{"id":11037,"date":"2012-12-04T09:44:36","date_gmt":"2012-12-04T09:44:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11037"},"modified":"2012-12-04T09:44:36","modified_gmt":"2012-12-04T09:44:36","slug":"brasil-estmulo-agricultura-familiar-para-se-conhecer-melhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/12\/america-latina\/brasil-estmulo-agricultura-familiar-para-se-conhecer-melhor\/","title":{"rendered":"BRASIL: Est&iacute;mulo &agrave; agricultura familiar para se conhecer melhor"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 04\/12\/2012 &ndash; &quot;O Canjinjin tem poderes especiais&quot;, garante Deize Coelho de Barros. A receita deste licor, feito com uma mistura de ervas, foi herdada de seus antepassados africanos e &eacute; considerado o &quot;viagra&quot; em sua terra, o Estado do Mato Grosso. <!--more--> &quot;Os portugueses trouxeram os negros para trabalhar, e n&oacute;s continuamos com a tradi&ccedil;&atilde;o. Hoje nossa gente ainda toma esse licor nas festas, para ter energia&quot;, afirma Deize, uma das 57 cooperativistas de um quilombo (terras habitadas por descendentes de escravos que no s&eacute;culo 19 conseguiram fugir para a liberdade).<\/p>\n<p>O licor Canjinjin &eacute; um dos muitos produtos procedentes da agricultura familiar que, embora seja a origem da maioria dos alimentos na mesa dos brasileiros, &eacute; desconhecida pelos grandes centros urbanos do pa&iacute;s. O Brasil &eacute; conhecido no mundo especialmente pelas exporta&ccedil;&otilde;es agr&iacute;colas b&aacute;sicas em grande escala, como soja e carnes bovinas e de outros animais, mas n&atilde;o por seus produtos t&iacute;picos, como o Canjinjin e a cacha&ccedil;a e nem pela qualidade dos embutidos caseiros elaborados pelos ga&uacute;chos.<\/p>\n<p>A produ&ccedil;&atilde;o de alimentos em pequena escala envolve mais de 4,3 milh&otilde;es de fam&iacute;lias e responde por 10% do produto interno bruto do pa&iacute;s, ao contr&aacute;rio do grande setor exportador agropecu&aacute;rio, ou agroneg&oacute;cio, que est&aacute; concentrado em grandes extens&otilde;es de terras nas m&atilde;os de poucos donos, segundo dados governamentais. &quot;Muita gente pensa que o guaran&aacute; &eacute; produzido em grandes fazendas, como as de soja, mas n&atilde;o &eacute; assim, pois &eacute; plantado em propriedades de meio ou um hectare&quot;, disse Eldes Batista, representante de um cons&oacute;rcio de produtores ind&iacute;genas sater&eacute;-maw&eacute;, do Amazonas, que tem mais de 11 mil integrantes desta etnia.<\/p>\n<p>Batista mostra &agrave; IPS mais de dez produtos extra&iacute;dos da selva amaz&ocirc;nica, como guaran&aacute; (uma semente energ&eacute;tica), &oacute;leo de copa&iacute;ba (para a garganta) e mirant&atilde;, que promete fortalecer as defesas imunol&oacute;gicas, estimular o apetite sexual e tonificar os m&uacute;sculos. &quot;Trabalhamos com a sabedoria de nossos antepassados. Somos reconhecidos mitologicamente como os filhos do guaran&aacute;&quot;, explica Batista, que, como Deize e outros 650 expositores, participou, de 21 a 25 de novembro, no Rio de Janeiro, da VII Feira Nacional de Agricultura Familiar e Reforma Agr&aacute;ria, destinada a cosm&eacute;ticos, artesanatos, e alimentos, entre outros produtos.<\/p>\n<p>O guaran&aacute;, &quot;al&eacute;m de ser uma bebida cotidiana do nosso povo, serve para absorver mais conhecimentos&quot;, conta Batista. Os sater&eacute;-maw&eacute; exportam guaran&aacute; para a Uni&atilde;o Europeia desde 1996. Mas agora, devido &agrave; crise global que afeta especialmente esse bloco e ao crescimento da economia brasileira, decidiram apostar no mercado interno. &quot;Como a crise internacional enfraqueceu o mercado na Europa, diminuiu o n&uacute;mero de pedidos e come&ccedil;ou a sobrar mercadoria. A feira de agricultura familiar nos d&aacute; a possibilidade de expandir nosso mercado e divulgar nossos produtos no Brasil&quot;, disse o representante ind&iacute;gena.