{"id":11026,"date":"2012-12-03T07:48:24","date_gmt":"2012-12-03T07:48:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11026"},"modified":"2012-12-03T07:48:24","modified_gmt":"2012-12-03T07:48:24","slug":"convertendo-as-remessas-em-ganhos-nacionais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/12\/economia\/convertendo-as-remessas-em-ganhos-nacionais\/","title":{"rendered":"Convertendo as remessas em ganhos nacionais"},"content":{"rendered":"<p>Genebra, Su&iacute;&ccedil;a, 03\/12\/2012 &ndash; As remessas de dinheiro feitas por imigrantes para os pa&iacute;ses mais pobres do mundo superaram o volume de investimento estrangeiro direto e ficaram logo atr&aacute;s da assist&ecirc;ncia oficial ao desenvolvimento. <!--more--> Mas os governos n&atilde;o aproveitam esse recurso para impulsionar o desenvolvimento, segundo Supachai Panitchpakdi, secret&aacute;rio-geral da Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Com&eacute;rcio e Desenvolvimento (Unctad).<\/p>\n<p>Estes envios alcan&ccedil;aram a quantia de US$ 27 bilh&otilde;es em 2011, segundo um informe divulgado no dia 26 pela Unctad, com sede em Genebra. Ap&oacute;s analisar a tend&ecirc;ncia nos 48 pa&iacute;ses menos adiantados (PMA), o documento diz que as remessas &#8211; dinheiro enviado por cidad&atilde;os que trabalham no estrangeiro aos seus pa&iacute;ses de origem &#8211; est&atilde;o logo atr&aacute;s da ajuda oficial ao desenvolvimento, que foi de US$ 42 bilh&otilde;es em 2010.<\/p>\n<p>As remessas foram quase o dobro do fluxo de investimento direto estrangeiro para esses pa&iacute;ses, chegando a US$ 15 bilh&otilde;es em 2011, tornando-as muito mais importantes para os PMA do que para outros grupos de na&ccedil;&otilde;es. De fato, as remessas representam 4,4% do produto interno bruto dos PMA e 15% de suas exporta&ccedil;&otilde;es. Estas propor&ccedil;&otilde;es s&atilde;o mais que o triplo do que em outros pa&iacute;ses em desenvolvimento.<\/p>\n<p>Os n&uacute;meros s&atilde;o impressionantes, mas especialistas como o secret&aacute;rio-geral da Unctad acreditam que os governos perdem a oportunidade de conduzirem esse fluxo econ&ocirc;mico para pol&iacute;ticas que favore&ccedil;am o desenvolvimento no longo prazo.Supachai conversou com a IPS sobre como esses fundos privados, mais ben&eacute;ficos para os PMA do que o com&eacute;rcio e os investimentos, podem aproveitar o potencial dos trabalhadores migrantes para promover um crescimento sustent&aacute;vel em seus pa&iacute;ses de origem.<\/p>\n<p>IPS: Por que as remessas para os PMA dispararam nos &uacute;ltimos anos?<\/p>\n<p>SUPACHAI PANITCHPAKDI: Na confer&ecirc;ncia dos PMA, realizada no ano passado em Istambul, destacamos o princ&iacute;pio de diminuir a depend&ecirc;ncia da assist&ecirc;ncia. Isto &eacute;, temos que encontrar formas alternativas de mobilizar fundos do exterior. Ap&oacute;s a atual crise econ&ocirc;mica, as remessas se tornaram uma importante fonte de renda para os pa&iacute;ses mais pobres do mundo. S&atilde;o &quot;&agrave; prova de recess&atilde;o&quot; porque t&ecirc;m incentivos patri&oacute;ticos e procedem principalmente de outros pa&iacute;ses do Sul. O principal objetivo destas transfer&ecirc;ncias privadas &eacute; ajudar a fam&iacute;lia que ficou em casa, e pouqu&iacute;ssimos pa&iacute;ses tratam de convert&ecirc;-las em ganhos para a economia nacional. Alguns trabalhadores migrantes conseguiram criar pequenas empresas, mas seu potencial est&aacute; longe de ser aproveitado.<\/p>\n<p>IPS: Como a Unctad pode ajudar uma oportunidade desperdi&ccedil;ada se tornar rent&aacute;vel?<\/p>\n<p>SP: A Unctad est&aacute; em uma posi&ccedil;&atilde;o &uacute;nica para lidar com os PMA e convencer os governos a adotarem pol&iacute;ticas para transformar as remessas em estrat&eacute;gias de desenvolvimento nacional. Os fluxos privados devem se vincular com novas pol&iacute;ticas industriais. Os organismos de desenvolvimento devem oferecer fundos adicionais para os trabalhadores migrantes que regressam aos seus pa&iacute;ses e tamb&eacute;m incentiv&aacute;-los a usar seu conhecimento e suas economias acumulados para construir capacidades produtivas. Os governos devem poder proteger as pequenas empresas, ordenando a liberaliza&ccedil;&atilde;o comercial. A prote&ccedil;&atilde;o &agrave; ind&uacute;stria nascente pode parecer ing&ecirc;nua atualmente, mas os governos ainda devem apoiar as pequenas e m&eacute;dias empresas em certas &aacute;reas, embora n&atilde;o para sempre. A ado&ccedil;&atilde;o de pol&iacute;ticas comerciais permanentes e distorcidas n&atilde;o &eacute; a forma. Continuamos acreditando no livre com&eacute;rcio.