{"id":11113,"date":"2012-12-17T08:47:28","date_gmt":"2012-12-17T08:47:28","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11113"},"modified":"2012-12-17T08:47:28","modified_gmt":"2012-12-17T08:47:28","slug":"naes-unidas-uma-mulher-leva-o-conselho-de-direitos-humanos-a-bom-porto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/12\/mundo\/naes-unidas-uma-mulher-leva-o-conselho-de-direitos-humanos-a-bom-porto\/","title":{"rendered":"NA&Ccedil;&Otilde;ES UNIDAS: Uma mulher leva o Conselho de Direitos Humanos a bom porto"},"content":{"rendered":"<p>Genebra, Su&iacute;&ccedil;a, 17\/12\/2012 &ndash; A primeira mulher a presidir o Conselho de Direitos Humanos, a diplomata uruguaia Laura Dupuy, se saiu bem ao final de um dos per&iacute;odos de sess&otilde;es mais tensos e conflituosos desde a cria&ccedil;&atilde;o, em mar&ccedil;o de 2006, desse &oacute;rg&atilde;o especializado da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU).  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11113\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Laura.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11113\" class=\"size-medium wp-image-11113\" title=\"Laura Dupuy: &quot;A S\u00c3\u00adria requer uma solu&ccedil;&atilde;o pol\u00c3\u00adtica, com paz, justi&ccedil;a e o fim da impunidade&quot;\u009d. - Na&ccedil;&otilde;es Unidas\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Laura.jpg\" alt=\"Laura Dupuy: &quot;A S\u00c3\u00adria requer uma solu&ccedil;&atilde;o pol\u00c3\u00adtica, com paz, justi&ccedil;a e o fim da impunidade&quot;\u009d. - Na&ccedil;&otilde;es Unidas\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11113\" class=\"wp-caption-text\">Laura Dupuy: &quot;A S\u00c3\u00adria requer uma solu&ccedil;&atilde;o pol\u00c3\u00adtica, com paz, justi&ccedil;a e o fim da impunidade&quot;\u009d. - Na&ccedil;&otilde;es Unidas<\/p><\/div>  Coube a Dupuy dirigir, em sess&otilde;es ordin&aacute;rias e especiais durante este ano, debates acesos em que foram examinados epis&oacute;dios dram&aacute;ticos em pa&iacute;ses &aacute;rabes como Tun&iacute;sia, Egito, L&iacute;bia, I&ecirc;men, Bahrein e, em particular, S&iacute;ria. A embaixadora do Uruguai junto aos escrit&oacute;rios da ONU em Genebra ganhou o reconhecimento de seus colegas e de organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais por ter levado adiante sess&otilde;es em alguns momentos tormentosas.<\/p>\n<p>Dupuy garantiu &agrave; IPS que sua condi&ccedil;&atilde;o de mulher n&atilde;o representou um obst&aacute;culo &agrave;s suas fun&ccedil;&otilde;es, que terminam no dia 31. &quot;Felizmente n&atilde;o encontrei obst&aacute;culos. E mais, creio que pa&iacute;ses que poderiam ter colocado algum tiveram o cuidado de n&atilde;o faz&ecirc;-lo&quot;.<\/p>\n<p>IPS: Quais rea&ccedil;&otilde;es observou desde que come&ccedil;aram as sess&otilde;es anuais em mar&ccedil;o deste ano?<\/p>\n<p>LAURA DUPUY: Pode ser que algu&eacute;m tivesse d&uacute;vidas sobre o que aconteceria com uma presidenta a quem n&atilde;o conheciam. Mas rapidamente viram que sou apegada &agrave;s normas e firme nas respostas. A partir de ent&atilde;o souberam me respeitar.<\/p>\n<p>IPS: Encontrou algum inconveniente pelo fato de ser mulher?<\/p>\n<p>LD: Tive problemas, mas como mulher creio que tampouco chegaram a ser grandes. O momento mais complicado foi quando foi tratado o caso do Bahrein, pois houve descontentamentos por minha interven&ccedil;&atilde;o e cr&iacute;ticas &agrave;s intimida&ccedil;&otilde;es que sofriam ali os defensores dos direitos humanos que assistiam em Genebra ao debate no Exame Peri&oacute;dico Universal do Conselho sobre a situa&ccedil;&atilde;o nessa na&ccedil;&atilde;o &aacute;rabe.