{"id":11054,"date":"2012-12-05T11:34:45","date_gmt":"2012-12-05T11:34:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11054"},"modified":"2012-12-05T11:34:45","modified_gmt":"2012-12-05T11:34:45","slug":"crise-espanhola-chega-ao-setor-dos-cuidados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/12\/economia\/crise-espanhola-chega-ao-setor-dos-cuidados\/","title":{"rendered":"Crise espanhola chega ao setor dos cuidados"},"content":{"rendered":"<p>Val&ecirc;ncia, Espanha, 05\/12\/2012 &ndash; &quot;&Eacute; muito doloroso trabalhar e quando chega a hora de receber n&atilde;o te pagarem. <!--more--> E n&atilde;o poder denunciar por n&atilde;o ter contrato nem documenta&ccedil;&atilde;o&quot;, disse &agrave; IPS a dominicana Rossana*, uma das muitas imigrantes que trabalham como cuidadoras e empregadas do lar na Espanha. Aos 32 anos, Rossana chegou &agrave; Espanha em fevereiro de 2011 procedente de Santo Domingo, onde deixou tr&ecirc;s filhos, de 15, oito e quatro anos, que dependem em boa parte de suas remessas de dinheiro.<\/p>\n<p>Trabalhou na cidade de Barcelona durante seis meses como cuidadora de uma senhora idosa at&eacute; sua morte, quando foi demitida sem nenhuma indeniza&ccedil;&atilde;o, e desde ent&atilde;o Rossana assegura que &quot;apenas h&aacute; emprego e o que h&aacute; n&atilde;o &eacute; dado a imigrantes sem os devidos documentos, como eu&quot;. Sobre situa&ccedil;&otilde;es como a de Rossana foi discutido no dia 29 de novembro na cidade de Val&ecirc;ncia, durante o f&oacute;rum Mulher, Migra&ccedil;&atilde;o e Cuidados, promovido por organiza&ccedil;&otilde;es de mulheres imigrantes.<\/p>\n<p>Elas cuidam de idosos, crian&ccedil;as e pessoas dependentes, passam roupas e cozinham; o trabalho da empregada do lar, pouco reconhecido socialmente, tem rosto de mulher e na Espanha &eacute; realizado em 65% por imigrantes, boa parte procedente da Am&eacute;rica Latina, de cujas remessas dependem familiares em seus pa&iacute;ses de origem.<\/p>\n<p>A Pesquisa da Popula&ccedil;&atilde;o Economicamente Ativa do Instituto Nacional de Emprego na Espanha revela que h&aacute; 667 pessoas empregadas do lar, das quais 592 mil s&atilde;o mulheres. Mas o setor conta com apenas 399.796 filiados ao sistema de Assist&ecirc;ncia Social, segundo os &uacute;ltimos dados oficiais de uma profiss&atilde;o na qual reina a chamada economia submersa.<\/p>\n<p>&quot;Ocorrem situa&ccedil;&otilde;es de abusos que beiram a escravid&atilde;o&quot;, disse &agrave; IPS a economista espanhola Carmen Castro, especialista em pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e igualdade de g&ecirc;nero e que participou do f&oacute;rum com a palestra &quot;O que fazemos com os cuidados? Alternativas para outro modelo de sociedade&quot;. Ela assegura que, &quot;quando se d&aacute; a conjun&ccedil;&atilde;o de ser mulher, trabalhadora dom&eacute;stica e imigrante, se agrava a situa&ccedil;&atilde;o de vulnerabilidade e precariedade&quot;.<\/p>\n<p>Rossana viveu na pr&oacute;pria carne duros enganos, como quando encontrou um trabalho pela internet para cuidar durante toda a noite de um idoso em um hospital durante dez dias, e no ficou sem receber o pagamento. &quot;H&aacute; muitas aqui com as quais acontece o mesmo&quot;, afirmou. Tamb&eacute;m h&aacute; experi&ecirc;ncias positivas. Entre elas a de Nancy, jovem venezuelana que trabalhou cuidando de um menino por mais de um ano e conseguiu a resid&ecirc;ncia gra&ccedil;as ao empenho de Rem&eacute;dios, a m&atilde;e do garoto e sua empregadora que n&atilde;o duvidou em enaltecer suas qualidades &agrave; IPS.<\/p>\n<p>Para revalorizar e dignificar o trabalho de cuidadoras e empregadas do lar e defender seus direitos, meia centena de mulheres colombianas imigrantes e com experi&ecirc;ncia migrat&oacute;ria criaram em 2011 a cooperativa transatl&acirc;ntica Coomigrar. A organiza&ccedil;&atilde;o atende mulheres que vivem na cidade colombiana de Pereira e as espanholas de Val&ecirc;ncia e de sua vizinha Alicante, e participou da organiza&ccedil;&atilde;o do f&oacute;rum.<\/p>\n<p>A Coomigrar pretende &quot;dignificar um trabalho que as mulheres fazem e que n&atilde;o &eacute; reconhecido&quot;, explicou Luisa Vidal, coordenadora na Espanha da organiza&ccedil;&atilde;o feminista colombiana Sisma-Mulher, impulsionadora do projeto apoiado pela Ag&ecirc;ncia Espanhola de Coopera&ccedil;&atilde;o Internacional para o Desenvolvimento. Na Col&ocirc;mbia, a Coomigrar presta, desde julho de 2011, servi&ccedil;os profissionais de cuidado de crian&ccedil;as, adultos e dependentes e apoio dom&eacute;stico, enquanto na Espanha sua fun&ccedil;&atilde;o se volta no momento para incidir e sensibilizar sobre os direitos das mulheres. Tamb&eacute;m visualiza seu papel como agentes de desenvolvimento e capacita suas s&oacute;cias.