{"id":11055,"date":"2012-12-05T11:37:50","date_gmt":"2012-12-05T11:37:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11055"},"modified":"2012-12-05T11:37:50","modified_gmt":"2012-12-05T11:37:50","slug":"temporada-rabe-de-rebelies-apenas-comea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/12\/mundo\/temporada-rabe-de-rebelies-apenas-comea\/","title":{"rendered":"Temporada &aacute;rabe de rebeli&otilde;es apenas come&ccedil;a"},"content":{"rendered":"<p>Lisboa, Portugal, 05\/12\/2012 &ndash; O denominador comum ao terminar ontem a reuni&atilde;o de dois dias do F&oacute;rum de Lisboa, com a presen&ccedil;a de destacadas personalidades internacionais, &eacute; que o processo democr&aacute;tico nas rebeli&otilde;es &aacute;rabes da regi&atilde;o do Mediterr&acirc;neo est&aacute; longe de ter acabado.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11055\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/ex-presidente.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11055\" class=\"size-medium wp-image-11055\" title=\"Ex-presidente de Portugal Jorge Sampaio, da Alian&ccedil;a das Civiliza&ccedil;&otilde;es. - Mario Queiroz\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/ex-presidente.jpg\" alt=\"Ex-presidente de Portugal Jorge Sampaio, da Alian&ccedil;a das Civiliza&ccedil;&otilde;es. - Mario Queiroz\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11055\" class=\"wp-caption-text\">Ex-presidente de Portugal Jorge Sampaio, da Alian&ccedil;a das Civiliza&ccedil;&otilde;es. - Mario Queiroz\/IPS<\/p><\/div>  Por esse motivo, a convoca&ccedil;&atilde;o da d&eacute;cima-nona edi&ccedil;&atilde;o do f&oacute;rum, uma iniciativa do Centro Norte-Sul do Conselho de Europa (CNS-CE) e da Alian&ccedil;a de Civiliza&ccedil;&otilde;es, mudou o termo &quot;primavera&quot; para &quot;temporada&quot; &aacute;rabe.<\/p>\n<p>Assim, o encontro &quot;Temporada &aacute;rabes: das mudan&ccedil;as aos desafios&quot;, contou com as presen&ccedil;as de representantes de governos e institui&ccedil;&otilde;es de quase 40 pa&iacute;ses e importantes organiza&ccedil;&otilde;es internacionais, encabe&ccedil;adas pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU). &quot;Desta vez as presen&ccedil;as no F&oacute;rum de Lisboa demonstram que &eacute; significativo, considerando todos os pa&iacute;ses que est&atilde;o envolvidos&quot;, disse &agrave; IPS o ex-presidente de Portugal, Jorge Sampaio, alto representante do secretariado-geral da ONU para a Alian&ccedil;a das Civiliza&ccedil;&otilde;es (AC).<\/p>\n<p>Sampaio afirmou que a grande presen&ccedil;a de europeus demonstra o interesse para avan&ccedil;ar nos processos de democratiza&ccedil;&atilde;o do sul e oriente da regi&atilde;o do Mar Mediterr&acirc;neo. &quot;Contudo, n&atilde;o devemos nem queremos impor modelos. Podemos ajudar a levar as coisas a um contexto de refer&ecirc;ncia democr&aacute;tica, mas todos esses pa&iacute;ses t&ecirc;m sua evolu&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>O grande desafio da Europa &eacute; &quot;entender como apoiar os Estados que tentam definir sua identidade e o papel da religi&atilde;o na sociedade&quot;, recordando que a origem dos levantes &quot;n&atilde;o foi isl&acirc;mica, mas econ&ocirc;mica, social, antirrepressiva e pela liberdade. Esta &eacute; a parte objetiva da primavera do Mediterr&acirc;neo&quot;, acrescentou o ex-presidente.