{"id":11027,"date":"2012-12-03T07:49:55","date_gmt":"2012-12-03T07:49:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11027"},"modified":"2012-12-03T07:49:55","modified_gmt":"2012-12-03T07:49:55","slug":"mais-velhos-mais-sbios-e-vivendo-com-hiv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/12\/mundo\/mais-velhos-mais-sbios-e-vivendo-com-hiv\/","title":{"rendered":"Mais velhos, mais s&aacute;bios e vivendo com HIV"},"content":{"rendered":"<p>Atlanta, Estados Unidos, 03\/12\/2012 &ndash; Quando na d&eacute;cada de 1980 surgiu o HIV\/aids, o estere&oacute;tipo de uma pessoa que vivia com esta doen&ccedil;a nos Estados Unidos era um homem branco, jovem ou de meia idade e homossexual. O estigma persistiu durante d&eacute;cadas, embora hoje inclua pessoas de outras etnias.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11027\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/0312124.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11027\" class=\"size-medium wp-image-11027\" title=\"Robert Brewster, de 74 anos, vive com HIV na cidade de Nova York. - Cortesia de www.grayingofaids.org\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/0312124.jpg\" alt=\"Robert Brewster, de 74 anos, vive com HIV na cidade de Nova York. - Cortesia de www.grayingofaids.org\" width=\"200\" height=\"171\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11027\" class=\"wp-caption-text\">Robert Brewster, de 74 anos, vive com HIV na cidade de Nova York. - Cortesia de www.grayingofaids.org<\/p><\/div>  Contudo, na realidade, quase a maioria dos que vivem com HIV (v&iacute;rus da defici&ecirc;ncia imunol&oacute;gica humana, causador da aids) nos Estados Unidos s&atilde;o muito mais velhos, entre eles muitos convivem com a doen&ccedil;a h&aacute; 20 ou 30 anos, outros que a contra&iacute;ram em idade avan&ccedil;ada e os que podem t&ecirc;- la contra&iacute;do sem saber por muito tempo.<\/p>\n<p>Novos estudos mostram que mais da metade dos habitantes dos Estados Unidos com HIV ou aids (s&iacute;ndrome da defici&ecirc;ncia imunol&oacute;gica adquirida) ter&atilde;o 50 anos ou mais at&eacute; 2015. &quot;Tantos esfor&ccedil;os tradicionais de preven&ccedil;&atilde;o do HIV est&atilde;o dirigidos a jovens e adolescentes&quot;, que as pessoas de mais idade &quot;podem acreditar que n&atilde;o correm risco, embora estejam sexualmente ativas&quot;, disse &agrave; IPS o diretor executivo da Georgia Equality, Jeff Graham.<\/p>\n<p>V&aacute;rios fatores contribuem para esta mudan&ccedil;a demogr&aacute;fica: melhoria nas terapias contra a aids, que permitem viver mais tempo; avan&ccedil;o das medidas educativas e de preven&ccedil;&atilde;o dirigidas aos mais jovens, como a difus&atilde;o do uso de camisinha; e o envelhecimento da popula&ccedil;&atilde;o norte-americana em geral. &quot;Em certas &aacute;reas do Estado da Fl&oacute;rida, foi registrado aumento de aposentados com HIV positivo pela primeira vez e que n&atilde;o pensam que podem estar em risco de contrair qualquer tipo de doen&ccedil;a sexualmente transmiss&iacute;vel ou HIV&quot;, indicou Graham.<\/p>\n<p>Um estudo de 2006 com mil pessoas, com idades em torno dos 50 anos que viviam com HIV na cidade de Nova York, ajudou a inspirar o projeto art&iacute;stico The Graying of Aids (O Envelhecimento da Aids), que exp&otilde;e, mediante fotografias e entrevistas, relatos de idososna primeira pessoa. O projeto come&ccedil;ou como um ensaio de Katja Heinemann na revista Time, e depois se converteu em um site e uma exibi&ccedil;&atilde;o na &uacute;ltima confer&ecirc;ncia mundial sobre HIV\/aids realizada em Washington. Naomi Schegloff &eacute; sua atual codiretora.<\/p>\n<p>Um motivo pelo qual os idosos tendem a n&atilde;o se ver em situa&ccedil;&atilde;o de risco &eacute; que muitas campanhas de sa&uacute;de p&uacute;blica est&atilde;o dirigidas a pessoas mais jovens, tanto nos Estados Unidos quanto no resto do mundo, explicou Schegloff &agrave; IPS. &quot;Em muitas culturas, as pessoas n&atilde;o querem admitir que os idosos fazem sexo&quot;, detalhou. A tend&ecirc;ncia para a invisibilidade dos idosos que vivem com HIV se reflete inclusive na maneira como s&atilde;o obtidos dados estat&iacute;sticos em todo o mundo.