<\/p>\n<p>IPS: Houve algum outro mau momento?<\/p>\n<p>LD: Sim, embora n&atilde;o de forma pessoal, porque o que lamentavelmente vi na sala &eacute; que pa&iacute;ses, basicamente os isl&acirc;micos, t&ecirc;m um discurso ainda muito retr&oacute;grado. E mais, me preocupa que exista um retrocesso em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; Declara&ccedil;&atilde;o Universal dos Direitos Humanos, aprovada em 1948. Tamb&eacute;m temo que ocorra algo parecido nesses Estados com a Declara&ccedil;&atilde;o de Viena, adotada em 1993 pela Confer&ecirc;ncia Mundial sobre Direitos Humanos, onde foi reafirmado que os direitos das mulheres s&atilde;o isso, direitos humanos.<\/p>\n<p>IPS: Percebeu essa tend&ecirc;ncia regressiva em algum outro momento?<\/p>\n<p>LD: A vemos quando continuam questionando ou tentando limitar o alcance do novo Grupo de Trabalho sobre a Discrimina&ccedil;&atilde;o Contra as Mulheres na legisla&ccedil;&atilde;o e na pr&aacute;tica. O simples fato de, apesar de n&atilde;o votarem contra, se manifestarem em desacordo com esse novo mandato j&aacute; marca a situa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>IPS: Acredita que essa orienta&ccedil;&atilde;o persiste?<\/p>\n<p>LD: Persiste. Estamos constatando, lamentavelmente. Por exemplo, agora, no Egito, com o projeto de Constitui&ccedil;&atilde;o. A especialista desse pa&iacute;s me informou que foi eliminado do rascunho o par&aacute;grafo referente &agrave; n&atilde;o discrimina&ccedil;&atilde;o por qualquer motivo, incluindo de g&ecirc;nero e outras. E isso &eacute; grave. Trata-se de um princ&iacute;pio central dos direitos humanos.<\/p>\n<p>IPS: A quest&atilde;o est&aacute; limitada a uma &uacute;nica regi&atilde;o?<\/p>\n<p>LD: N&atilde;o. Observa-se tamb&eacute;m na declara&ccedil;&atilde;o de direitos humanos aprovada em novembro pela Associa&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es do Sudeste Asi&aacute;tico (Asean). A negocia&ccedil;&atilde;o do texto foi somente intergovernamental, sem consultas &agrave; sociedade civil, e na reda&ccedil;&atilde;o desse texto o problema do direito das mulheres foi muito importante. A Alta Comiss&aacute;ria da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, n&atilde;o concordou. Contudo, depois de aprovada, a declara&ccedil;&atilde;o da Asean foi acrescida de outra resolu&ccedil;&atilde;o, dizendo que o documento seria implantado de acordo com a Declara&ccedil;&atilde;o Universal de 1948. Esperemos que assim seja, que na medida em que se evolui esse aspecto seja cumprido. Em resumo, do ponto de vista dos direitos da mulher, me parece que h&aacute; muito por fazer.<\/p>\n<p>IPS: Quais aspectos de destaque marcaram sua presid&ecirc;ncia do Conselho?<\/p>\n<p>LD: O per&iacute;odo est&aacute; marcado, lamentavelmente, por todas essas situa&ccedil;&otilde;es graves e urgentes dos direitos humanos que o Conselho examinou com a vontade de ouvir todas as partes, inclusive aquelas vozes que frequentemente n&atilde;o s&atilde;o ouvidas, como das v&iacute;timas das viola&ccedil;&otilde;es. Nos pr&oacute;ximos per&iacute;odos, o Conselho de Direitos Humanos da ONU dever discutir as melhores formas de enfrentar essas crises e as maneiras de preveni-las.<\/p>\n<p>IPS: H&aacute; algum ind&iacute;cio de como se pode encarar esse problema no Conselho?