<\/p>\n<p>&quot;No F&oacute;rum de Lisboa temos um espa&ccedil;o de debate democr&aacute;tico e n&atilde;o de imposi&ccedil;&atilde;o de sistemas&quot;, disse Sampaio, que preside a AC desde sua cria&ccedil;&atilde;o em 2005, nomeado pelo ex-secret&aacute;rio-geral Kofi Annan, com os patroc&iacute;nios do ent&atilde;o primeiro-ministro espanhol Jos&eacute; Luis Rodr&iacute;guez Zapatero, e do primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan. A ativa a&ccedil;&atilde;o dos delegados europeus no F&oacute;rum de Lisboa foi explicada &agrave; IPS por Luis Filipe de Castro Mendes, representante do Comit&ecirc; de Ministros do Conselho de Europa.<\/p>\n<p>&quot;A miss&atilde;o b&aacute;sica do CE &eacute; promover a democracia, os direitos humanos e o imp&eacute;rio da lei em nosso continente, mas estamos conscientes de que a interdepend&ecirc;ncia do mundo atual se traduz na necessidade de dar aten&ccedil;&atilde;o especial ao que ocorre fora das fronteiras nacionais, especialmente em nossos vizinhos imediatos&quot;, destacou Mendes.<\/p>\n<p>Do encontro participaram representantes de governos ou organiza&ccedil;&otilde;es de pa&iacute;ses de tradi&ccedil;&atilde;o isl&acirc;mica como Ar&aacute;bia Saudita, Arg&eacute;lia, Egito, Jord&acirc;nia, Kuwait, L&iacute;bano, L&iacute;bia, Marrocos, Palestina, Paquist&atilde;o, Catar, Tun&iacute;sia e Turquia. Da Europa e de regi&otilde;es pr&oacute;ximas havia delegados de Eslov&aacute;quia, Su&iacute;&ccedil;a, Portugal, Malta, It&aacute;lia, Vaticano, Gr&eacute;cia, R&uacute;ssia, Espanha, S&eacute;rvia, Israel, Georgia, Pol&ocirc;nia, Hungria, Rep&uacute;blica Checa, Luxemburgo e Cro&aacute;cia.<\/p>\n<p>A Am&eacute;rica se fez presente com Argentina, Estados Unidos, Canad&aacute; e Venezuela, e os presentes se completaram com representantes de Cabo Verde, Senegal e Coreia do Sul. Tamb&eacute;m foram parte do encontro delegados da ONU e de v&aacute;rias de suas ag&ecirc;ncias, da Liga &Aacute;rabe, da Uni&atilde;o Europeia, do Conselho de Europa, da Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional das Migra&ccedil;&otilde;es, da Federa&ccedil;&atilde;o Internacional para os Direitos Humanos, da Alian&ccedil;a das Mulheres &Aacute;rabes e do Parlamento Europeu.<\/p>\n<p>&Eacute; &quot;uma vergonha para nossa regi&atilde;o n&atilde;o ter conseguido acabar com a guerra civil sangrenta e destrutiva na S&iacute;ria, conflito que &eacute; alarmante pelo aumento de repres&aacute;lias violentas, pelas mortes e pelo crescente fundamentalismo sect&aacute;rio na sociedade s&iacute;ria&quot;, disse Sampaio. E advertiu que, al&eacute;m do apoio e da influ&ecirc;ncia de grupos externos, o conflito da S&iacute;ria &quot;tem a capacidade de inflamar as tens&otilde;es nos pa&iacute;ses vizinhos e mudar o equil&iacute;brio de poder na regi&atilde;o Euro-Mediterr&acirc;nea&quot;.<\/p>\n<p>Na S&iacute;ria tamb&eacute;m h&aacute; um problema de persegui&ccedil;&atilde;o religiosa. Isto se enquadraria na a&ccedil;&atilde;o da Alian&ccedil;a de Civiliza&ccedil;&otilde;es?, perguntou Sampaio &agrave; IPS. E ele mesmo respondeu: &quot;A Alian&ccedil;a n&atilde;o tem nenhuma possibilidade de interven&ccedil;&atilde;o no conflito. Embora seja necess&aacute;rio apontar a gravidade e a import&acirc;ncia do problema, &eacute; evidente que se deve ter em conta que n&atilde;o temos na manga nenhum tipo de solu&ccedil;&atilde;o&quot;.<\/p>\n<p>Sampaio reconheceu que &quot;&eacute; uma quest&atilde;o muito s&eacute;ria e que n&atilde;o se pode dizer que a Alian&ccedil;a n&atilde;o possa um dia ter um papel de import&acirc;ncia, mas neste momento &eacute; totalmente invi&aacute;vel&quot;. Acrescentou que, &quot;se nem a pr&oacute;pria ONU consegue um di&aacute;logo para a paz, a Alian&ccedil;a n&atilde;o pode ter essa pretens&atilde;o, apesar de ter a vontade de cooperar da melhor maneira&quot;.