{"id":11061,"date":"2012-12-06T08:30:10","date_gmt":"2012-12-06T08:30:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11061"},"modified":"2012-12-06T08:30:10","modified_gmt":"2012-12-06T08:30:10","slug":"coluna-outro-passo-para-a-abolio-da-pena-de-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/12\/mundo\/coluna-outro-passo-para-a-abolio-da-pena-de-morte\/","title":{"rendered":"COLUNA: Outro passo para a aboli&ccedil;&atilde;o da pena de morte"},"content":{"rendered":"<p>Roma, It&aacute;lia, 06\/12\/2012 &ndash; A aprova&ccedil;&atilde;o, em 18 de dezembro de 2007, da primeira resolu&ccedil;&atilde;o da Assembleia Geral da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas pedindo uma morat&oacute;ria das execu&ccedil;&otilde;es foi reconhecida como um marco na luta pela aboli&ccedil;&atilde;o da pena de morte em todo o mundo. <!--more--> &Eacute; certo que isto n&atilde;o permite &agrave; ONU impor a aboli&ccedil;&atilde;o, mas o valor moral e pol&iacute;tico desta resolu&ccedil;&atilde;o &eacute; ineg&aacute;vel.<\/p>\n<p>Desde a funda&ccedil;&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o abolicionista Hands Off Cain, em 1993, 56 dos 97 Estados onde havia pena de morte que integravam a ONU na &eacute;poca abandonaram esse castigo. Quinze deles o fizeram a partir de 2006, no ano seguinte ao relan&ccedil;amento da campanha abolicionista na Assembleia Geral. Outros tr&ecirc;s pa&iacute;ses (Palau, Timor Leste e Tuvalu), que se integraram &agrave;s Na&ccedil;&otilde;es Unidas depois de 1993, tamb&eacute;m s&atilde;o abolicionistas.<\/p>\n<p>&Agrave;s v&eacute;speras da quarta vota&ccedil;&atilde;o na Assembleia Geral da ONU, prevista para o final deste ano, de um projeto de resolu&ccedil;&atilde;o para a morat&oacute;ria da pena capital, &eacute; importante revisar a atual situa&ccedil;&atilde;o. H&aacute; 154 pa&iacute;ses e territ&oacute;rios que, em diferentes graus, decidiram renunciar &agrave; pena de morte. Destes, cem s&atilde;o completamente abolicionistas, sete apenas retiraram o castigo para casos ordin&aacute;rios, cinco t&ecirc;m vigente uma morat&oacute;ria de execu&ccedil;&otilde;es e 42 s&atilde;o abolicionistas de fato (n&atilde;o realizaram nenhuma execu&ccedil;&atilde;o nos &uacute;ltimos dez anos ou est&atilde;o submetidos a obriga&ccedil;&otilde;es que os impedem de aplicar a pena capital).<\/p>\n<p>Por outro lado, 44 pa&iacute;ses s&atilde;o adeptos do castigo capital. Em 2011, 19 na&ccedil;&otilde;es realizaram execu&ccedil;&otilde;es, contra 27 em 2006. No ano passado, foram executados pelo menos cinco mil condenados, contra ao menos 5.946 em 2010, 5.741 em 2009, 5.735 em 2008 e 5.851 em 2007. Um importante giro aconteceu depois da ado&ccedil;&atilde;o na China de uma reforma legal, em 1&ordm; de janeiro de 2007, que exige que cada condena&ccedil;&atilde;o &agrave; morte seja revisada pela Suprema Corte. Segundo estimativa da Funda&ccedil;&atilde;o Dui Hua, com sede nos Estados Unidos, as execu&ccedil;&otilde;es na China ca&iacute;ram 50% desde 2007 (para cerca de quatro mil por ano).<\/p>\n<p>Entretanto, os passos mais significativos foram dados na &Aacute;frica, onde se encontra a maior quantidade de pa&iacute;ses abolicionistas de fato e onde se produziu uma onda contra a pena de morte semelhante &agrave; registrada nos Estados Unidos;<\/p>\n<p>Desde 2007, os Estados norte-americanos de Connectituc, Illinois, Novo M&eacute;xico e Nova Jersey aboliram a pena de morte, em quanto o governador do Oregon declarou no ano passado uma morat&oacute;ria das execu&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Na &Aacute;frica, Ruanda, Burundi, Gab&atilde;o, Togo e Benin eliminaram completamente a pena capital. Nos dois primeiros pa&iacute;ses (onde houve ondas de viol&ecirc;ncia e vingan&ccedil;a mais fortes e tr&aacute;gicas), a aboli&ccedil;&atilde;o teve um valor legal, pol&iacute;tico e simb&oacute;lico extraordin&aacute;rio. A &Aacute;frica continua sendo o primeiro objetivo do lobby que busca apoio adicional ao projeto de resolu&ccedil;&atilde;o para uma morat&oacute;ria das execu&ccedil;&otilde;es, pois ali continuamos registrando as iniciativas pol&iacute;ticas e legislativas mais significativas para a aboli&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Durante a &uacute;ltima miss&atilde;o da Hands Off Cain na Rep&uacute;blica Centro-Africana, entre 24 e 27 de outubro, nossa chegada coincidiu com a not&iacute;cia da aprova&ccedil;&atilde;o pelo Conselho de Ministros de um projeto para abolir a pena de morte do C&oacute;digo Penal. Quando o ministro da Justi&ccedil;a, Jacques M&#39;Bosso, recebeu a delega&ccedil;&atilde;o, destacou a disposi&ccedil;&atilde;o de seu pa&iacute;s de se converter em um dos protagonistas do processo abolicionista.