{"id":1106,"date":"2005-10-17T00:00:00","date_gmt":"2005-10-17T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1106"},"modified":"2005-10-17T00:00:00","modified_gmt":"2005-10-17T00:00:00","slug":"direitos-humanos-novo-satlite-para-medir-degelo-polar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/10\/america-latina\/direitos-humanos-novo-satlite-para-medir-degelo-polar\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: Novo sat&eacute;lite para medir degelo polar"},"content":{"rendered":"<p>PARIS, 17\/10\/2005 &ndash; A Ag&ecirc;ncia Espacial Europ&eacute;ia pretende lan&ccedil;ar o sat&eacute;lite CryoSat II no prazo de tr&ecirc;s anos, depois do fracasso da primeira miss&atilde;o, em outubro.<br \/> <!--more--> O fracassado lan&ccedil;amento do sat&eacute;lite europeu CryoSat, no dia 8 de outubro, &eacute; uma perda incalcul&aacute;vel para os estudos da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, que requerem informa&ccedil;&atilde;o urgente sobre o degelo polar provocado pelo aquecimento da atmosfera terrestre, segundo v&aacute;rios cientistas. &quot;A pesquisa meteorol&oacute;gica necessita de dados precisos, obtidos por um longo per&iacute;odo sobre a condi&ccedil;&atilde;o do gelo nos p&oacute;los, e a miss&atilde;o do CryoSat era exatamente estudar as mudan&ccedil;as de volume das massas glaciais no Oceano &Aacute;rtico&quot;, disse ao Terram&eacute;rica Erich Roechner, diretor cient&iacute;fico do Departamento de Modelos Clim&aacute;ticos do Instituto Max Planck de Meteorologia, com sede em Hamburgo, na Alemanha.<\/p>\n<p> &quot;O que a comunidade cient&iacute;fica p&ocirc;de fazer at&eacute; hoje foi apenas estudar a superf&iacute;cie do gelo nos p&oacute;los. N&atilde;o dispomos de informa&ccedil;&atilde;o suficiente sobre sua mudan&ccedil;a de volume&quot;, disse Roeckner em entrevista ao Terram&eacute;rica. Essa seria a tarefa do CryoSat, o sat&eacute;lite da Ag&ecirc;ncia Espacial Europ&eacute;ia (ESA) que foi lan&ccedil;ado no dia 8 de outubro, da base russa de Plesetsk, 800 quil&ocirc;metros a noroeste de Moscou. Contudo, uma falha na seq&uuml;&ecirc;ncia de lan&ccedil;amento literalmente jogou por terra os esfor&ccedil;os de seis anos da ag&ecirc;ncia.<\/p>\n<p> Franco Bonafina, porta-voz da ESA, explicou ao Terram&eacute;rica que &quot;a segunda fase (do lan&ccedil;amento) transcorreu normalmente at&eacute; o momento em que o motor principal desligaria. Por&eacute;m, uma falha em um comando do sistema de bordo de controle de v&ocirc;o fez com que o motor continuasse funcionando, at&eacute; esgotar o combust&iacute;vel&quot;. Assim, a separa&ccedil;&atilde;o entre a segunda e terceira etapas, que deveria ter colocado o CryoSat na &oacute;rbita polar, n&atilde;o ocorreu, e o sat&eacute;lite caiu perto da Groenl&acirc;ndia. Bonafina garantiu que a ESA continuar&aacute; o programa CryoSat. &quot;Em dezembro, solicitaremos dos Estados europeus um novo aporte financeiro para manter o programa e lan&ccedil;ar um CryoSat II no prazo de tr&ecirc;s anos&quot;, afirmou. <\/p>\n<p> A ESA necessita de um or&ccedil;amento especial para esta segunda miss&atilde;o, no valor de 70 ou 80 milh&otilde;es de euros (entre US$ 85 milh&otilde;es e US$ 100 milh&otilde;es), disse Bonafina. &quot;Esse foi o custo de constru&ccedil;&atilde;o do CryoSat I&quot;, e o programa completo chegou a 136 milh&otilde;es de euros, acrescentou. Todos os testes realizados desde 1999 tiveram &ecirc;xito, por isso uma segunda miss&atilde;o se beneficiaria dos conhecimentos acumulados nestes seis anos, disse Bonafina. O sat&eacute;lite perdido dispunha de duas antenas de radar para medir durante tr&ecirc;s anos a superf&iacute;cie exata das massas glaciais do P&oacute;lo Norte, al&eacute;m de calcular com extrema precis&atilde;o seu volume, para determinar o tipo de mudan&ccedil;as que sofrem: se derretem e a que ritmo. <\/p>\n<p> Com esta informa&ccedil;&atilde;o, o CryoSat teria contribu&iacute;do para explicar a rela&ccedil;&atilde;o entre o derretimento dos p&oacute;los e o aumento do n&iacute;vel do mar. Jens Hesselbjerg Christensen, do Instituto de Meteorologia da Dinamarca, disse ao Terram&eacute;rica que &quot;o estudo do degelo no Oceano &Aacute;rtico &eacute; um ponto especialmente cr&iacute;tico na pesquisa sobre a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica&quot;. Por essa raz&atilde;o a comunidade cient&iacute;fica esperava os restulados da miss&atilde;o CryoSat com grande expectativa, acrescentou Christensen. O cientista dinamarqu&ecirc;s recordou que em 2004 seu Instituto participou da elabora&ccedil;&atilde;o do relat&oacute;rio &quot;Impactos do Aquecimento do &Aacute;rtico&quot;, divulgado pelo Comit&ecirc; Cient&iacute;fico Internacional sobre o &Aacute;rtico, uma institui&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental dedicada a investigar o P&oacute;lo Norte.