{"id":11034,"date":"2012-12-03T09:46:36","date_gmt":"2012-12-03T09:46:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11034"},"modified":"2012-12-03T09:46:36","modified_gmt":"2012-12-03T09:46:36","slug":"hiv-brasil-dia-de-comemoraes-relativas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/12\/america-latina\/hiv-brasil-dia-de-comemoraes-relativas\/","title":{"rendered":"HIV-BRASIL: Dia de comemora&ccedil;&otilde;es relativas"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 03\/12\/2012 &ndash; Embora o n&uacute;mero de portadores do HIV tenha ca&iacute;do no Brasil, o governo est&aacute; preocupado pelo aumento da epidemia entre jovens homossexuais, que representam quase a metade dos novos casos registrados no pa&iacute;s, e tamb&eacute;m pela quantidade de pessoas que n&atilde;o sabem que est&atilde;o infectadas. <!--more--> &quot;N&atilde;o &eacute; uma comemora&ccedil;&atilde;o, mas um dia de luta&quot;, disse Dirceu Greco, diretor do Departamento de Doen&ccedil;as Sexualmente Transmiss&iacute;veis (DST), Aids e Hepatite, do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de. &quot;&Eacute; que, apesar da pandemia ser muito menos intensa no mundo do que h&aacute; dois ou tr&ecirc;s anos, para n&oacute;s n&atilde;o h&aacute; comemora&ccedil;&atilde;o enquanto n&atilde;o estiver sob controle&quot;, afirmou &agrave; IPS.<\/p>\n<p>Os c&aacute;lculos do &uacute;ltimo Estudo Epidemiol&oacute;gico do Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de e do Programa Conjunto das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre HIV\/Aids (Onusida) indicam que a quantidade de pessoas infectadas com o v&iacute;rus no Brasil caiu de 600 mil para 530 mil. com 194 milh&otilde;es de habitantes, o pa&iacute;s &eacute; considerado uma refer&ecirc;ncia mundial no combate &agrave; aids.<\/p>\n<p>O Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS) garante h&aacute; 16 anos o acesso universal a todos os medicamentos necess&aacute;rios para tratar pacientes com o v&iacute;rus HIV, causador da aids, al&eacute;m de disponibilizar os exames e controles m&eacute;dicos necess&aacute;rios para um universo de 217 mil pessoas atualmente. O SUS oferece tratamento antirretroviral para 97% dos brasileiros diagnosticados com aids. No total s&atilde;o 20 medicamentos.<\/p>\n<p>&quot;Cerca de 70% dos que tomam antirretrovirais no Brasil diminu&iacute;ram sua carga viral em seis vezes depois do tratamento&quot;, disse o ministro da Sa&uacute;de, Alexandre Padilha, em um ato realizado na &uacute;ltima quinta-feira no Instituto de Tecnologia em F&aacute;rmacos (Farmanguinhos) da Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz, onde s&atilde;o produzidos oito desses rem&eacute;dios.<\/p>\n<p>Padilha apresentou outros &ecirc;xitos do programa, como o trabalho focado nas gestantes, que permitiu a redu&ccedil;&atilde;o dos casos por transmiss&atilde;o vertical. Em 2006, apenas 62% das gr&aacute;vidas faziam o teste de aids, enquanto no ano passado esse indicador subiu para 84%.<\/p>\n<p>Agora, o governo de Dilma Rousseff dirige a aten&ccedil;&atilde;o em especial para outros grupos populacionais, com os &quot;jovens que praticam sexo com outros homens&quot; (definido assim epidemiologicamente). Trata-se de pessoas entre 15 e 24 anos.<\/p>\n<p>&quot;Como v&aacute;rios pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina, temos uma epidemia chamada concentrada. A preval&ecirc;ncia da doen&ccedil;a, em geral, &eacute; de 0,4% no Brasil, semelhante ao que ocorre nos Estados Unidos e na Europa ocidental. Mas, h&aacute; grupos mais expostos, como os homossexuais masculinos&quot;, explicou Greco. &quot;&Eacute; necess&aacute;rio focar respostas nesses grupos&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Entre outros fatores, o diretor de DST mencionou a raz&atilde;o &quot;inconsciente&quot; de pensar que a epidemia est&aacute; controlada e que agora a cura &eacute; poss&iacute;vel. Tamb&eacute;m apontou &quot;o esquecimento da aids por parte dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o&quot;. Segundo Greco, &quot;a maioria nos procura nas &eacute;pocas em que temos um evento, como o Dia Mundial da Luta contra a Aids, celebrado no s&aacute;bado passado, ou na &eacute;poca do carnaval. Mas o problema existe o ano todo e &eacute; preciso continuar falando a respeito&quot;.