{"id":11075,"date":"2012-12-10T09:42:30","date_gmt":"2012-12-10T09:42:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11075"},"modified":"2012-12-10T09:42:30","modified_gmt":"2012-12-10T09:42:30","slug":"angola-arrancada-brasileira-para-um-rio-de-eletricidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/12\/america-latina\/angola-arrancada-brasileira-para-um-rio-de-eletricidade\/","title":{"rendered":"ANGOLA: Arrancada brasileira para um rio de eletricidade"},"content":{"rendered":"<p>Cambambe, Angola, 10\/12\/2012 &ndash; O rio Kwanza ser&aacute; o cora&ccedil;&atilde;o de Angola e um emblema da presen&ccedil;a brasileira no desenvolvimento africano quando estiverem operando plenamente os projetos de infraestrutura previstos ao longo do principal recurso h&iacute;drico deste pa&iacute;s.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11075\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/rio.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11075\" class=\"size-medium wp-image-11075\" title=\"A represa e o dique no rio Kwanza a ser elevado em 30 metros. - Mario Osava\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/rio.jpg\" alt=\"A represa e o dique no rio Kwanza a ser elevado em 30 metros. - Mario Osava\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11075\" class=\"wp-caption-text\">A represa e o dique no rio Kwanza a ser elevado em 30 metros. - Mario Osava\/IPS<\/p><\/div>  Nove centrais hidrel&eacute;tricas e esta&ccedil;&otilde;es de capta&ccedil;&atilde;o e tratamento de &aacute;gua procurar&atilde;o saciar as car&ecirc;ncias mais sentidas na regi&atilde;o metropolitana de Luanda e estender a energia pelo menos ao centro-norte angolano. Ser&aacute; um processo que demorar&aacute; mais de uma d&eacute;cada.<\/p>\n<p>O fornecimento de &aacute;gua tratada, por exemplo, alcan&ccedil;ar&aacute; 90% dos moradores de Luanda apenas em 2025, segundo o plano diretor. A dificuldade &eacute; acompanhar o aumento da popula&ccedil;&atilde;o, que as proje&ccedil;&otilde;es indicam 13,2 milh&otilde;es de habitantes nesse ano, quase o dobro dos atuais.<\/p>\n<p>O complexo hidrel&eacute;trico de Cambambe reflete a sorte de contar com o rio Kwanza, no centro e norte do pa&iacute;s, mas tamb&eacute;m as infelicidades de Angola. S&oacute; agora, cinco d&eacute;cadas ap&oacute;s a constru&ccedil;&atilde;o de sua primeira etapa, caminha-se para atingir sua conclus&atilde;o, saindo de um atraso em boa parte devido &agrave; guerra civil que afetou o pa&iacute;s desde sua independ&ecirc;ncia em 1975 at&eacute; 2002.<\/p>\n<p>Finalmente foi colocada em marcha uma amplia&ccedil;&atilde;o da central que quintuplicar&aacute; sua pot&ecirc;ncia, elevando seu dique em 30 metros. Esse projeto j&aacute; havia sido explicitado por autoridades da &eacute;poca colonial portuguesa, afirmou Fabr&iacute;cio Andrade, gerente administrativo local da empresa brasileira Odebrecht, que lidera o conglomerado encarregado das obras.<\/p>\n<p>Mais &aacute;gua e mais altura permitir&atilde;o aumentar a capacidade das quatro velhas turbinas, de 46 e 65 megawatts (MW) cada uma, e instalar outra central de 700 MW. Se n&atilde;o houver imprevistos, tudo estar&aacute; pronto em 2015 para gerar 960 MW e atenuar os apag&otilde;es em Luanda. Protagonistas da guerra persistiram nesta fase. A constru&ccedil;&atilde;o do vertedouro necess&aacute;rio para a amplia&ccedil;&atilde;o s&oacute; p&ocirc;de ser iniciado depois da limpeza de uma &aacute;rea minada, trabalho que demorou seis meses, informou Andrade.<\/p>\n<p>A Odebrecht foi contratada pela estatal angolana Empresa Nacional de Eletricidade para realizar tr&ecirc;s obras em Cambambe. A primeira, iniciada em 2009, &eacute; reabilitar as quatro turbinas originais que, muito deterioradas, j&aacute; n&atilde;o conseguem gerar nem mesmo metade de sua capacidade nominal de 45 MW. Tamb&eacute;m falta reformar uma &uacute;ltima, agregando-lhe paineis de controle eletr&ocirc;nicos que oferecem &quot;maior seguran&ccedil;a com menos trabalhadores&quot;, disse Andrade. As outras duas obras s&atilde;o elevar o dique, com o vertedouro, e construir a nova central geradora, cuja conclus&atilde;o est&aacute; prevista para 2015.<\/p>\n<p>Em toda megaobra trabalham 2.100 pessoas, 89% das quais s&atilde;o angolanas que, em geral, vivem no povoado local ou na vizinha cidade de Dondo., noroeste do pa&iacute;s. Al&eacute;m disso h&aacute; 238 &quot;expatriados&quot; que comp&otilde;em uma Babel de nacionalidades, os quais convivem no isolamento da pr&oacute;pria obra. Prov&ecirc;m de 15 pa&iacute;ses e h&aacute; desde latino-americanos at&eacute; europeus orientais, disse Andrade.<\/p>\n<p>Os empregados estrangeiros da pr&oacute;pria Odebrecht se somam aos das empresas associadas no projeto, a tamb&eacute;m brasileira Engevix, a francesa Alstom e a alem&atilde; Voith Hydro. O peruano Rufino &Aacute;lvarez Ortiz &eacute; um t&iacute;pico oper&aacute;rio errante das grandes obras. Come&ccedil;ou em seu pa&iacute;s em 1981, trabalhando em outras transnacionais brasileiras da constru&ccedil;&atilde;o antes de entrar para a Odebrecht h&aacute; 25 anos.