{"id":11115,"date":"2012-12-17T08:54:09","date_gmt":"2012-12-17T08:54:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11115"},"modified":"2012-12-17T08:54:09","modified_gmt":"2012-12-17T08:54:09","slug":"guerra-civil-nubla-o-horizonte-do-egito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/12\/direitos-humanos\/guerra-civil-nubla-o-horizonte-do-egito\/","title":{"rendered":"Guerra civil nubla o horizonte do Egito"},"content":{"rendered":"<p>Cairo, Egito, 17\/12\/2012 &ndash; O Egito enfrenta sua pior crise pol&iacute;tica desde que a revolu&ccedil;&atilde;o de janeiro de 2011 derrubou o ditador Hosni Mubarak. <!--more--> E j&aacute; h&aacute; vozes alertando para o perigo de uma guerra civil. Ao contr&aacute;rio do ocorrido na rebeli&atilde;o contra o regime de Mubarak (1981-2011), a oposi&ccedil;&atilde;o atual ao governo est&aacute; duramente dividida entre setores isl&acirc;micos e seculares.<\/p>\n<p>A incapacidade da governante Irmandade Mu&ccedil;ulmana e de seus aliados isl&acirc;micos para encontrar pontos de acordo com os cr&iacute;ticos do presidente Mohammad Morsi se agrava pelas profundas divis&otilde;es que mostra o campo opositor na formula&ccedil;&atilde;o de uma estrat&eacute;gia. Outro fator importante &eacute; a incerteza sobre o papel que ter&atilde;o as for&ccedil;as armadas nos pr&oacute;ximos acontecimentos pol&iacute;ticos.<\/p>\n<p>&quot;O Egito est&aacute; diante de uma prolongada batalha pol&iacute;tica. A situa&ccedil;&atilde;o &eacute; insustent&aacute;vel. Parece que nos dirigimos para uma guerra civil. O curinga da situa&ccedil;&atilde;o &eacute; o ex&eacute;rcito, e n&atilde;o se sabe de que lado ficar&aacute;&quot;, disse &agrave; IPS o analista de pol&iacute;tica nacional e internacional Gamal Nkrumah, editor do jornal Al-Ahram Weekly.<\/p>\n<p>Semanas de protestos violentos, que eclodiram com o decreto de 22 de novembro, no qual Morsi atribui a si mesmo amplos poderes sem fiscaliza&ccedil;&atilde;o do Poder Judicial, obrigaram o mandat&aacute;rio a voltar atr&aacute;s e revog&aacute;-lo. Contudo, um novo decreto assegurar&aacute; a vig&ecirc;ncia dos amplos poderes presidenciais com a m&iacute;nima supervis&atilde;o judicial.<\/p>\n<p>E a decis&atilde;o de Morsi de acelerar o referendo para aprovar um texto constitucional de cunho isl&acirc;mico, realizado no dia 15, enfureceu ainda mais a oposi&ccedil;&atilde;o, pois o processo incluiu pouqu&iacute;ssimas consultas &agrave;s minorias religiosas, como os crist&atilde;os coptos, as mulheres e os partidos liberais.&quot;Quatro dos conselheiros n&atilde;o isl&acirc;micos de Morsi renunciaram ap&oacute;s fracassarem em sua tentativa de convenc&ecirc;-lo a ser mais amplo no processo constitucional. Chegaram a suspender suas ren&uacute;ncias por uma semana. Mas quando o presidente n&atilde;o deu sinais de se retratar, partiram&quot;, contou Nkrumah.<\/p>\n<p>Os sangrentos confrontos de rua entre seguidores da Irmandade e ativistas rebeldes causaram pelo menos sete mortos, enquanto h&aacute; centenas de feridos e detidos. Apesar do uso de tanques e soldados, a sede da Presid&ecirc;ncia foi cercada por manifestantes no primeiro final de semana do m&ecirc;s. E outras seis pessoas morreram na semana anterior. Nessas noites de agress&otilde;es e escaramu&ccedil;as, jornalistas e pessoal da sa&uacute;de foram alvos de ataques. Um m&eacute;dico morreu e um rep&oacute;rter ficou com sequelas por um dano cerebral grave.<\/p>\n<p>Questionou-se o papel do ex&eacute;rcito, pois houve informa&ccedil;&otilde;es sobre soldados combatendo lado a lado com ativistas da Irmandade, enquanto outros uniformizados expressavam simpatia e incentivavam os revolucion&aacute;rios. No momento, as for&ccedil;as armadas se mant&ecirc;m oficialmente &agrave; margem. Mas, no dia 8, divulgaram um comunicado advertindo que entrariam em a&ccedil;&atilde;o se os setores em confronto n&atilde;o conseguissem resolver suas diferen&ccedil;as mediante o di&aacute;logo. &quot;Qualquer outra coisa que n&atilde;o seja o di&aacute;logo nos levar&aacute; a um escuro t&uacute;nel com desastrosas consequ&ecirc;ncias. A na&ccedil;&atilde;o inteira pagar&aacute;, mas n&atilde;o vamos permitir isso&quot;, dizia o texto.