{"id":11103,"date":"2012-12-13T08:58:50","date_gmt":"2012-12-13T08:58:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11103"},"modified":"2012-12-13T08:58:50","modified_gmt":"2012-12-13T08:58:50","slug":"ir-estuda-debater-com-os-estados-unidos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/12\/politica\/ir-estuda-debater-com-os-estados-unidos\/","title":{"rendered":"Ir&atilde; estuda debater com os Estados Unidos"},"content":{"rendered":"<p>Hava&iacute;, Estados Unidos, 13\/12\/2012 &ndash; Enquanto as autoridades iranianas se preparam para as negocia&ccedil;&otilde;es com os cinco membros permanentes do Conselho de Seguran&ccedil;a da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) mais a Alemanha (P5+1) sobre seu programa nuclear, o debate interno vai al&eacute;m: seria &uacute;til dialogar ou mesmo se relacionar com os Estados Unidos?  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11103\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Ira.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11103\" class=\"size-medium wp-image-11103\" title=\"O aiatol&aacute; Khamenei dar&aacute; a &uacute;ltima palavra sobre dialogar, ou n&atilde;o, com os Estados Unidos. - CC BY-SA 3.0\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Ira.jpg\" alt=\"O aiatol&aacute; Khamenei dar&aacute; a &uacute;ltima palavra sobre dialogar, ou n&atilde;o, com os Estados Unidos. - CC BY-SA 3.0\" width=\"200\" height=\"159\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11103\" class=\"wp-caption-text\">O aiatol&aacute; Khamenei dar&aacute; a &uacute;ltima palavra sobre dialogar, ou n&atilde;o, com os Estados Unidos. - CC BY-SA 3.0<\/p><\/div>  Historicamente, falar em p&uacute;blico sobre as rela&ccedil;&otilde;es com os Estados Unidos &eacute; tabu no Ir&atilde;. Sempre houve quem aceitasse essa ideia, mas eram reprovados, ignorados ou rapidamente silenciados.<\/p>\n<p>O debate atual &eacute; diferente, tanto por sua amplitude como pela clara posi&ccedil;&atilde;o das duas partes sobre o tema. De um lado, est&atilde;o os expoentes da linha dura, que continuam promovendo o valor da &quot;economia da resist&ecirc;ncia&quot; (termo cunhado pelo l&iacute;der supremo Ali Khamenei) para responder &agrave;s san&ccedil;&otilde;es internacionais conduzidas pelos Estados Unidos. Por outro, cada vez mais figuras de todo o espectro pol&iacute;tico, inclusive algumas conservadoras, reclamam conversa&ccedil;&otilde;es bilaterais.<\/p>\n<p>A ideia de negociar diretamente com os Estados Unidos foi apresentada na &uacute;ltima primavera boreal por Akbar Hashemi Rafsanyani, ex-presidente do Ir&atilde; (1989-1997) e atual presidente do Conselho de Conveni&ecirc;ncia, em algumas entrevistas. O Ir&atilde; &quot;agora pode negociar plenamente com os Estados Unidos com base em condi&ccedil;&otilde;es igualit&aacute;rias e respeito m&uacute;tuo&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>A atual obsess&atilde;o com o programa nuclear iraniano n&atilde;o &eacute; o principal problema de Washington, disse Rafsanyani, respondendo aos que &quot;pensam que os conflitos do Ir&atilde; (com o Ocidente) ser&atilde;o solucionados deixando para tr&aacute;s a quest&atilde;o nuclear&quot;. O ex-presidente disse ainda que a situa&ccedil;&atilde;o de &quot;n&atilde;o falar e n&atilde;o ter rela&ccedil;&otilde;es com os Estados Unidos n&atilde;o &eacute; sustent&aacute;vel. O sentido das conversa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o &eacute; capitular diante deles. Se aceitarem nossa posi&ccedil;&atilde;o ou aceitarmos a deles, j&aacute; basta&quot;.