<\/p>\n<p>Com rela&ccedil;&atilde;o aos jovens homossexuais, Greco disse que muitos t&ecirc;m medo de assumir sua condi&ccedil;&atilde;o perante o sistema de sa&uacute;de &agrave;s vezes &quot;deixam at&eacute; de buscar tratamento por medo de n&atilde;o serem bem atendidos&quot;. Um grupo de pacientes do Hospital Evandro Chagas, da Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz, conhece muito bem esse preconceito. Identificando-se apenas pelas iniciais FR, um jovem produtor cultura disse &agrave; IPS que em seu trabalho n&atilde;o se atreve a dizer que &eacute; portador de HIV.<\/p>\n<p>&quot;Muitos n&atilde;o me contratariam porque diriam: &quot;&eacute; um aid&eacute;tico&quot;, afirmou. Entretanto, se considera vitorioso por poder estar celebrando &quot;a vit&oacute;ria da vida dia a dia&quot; gra&ccedil;as aos medicamentos.<\/p>\n<p>Pedro Chequer, representante da Onusida no Brasil, destacou que, em primeiro lugar, o grupo de homens que faz sexo com homens &quot;enfrenta um risco maior de contrair HIV&quot;, junto a outros segmentos populacionais como usu&aacute;rios de drogas injet&aacute;veis e trabalhadores e trabalhadoras sexuais. Em entrevista &agrave; IPS, Chequer afirmou que h&aacute; queda no uso de camisinha, mudando a tend&ecirc;ncia de alta verificada tempos atr&aacute;s. &quot;Como consequ&ecirc;ncia disso temos um crescimento da epidemia entre homens e mulheres jovens&quot;, explicou.<\/p>\n<p>Chequer atribui este descuido na preven&ccedil;&atilde;o &agrave; &quot;ideia de que a aids como epidemia perigosa passou, porque h&aacute; tratamento. Isto criou uma falsa impress&atilde;o de que o problema est&aacute; solucionado&quot;, acrescentou. Embora tenha diminu&iacute;do a mortalidade, &quot;a verdade &eacute; que ainda n&atilde;o h&aacute; cura para a doen&ccedil;a. Temos que manter e manter a guarda&quot;, enfatizou.<\/p>\n<p>Clever Gon&ccedil;alves, ativista do grupo homossexual Arco-&Iacute;ris,tem uma explica&ccedil;&atilde;o adicional. Disse que o pr&oacute;prio governo deixou de lado em suas campanhas os homens homossexuais. &quot;Apesar de se falar em uma estabiliza&ccedil;&atilde;o da epidemia, entre esse p&uacute;blico o n&uacute;mero de novos casos &eacute; muito alto&quot;, afirmou. &quot;Ainda assim n&atilde;o h&aacute; campanhas dirigidas para esse p&uacute;blico. Existe uma resist&ecirc;ncia muito grande devido a press&otilde;es de l&iacute;deres religiosos dentro do governo. Falar de homossexualidade &eacute; um tabu para eles&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Mas esse n&atilde;o &eacute; o &uacute;nico desafio para o governo. Tamb&eacute;m se manifesta preocupado pelos altos &iacute;ndices de pessoas que n&atilde;o sabem que s&atilde;o portadoras do HIV. Segundo Padilha, isto diminui a possibilidade de salvar vidas por um tratamento que comece mais cedo, al&eacute;m de aumentar o potencial de propaga&ccedil;&atilde;o da epidemia.<\/p>\n<p>Para promover uma detec&ccedil;&atilde;o mais precoce, o Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de iniciou uma mobiliza&ccedil;&atilde;o nacional para que a popula&ccedil;&atilde;o fa&ccedil;a exames de aids, hepatite e s&iacute;filis. E o ministro come&ccedil;ou dando o exemplo, submetendo-se a esse teste publicamente em dois dias consecutivos. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 03\/12\/2012 &ndash; Embora o n&uacute;mero de portadores do HIV tenha ca&iacute;do no Brasil, o governo est&aacute; preocupado pelo aumento da epidemia entre jovens homossexuais, que representam quase a metade dos novos casos registrados no pa&iacute;s, e tamb&eacute;m pela quantidade de pessoas que n&atilde;o sabem que est&atilde;o infectadas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/12\/america-latina\/hiv-brasil-dia-de-comemoraes-relativas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":75,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5,7],"tags":[27,21],"class_list":["post-11034","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","category-saude","tag-brasil","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11034","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11034"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11034\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11034"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11034"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11034"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}