{"id":1108,"date":"2005-10-17T00:00:00","date_gmt":"2005-10-17T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1108"},"modified":"2005-10-17T00:00:00","modified_gmt":"2005-10-17T00:00:00","slug":"migraes-ue-ativistas-exigem-enfoque-humano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/10\/america-latina\/migraes-ue-ativistas-exigem-enfoque-humano\/","title":{"rendered":"Migra&ccedil;&otilde;es-UE: Ativistas exigem enfoque humano"},"content":{"rendered":"<p>Bruxelas, 17\/10\/2005 &ndash; Grupos defensores dos direitos humanos pressionam a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia para que revise sua atual pol&iacute;tica de asilo e migra&ccedil;&otilde;es, depois da morte de v&aacute;rios imigrantes ilegais subsaarianos que tentavam entrar na Espanha. Nas &uacute;ltimas duas semanas, cerca de duas mil pessoas tentaram entrar no territ&oacute;rio espanhol atrav&eacute;s da fronteira com o Marrocos das cidades de Ceuta e Melilla. Pelo menos 14 imigrantes morreram e v&aacute;rios ficaram feridos quando soldados espanh&oacute;is e marroquinos tentaram det&ecirc;-los. Centenas de pessoas encontram-se detidas em um acampamento de Melilla, considerada a cidade mais meridional da UE.<br \/> <!--more--> <br \/> O governo espanhol anunciou no in&iacute;cio deste m&ecirc;s sua inten&ccedil;&atilde;o de levantar uma nova barreira em Ceuta e Melilla dotada da mais avan&ccedil;ada tecnologia para impedir a entrada de imigrantes ilegais, o que provocou cr&iacute;ticas de v&aacute;rias organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais e l&iacute;deres africanos. O secret&aacute;rio-geral da Uni&atilde;o Africana, Alpha Oumar Konar, que viajou a Bruxelas na semana passada para o lan&ccedil;amento de uma estrat&eacute;gia da UE de apoio ao desenvolvimento da &Aacute;frica, afirmou que o bloco n&atilde;o deveria construir barreiras em suas fronteiras com os pa&iacute;ses vizinhos. &quot;Essas n&atilde;o s&atilde;o medidas de seguran&ccedil;a. N&atilde;o s&atilde;o as pris&otilde;es em Madri nem os muros na &Aacute;frica que resolver&atilde;o o problema&quot;, disse.<\/p>\n<p> &quot;Os jovens est&atilde;o cruzando cercas com arames farpados, e devemos entender o motivo. Estes africanos n&atilde;o s&atilde;o delinq&uuml;entes. Expressam um pedido de solidariedade&quot;, disse Konar a jornalistas. O l&iacute;der africano tamb&eacute;m criticou os meios de comunica&ccedil;&atilde;o europeus por apresentarem uma vers&atilde;o parcial da crise. &quot;A imprensa tem o dever de explicar porque os imigrantes se comportam dessa maneira. A quest&atilde;o n&atilde;o &eacute; analisada, mas se coloca em quest&atilde;o todo o continente africano&quot;, afirmou. O presidente da Comiss&atilde;o Europ&eacute;ia (&oacute;rg&atilde;o executivo do bloco), Jos&eacute; Manuel Dur&atilde;o Barroso, reconheceu que os imigrantes africanos precisam de ajuda, mas disse que antes se deveria estudar as raz&otilde;es estruturais &quot;que levam essas pessoas a emigrarem dessa maneira&quot;.<\/p>\n<p> &quot;J&aacute; prev&iacute;amos esta situa&ccedil;&atilde;o. Agora vemos os efeitos e devemos agir&quot;, afirmou Barroso. &quot;O problema da imigra&ccedil;&atilde;o, cujas dram&aacute;ticas conseq&uuml;&ecirc;ncias estamos presenciando, apenas pode ser encarado de forma efetiva atrav&eacute;s de uma ambiciosa e coordenada coopera&ccedil;&atilde;o para o desenvolvimento, com o prop&oacute;sito de combater a crise em sua raiz&quot;, acrescentou. A situa&ccedil;&atilde;o dos imigrantes ilegais na Europa tamb&eacute;m &eacute; analisada pelo Parlamento Europeu. O europarlamentar Enrique Baron, l&iacute;der do Grupo Socialista, afirmou que a crise &eacute; de &quot;propor&ccedil;&otilde;es b&iacute;blicas. Ningu&eacute;m pode dizer com certeza neste momento quantas pessoas est&atilde;o nesta situa&ccedil;&atilde;o, cruzando o deserto do Saara a p&eacute;&quot;, afirmou.