<\/p>\n<p>Estados Unidos e Ir&atilde; n&atilde;o mant&ecirc;m rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas desde a Revolu&ccedil;&atilde;o Isl&acirc;mica de 1979. O conflito tem sido principalmente frio, mas a amea&ccedil;a de uma guerra se agravou este ano, depois de uma campanha de press&atilde;o do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, baseada no suposto fim armamentista do programa nuclear de Teer&atilde;.<\/p>\n<p>Entretanto, Rafsanyani j&aacute; n&atilde;o &eacute; uma voz solit&aacute;ria a favor de conversa&ccedil;&otilde;es diretas. Na verdade, enquanto cobra brios para o debate, ele se mant&eacute;m em um sil&ecirc;ncio relativo. Na semana passada, por exemplo, centenas de pessoas lotaram um audit&oacute;rio universit&aacute;rio na pequena capital provincial de Yasuj, para ouvir um debate entre dois ex-membros do parlamento quanto a ser uma oportunidade ou uma amea&ccedil;a o di&aacute;logo com Washington.<\/p>\n<p>Mostafa Kavakabina, acad&ecirc;mico e pol&iacute;tico reformista, disse que, al&eacute;m das san&ccedil;&otilde;es ao Ir&atilde; isl&acirc;mico, &quot;a quest&atilde;o da energia nuclear, as m&uacute;ltiplas resolu&ccedil;&otilde;es (contra o pa&iacute;s) em organiza&ccedil;&otilde;es internacionais, as viola&ccedil;&otilde;es dos direitos humanos do ponto de vista do Ocidente, a quest&atilde;o de Israel e o terrorismo internacional s&atilde;o resultado da falta de uma rela&ccedil;&atilde;o l&oacute;gica com os Estados Unidos&quot;. Em contraposi&ccedil;&atilde;o, o parlamentar Sattar Hedayatkhah afirmou que &quot;as rela&ccedil;&otilde;es com os Estados Unidos nas atuais condi&ccedil;&otilde;es significam retratar-se de 34 anos de resist&ecirc;ncia contra san&ccedil;&otilde;es da arrog&acirc;ncia mundial&quot;.<\/p>\n<p>Nas &uacute;ltimas semanas, a posi&ccedil;&atilde;o de linha dura foi articulada por personagens como o chefe da mil&iacute;cia Basij, Mohammadreza Naqdi, para quem as san&ccedil;&otilde;es s&atilde;o um meio para liberar &quot;o potencial latente&quot; do Ir&atilde;. Tamb&eacute;m o representante de Khamenei no Corpo da Guarda Revolucion&aacute;ria do Ir&atilde;, o cl&eacute;rigo Ali Saeedi, disse que as propostas de Washington sobre conversa&ccedil;&otilde;es diretas s&atilde;o um estratagema para convencer Teer&atilde; a &quot;desistir de seu programa nuclear&quot;.<\/p>\n<p>Em meio a esse debate est&aacute; Khamenei, que tomar&aacute; a decis&atilde;o final. Nos &uacute;ltimos dois anos, ele expressou claramente sua desconfian&ccedil;a sobre as inten&ccedil;&otilde;es de Barack Obama. E n&atilde;o permitiu um &uacute;nico contato bilateral de alto n&iacute;vel, desde as falidas negocia&ccedil;&otilde;es de outubro de 2009 para tirar o ur&acirc;nio enriquecido do Ir&atilde; (quando o representante iraniano Saeed Khalili se reuniu com o subsecret&aacute;rio de Estado norte-americano William Burns no encontro P5+1).<\/p>\n<p>Entretanto, a perspectiva de que possa mudar de opini&atilde;o foi suficiente para que se publicasse um duro editorial no jornal Kayhan, advertindo sobre uma &quot;conspira&ccedil;&atilde;o&quot; de &quot;revolucion&aacute;rios tresloucados&quot; para for&ccedil;ar o l&iacute;der &quot;a beber o c&aacute;lice da retrata&ccedil;&atilde;o, abandonar suas posi&ccedil;&otilde;es revolucion&aacute;rias e conversar com os Estados Unidos&quot;.<\/p>\n<p>O artigo afirma que, &quot;ao expor an&aacute;lises err&ocirc;neas e relacionar todos os problemas do pa&iacute;s com as san&ccedil;&otilde;es externas, (os tresloucados) querem inflamar o clima social e agitar sentimentos p&uacute;blicos, para que o exaltado l&iacute;der se veja obrigado a ceder &agrave;s suas demandas a fim de proteger os interesses do pa&iacute;s e os ganhos da revolu&ccedil;&atilde;o&quot;. A imagem do veneno se refere ao famoso discurso do pai da Revolu&ccedil;&atilde;o Isl&acirc;mica, o aiatol&aacute; Ruhollah Khomenei, quando aceitou a contragosto o cessar-fogo com o Iraque, em 1988, e se referiu a ele como um c&aacute;lice de veneno do qual deveria beber.