<\/p>\n<p>&quot;&Eacute; muito desigual a forma como se registra o espectro de idades. Em muitos lugares, as estat&iacute;sticas s&oacute; chegam at&eacute; os 49 anos&quot;, pontuou Schegloff. &quot;&Eacute; verdade que no in&iacute;cio da epidemia ningu&eacute;m sonhava que as pessoas infectadas viveriam tanto, que passariam dos 30 anos e envelheceriam com o HIV&quot;, acrescentou. Estas pessoas &quot;est&atilde;o vivendo muito mais, e isso &eacute; maravilhoso. Algumas com as quais falamos t&ecirc;m HIV quase desde o come&ccedil;o&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Um dos desafios espec&iacute;ficos dos idosos com HIV\/aids &eacute; que tamb&eacute;m podem ser medicados para outras doen&ccedil;as, frequentemente associadas com a idade. &quot;Muitos estudos sobre medica&ccedil;&otilde;es se baseiam na premissa de que esse &eacute; o &uacute;nico rem&eacute;dio que tomam&quot;, alertou Schegloff.<\/p>\n<p>Segundo Graham, &quot;outro dos desafios para os idosos que vivem com HIV &eacute; que t&ecirc;m mais probabilidades de sofrerem doen&ccedil;as como diabete, problemas card&iacute;acos, pulmonares ou outras, que tendem a afetar os mais velhos. IsTo significa mais medicamentos para tomar e a necessidade de estar a par dos efeitos secund&aacute;rios e das intera&ccedil;&otilde;es dos diferentes rem&eacute;dios&quot;.<\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute; muitos estudos sobre o assunto, acrescentou Graham, e os que fornecem cuidados m&eacute;dicos e &quot;t&ecirc;m experi&ecirc;ncia com pacientes idosos, podem n&atilde;o ter conhecimento em HIV&quot;. Tamb&eacute;m pode ocorrer que &quot;uma pessoa viva em algum tipo de comunidade para idosos e se sinta adicionalmente isolado e estigmatizado por ter HIV. N&atilde;o h&aacute; o mesmo tipo de redes de apoio dispon&iacute;veis para os idosos como para os jovens ou de meia idade&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Pode ocorrer que os m&eacute;dicos que atendem pacientes idosos nem mesmo pensam em realizar exame de HIV, embora tenham sintomas que em algu&eacute;m mais jovem indicaria esse tipo de exame. Se uma mulher com mais de 50 anos se queixa de fadiga e calores, o m&eacute;dico pode considerar que, provavelmente, isso seja causado pela menopausa. Tamb&eacute;m h&aacute; um grupo de idosos que n&atilde;o praticam sexo seguro. Consideram que se j&aacute; n&atilde;o h&aacute; risco de engravidar n&atilde;o &eacute; preciso usar camisinha, advertiu Schegloff.<\/p>\n<p>As mulheres negras s&atilde;o um dos grupos com mais r&aacute;pido aumento do HIV nos Estados Unidos. Outro fator que contribui para o envelhecimento da aids s&atilde;o os idosos gays, que durante anos usaram preservativos e acabam se cansando desse uso, destacou Schegloff. Um tema que veio &agrave; luz por meio dos projetos art&iacute;sticos &eacute; o medo de morrer na solid&atilde;o e como se exacerba com o HIV\/aids se o casal ou os amigos morreram v&iacute;timas dessa doen&ccedil;a. Muitos idosos nos Estados Unidos n&atilde;o t&ecirc;m recursos financeiros para sobreviver bem &agrave; enfermidade, pois carecem da assist&ecirc;ncia social e t&ecirc;m pouca ou nenhuma economia.<\/p>\n<p>Diante da pergunta sobre o que deveria ser feito para abordar o envelhecimento da aids, Schegloff respondeu: &quot;Eliminar o teto de idade para a educa&ccedil;&atilde;o e os exames. Eu ficaria encantado se houvesse mais educa&ccedil;&atilde;o dos provedores de sa&uacute;de e servi&ccedil;os sociais sobre o estigma associado ao HIV e ao envelhecimento, j&aacute; que as pessoas enviam constantemente mensagens que podem magoar os idosos&quot;, enfatizou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Atlanta, Estados Unidos, 03\/12\/2012 &ndash; Quando na d&eacute;cada de 1980 surgiu o HIV\/aids, o estere&oacute;tipo de uma pessoa que vivia com esta doen&ccedil;a nos Estados Unidos era um homem branco, jovem ou de meia idade e homossexual. 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