<\/p>\n<p>Assim, andou por v&aacute;rios pa&iacute;ses at&eacute; chegar a Angola em 2009 junto com seu chefe, o brasileiro gerente de equipamentos Roberval Fonseca, trabalhando em v&aacute;rios projetos de infraestrutura em Luanda. Antes de se instalar este ano em Cambambe, voltou por um tempo ao Peru e depois esteve na Col&ocirc;mbia. &quot;Fa&ccedil;o um trabalho duplo, um na obra e outro ensinando os angolanos, para que este pa&iacute;s continue crescendo&quot;, disse Ortiz, explicando que ainda n&atilde;o trouxe a fam&iacute;lia porque seus filhos &quot;j&aacute; s&atilde;o grandes&quot;.<\/p>\n<p>Fonseca, por sua vez, &eacute; um entusiasta de empregar mulheres e capacit&aacute;-las para trabalhos em soldagem, aparelhos el&eacute;tricos e motores, of&iacute;cios que antes eram considerados de homens. &quot;Elas aprendem mais r&aacute;pido, fazem tudo com mais cuidado e disciplina, s&atilde;o mais eficientes&quot;, afirmou, contente com as seis oper&aacute;rias qualificadas que contratou.<\/p>\n<p>Cambambe tem uma estrutura pequena em compara&ccedil;&atilde;o com outras hidrel&eacute;tricas de capacidade semelhante. &Eacute; que sua sala de maquinas &eacute; subterr&acirc;nea, instalada em um t&uacute;nel capaz de receber at&eacute; um caminh&atilde;o grande. Assim tamb&eacute;m ser&aacute; a segunda, com &aacute;gua passando por dentro do morro para mover as turbinas.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, a represa &eacute; reduzida. O trecho m&eacute;dio do Kwanza, com forte declive de 940 metros em apenas 205 quil&ocirc;metros de extens&atilde;o, leito em vales profundos e gargantas em curva, favorece os nove aproveitamentos hidrel&eacute;tricos. Por isso Cambambe provocar&aacute; impactos m&iacute;nimos em sua amplia&ccedil;&atilde;o. Sua represa aumentar&aacute; apenas seis quil&ocirc;metros quadrados, disse Vladimir Russo, diretor da Hol&iacute;sticos, empresa que fez o estudo de impacto ambiental do projeto.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, n&atilde;o haver&aacute; popula&ccedil;&atilde;o afetada, porque nunca foi permitida a presen&ccedil;a humana nos arredores da hidrel&eacute;trica e foi protegida durante a guerra, explicou Russo, que foi diretor de Gest&atilde;o do Minist&eacute;rio do meio Ambiente e fundador da Juventude Ecol&oacute;gica Angolana.<\/p>\n<p>La&uacute;ca, a central mais potente a ser constru&iacute;da no rio Kwanza, ter&aacute; uma represa de apenas 16,6 quil&ocirc;metros quadrados, segundo um estudo de viabilidade da consultoria brasileira Intertechne. Quase nada para uma capacidade de 2.067 MW. A Odebrecht &eacute; a marca brasileira nesse represamento do rio Kwanza, que tem empresta seu nome da moeda nacional desde 1977, um reconhecimento do valor simb&oacute;lico do rio para os angolanos.<\/p>\n<p>Al&eacute;m de ampliar Cambambe, a transnacional Odebrecht j&aacute; havia vencido o desafio de construir a represa de Capanda, 140 quil&ocirc;metros rio acima, uma obra hist&oacute;rica, contratada em 1984 mas apenas finalizada em 2007, ap&oacute;s interrup&ccedil;&otilde;es, destrui&ccedil;&otilde;es e mortes causadas pela guerra civil.<\/p>\n<p>Este ano, a companhia se encarregou do desvio do Kwanza, como fase preparat&oacute;ria para a constru&ccedil;&atilde;o, ainda n&atilde;o licitada, do complexo hidrel&eacute;trico de La&uacute;ca, entre Capanda e Cambambe. A pr&oacute;pria Odebrecht responde pelo projeto &Aacute;guas de Luanda, cujo componente central &eacute; a capacita&ccedil;&atilde;o de &aacute;guas do rio Kwanza para tratamento e distribui&ccedil;&atilde;o na regi&atilde;o metropolitana.<\/p>\n<p>No interior do pa&iacute;s, perto da hidrel&eacute;tricas de Capanda, a empresa se comprometeu a desenvolver um polo agroindustrial para produzir a&ccedil;&uacute;car, etanol e eletricidade a partir do baga&ccedil;o da cana, milho e outros alimentos. Esse projeto ser&aacute; desenvolvido na fazenda Pundo Adongo, onde est&aacute; previsto promover a agricultura familiar.<\/p>\n<p>Tudo isso &eacute; apenas parte dos neg&oacute;cios e projetos em Angola da Odebrecht, o cons&oacute;rcio que mais empregados concentra no setor privado, ao totalizar 20 mil. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cambambe, Angola, 10\/12\/2012 &ndash; O rio Kwanza ser&aacute; o cora&ccedil;&atilde;o de Angola e um emblema da presen&ccedil;a brasileira no desenvolvimento africano quando estiverem operando plenamente os projetos de infraestrutura previstos ao longo do principal recurso h&iacute;drico deste pa&iacute;s. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/12\/america-latina\/angola-arrancada-brasileira-para-um-rio-de-eletricidade\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":131,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,8,2,5,10,11],"tags":[27,21],"class_list":["post-11075","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-ambiente","category-america-latina","category-economia","category-energia","category-politica","tag-brasil","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11075","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/131"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11075"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11075\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11075"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11075"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11075"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}