<\/p>\n<p>&quot;Nos voltarmos ao mercado interno d&aacute; muito mais resultado hoje do que olhar para o exterior, que fecha as portas&quot;, disse &agrave; IPS o representante do Minist&eacute;rio do Desenvolvimento Agr&aacute;rio, Arnoldo Campos, um dos coordenadores da feira. As autoridades calculam que foram movimentados o equivalente a US$ 7,5 milh&otilde;es em neg&oacute;cios, tr&ecirc;s milh&otilde;es a mais do que em 2009, tamb&eacute;m no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>A feira, que acontece anualmente em diferentes regi&otilde;es, permite aos seus protagonistas n&atilde;o s&oacute; vender seus produtos como tamb&eacute;m se encontrar com representantes de lojas de produtos org&acirc;nicos, naturais, farm&aacute;cias, mercados, restaurantes, hot&eacute;is e grandes redes de supermercados, para criar canais de venda sem intermedi&aacute;rios. &Eacute; que nos canais de comercializa&ccedil;&atilde;o e distribui&ccedil;&atilde;o &eacute; onde geralmente acaba a ilus&atilde;o de um bom neg&oacute;cio para muitas pequenas empresas. E nas grandes cidades, como o Rio de Janeiro, &eacute; onde est&aacute; o &quot;grande neg&oacute;cio&quot;.<\/p>\n<p>&quot;Temos v&aacute;rios objetivos&quot;, contou Campos. &quot;Primeiro, que o cidad&atilde;o brasileiro, especialmente o que vive nos grandes centros, compreenda a import&acirc;ncia da agricultura familiar, e, em segundo lugar, levar o produto para o mercado e promov&ecirc;-lo. Queremos que diminua a dist&acirc;ncia entre os elos da cadeia produtiva, para que oferta e demanda se aproximem mais&quot;, afirmou. &quot;A agricultura familiar &eacute; a principal produtora de alimentos do Brasil e a grande diversidade &eacute; um patrim&ocirc;nio da seguran&ccedil;a alimentar nacional&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Essa variedade de produtos origin&aacute;rios nas diferentes regi&otilde;es deste gigantesco pa&iacute;s &eacute; o que se distingue na atividade agropecu&aacute;ria das pequenas propriedades. Assim se misturam castanhas do Par&aacute;, colares com frutos da Amaz&ocirc;nia, bombons de frutas t&iacute;picas como o cupua&ccedil;u, cadeiras de madeira da selva, rem&eacute;dios tradicionais, salames do sul e goiabadas do centro e oeste do pa&iacute;s, entre outros produtos.<\/p>\n<p>H&aacute; tamb&eacute;m artigos cosm&eacute;ticos e mat&eacute;rias-primas dos diversos biomas do Brasil. &Eacute; o caso dos sabonetes artesanais feitos no litoral norte do Rio Grande do Norte, com &quot;propriedades para eliminar manchas da pele, cicatrizar feridas, anti-inflamat&oacute;rias, adstringentes e antimic&oacute;ticas&quot;, segundo disse &agrave; IPS a representante da Associa&ccedil;&atilde;o de Maricultivadoras de Macroalgas da Praia de Pitangui, Marta Asis.<\/p>\n<p>Os planos de est&iacute;mulo implantados por setores privados e pelo governo para a agricultura familiar se complementam com pol&iacute;ticas como o Programa de Merenda Escolar, que adquire produtos desse setor para serem servidos aos estudantes em todos os centros de ensino estatais do pa&iacute;s. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 04\/12\/2012 &ndash; &quot;O Canjinjin tem poderes especiais&quot;, garante Deize Coelho de Barros. 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