{"id":11045,"date":"2012-12-05T01:58:29","date_gmt":"2012-12-05T01:58:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11045"},"modified":"2012-12-05T01:58:29","modified_gmt":"2012-12-05T01:58:29","slug":"uta-para-reconstruir-o-sistema-de-sade-da-costa-do-marfim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/12\/africa\/uta-para-reconstruir-o-sistema-de-sade-da-costa-do-marfim\/","title":{"rendered":"uta Para Reconstruir o Sistema de Sa&uacute;de da Costa do Marfim"},"content":{"rendered":"<p>Abidjan, 05\/12\/2012 &ndash; Angama Ouattara, de um ano de idade, est&aacute; deitada numa cama enferrujada de hospital, com soro ligado ao seu pequeno p&eacute; esquerdo. A m&atilde;e, Minata, est&aacute; sentada na beira da cama, alisando os len&ccedil;&oacute;is que teve de trazer de casa <!--more--> H&aacute; seis dias, Angama foi internada na unidade de pediatria do Hospital Geral de Abobo em Abidjan, a capital econ&oacute;mica da Costa do Marfim. A menina padece de um grave caso de meningite, uma inflama&ccedil;&atilde;o perigosa das membranas do c&eacute;rebro e da coluna vertebral. Est&aacute; demasiado fraca para se sentar ou at&eacute; levantar a cabe&ccedil;a. Um novo regulamento nacional de sa&uacute;de, que entrou em vigor no dia 1 de Mar&ccedil;o, oferece servi&ccedil;os de sa&uacute;de gratuitos a mulheres gr&aacute;vidas, crian&ccedil;as com menos de cinco anos e pessoas com mal&aacute;ria, o que ajudou a salvar a vida de Angama. &quot;S&oacute; ganho o suficiente para p&ocirc;r comida na mesa para mim e para os meus dois filhos. N&atilde;o tenho dinheiro suficiente para pagar as despesas de hospitaliza&ccedil;&atilde;o,&quot; afirmou a m&atilde;e, de 27 anos, que trabalha como vendedora de peixe num mercado em Abobo, o maior bairro de lata de Abidjan. Ela n&atilde;o teria trazido a sua filha ao hospital se o internamento n&atilde;o fosse gratuito. Dez meses depois deste pa&iacute;s da &Aacute;frica Ocidental ter emergido de uma crise presidencial eleitoral, durante a qual quase todos os hospitais e cl&iacute;nicas foram obrigados a encerrar durante pelo menos seis meses devido ao facto de terem sido vandalizados, pilhados e ocupados, o novo governo chefiado pelo Presidente Alassane Ouattara est&aacute; a tentar fazer da sa&uacute;de p&uacute;blica uma prioridade. Ouattara chegou ao poder em Maio de 2011, seis meses depois das elei&ccedil;&otilde;es presidenciais, que foram seguidas por uma luta violenta pelo poder entre ele e o seu antecessor, Laurent Gbagbo, durante a qual foram mortas 3.000 pessoas e pelo menos meio milh&atilde;o de pessoas ficaram deslocadas, de acordo com o Alto Comissariado das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para os Refugiados. Uma das primeiras ac&ccedil;&otilde;es do presidente foi assegurar a reabertura dos hospitais com a implementa&ccedil;&atilde;o de um plano de cuidados de sa&uacute;de de emerg&ecirc;ncia, chamado Gratuit&eacute;, que oferece cuidados de sa&uacute;de gratuitos a todos os cidad&atilde;os durante nove meses. Esta pol&iacute;tica foi agora substitu&iacute;da com um regulamento permanente orientado apenas para m&atilde;es, crian&ccedil;as pequenas e doentes com mal&aacute;ria.<\/p>\n<p>Mas num pa&iacute;s a recuperar de 12 anos de instabilidade pol&iacute;tica desde o golpe militar de Dezembro de 1999, seguido por dez anos de governa&ccedil;&atilde;o autocr&aacute;tica de Gbagbo, a reconstru&ccedil;&atilde;o do sistema de cuidados de sa&uacute;de p&uacute;blica em decl&iacute;nio demora tempo. H&aacute; anos que os hospitais sofrem com a falta de pessoal especializado, equipamento b&aacute;sico e tecnologia. <\/p>\n<p>A crise p&oacute;s-eleitoral do ano passado veio piorar a presta&ccedil;&atilde;o de cuidados de sa&uacute;de, visto que as for&ccedil;as armadas e os cidad&atilde;os roubaram tudo o que podiam transportar: medicamentos, equipamento de laborat&oacute;rio, computadores, camas e colch&otilde;es. At&eacute; as ambul&acirc;ncias foram roubadas, contou o Dr. Mamadou Keita, director do departamento nacional de sa&uacute;de no distrito de Abobo. Actualmente, este bairro de lata que alberga perto de um milh&atilde;o de pessoas s&oacute; tem uma ambul&acirc;cia. &quot;Ainda n&atilde;o conseguimos repor todo o equipamento porque tivemos de reconstruir do zero. &Eacute; um processo que vai demorar tempo porque &eacute; muito caro,&quot; explicou. &quot;Neste momento, s&oacute; podemos oferecer servi&ccedil;os m&iacute;nimos. Ainda n&atilde;o temos equipamento de laborat&oacute;rio e faltam-nos coisas b&aacute;sicas como agulhas e term&oacute;metros. Muitas vezes os medicamentos acabam.