<\/p>\n<p>Os representantes da linha dura continuam acreditando que foram os l&iacute;deres moderados da &eacute;poca, como Rafsanyani, que convenceram Khomeini a tomar esse veneno, omitindo convenientemente o fato de que o aiatol&aacute; estava naqueles tempos muito alinhado com Rafsanyani. Desta vez, os suspeitos s&atilde;o &quot;revolucion&aacute;rios tresloucados&quot; que ainda operam dentro do sistema.<\/p>\n<p>Entretanto, os duros est&atilde;o em apuros. Ap&oacute;s elevarem o papel de Khamenei ao grau de um l&iacute;der que tudo sabe, semelhante a um im&atilde;, t&ecirc;m poucas op&ccedil;&otilde;es al&eacute;m de manter sil&ecirc;ncio e submeter-se &agrave; sua lideran&ccedil;a se ele decidir a favor das conversa&ccedil;&otilde;es diretas. Da&iacute; sua tentativa de expor todo esfor&ccedil;o de di&aacute;logo como uma derrota ou um rem&eacute;dio amargo e desnecess&aacute;rio.<\/p>\n<p>Neste contexto, a decis&atilde;o de Khamenei s&oacute; pode ser considerada uma grande interroga&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o est&aacute; totalmente claro se acabar&aacute; cedendo ao di&aacute;logo, e, de fato, &eacute; bastante improv&aacute;vel, a menos que a posi&ccedil;&atilde;o de Washington sobre o programa nuclear iraniano fique publicamente clara, para permitir um acordo negociado aceit&aacute;vel. Em outras palavras, embora Khamenei possa acabar aprovando as conversa&ccedil;&otilde;es diretas, o caminho para essa posi&ccedil;&atilde;o implica algum tipo de acordo na disputa nuclear &#8211; ainda que seja limitado &#8211; no contexto do P5+1, e n&atilde;o ao contr&aacute;rio.<\/p>\n<p>A realidade &eacute; que as press&otilde;es de Washington sobre Teer&atilde; ajudam a criar um ambiente no qual muitos exigem uma mudan&ccedil;a de dire&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica, embora gradual, na pol&iacute;tica externa iraniana relativa &agrave; &quot;quest&atilde;o norte-americana&quot;. Mas esta reclama&ccedil;&atilde;o de mudan&ccedil;a s&oacute; pode tornar-se dominante se houver garantias de que nos Estados Unidos est&atilde;o amadurecendo mudan&ccedil;as correspondentes, ainda que graduais, sobre a &quot;quest&atilde;o iraniana&quot;. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Farideh Farhi escreve no blog de Jim Lobe (www.lobelog.com).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hava&iacute;, Estados Unidos, 13\/12\/2012 &ndash; Enquanto as autoridades iranianas se preparam para as negocia&ccedil;&otilde;es com os cinco membros permanentes do Conselho de Seguran&ccedil;a da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) mais a Alemanha (P5+1) sobre seu programa nuclear, o debate interno vai al&eacute;m: seria &uacute;til dialogar ou mesmo se relacionar com os Estados Unidos? <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/12\/politica\/ir-estuda-debater-com-os-estados-unidos\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":79,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[11],"tags":[14,16],"class_list":["post-11103","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-politica","tag-america-do-norte","tag-oriente-medio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11103","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/79"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11103"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11103\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11103"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11103"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11103"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}