<\/p>\n<p>Sobre o conflito palestino-israelense, o ex-presidente disse que a solu&ccedil;&atilde;o de dois Estados &quot;corre um grave risco em um momento em que os novos assentamentos anunciados amea&ccedil;am separar Jerusal&eacute;m oriental do resto da Cisjord&acirc;nia&quot;. &Eacute; necess&aacute;rio que as duas partes voltem &agrave;s negocia&ccedil;&otilde;es, em um &quot;esfor&ccedil;o coletivo ap&oacute;s a decis&atilde;o hist&oacute;rica&quot; da Assembleia Geral da ONU, que aponta o &quot;direito leg&iacute;timo dos palestinos a um Estado independente, soberano, democr&aacute;tico e vi&aacute;vel&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>O F&oacute;rum de Lisboa tamb&eacute;m dedicou boa parte de seus debates &agrave; quest&atilde;o da integra&ccedil;&atilde;o multicultural no espa&ccedil;o europeu. A IPS conversou com a jordaniana Suhair El Qarra, de pai palestino e m&atilde;e italiana, pesquisadora da organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental Paz Pol&iacute;tica e Seguran&ccedil;a. &quot;Vivo na It&aacute;lia, pa&iacute;s multi&eacute;tnico, mas n&atilde;o necessariamente inter&eacute;tico onde se deve trabalhar muito para conseguir certa empatia com o pr&oacute;ximo, algo que pode ser considerado um problema comum na Europa&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Solicitada a esclarecer o tema, Suhair disse que &quot;a interculturalidade &eacute; um conceito que deve partir de baixo, algo que &eacute; comum a toda a Europa, e creio que at&eacute; em todo o mundo, &eacute; um conceito transversal. Quanto mais um europeu conhece o mundo, mais f&aacute;cil &eacute; que nas&ccedil;a uma empatia com &quot;o outro&quot; e se conven&ccedil;a de que o mundo n&atilde;o &eacute; algo limitado pelas opini&otilde;es e descri&ccedil;&otilde;es nacionais&quot;.<\/p>\n<p>No caso particular dos italianos, &quot;&eacute; preciso explicar que o mundo n&atilde;o &eacute; feito de convic&ccedil;&otilde;es de cada pa&iacute;s, mas transversalmente intercultural. E com a globaliza&ccedil;&atilde;o e a consequente prolifera&ccedil;&atilde;o das redes sociais, existe uma possibilidade muito maior de compreender estes fen&ocirc;menos em n&iacute;vel da sociedade civil&quot;. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lisboa, Portugal, 05\/12\/2012 &ndash; O denominador comum ao terminar ontem a reuni&atilde;o de dois dias do F&oacute;rum de Lisboa, com a presen&ccedil;a de destacadas personalidades internacionais, &eacute; que o processo democr&aacute;tico nas rebeli&otilde;es &aacute;rabes da regi&atilde;o do Mediterr&acirc;neo est&aacute; longe de ter acabado. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/12\/mundo\/temporada-rabe-de-rebelies-apenas-comea\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":919,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,11],"tags":[],"class_list":["post-11055","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-mundo","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11055","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/919"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11055"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11055\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11055"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11055"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11055"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}