{"id":11086,"date":"2012-12-11T10:13:37","date_gmt":"2012-12-11T10:13:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11086"},"modified":"2012-12-11T10:13:37","modified_gmt":"2012-12-11T10:13:37","slug":"alemanha-peleja-com-a-diversidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/12\/direitos-humanos\/alemanha-peleja-com-a-diversidade\/","title":{"rendered":"Alemanha peleja com a diversidade"},"content":{"rendered":"<p>Berlim, Alemanha, 11\/12\/2012 &ndash; Em um contexto de permanente discrimina&ccedil;&atilde;o contra estrangeiros, &quot;gastarbeiter&quot; (trabalhadores convidados) e pessoas de pele mais escura, a Alemanha est&aacute; diante da urgente necessidade de repensar a ambival&ecirc;ncia com que maneja a diversidade da popula&ccedil;&atilde;o.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11086\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/exibicao.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11086\" class=\"size-medium wp-image-11086\" title=\"Exibi&ccedil;&atilde;o ao ar livre homenageia a hist&oacute;rica diversidade de Berlim. - Francesca Dziadek\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/exibicao.jpg\" alt=\"Exibi&ccedil;&atilde;o ao ar livre homenageia a hist&oacute;rica diversidade de Berlim. - Francesca Dziadek\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11086\" class=\"wp-caption-text\">Exibi&ccedil;&atilde;o ao ar livre homenageia a hist&oacute;rica diversidade de Berlim. - Francesca Dziadek\/IPS<\/p><\/div>  Cerca de 20% da popula&ccedil;&atilde;o, aproximadamente 16 milh&otilde;es de pessoas, s&atilde;o descendentes de imigrantes.<\/p>\n<p>Os dados demogr&aacute;ficos indicam que 25% das pessoas menores de 25 anos descendem de imigrantes. Os integrantes deste grupo, chamados de &quot;novos alem&atilde;es&quot;, reclamam visibilidade, representa&ccedil;&atilde;o e participa&ccedil;&atilde;o social e pol&iacute;tica, enquanto uma gera&ccedil;&atilde;o mais velha perde rapidamente a paci&ecirc;ncia diante da incapacidade do Estado de compensar crimes raciais e anos de exclus&atilde;o.<\/p>\n<p>Em uma exposi&ccedil;&atilde;o pelos 775 anos desta cidade, chamada &quot;Berlim: Cidade da Diversidade&quot;, trabalhadores turcos, que passaram a vida trabalhando dia e noite nas linhas de montagem de gigantes como Siemens e Telefunken, recordaram que foram atra&iacute;dos para este pa&iacute;s durante a escassez de m&atilde;o de obra depois da constru&ccedil;&atilde;o do Muro de Berlim em 1961. Hoje, seus netos continuam toureando a velha mentalidade da sociedade alem&atilde; de que &quot;o barco est&aacute; cheio&quot;.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s a queda do Muro, em 1989, a &quot;integra&ccedil;&atilde;o&quot; se tornou o grito de guerra da reunifica&ccedil;&atilde;o da Alemanha. Enquanto Berlim oriental e ocidental se fundiam uma no bra&ccedil;o da outra, minorias menos vis&iacute;veis, como vietnamitas, no oeste, e trabalhadores convidados, no leste, se encontraram diante de um obst&aacute;culo adicional: um envidra&ccedil;ado muro de acesso e inclus&atilde;o que se mostrou mais duro de quebrar do que o de concreto.<\/p>\n<p>&quot;Nunca gostei da palavra integra&ccedil;&atilde;o&quot;, disse em uma r&aacute;dio p&uacute;blica a popular colunista turco-alem&atilde; Hatice Aky&uuml;n, que escreve no jornal Der Tagesspiegel. &quot;Tr&aacute;s consigo as perguntas: quem integra com quem, como e por que?&quot;, questionou Aky&uuml;n, ganhadora do Pr&ecirc;mio Integra&ccedil;&atilde;o 2011 de Berlim.<\/p>\n<p>Em 2005, preocupada com o envelhecimento da popula&ccedil;&atilde;o e pela baixa natalidade que amea&ccedil;ava distorcer o equil&iacute;brio demogr&aacute;fico do pa&iacute;s, a Alemanha reviu a legisla&ccedil;&atilde;o sobre imigra&ccedil;&atilde;o, ampliando o crit&eacute;rio de entrada para incluir profissionais altamente qualificados, concedendo aos graduados estrangeiros de universidades locais um ano para buscar trabalho e dando boas-vindas a imigrantes aut&ocirc;nomos. Pouco depois de promulgada a reforma, a organiza&ccedil;&atilde;o neonazista Nationalsozialistischer Untergrund matou sua terceira v&iacute;tima, Ismail Yasar, um verdureiro turco de 50 anos, de Nuremberg, como parte de uma s&eacute;rie de assassinatos entre 2000 e 2006.<\/p>\n<p>Ayk&uuml;n viveu na pr&oacute;pria carne a temerosa escalada da tipifica&ccedil;&atilde;o de isl&acirc;micos para pessoas de origem turca. &quot;O ponto mais baixo para mim foi o debate de Sarrazin&quot;, contou &agrave; IPS, se referindo ao auge da islamofobia e &agrave; demagogia populista que se seguiu &agrave; publica&ccedil;&atilde;o de Alemanha acaba consigo mesma, de Thilo Sarrazin, em 2010. O livro, que se tornou a obra mais popular da literatura em d&eacute;cadas, com 1,5 milh&atilde;o de exemplares vendidos, exp&ocirc;s o profundo sentimento anti-imigra&ccedil;&atilde;o da sociedade alem&atilde;.