<\/p>\n<p> Segundo o relat&oacute;rio, o aquecimento global da atmosfera terrestre, causado pelo ac&uacute;mulo de gases que causam o efeito estufa, afetar&aacute; especialmente as regi&otilde;es do planeta situadas no Hemisf&eacute;rio Norte, e os efeitos ser&atilde;o mais dram&aacute;ticos nas regi&otilde;es localizadas mais pr&oacute;ximas do Oceano &Aacute;rtico. Uma das conclus&otilde;es do estudo &eacute; que a temperatura m&eacute;dia aumentar&aacute; pelo menos sete graus no extremo mais boreal da Groenl&acirc;ndia, enquanto seria de tr&ecirc;s graus na Dinamarca. Segundo Christensen, a informa&ccedil;&atilde;o do sat&eacute;lite seria &uacute;til para verificar a exatid&atilde;o e a probabilidade de tais previs&otilde;es cient&iacute;ficas. &quot;Dispor de dados de grande qualidade, como os que seriam fornecidos pelo CryoSat, seria muito valioso, sobretudo durante um longo per&iacute;odo, para provar nossas previs&otilde;es&quot;.<\/p>\n<p> Para Roeckner, do Instituto Max Planck, a pr&oacute;xima miss&atilde;o CryoSat deveria durar mais de tr&ecirc;s anos. &quot;As massas de gelo nos p&oacute;los se mant&ecirc;m est&aacute;veis durante longos per&iacute;odos, e as mudan&ccedil;as ocorrem subitamente&quot;, explicou. &quot;Por isso &eacute; necess&aacute;rio medir o volume do gelo durante um tempo relativamente longo, em todo caso maior do que tr&ecirc;s anos, para determinar se as geleiras sofrem mudan&ccedil;as e em que ritmo&quot;. Alguns dos supostos efeitos do aquecimento do planeta j&aacute; s&atilde;o percept&iacute;veis, acrescentou. Em um estudo do Instituto Max Planck, que ser&aacute; colocado &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre a Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica (IPCC), Roeckner e seus colegas constatam que o aumento m&eacute;dio do n&iacute;vel do mar nos &uacute;ltimos 20 anos duplica o valor m&eacute;dio registrado durante todo o s&eacute;culo XX.<\/p>\n<p> &quot;Este &eacute; um dado definitivo, tremendamente dram&aacute;tico, e n&atilde;o uma extrapola&ccedil;&atilde;o&quot;, disse Roeckner. Este estudo prev&ecirc; uma eleva&ccedil;&atilde;o do n&iacute;vel do mar em at&eacute; 43 cent&iacute;metros, longos per&iacute;odos de seca, seguidos de chuvas torrenciais e inunda&ccedil;&otilde;es, e um constante aumento da temperatura m&eacute;dia da Terra, que pode chegar a 10 graus no &Aacute;rtico. &quot;Se as tend&ecirc;ncias clim&aacute;ticas observadas hoje se mantiverem, at&eacute; o ano 2010 o P&oacute;lo Norte n&atilde;o ter&aacute; gelo durante o ver&atilde;o&quot;, disse Roeckner.<\/p>\n<p> * O autor &eacute; correspondente da IPS.<\/p>\n<p>Artigo produzido para o Terram&eacute;rica, projeto de comunica&ccedil;&atilde;o dos Programas das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e para o Desenvolvimento (Pnud), realizado pela Inter Press Service (IPS) e distribu&iacute;do pela Ag&ecirc;ncia Envolverde.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>PARIS, 17\/10\/2005 &ndash; A Ag&ecirc;ncia Espacial Europ&eacute;ia pretende lan&ccedil;ar o sat&eacute;lite CryoSat II no prazo de tr&ecirc;s anos, depois do fracasso da primeira miss&atilde;o, em outubro.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/10\/america-latina\/direitos-humanos-novo-satlite-para-medir-degelo-polar\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":109,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-1106","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1106","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/109"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1106"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1106\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1106"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1106"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1106"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}