<\/p>\n<p> O problema tamb&eacute;m esteve na agenda da reuni&atilde;o de ministros do Interior e de Justi&ccedil;a da UE na quarta-feira, em Luxemburgo. O encontro ministerial deveria se concentrar no debate sobre o uso da Internet e das telecomunica&ccedil;&otilde;es para combater o terrorismo, mas mudou de enfoque depois do agravamento da crise em Ceuta e Melilla. O comiss&aacute;rio de Justi&ccedil;a e Interior da UE, Franco Frattini, informou aos ministros que cerca de 30 mil pessoas na Arg&eacute;lia e no Marrocos esperam o momento oportuno para entrar ilegalmente na Uni&atilde;o Europ&eacute;ia, segundo servi&ccedil;os de intelig&ecirc;ncia. Grupos defensores dos direitos humanos pediram &agrave; Espanha e &agrave; UE que garantam a prote&ccedil;&atilde;o dos imigrantes, dentro e fora da Europa.<\/p>\n<p> A organiza&ccedil;&atilde;o M&eacute;dicos Sem Fronteiras informou h&aacute; alguns dias que encontrou centenas de imigrantes subsaarianos, incluindo mulheres gr&aacute;vidas, meninas e meninos, perdidos no deserto marroquino. Por outro lado, o governo do Marrocos come&ccedil;ou a transportar centenas de pessoas detidas em &ocirc;nibus para a fronteira da Arg&eacute;lia, de onde, assegura, procede a maioria dos que tentam chegar &aacute; Espanha. A organiza&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria Anistia Internacional, por sua vez, disse que pouqu&iacute;ssimos esfor&ccedil;os s&atilde;o feitos no mundo para proteger as pessoas que se dirigem a outro pa&iacute;s em busca de asilo, e afirmou que a pol&iacute;tica da UE n&atilde;o &eacute; adequada para encarar o problema em sua raiz.<\/p>\n<p> &quot;Mais do que promover a prote&ccedil;&atilde;o dos refugiados, a pol&iacute;tica da UE parece estar destinada a manter as pessoas longe do litoral das Na&ccedil;&otilde;es Unidas&quot;, disse &agrave; IPS o diretor do escrit&oacute;rio da Anistia na Europa, Dick Oosting. &quot;Lamentavelmente, os Estados-membros da UE deixam a carga da prote&ccedil;&atilde;o dos refugiados para outros pa&iacute;ses que est&atilde;o mal equipados para enfrentar o problema do crescente n&uacute;mero de pessoas que fogem. Isto n&atilde;o s&oacute; afeta a credibilidade no bloco, como tamb&eacute;m amea&ccedil;a a integridade de todo o sistema de prote&ccedil;&atilde;o de refugiados&quot;, acrescentou. <\/p>\n<p> Por sua vez, a organiza&ccedil;&atilde;o Human Rights Watch (HRW) afirmou que mandar de volta ao Marrocos os imigrantes n&atilde;o &eacute; a maneira correta de enfrentar a crise. &quot;A prioridade do governo espanhol deve ser proteger os mais vulner&aacute;veis. O Marrocos tem de fazer mais para respeitar os direitos humanos antes de poder ser considerado um pa&iacute;s seguro para se regressar&quot;, afirmou a diretora da HRW para Europa e &Aacute;sia Central, Holly Cartner. Por sua vez, Peer Baneke, secret&aacute;rio-geral do Conselho Europeu para Refugiados e Exilados, uma alian&ccedil;a de grupos da sociedade civil, disse que a UE tenta jogar toda a carga da responsabilidade sobre seus vizinhos. &quot;Vivemos uma tentativa de construir novos muros de Berlim ao redor da Europa. Isso ter&aacute; graves conseq&uuml;&ecirc;ncias&quot;, alertou. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bruxelas, 17\/10\/2005 &ndash; Grupos defensores dos direitos humanos pressionam a Uni&atilde;o Europ&eacute;ia para que revise sua atual pol&iacute;tica de asilo e migra&ccedil;&otilde;es, depois da morte de v&aacute;rios imigrantes ilegais subsaarianos que tentavam entrar na Espanha. Nas &uacute;ltimas duas semanas, cerca de duas mil pessoas tentaram entrar no territ&oacute;rio espanhol atrav&eacute;s da fronteira com o Marrocos das cidades de Ceuta e Melilla. Pelo menos 14 imigrantes morreram e v&aacute;rios ficaram feridos quando soldados espanh&oacute;is e marroquinos tentaram det&ecirc;-los. Centenas de pessoas encontram-se detidas em um acampamento de Melilla, considerada a cidade mais meridional da UE.<br \/> <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/10\/america-latina\/migraes-ue-ativistas-exigem-enfoque-humano\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1478,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-1108","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1108","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1478"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1108"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1108\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1108"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1108"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1108"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}