{"id":11062,"date":"2012-12-06T08:32:09","date_gmt":"2012-12-06T08:32:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11062"},"modified":"2012-12-06T08:32:09","modified_gmt":"2012-12-06T08:32:09","slug":"de-doha-a-dacar-a-insegurana-alimentar-a-norma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/12\/africa\/de-doha-a-dacar-a-insegurana-alimentar-a-norma\/","title":{"rendered":"De Doha a Dacar, a inseguran&ccedil;a alimentar &eacute; a norma"},"content":{"rendered":"<p>Doha, Catar, 06\/12\/2012 &ndash; O Catar talvez seja um dos pa&iacute;ses mais ricos do mundo, mas tem algo em comum com as na&ccedil;&otilde;es da &Aacute;frica: a inseguran&ccedil;a alimentar.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11062\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Doha1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11062\" class=\"size-medium wp-image-11062\" title=\"A zimbabuense Ruth Chikweya trabalha em seu campo de milho. Tanto pa\u00c3\u00adses pobres quanto ricos lutam contra a inseguran&ccedil;a alimentar. - Mantoe Phakathi\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Doha1.jpg\" alt=\"A zimbabuense Ruth Chikweya trabalha em seu campo de milho. Tanto pa\u00c3\u00adses pobres quanto ricos lutam contra a inseguran&ccedil;a alimentar. - Mantoe Phakathi\/IPS\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11062\" class=\"wp-caption-text\">A zimbabuense Ruth Chikweya trabalha em seu campo de milho. Tanto pa\u00c3\u00adses pobres quanto ricos lutam contra a inseguran&ccedil;a alimentar. - Mantoe Phakathi\/IPS<\/p><\/div>  Esta na&ccedil;&atilde;o petrol&iacute;fera do Golfo importa 90% de seus alimentos, porque sua terra &eacute; seca e n&atilde;o pode ser cultivada.   <\/p>\n<p>&quot;A comida &eacute; muito cara aqui&quot;, disse &agrave; IPS um taxista de Doha, natural de Gana e que pediu para n&atilde;o ser identificado. &quot;Aqui, um litro de petr&oacute;leo &eacute; mais barato do que a &aacute;gua&quot;, acrescentou o motorista, que passou os &uacute;ltimos dias transportando delegados da 18&ordf; Confer&ecirc;ncia das Partes (COP 18) da Conven&ccedil;&atilde;o Marco das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica, que come&ccedil;ou no dia 26 de novembro e terminar&aacute; amanh&atilde;, na capital do Catar.<\/p>\n<p>Enquanto os problemas alimentares do Catar se devem &agrave;s caracter&iacute;sticas de seu pr&oacute;prio territ&oacute;rio, os pa&iacute;ses da &Aacute;frica lutam contra a inseguran&ccedil;a alimentar devido &agrave; pobreza e aos err&aacute;ticos padr&otilde;es clim&aacute;ticos, que reduziram drasticamente a produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola nos &uacute;ltimos anos. Assim explicou &agrave; IPS Emmanuel Seck, gerente de programas da organiza&ccedil;&atilde;o Environment and Development Action in the Third World, que tem sua sede em Dacar.<\/p>\n<p>V&aacute;rios pa&iacute;ses africanos se esfor&ccedil;am para aproveitar seus vastos recursos de terras para melhorar sua produ&ccedil;&atilde;o de alimentos, enquanto na&ccedil;&otilde;es do Golfo, como o Catar, bem como economias emergentes como a China, optam por arrendar ou comprar terrenos na &Aacute;frica, detalhou Seck. Segundo um informe apresentado este ano pelo independente Oakland Institute, dos Estados Unidos, investidores desse pa&iacute;s e da Europa lideram a aquisi&ccedil;&atilde;o de terras no resto do mundo.<\/p>\n<p>Enquanto isso, pa&iacute;ses do Sul em desenvolvimento, como a Suazil&acirc;ndia, est&atilde;o alinhando suas pol&iacute;ticas para fornecer alimentos ao Catar. &quot;Temos uma vasta terra virgem em nosso pa&iacute;s, e podemos us&aacute;-la para produzir alimentos para esse pa&iacute;s, e assim impulsionar nossa economia&quot;, disse &agrave; IPS o chefe da miss&atilde;o t&eacute;cnica da Suazil&acirc;ndia na COP 18, Mbuso Dlamini. Este pequeno reino africano, por&eacute;m, &eacute; incapaz de produzir alimentos b&aacute;sicos suficientes para seus pr&oacute;prios cidad&atilde;os, tendo que importar da vizinha &Aacute;frica do Sul. O produto com o qual obt&eacute;m mais divisas &eacute; o a&ccedil;&uacute;car.<\/p>\n<p>Segundo o &uacute;ltimo informe do n&atilde;o governamental e internacional Worldwatch Institute, dos 70,2 milh&otilde;es de hectares de terras arrendadas ou compradas em todo o mundo durante a &uacute;ltima d&eacute;cada, 34,3% se encontram na &Aacute;frica. O Catar e outros pa&iacute;ses do golfo adquiriram em conjunto 6,4 milh&otilde;es de hectares em pa&iacute;ses com economias pobres.