&quot; A pequena Angama &eacute; um bom exemplo. Apesar do hospital n&atilde;o cobrar pelos servi&ccedil;os m&eacute;dicos e pela cama, a m&atilde;e teve de comprar l&iacute;quidos intravenosos e medicamentos numa farm&aacute;cia perto &#8211; devido ao facto de os stocks do hospital estarem esgotados. Isto custa-lhe 20 dol&aacute;res por dia, enquanto que o seu rendimento m&eacute;dio di&aacute;rio &eacute; cerca de quatro dol&aacute;res. &quot;A minha filha j&aacute; est&aacute; aqui h&aacute; seis dias. Tive de pedir dinheiro emprestado de v&aacute;rios membros da fam&iacute;lia. E enquanto Angama estiver no hospital, eu n&atilde;o trabalho e, portanto, n&atilde;o tenho nenhum rendimento. Vai levar muito tempo para de eu pagar esta d&iacute;vida,&quot; suspirou Ouattara. A necessidade que a popula&ccedil;&atilde;o tem de bons servi&ccedil;os de sa&uacute;de &eacute; maior do que nunca. Durante a crise p&oacute;s-eleitoral entre Novembro de 2010 e Maio de 2011, muitos costa-marfinenses ficaram feridos durante os confrontos, milhares de deslocados ficaram sem acesso a &aacute;gua pot&aacute;vel e saneamento e ficaram expostos &agrave; mal&aacute;ria. Em 2011, s&oacute; o Hospital Geral de Abobo recebeu quatro milh&otilde;es de crian&ccedil;as, quase o dobro do ano anterior, afirmou a Dr&ordf;. Tenedia Soro-Coulibaly, pediatra do hospital. &quot;Cerca de 90 por cento destas crian&ccedil;as tinha mal&aacute;ria. Foi espantoso,&quot; disse Soro-Coulibaly, mesmo para um pa&iacute;s como a Costa do Marfim, onde a mal&aacute;ria &eacute; a primeira causa da mortalidade infantil, e metade de todas as mortes infantis &eacute; causada por esta doen&ccedil;a, de acordo com a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de. Agravando a situa&ccedil;&atilde;o, os mercados e os bancos tiveram de encerrar quando o pa&iacute;s mergulhou na crise, o que significa que as pessoas n&atilde;o tinham acesso a dinheiro nem a alimentos. Em resultado, aumentou a subnutri&ccedil;&atilde;o, especialmente de crian&ccedil;as, as mais vulner&aacute;veis. &quot;Tamb&eacute;m assistimos a um aumento dos casos de c&oacute;lera, meningite e sarampo, assim como diarreias e infec&ccedil;&otilde;es respirat&oacute;rias,&quot; acrescentou Keita. A combina&ccedil;&atilde;o de pilhagens e do aumento de doen&ccedil;as redobrou os encargos de um sistema de sa&uacute;de j&aacute; em dificuldades que levar&aacute; muitos mais meses a reparar. &quot;Muitas vezes n&atilde;o temos o equipamento urgente necess&aacute;rio para salvar a vida dos pacientes,&quot; lamentou Soro-Coulibaly. As garrafas de oxig&eacute;nio na unidade de pediatria est&atilde;o vazias e os geradores avariados impedem os m&eacute;dicos de fazerem o seu trabalho durante os frequentes cortes de electricidade. O impacto da viol&ecirc;ncia p&oacute;s-eleitoral na sa&uacute;de das crian&ccedil;as foi t&atilde;o severa que o Fundo das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Inf&acirc;ncia (UNICEF) est&aacute; preocupado que a situa&ccedil;&atilde;o tenha consequ&ecirc;ncias negativas duradouras para as crian&ccedil;as na Costa do Marfim &#8211; especialmente se o governo n&atilde;o conseguir gerir a reconstru&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida do sistema de sa&uacute;de em todo o pa&iacute;s. Embora a presta&ccedil;&atilde;o dos servi&ccedil;os de sa&uacute;de em Abidjan, o cora&ccedil;&atilde;o econ&oacute;mico do pa&iacute;s, esteja a melhorar lentamente mas em seguran&ccedil;a, o acesso a estes servi&ccedil;os continua a ser extremamente limitado nas regi&otilde;es ocidentais e centrais da Costa do Marfim, que at&eacute; agora continuam a sofrer viol&ecirc;ncia espor&aacute;dica. &quot;Pedimos ao governo or&ccedil;amentos maiores mas tamb&eacute;m apelamos que descentralize o sistema. Actualmente, a maioria dos fundos &eacute; atribu&iacute;da a tr&ecirc;s hospitais em Abidjan, enquanto que a presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os de sa&uacute;de nas &aacute;reas rurais ainda &eacute; muito reduzida,&quot; disse Christina de Bruin, a vice-representante da UNICEF na Costa do Marfim. &quot;Os pr&oacute;ximos meses v&atilde;o ser um per&iacute;odo cr&iacute;tico com respeito ao impacto da crise no futuro e no bem-estar das crian&ccedil;as a longo prazo,&quot; acrescentou de Bruin. &quot;O r&aacute;pido retorno &agrave; presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os de sa&uacute;de e de outros servi&ccedil;os sociais constitui um importante passo para a estabiliza&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s.&quot;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Abidjan, 05\/12\/2012 &ndash; Angama Ouattara, de um ano de idade, est&aacute; deitada numa cama enferrujada de hospital, com soro ligado ao seu pequeno p&eacute; esquerdo. 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