<\/p>\n<p>&quot;A grande pergunta &eacute; de que lado vai cair o dado militar&quot;, pontuou Nkrumah, filho do ex-presidente de Gana, Kwame Nkrumah, e de uma eg&iacute;pcia copta. &quot;A oficialidade de alta patente sempre ficou ao lado de Mubarak. Mas n&atilde;o se sabe onde est&aacute; a lealdade de outros oficiais m&eacute;dios e o quanto suas fileiras est&atilde;o infiltradas pela Irmandade. &Eacute; prov&aacute;vel que muitos soldados pobres e de baixa instru&ccedil;&atilde;o sejam seus simpatizantes&quot;, acrescentou o analista.<\/p>\n<p>Outro elemento da equa&ccedil;&atilde;o &eacute; o influente Judici&aacute;rio e para onde inclinar&aacute; seu peso. Os sinais at&eacute; agora mostram hostilidade ao governo de Morsi. &quot;Tamb&eacute;m a tradi&ccedil;&atilde;o mostrava um Poder Judici&aacute;rio com muitos seguidores de Mubarak. Mas, tal como os militares, as duas institui&ccedil;&otilde;es est&atilde;o infiltradas pela Irmandade, e as duas partes em conflito t&ecirc;m seus simpatizantes&quot;, detalhou Nkrumah.<\/p>\n<p>O que parece claro &eacute; que nem a Irmandade nem seus oponentes est&atilde;o preparados para negociar. &quot;A Irmandade est&aacute; consolidando seu poder no terreno com os salafistas (seguidores de um movimento isl&acirc;mico sunita que defende a volta &agrave;s origens do Isl&atilde;). Eles acreditam que Deus est&aacute; ao seu lado e lutam por sua sobreviv&ecirc;ncia e por uma ampla implanta&ccedil;&atilde;o da shari&aacute;&quot; (lei isl&acirc;mica), explicou o analista.<\/p>\n<p>Os partidos laicos, ao contr&aacute;rio dos isl&acirc;micos, contam com um apoio eleitoral menor, n&atilde;o t&ecirc;m uma mensagem atraente para o povo, e carecem de estruturas para chegar a toda a sociedade. &quot;Sempre foram d&eacute;beis e estiveram divididos. &Eacute; preciso ver se s&atilde;o capazes de deixar de lado suas diferen&ccedil;as, construir unidade e tra&ccedil;ar um caminho para adiante&quot;, observou Nkrumah.<\/p>\n<p>&quot;O beco sem sa&iacute;da &eacute; a consequ&ecirc;ncia inevit&aacute;vel de uma luta de poder entre duas for&ccedil;as pol&iacute;ticas que n&atilde;o t&ecirc;m incentivos para competir na mesma arena e com base em regras de jogo aceitas&quot;, opinou Marina Ottaway, pesquisadora associada do Carnegie Endowment for International Peace, um centro de estudos norte-americano.<\/p>\n<p>&quot;Uma parte da Irmandade luta por meio do voto e a outra (a elite pr&oacute;-Mubarak) na &aacute;rea judicial, e ambas apelam para a rua, atropelando o processo pol&iacute;tico formal&quot;, apontou Ottaway em um artigo escrito no final de novembro. &quot;O confronto adquire cada vez mais o car&aacute;ter de uma trag&eacute;dia grega, com o Egito rumo ao autoritarismo sem importar qual setor ven&ccedil;a. A &uacute;nica pergunta &eacute; se a tirania ser&aacute; da maioria isl&acirc;mica ou da minoria secular&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>&quot;De uma forma ou outra, as perspectivas de um desenlace democr&aacute;tico s&atilde;o poucas, quase inexistentes no curto prazo e question&aacute;veis no m&eacute;dio, enquanto o futuro se v&ecirc; muito distante para previs&otilde;es frustradas&quot;, afirmou Ottaway. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cairo, Egito, 17\/12\/2012 &ndash; O Egito enfrenta sua pior crise pol&iacute;tica desde que a revolu&ccedil;&atilde;o de janeiro de 2011 derrubou o ditador Hosni Mubarak. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/12\/direitos-humanos\/guerra-civil-nubla-o-horizonte-do-egito\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":138,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,11],"tags":[16],"class_list":["post-11115","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-politica","tag-oriente-medio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11115","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/138"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11115"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11115\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11115"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11115"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11115"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}