<\/p>\n<p>LD: Em uma revis&atilde;o de seu trabalho e de seu funcionamento, feita em 2011, o Conselho se ocupou, entre outros temas, das formas como pode enfrentar casos graves de viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos. Entre outras propostas, o rascunho sugeria a cria&ccedil;&atilde;o de mecanismos que atuassem como disparadores, externos, objetivos e independentes, em caso de situa&ccedil;&otilde;es de urg&ecirc;ncia. A iniciativa foi deixada de lado e, em consequ&ecirc;ncia, o Conselho continua enfrentando as situa&ccedil;&otilde;es cr&iacute;ticas, principalmente mediante o recurso das sess&otilde;es especiais de seus membros.<\/p>\n<p>IPS: Que resultados essas sess&otilde;es especiais apresentam?<\/p>\n<p>LD: Em certo aspecto, as sess&otilde;es especiais demonstraram obter bastante &ecirc;xito para enfrentar situa&ccedil;&otilde;es urgentes. Sempre se conseguiu reunir o m&iacute;nimo de 16 Estados-membros signat&aacute;rios da solicita&ccedil;&atilde;o de convoca&ccedil;&atilde;o dessas reuni&otilde;es, como testemunham as 19 sess&otilde;es especiais realizadas at&eacute; agora. Por&eacute;m, deve-se reconhecer que o resultado dessas sess&otilde;es sempre depende de uma negocia&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>IPS: Este ano, chamou a aten&ccedil;&atilde;o o caso da S&iacute;ria exigir quatro sess&otilde;es especiais do Conselho.<\/p>\n<p>LD: Alguns podem pensar que a realiza&ccedil;&atilde;o de quatro sess&otilde;es especiais n&atilde;o ajudou realmente a melhorar a situa&ccedil;&atilde;o no terreno na S&iacute;ria. Entretanto, ao manter essas numerosas sess&otilde;es, e somado a um debate urgente, o Conselho cumpriu suas responsabilidades pol&iacute;ticas, acompanhando de perto os acontecimentos e enviando uma comiss&atilde;o investigadora com a miss&atilde;o de recolher informa&ccedil;&atilde;o e provas para um potencial futuro procedimento penal em rela&ccedil;&atilde;o ao conflito em curso.<\/p>\n<p>IPS: Que conclus&atilde;o tira deste caso?<\/p>\n<p>LD: Depois de muitos meses de crise e conflito armado, crescem as press&otilde;es, n&atilde;o s&oacute; para encontrar solu&ccedil;&otilde;es pol&iacute;ticas, mas tamb&eacute;m para incriminar os respons&aacute;veis por crimes internacionais referentes aos direitos humanos e ao direito internacional humanit&aacute;rio. Assim, veio &agrave; luz a prioridade, que consiste em uma solu&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, com paz, justi&ccedil;a e o fim da impunidade. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Genebra, Su&iacute;&ccedil;a, 17\/12\/2012 &ndash; A primeira mulher a presidir o Conselho de Direitos Humanos, a diplomata uruguaia Laura Dupuy, se saiu bem ao final de um dos per&iacute;odos de sess&otilde;es mais tensos e conflituosos desde a cria&ccedil;&atilde;o, em mar&ccedil;o de 2006, desse &oacute;rg&atilde;o especializado da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU). <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/12\/mundo\/naes-unidas-uma-mulher-leva-o-conselho-de-direitos-humanos-a-bom-porto\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":86,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,6,5,4],"tags":[21,24],"class_list":["post-11113","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-direitos-humanos","category-economia","category-mundo","tag-metas-do-milenio","tag-mulheres"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11113","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/86"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11113"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11113\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11113"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11113"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11113"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}