<\/p>\n<p>O ideal parece ser um equil&iacute;brio que garanta que as comunidades pobres dependentes da agricultura de subsist&ecirc;ncia n&atilde;o sejam expulsas de suas terras para dar lugar a projetos de governos estrangeiros e companhias multinacionais. Foi o que disse &agrave; IPS o diretor do Programa de Pesquisa sobre Mudan&ccedil;a Clim&aacute;tica, Agricultura e Seguran&ccedil;a Alimentar do Cons&oacute;rcio CGIAR, Bruce Campbell.<\/p>\n<p>&quot;Os pa&iacute;ses devem adotar mecanismos para garantir que o arrendamento de terras n&atilde;o marginalize as comunidades&quot;, afirmou o diretor desta alian&ccedil;a mundial de organiza&ccedil;&otilde;es de pesquisa. Campbell explicou que o arrendamento n&atilde;o &eacute; necessariamente uma m&aacute; ideia, se as pessoas que antes se dedicavam &agrave; agricultura de subsist&ecirc;ncia puderem encontrar novos empregos.<\/p>\n<p>O especialista disse que as chamadas &quot;Diretrizes volunt&aacute;rias sobre a governan&ccedil;a respons&aacute;vel da posse da terra, da pesca e das florestas no contexto da seguran&ccedil;a alimentar nacional&quot;, da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Alimenta&ccedil;&atilde;o e a Agricultura (FAO), poderiam ajudar a alcan&ccedil;ar esse equil&iacute;brio.<\/p>\n<p>Emma Limenga, pesquisadora tanzaniana da Universidade de Dar es Sallam, alertou os governos africanos sobre o perigo de ceder terras por longos per&iacute;odos. O habitual &eacute; que os acordos de arrendamento durem 99 anos, mas a especialista disse que isso poderia afetar a seguran&ccedil;a alimentar das pr&oacute;ximas gera&ccedil;&otilde;es. &quot;Recomendamos que as futuras gera&ccedil;&otilde;es n&atilde;o sejam respons&aacute;veis pelas decis&otilde;es que tomamos hoje&quot;, afirmou &agrave; IPS.<\/p>\n<p>Segundo Limenga, &quot;um acordo de arrendamento entre dez e 20 anos &eacute; algo razo&aacute;vel&quot;. Tamb&eacute;m disse que n&atilde;o &eacute; necessariamente contra a pr&aacute;tica de alugar terras. &quot;Algumas comunidades nem mesmo est&atilde;o cultivando devido aos padr&otilde;es clim&aacute;ticos err&aacute;ticos, e o acesso a empregos ajuda as pessoas a comprarem comida&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Por seu lado, o diretor executivo da organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o governamental Centre d&#39;Actions e de Realisations Internationales, Burger Patrice, disse &agrave; IPS que a pobreza na &Aacute;frica n&atilde;o deve ser uma desculpa para &quot;a concentra&ccedil;&atilde;o de terras&quot;. Acrescentou que a reabilita&ccedil;&atilde;o de &aacute;reas secas poderia ser uma solu&ccedil;&atilde;o para a inseguran&ccedil;a alimentar. &quot;As terras secas s&atilde;o resultado das varia&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas de muitos anos, por isso &eacute; mais barato reabilitar a terra com o uso de fertilizantes e da agricultura ecol&oacute;gica do que deixar que continue se deteriorando&quot;, apontou Patrice.<\/p>\n<p>&quot;Est&aacute; dentro dos interesses de pa&iacute;ses como o Catar come&ccedil;ar a produzir seus pr&oacute;prios alimentos, porque de certa forma ficar&atilde;o sem petr&oacute;leo e n&atilde;o poder&atilde;o se dar ao luxo dos altos custos de importar suas necessidades b&aacute;sicas&quot;, alertou. Patrice lamentou que as negocia&ccedil;&otilde;es em Doha marginalizem o tema vital do uso da terra, e afirmou que a comunidade internacional n&atilde;o d&aacute; a aten&ccedil;&atilde;o que merece a Conven&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas de Luta Contra a Desertifica&ccedil;&atilde;o. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Doha, Catar, 06\/12\/2012 &ndash; O Catar talvez seja um dos pa&iacute;ses mais ricos do mundo, mas tem algo em comum com as na&ccedil;&otilde;es da &Aacute;frica: a inseguran&ccedil;a alimentar. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/12\/africa\/de-doha-a-dacar-a-insegurana-alimentar-a-norma\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":128,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,8,12,5],"tags":[21,16],"class_list":["post-11062","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-ambiente","category-desenvolvimento","category-economia","tag-metas-do-milenio","tag-oriente-medio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11062","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/128"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11062"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11062\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11062"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11062"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11062"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}