atilde;o sobre seguran&ccedil;a, as duvidosas contagens sobre a radia&ccedil;&atilde;o e as contradit&oacute;rias atualiza&ccedil;&otilde;es sobre a situa&ccedil;&atilde;o de Fukushima contribuem para aumentar a desconfian&ccedil;a quanto &agrave; vontade do governo japon&ecirc;s de proteger seus pr&oacute;prios cidad&atilde;os.<\/p>\n<p>Enquanto os m&eacute;dicos continuam ignorando problemas sanit&aacute;rios emergentes e altos pesquisadores se negam a atribuir as anormalidades &agrave; radia&ccedil;&atilde;o, o sistema m&eacute;dico japon&ecirc;s tamb&eacute;m perdeu a confian&ccedil;a de um setor cada vez mais consciente da popula&ccedil;&atilde;o japonesa. Este m&ecirc;s, a prefeitura de Fukushima apresentou as conclus&otilde;es de sua &uacute;ltima pesquisa sobre sa&uacute;de, segundo as quais 42% dos 47 mil menores examinados t&ecirc;m n&oacute;dulos ou quistos na gl&acirc;ndula tireoide. Este n&uacute;mero &eacute; muito superior ao 1,6% registrado em outro estudo desse tipo feito em 2001, em Nagasaki.<\/p>\n<p>Contudo, quando foi questionado sobre o v&iacute;nculo com a exposi&ccedil;&atilde;o &agrave; radioatividade, Shinichi Suzuki, pesquisador da Universidade M&eacute;dica de Fukushima que dirigiu a pesquisa, sugeriu ao canal alem&atilde;o de televis&atilde;o ZDF que as conclus&otilde;es podem ser um reflexo da dieta das crian&ccedil;as japonesas, rica em mariscos. Suzuki mente ao povo japon&ecirc;s&quot;, disse &agrave; IPS a pediatra Yurika Hashimoto, que tem 15 anos de experi&ecirc;ncia. &quot;As pessoas j&aacute; n&atilde;o acreditam mais&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>A m&eacute;dica n&atilde;o escondeu sua desconfian&ccedil;a com boa parte da informa&ccedil;&atilde;o divulgada pelo governo e pelas altas esferas do sistema m&eacute;dico. H&aacute; pouco, para limitar sua pr&oacute;pria exposi&ccedil;&atilde;o &agrave; radia&ccedil;&atilde;o, mudou-se de T&oacute;quio para Osaka. Diarreia, hemorragia nasal, infec&ccedil;&otilde;es na pele e conjuntivite s&atilde;o alguns dos muitos sintomas que viu em seus pacientes, tanto dentro quanto fora da prefeitura de Fukushima, desde o desastre de mar&ccedil;o de 2011.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, quando os pacientes apresentam estes sintomas a outros m&eacute;dicos, frequentemente s&atilde;o ridicularizados ou ignorados, afirmou Hashimoto. Kazko Kawai, moradora em Shizuoka, que leva cinco horas para chegar a Fukushima, sentiu-se alheia &agrave; crise nuclear at&eacute; que funcion&aacute;rios do governo local decidiram come&ccedil;ar a queimar escombros contaminados que haviam inundado sua regi&atilde;o, conforme contou &agrave; IPS durante uma visita a Nova York.<\/p>\n<p>Kawai entrou em contato com v&aacute;rios m&eacute;dicos internacionais para convid&aacute;-los a percorrer cinco cidades, em uma esp&eacute;cie de cl&iacute;nica ambulante e centro de informa&ccedil;&atilde;o para cidad&atilde;os comprometidos. &quot;Em toda parte em que &iacute;amos, havia os mesmos sintomas&quot;, disse D&ouml;rte Siedentopf, m&eacute;dica alem&atilde; aposentada que durante 20 anos trabalhou com crian&ccedil;as sobreviventes do desastre de Chernobyl, em uma entrevista filmada com Kawai.<\/p>\n<p>Nessa entrevista, Siedentopf, falando ao lado de seu colega norte-americano Jeffrey Peterson, professor do Departamento de Medicina Familiar da Universidade de Wisconsin, apresentou uma lista de conclus&otilde;es que coincidem amplamente com as de Hashimoto. Embora seja muito cedo para dizer quais dos sintomas s&atilde;o causados pela radia&ccedil;&atilde;o nuclear, estes demonstram a necessidade de realizar pesquisas epidemiol&oacute;gicas mais amplas, bem como de maior empatia por parte dos m&eacute;dicos que fornecem atendimento prim&aacute;rio, indicou Peterson.<\/p>\n<p>&quot;N&atilde;o faz nenhum bem &agrave;s pessoas dizer que n&atilde;o precisam se preocupar. Estas ansiedades e preocupa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o muito reais&quot;, ressaltou Peterson, acrescentando que os m&eacute;dicos japoneses t&ecirc;m a oportunidade &uacute;nica de definir verdadeiramente os efeitos da radia&ccedil;&atilde;o de uma maneira que n&atilde;o era poss&iacute;vel depois de Chernobyl, h&aacute; 26 anos.<\/p>\n<p>Em comunicado divulgado no dia 26, o relator especial das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre direito &agrave; sa&uacute;de, Anand Grover, que h&aacute; pouco regressou de uma miss&atilde;o de 11 dias no Jap&atilde;o, pediu urg&ecirc;ncia ao governo desse pa&iacute;s no sentido de controlar um setor mais amplo da popula&ccedil;&atilde;o. Grover, cujo informe independente completo ser&aacute; apresentado ao Conselho de Direitos Humanos da ONU em 2013, se reuniu com diferentes atores, entre eles governo, m&eacute;dicos, representantes da sociedade civil e moradores das &aacute;reas afetadas.<\/p>\n<p>O relator se mostrou preocupado pelo fato de os residentes implicados n&atilde;o terem influ&ecirc;ncia &quot;nas decis&otilde;es que os afetam&quot;, e enfatizou que essas pessoas deveriam participar dos processos de tomada de decis&otilde;es, o que inclui &quot;procedimentos de implanta&ccedil;&atilde;o, controle e responsabiliza&ccedil;&atilde;o&quot;.<\/p>\n<p>Por sua vez, os cidad&atilde;os c&eacute;ticos continuam se protegendo da melhor maneira poss&iacute;vel, no que se tornou a nova normalidade desde mar&ccedil;o do ano passado. Diante da pergunta sobre como sua vida mudou desde o desastre, Kawai tira do bolso um dispositivo digital na forma de vara. &quot;Mede os raios gama. Agora todos t&ecirc;m um&quot;, explicou, com total naturalidade. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 03\/12\/2012 &ndash; O engenheiro industrial aposentado Yastel Yamada tem 73 anos. 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