<\/p>\n<p>Por sua vez, o primeiro-ministro, Faustin-Archange Touadera, nos garantiu que a Rep&uacute;blica Centro-Africana votar&aacute; a favor do novo projeto de resolu&ccedil;&atilde;o por uma morat&oacute;ria universal. Al&eacute;m disso, expressou sua vontade pol&iacute;tica de usar todos os meios legais dispon&iacute;veis para eliminar a pena de morte, que n&atilde;o &eacute; aplicada nesse pa&iacute;s h&aacute; mais de 30 anos, confirmando, assim, o compromisso assumido por seu governo perante o Conselho de Direitos Humanos da ONU para a ratifica&ccedil;&atilde;o do Segundo Protocolo Facultativo do Pacto Internacional de Direitos Civis e Pol&iacute;ticos.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, estes avan&ccedil;os tamb&eacute;m devem corresponder ao compromisso da comunidade internacional para melhorar as condi&ccedil;&otilde;es das pris&otilde;es. Na capital, Bangui, a delega&ccedil;&atilde;o visitou a pris&atilde;o de mulheres de Bangui-Bimbo e a de homens de Ngaragba. A primeira &eacute; uma pequena instala&ccedil;&atilde;o que abriga 31 mulheres e tr&ecirc;s adolescentes em tr&ecirc;s dormit&oacute;rios separados. Dois ter&ccedil;os dessas mulheres ainda espera por julgamento, e muitas s&atilde;o acusadas de bruxaria.<\/p>\n<p>A pris&atilde;o para homens aloja 328 detentos, dois ter&ccedil;os dos quais ainda aguardam julgamento. O centro penitenci&aacute;rio est&aacute; dividido em blocos, dependendo do risco que representa cada presidi&aacute;rio e o tipo de crime que cometeu. Cada bloco tem um nome: a sala Branca &eacute; reservada para presos pol&iacute;ticos e &eacute; a maior; a Couloir, para os que foram detidos praticando bruxaria; a Iraque, para os que cometeram crimes violentos: a Golo-Waka, para condenados por roubo e consumo de maconha, e a DPP, para condenados por crimes contra a administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica.<\/p>\n<p>O centro de reclus&atilde;o est&aacute; em condi&ccedil;&otilde;es muito ruins: a vasta maioria dos detentos dorme diretamente no ch&atilde;o com m&iacute;nimas condi&ccedil;&otilde;es de higiene, e os alimentos s&atilde;o distribu&iacute;dos com pouca considera&ccedil;&atilde;o pelas diretrizes de sa&uacute;de. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Elisabetta Zamparutti &eacute; deputada no parlamento da It&aacute;lia e tesoureira da Hands Off Cain.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Roma, It&aacute;lia, 06\/12\/2012 &ndash; A aprova&ccedil;&atilde;o, em 18 de dezembro de 2007, da primeira resolu&ccedil;&atilde;o da Assembleia Geral da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas pedindo uma morat&oacute;ria das execu&ccedil;&otilde;es foi reconhecida como um marco na luta pela aboli&ccedil;&atilde;o da pena de morte em todo o mundo. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/12\/mundo\/coluna-outro-passo-para-a-abolio-da-pena-de-morte\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":409,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,4],"tags":[21,22],"class_list":["post-11061","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-mundo","tag-metas-do-milenio","tag-pena-de-morte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11061","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/409"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11061"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11061\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11061"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11061"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11061"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}