<\/p>\n<p>IPS: Como 80% dos emigrantes dos PMA v&atilde;o para outros pa&iacute;ses em desenvolvimento, as na&ccedil;&otilde;es industrializadas n&atilde;o deveriam revisar suas pol&iacute;ticas migrat&oacute;rias e abrir suas fronteiras aos trabalhadores n&atilde;o qualificados?<\/p>\n<p>SP: A libera&ccedil;&atilde;o comercial total agregaria somente 1% ao PIB mundial, enquanto a liberaliza&ccedil;&atilde;o trabalhista poderia resultar em aumento de 100%, pois a produtividade de uma pessoa pode duplicar no estrangeiro. Nos &uacute;ltimos tempos se v&ecirc; com outros olhos a emigra&ccedil;&atilde;o. Quanto mais m&oacute;vel se torna o trabalho, mais aumenta a produtividade. E n&atilde;o h&aacute; aglomera&ccedil;&otilde;es porque a maior parte do tempo os trabalhadores imigrantes ocupam setores onde os cidad&atilde;os locais n&atilde;o querem trabalhar.<\/p>\n<p>IPS: O interesse nas remessas pode se traduzir em um reconhecimento do fracasso do com&eacute;rcio e dos investimentos estrangeiros diretos nos PMA?<\/p>\n<p>SP: &Eacute; verdade que os investimentos estrangeiros diretos e as remessas flu&iacute;ram em uma correla&ccedil;&atilde;o inversa. Nos pa&iacute;ses mais fracos, os investimentos foram dirigidos apenas para as ind&uacute;strias extrativistas que n&atilde;o geram empregos. E pela &quot;corrida descendente&quot; (competi&ccedil;&atilde;o para atrair o investimento que leva os pa&iacute;ses a baixarem sal&aacute;rios, impostos e padr&otilde;es) estes Estados perderam renda. A Unctad tamb&eacute;m se preocupa com a participa&ccedil;&atilde;o das corpora&ccedil;&otilde;es transnacionais. O problema dos investimentos estrangeiros diretos &eacute; que est&atilde;o atados a condi&ccedil;&otilde;es e motivados pela obten&ccedil;&atilde;o de lucro, j&aacute; as remessas n&atilde;o est&atilde;o condicionadas por ningu&eacute;m. Como uma em cada cinco pessoas com forma&ccedil;&atilde;o universit&aacute;ria dos PMA vive no estrangeiro, principalmente em pa&iacute;ses desenvolvidos, a &uacute;nica maneira para estes Estados evitarem a fuga de c&eacute;rebros seria melhorar e mobilizar os investimentos estrangeiros diretos. Na verdade, a fuga de c&eacute;rebros &eacute; o inconveniente das remessas: dois milh&otilde;es de pessoas capacitadas vivem no exterior. A perda de conhecimento e experi&ecirc;ncias dos pa&iacute;ses de emigra&ccedil;&atilde;o, h&aacute; mais professores universit&aacute;rios et&iacute;opes nos Estados Unidos do que na Eti&oacute;pia, em setores cruciais como sa&uacute;de e educa&ccedil;&atilde;o, pode superar os benef&iacute;cios das remessas. Outra consequ&ecirc;ncia negativa &eacute; a poss&iacute;vel distor&ccedil;&atilde;o dos pre&ccedil;os locais e o aumento da taxa de c&acirc;mbio. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Genebra, Su&iacute;&ccedil;a, 03\/12\/2012 &ndash; As remessas de dinheiro feitas por imigrantes para os pa&iacute;ses mais pobres do mundo superaram o volume de investimento estrangeiro direto e ficaram logo atr&aacute;s da assist&ecirc;ncia oficial ao desenvolvimento. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/12\/economia\/convertendo-as-remessas-em-ganhos-nacionais\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":95,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[18],"class_list":["post-11026","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11026","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/95"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11026"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11026\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11026"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11026"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11026"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}