<\/p>\n<p>&quot;Um nome e uma fotografia de algu&eacute;m com origem turca em um pedido de emprego ainda diminui as possibilidades do candidato em 1%&quot;, disse a senadora Dilek Kolat, que foi uma das oradoras na confer&ecirc;ncia Diversidade 2012, patrocinada pelo estatuto da diversidade da Alemanha. Kolat defendeu um processo concreto para implantar uma agenda de igualdade de oportunidades e de inclus&atilde;o social, como sua iniciativa &quot;Berlim necessita de voc&ecirc;&quot;, uma campanha destinada a atrair candidatos de minorias para o setor p&uacute;blico.<\/p>\n<p>&quot;Um enfoque neutro j&aacute; n&atilde;o &eacute; relevante nem &uacute;til&quot;, opinou Kolat, diante de respons&aacute;veis de diversidade e empregados de recursos humanos de todas as partes da Alemanha. N&atilde;o surpreende as corpora&ccedil;&otilde;es estarem entre os impulsionadores mais ativos de uma pol&iacute;tica autorregulada em mat&eacute;ria de diversidade, pois apontam para novos mercados globais. O gerente-geral da Siemens, Peter L&ouml;scher, foi um pioneiro h&aacute; cinco anos, quando disse que sua junta de diretores era &quot;muito alem&atilde;, muito branca e muito varonil&quot;.<\/p>\n<p>&quot;A diversidade &eacute; nosso p&atilde;o de cada dia, nossa estrat&eacute;gia clara como ator global&quot;, disse Brigitte Ederer, integrante da junta diretora da Siemens AG, com cerca de 52 mil empregados. &quot;Simplesmente, uma for&ccedil;a de trabalho diversa tem sentido econ&ocirc;mico, as equipes mistas resolvem problemas de forma mais efetiva&quot;, destacou.<\/p>\n<p>Segundo o federal Minist&eacute;rio de Trabalho e Assuntos Sociais, se prev&ecirc; na Alemanha uma escassez de seis milh&otilde;es de trabalhadores at&eacute; 2025. Em resposta &agrave; atual crise econ&ocirc;mica, o cart&atilde;o azul da Uni&atilde;o Europeia, uma permiss&atilde;o de trabalho, entrou em vigor em agosto, como tamb&eacute;m o portal Bem-Vindo &agrave; Alemanha, um projeto de profissionais qualificados que &quot;relaciona toda informa&ccedil;&atilde;o importante sobre como fazer uma carreira e viver na Alemanha&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>O setor p&uacute;blico tamb&eacute;m deve atender com urg&ecirc;ncia o problema da diversidade. A Alemanha tem apenas 13% de funcion&aacute;rios pertencentes a alguma minoria, bem atrasada em rela&ccedil;&atilde;o a Fran&ccedil;a e Gr&atilde;-Bretanha, com 20%, segundo a Organiza&ccedil;&atilde;o para a Coopera&ccedil;&atilde;o e o Desenvolvimento Econ&ocirc;micos (OCDE). &quot;A pol&iacute;cia ainda n&atilde;o tem uma estrat&eacute;gia em mat&eacute;ria de diversidade, o enfoque dominante &eacute; a assimila&ccedil;&atilde;o, a consci&ecirc;ncia da diferen&ccedil;a n&atilde;o faz parte da mentalidade e &eacute; meu objetivo mudar isso&quot;, declarou &agrave; IPS a subcomiss&aacute;ria de pol&iacute;cia, Margarete Koppers.<\/p>\n<p>Sua declara&ccedil;&atilde;o coincide com um momento em que toda a for&ccedil;a est&aacute; sendo observada por n&atilde;o prender os respons&aacute;veis pelos nove assassinatos de comerciantes de origem estrangeira, ocorridos entre setembro de 2000 e agosto de 2006. Especialistas afirmam que isto equivale a aceitar o profundo racismo estrutural, e que h&aacute; tempos falta na Alemanha um reconhecimento formal como o informe McPherson de 1994 na Gr&atilde;-Bretanha.<\/p>\n<p>Kien Nghi Ha, professor da Universidade de T&uuml;bingen que chegou ao pa&iacute;s em 1979, recorda em seu estudo sobre as rela&ccedil;&otilde;es entre &Aacute;sia e Alemanha um doloroso epis&oacute;dio que marcou sua inf&acirc;ncia: um ataque, em agosto de 1980, contra um abrigo de solicitantes de asilo em Hamburgo que deixou dois vietnamitas, de 18 e 22 anos, mortos. N&atilde;o foi feita nenhuma investiga&ccedil;&atilde;o nem entrou para as estat&iacute;sticas. Os assassinatos nem mesmo foram registrados na categoria de crimes pol&iacute;ticos. Reconhecer tais crimes &eacute; um passo crucial para conseguir uma Alemanha mais diversa e inclusiva. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Berlim, Alemanha, 11\/12\/2012 &ndash; Em um contexto de permanente discrimina&ccedil;&atilde;o contra estrangeiros, &quot;gastarbeiter&quot; (trabalhadores convidados) e pessoas de pele mais escura, a Alemanha est&aacute; diante da urgente necessidade de repensar a ambival&ecirc;ncia com que maneja a diversidade da popula&ccedil;&atilde;o. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/12\/direitos-humanos\/alemanha-peleja-com-a-diversidade\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":792,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,11],"tags":[18],"class_list":["post-11086","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-politica","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11086","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/792"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11086"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11086\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11086"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11086"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11086"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}