<\/p>\n<p>&quot;Nenhuma sociedade &eacute; sustent&aacute;vel sem o trabalho de cuidados&quot;, disse &agrave; IPS a refugiada pol&iacute;tica Leonora Casta&ntilde;o, coordenadora e s&oacute;cia da Coomigrar. Ela afirmou que as trabalhadoras do setor na Espanha continuam sofrendo &quot;um forte d&eacute;ficit de direitos trabalhistas&quot; em rela&ccedil;&atilde;o aos demais setores, apesar de a nova normativa que regula a rela&ccedil;&atilde;o trabalhista do coletivo.<\/p>\n<p>Em uma tentativa de tirar as empregadas e os empregados do lar da economia informal, suas condi&ccedil;&otilde;es de trabalho passaram a ser reguladas desde o primeiro dia deste ano por uma lei que obriga seus empregadores a fazerem um contrato, inscrev&ecirc;-las na Assist&ecirc;ncia Social e pagar as contribui&ccedil;&otilde;es correspondentes. &quot;Muitos empregadores n&atilde;o est&atilde;o contratando&quot; suas trabalhadoras no servi&ccedil;o dom&eacute;stico, como obriga a norma, disse Vidal &agrave; IPS.<\/p>\n<p>A nova legisla&ccedil;&atilde;o considerada insuficiente pelas participantes do f&oacute;rum, mant&eacute;m a livre demiss&atilde;o e n&atilde;o soma ao setor os trabalhadores com direito a ajuda por desemprego. Mas estabelece a obriga&ccedil;&atilde;o de contrato, normatiza o sal&aacute;rio m&iacute;nimo, limita os hor&aacute;rios, fixa indeniza&ccedil;&atilde;o de 20 dias por ano em demiss&otilde;es e obriga a um aviso pr&eacute;vio, garante acesso gratuito &agrave; sa&uacute;de e d&aacute; direito &agrave; aposentadoria, entre outras melhorias.<\/p>\n<p>A Espanha sofre os embates de uma crise econ&ocirc;mica e financeira que aumenta a desigualdade social e cujo dado mais angustiante &eacute; uma taxa de desemprego de 26% da popula&ccedil;&atilde;o economicamente ativa, com seis milh&otilde;es de desocupados, segundo dados oficiais europeus do dia 30 de novembro. Muitas mulheres imigrantes que trabalhavam como cuidadoras para fam&iacute;lias espanholas est&atilde;o conhecendo o desemprego e voltam para sues pa&iacute;ses. &quot;H&aacute; momentos em que digo que quero ir, mas depois penso que continuarei lutando&quot;, contou Rossana.<\/p>\n<p>A Coomigrar, que se constitui em uma alternativa &agrave; crise pela qual passam as mulheres com experi&ecirc;ncia migrat&oacute;ria, ajudou h&aacute; pouco duas colombianas que voltaram para sua terra a conseguirem trabalho, disse Vidal.<\/p>\n<p>&quot;&Eacute; preciso dar valor ao trabalho dos que cuidam das pessoas que outros n&atilde;o podem cuidar&quot;, disse &agrave; IPS a psic&oacute;loga Luz Mar&iacute;a Arias, integrante da cooperativa colombiana e que vive h&aacute; 12 anos na Espanha com sua fam&iacute;lia. Arias valorizou no f&oacute;rum o fato de que &quot;se passou de criada a empregada do lar&quot;. Para ela existe maior conscientiza&ccedil;&atilde;o, mas &quot;ainda h&aacute; pessoas que se aproveitam&quot;. A nova norma passa a denominar o setor como servi&ccedil;o do lar familiar e seus profissionais como empregados do lar. Mas, para Rossana e muitas outras, ainda n&atilde;o surgiram as mudan&ccedil;as por tr&aacute;s das palavras. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Rossana e outras fontes desta reportagem pediram para n&atilde;o terem seus sobrenomes divulgados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Val&ecirc;ncia, Espanha, 05\/12\/2012 &ndash; &quot;&Eacute; muito doloroso trabalhar e quando chega a hora de receber n&atilde;o te pagarem. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/12\/economia\/crise-espanhola-chega-ao-setor-dos-cuidados\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[5,11],"tags":[18],"class_list":["post-11054","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-economia","category-politica","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11054","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11054"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11054\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11054"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11054"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11054"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}