{"id":11048,"date":"2012-12-05T11:09:35","date_gmt":"2012-12-05T11:09:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11048"},"modified":"2012-12-05T11:09:35","modified_gmt":"2012-12-05T11:09:35","slug":"destaques-comunidades-do-brasil-revitalizam-o-rio-so-francisco-em-seus-afluentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/12\/america-latina\/destaques-comunidades-do-brasil-revitalizam-o-rio-so-francisco-em-seus-afluentes\/","title":{"rendered":"DESTAQUES: Comunidades do Brasil revitalizam o Rio S&atilde;o Francisco em seus afluentes"},"content":{"rendered":"<p>JANU&Aacute;RIA, Brasil, 05\/12\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- Popula&ccedil;&otilde;es ribeirinhas de um afluente do Rio S&atilde;o Francisco respondem com medidas originais &agrave; destrui&ccedil;&atilde;o de seu curso de &aacute;gua.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11048\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/606_ASA_Jaiba_176.JPG\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11048\" class=\"size-medium wp-image-11048\" title=\"Uma das pequenas represas pr&oacute;ximas do Rio dos Cochos com &aacute;gua de uma chuva recente - Mario Osava\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/606_ASA_Jaiba_176.JPG\" alt=\"Uma das pequenas represas pr&oacute;ximas do Rio dos Cochos com &aacute;gua de uma chuva recente - Mario Osava\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11048\" class=\"wp-caption-text\">Uma das pequenas represas pr&oacute;ximas do Rio dos Cochos com &aacute;gua de uma chuva recente - Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>  Jos&eacute; Geraldo Matos recorda com saudades as grandes tra&iacute;ras (Hoplias sp), peixes carn&iacute;voros de lagoas e rios do Brasil, que ele pescava no Rio dos Cochos, a poucos metros de sua casa. Restabelecer as condi&ccedil;&otilde;es que tinha este rio de 38 quil&ocirc;metros ao menos tr&ecirc;s d&eacute;cadas atr&aacute;s n&atilde;o parece poss&iacute;vel, mas gra&ccedil;as a um esfor&ccedil;o concertado, j&aacute; foi recuperada parte do fluxo que ostentava antes que a sedimenta&ccedil;&atilde;o e a perda de nascentes o convertessem em um riacho intermitente.<\/p>\n<p>&quot;Onde vivo ficou sem &aacute;gua cerca de 20 dias&quot; este ano, de forte estiagem. Antes &quot;ficava seco por quatro ou cinco meses&quot;, disse Jaci Borges, morador local e ativista da C&aacute;ritas, organiza&ccedil;&atilde;o cat&oacute;lica que apoia essa iniciativa e muitas outras de desenvolvimento solid&aacute;rio. Salvar este e outros pequenos rios &eacute; fundamental para revitalizar o S&atilde;o Francisco, o mais importante recurso h&iacute;drico do Nordeste do Brasil, uma regi&atilde;o iluminada por suas nove hidrel&eacute;tricas, m&eacute;dias e grandes.<\/p>\n<p>O Rio dos Cochos, um subafluente, faz parte de sua bacia. Dos 36 afluentes diretos do S&atilde;o Francisco, chamado &quot;rio da integra&ccedil;&atilde;o nacional&quot; por cruzar o centro e o nordeste do pa&iacute;s, 16 j&aacute; eram intermitentes em 2005, conforme investigou o jornalista Marco Antonio Coelho para seu livro Os Descaminhos do S&atilde;o Francisco. A popula&ccedil;&atilde;o ribeirinha do rio dos Cochos &#8211; 300 fam&iacute;lias, ou cerca de 1.500 pessoas &#8211; come&ccedil;ou a reagir &agrave; destrui&ccedil;&atilde;o de seu rio em 2001.<\/p>\n<p>A prepara&ccedil;&atilde;o, que incluiu criar a Associa&ccedil;&atilde;o de Usu&aacute;rios da Sub-Bacia do Rio dos Cochos e a discuss&atilde;o sobre o que fazer exigiu tr&ecirc;s anos. A partir de 2004 foram constru&iacute;das 850 &quot;barraginhas&quot;, pequenas represas circulares junto a estradas e outros caminhos por onde seguem as &aacute;guas de cheias ou chuvas. Desta forma, se impede que os sedimentos, abundantes por causa do solo arenoso, sejam arrastados at&eacute; o leito do rio e continuem entupindo-o.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, a terra ao redor dessas pequenas represas fica &uacute;mida e se alimenta do len&ccedil;ol fre&aacute;tico em uma &aacute;rea onde as chuvas n&atilde;o s&atilde;o abundantes e as graves secas s&atilde;o frequentes, como a que sofre o semi&aacute;rido do pa&iacute;s desde ao ano passado. O Rio dos Cochos cruza os munic&iacute;pios de C&ocirc;nego Marinho e Janu&aacute;ria, no norte de Minas Gerais, com um clima semi&aacute;rido semelhante ao que afeta quase todo o interior do Nordeste, onde o &iacute;ndice pluviom&eacute;trico varia entre 250 e 750 mil&iacute;metros por ano.<\/p>\n<p>Al&eacute;m das represas, h&aacute; tr&ecirc;s anos se tenta restaurar as florestas ribeirinhas, estendendo uma cerca a 30 metros do leito do rio para impedir a invas&atilde;o do gado. Nem todos aderiram a esta campanha, mas &eacute; impressionante a recupera&ccedil;&atilde;o natural da vegeta&ccedil;&atilde;o onde foi colocada essa prote&ccedil;&atilde;o, sem necessidade de plantar novas &aacute;rvores, contou Matos. O pequeno rio ficou conhecido como exemplo de revitaliza&ccedil;&atilde;o, divulgado pela imprensa e pela televis&atilde;o nos &uacute;ltimos anos.<\/p>\n<p>A causa da deteriora&ccedil;&atilde;o do rio &eacute; o desmatamento dos morros e a substitui&ccedil;&atilde;o da mata original por eucalipto para produzir carv&atilde;o vegetal, estimulada por pol&iacute;ticas oficiais desde a d&eacute;cada de 1970. Sua agonia vinha prejudicando a produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola local. &quot;Muitas nascentes secaram, algumas fechadas por sedimentos&quot;, explicou Borges.<\/p>\n<p>Minas Gerais &eacute; o Estado de maior atividade de minera&ccedil;&atilde;o, vinculada ao transporte ferrovi&aacute;rio e &agrave; siderurgia, grandes consumidores de carv&atilde;o vegetal. Entretanto, a pecu&aacute;ria tamb&eacute;m foi uma causa da deteriora&ccedil;&atilde;o, pois danificou a mata e o solo na margem do rio, at&eacute; ser colocada a cerca. Al&eacute;m disso, exigia a substitui&ccedil;&atilde;o da vegeta&ccedil;&atilde;o natural por extensas pastagens, favorecendo a eros&atilde;o que, por sua vez, libera mais sedimentos.<\/p>\n<p>Matos, de 57 anos, divide com cinco irm&atilde;os uma &aacute;rea de 200 hectares dedicados a agricultura e pecu&aacute;ria. De seus tr&ecirc;s filhos, um j&aacute; foi para a cidade pr&oacute;xima, Janu&aacute;ria, e &quot;o outro tamb&eacute;m quer ir&quot;, lamentou. &quot;Viver aqui &eacute; bom, mas sobreviver &eacute; dif&iacute;cil&quot;, porque as chuvas s&atilde;o muito irregulares e, &quot;ap&oacute;s dois meses sem chover, se perde tudo&quot;, contou. Outras dificuldades s&atilde;o as estradas, de terra e sem manuten&ccedil;&atilde;o adequada, acrescentou Borges. A pouca aten&ccedil;&atilde;o das prefeituras afeta o transporte, e tamb&eacute;m as &quot;barraginhas&quot; com as quais se tenta salvar o rio.<\/p>\n<p>As &uacute;ltimas chuvas romperam diques mal feitos em um trecho da estrada onde foram constru&iacute;dos, mais ou menos a cada 50 metros, para resistir &agrave; intensidade das cheias. Assim, cresce a bola de neve: as &quot;barraginhas&quot; corrente abaixo n&atilde;o suportam as &aacute;guas que crescem muito por n&atilde;o serem contidas acima, explicou o campon&ecirc;s e ativista. A associa&ccedil;&atilde;o de moradores locais propor&aacute; &agrave;s prefeituras uma reforma em um trecho de 6,5 quil&ocirc;metros da estrada para testar o modelo que poder&aacute; servir mais tarde para toda a extens&atilde;o.<\/p>\n<p>A recupera&ccedil;&atilde;o do riacho por iniciativa dos pr&oacute;prios moradores mostra um caminho para revitalizar o S&atilde;o Francisco, uma promessa do governo federal como contrapartida &agrave; transposi&ccedil;&atilde;o de &aacute;guas desse grande rio, uma obra gigantesca concebida para melhorar o abastecimento h&iacute;drico de quatro Estados do Nordeste, que beneficiar&aacute; 12 milh&otilde;es de pessoas, segundo o projeto oficial.<\/p>\n<p>Contudo, pouco est&aacute; sendo feito, apenas o saneamento b&aacute;sico &#8211; e incompleto &#8211; de algumas cidades, e nada para reflorestar as margens dos rios, segundo Roberto Malvezzi, membro da Comiss&atilde;o Pastoral da Terra, da Igreja Cat&oacute;lica. V&aacute;rios estudos estimam que o S&atilde;o Francisco perdeu um ter&ccedil;o de seu fluxo desde meados do s&eacute;culo passado. Muitos de seus afluentes ou subafluentes secaram em Minas Gerais, onde nasce a maior parte de suas &aacute;guas.<\/p>\n<p>A pecu&aacute;ria e as monoculturas &#8211; soja, caf&eacute;, arroz e outros gr&atilde;os, al&eacute;m do eucalipto &#8211; provocaram desmatamento e s&atilde;o as principais causas desse desastre h&iacute;drico, ao &quot;romper o ciclo hidrol&oacute;gico&quot;, disse Apolon Heringuer-Lisboa, fundador e dirigente do projeto Manuelz&atilde;o, que procura recuperar o Rio das Velhas. O grande problema deste curso &eacute; que cruza a regi&atilde;o metropolitana de Belo Horizonte, a capital de Minas Gerais, e recebe a contamina&ccedil;&atilde;o do esgoto urbano e industrial antes de desembocar no S&atilde;o Francisco.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>JANU&Aacute;RIA, Brasil, 05\/12\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- Popula&ccedil;&otilde;es ribeirinhas de um afluente do Rio S&atilde;o Francisco respondem com medidas originais &agrave; destrui&ccedil;&atilde;o de seu curso de &aacute;gua. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/12\/america-latina\/destaques-comunidades-do-brasil-revitalizam-o-rio-so-francisco-em-seus-afluentes\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5],"tags":[27,21],"class_list":["post-11048","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","tag-brasil","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11048","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11048"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11048\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11048"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11048"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11048"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}