{"id":11122,"date":"2012-12-18T08:07:38","date_gmt":"2012-12-18T08:07:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11122"},"modified":"2012-12-18T08:07:38","modified_gmt":"2012-12-18T08:07:38","slug":"reportagem-novo-perfil-e-novo-tratamento-para-o-mal-de-chagas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/12\/america-latina\/reportagem-novo-perfil-e-novo-tratamento-para-o-mal-de-chagas\/","title":{"rendered":"REPORTAGEM: Novo perfil e novo tratamento para o mal de Chagas"},"content":{"rendered":"<p>CARACAS, Venezuela, 18\/12\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- O mal de Chagas pode ser contra&iacute;do pela ingest&atilde;o de alimentos contaminados, em &aacute;reas urbanas e n&atilde;o necessariamente pobres. Pesquisadores venezuelanos avan&ccedil;am para sua cura.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11122\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/608_Foto1_Chagas.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11122\" class=\"size-medium wp-image-11122\" title=\"Luz Maldonado contraiu a doen&ccedil;a de Chagas por um alimento e em uma &aacute;rea urbana de classe m&eacute;dia e alta de Caracas - Estrella Guti&eacute;rrez\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/608_Foto1_Chagas.jpg\" alt=\"Luz Maldonado contraiu a doen&ccedil;a de Chagas por um alimento e em uma &aacute;rea urbana de classe m&eacute;dia e alta de Caracas - Estrella Guti&eacute;rrez\/IPS\" width=\"200\" height=\"112\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11122\" class=\"wp-caption-text\">Luz Maldonado contraiu a doen&ccedil;a de Chagas por um alimento e em uma &aacute;rea urbana de classe m&eacute;dia e alta de Caracas - Estrella Guti&eacute;rrez\/IPS<\/p><\/div>  O mal de Chagas, terceira doen&ccedil;a infecciosa da Am&eacute;rica Latina, muda de rosto e se urbaniza, enquanto um novo tratamento mostra uma luz para milh&otilde;es de afetados. A mudan&ccedil;a de rosto &eacute; exemplificada pela venezuelana Luz Maldonado, professora de 47 anos que h&aacute; cinco contraiu a enfermidade por beber um suco contaminado, em um foco que atingiu 103 pessoas em uma escola de Chacao, munic&iacute;pio de classe m&eacute;dia e alta de Caracas. Um menino morreu e a vida dos demais mudou para sempre.<\/p>\n<p>As microepidemias por cont&aacute;gio alimentar s&atilde;o novas e, segundo fontes cient&iacute;ficas ouvidas pelo Terram&eacute;rica, agravam a virul&ecirc;ncia porque milhares de parasitas ingressam repentinamente na corrente sangu&iacute;nea. As maiores foram detectadas em 2005 no Brasil, em dezembro de 2007 em Caracas, e em 2010 na localidade vizinha de Chichiriviche de la Costa.<\/p>\n<p>Maldonado convive com cefaleias, edemas e erup&ccedil;&otilde;es, problemas de articula&ccedil;&atilde;o, perda de mem&oacute;ria, taquicardias, ins&ocirc;nia e depress&atilde;o, em boa parte efeitos colaterais dos medicamentos contra o parasita. Por tr&aacute;s da doen&ccedil;a est&aacute; o Trypanosoma cruzi, parasita unicelular transmitido por insetos hemat&oacute;fagos que, segundo a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de (OMS), afeta entre 17 e 20 milh&otilde;es de pessoas na Am&eacute;rica Latina. Al&eacute;m disso, quase 25% da popula&ccedil;&atilde;o regional est&aacute; em risco de contrair a enfermidade, que mata anualmente pelo menos 50 mil pessoas.<\/p>\n<p>Segundo a OMS, o mal de Chagas &eacute; uma das 13 enfermidades tropicais mais desatendidas, a terceira de origem infecciosa na Am&eacute;rica Latina, atr&aacute;s da aids e da tuberculose, e a parasitose de maior morbidade e impacto socioecon&ocirc;mico na regi&atilde;o. Somente o Uruguai foi declarado, em meados deste ano, livre do inseto que a transmite.<\/p>\n<p>Os dados s&atilde;o relativos porque muitos casos &quot;nunca s&atilde;o diagnosticados&quot;, explicou ao Terram&eacute;rica a chefe de imunologia do Instituto de Medicina Tropical (IMT), Belkisyol&eacute; Alarc&oacute;n de Nola. Essas pessoas n&atilde;o t&ecirc;m sintomas ou os atribuem a outros males. Morrem d&eacute;cadas depois por um incidente card&iacute;aco ou cerebrovascular, sem vincular ao mal de Chagas, disse a m&eacute;dica e pesquisadora que coordena na Venezuela o acompanhamento dos pacientes com essa doen&ccedil;a.<\/p>\n<p>Agora &quot;est&aacute; superada a imagem de um mal rural e de pobres&quot;, afirmou Nola. &quot;Podemos ter casos em qualquer altitude, latitude ou camada social, e devemos modificar a maneira de enfrentar os vetores. A urbaniza&ccedil;&atilde;o invadiu &aacute;reas silvestres dos vetores&quot;, acrescentou. Caracas, enclave em um vale a mil metros de altitude, &quot;tem uma esp&eacute;cie de dedos verdes que adentram nela e que s&atilde;o as &aacute;reas mais acess&iacute;veis para que os vetores cheguem &agrave;s moradias&quot;, explicou a m&eacute;dica.<\/p>\n<p>Os desmatamentos e queimadas de florestas &quot;deixam com pouca alimenta&ccedil;&atilde;o os chipos&quot;, com s&atilde;o chamados aqui os insetos transmissores, que em outros pa&iacute;ses recebem nomes como barbeiros, vinchucas, talajes, chinches, chirimachas, pitos ou chichas, detalhou Nola. &quot;Temos vetores por todas as partes e mais ainda com a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica, porque quanto maior o calor, mais favorecida &eacute; a reprodu&ccedil;&atilde;o de insetos&quot;, destacou.<\/p>\n<p>Habitualmente, os insetos afetados picam as pessoas e ao ficarem cheios defecam ali mesmo. A pessoa se co&ccedil;a e assim as fezes entram no organismo pela picada ou por outros orif&iacute;cios, como os olhos, quando co&ccedil;ados. Em Caracas &quot;existe um mau vetor, o Panstrongyilus geniculatus, que &eacute; lento e defeca tardiamente&quot;, disse Nola. Mas esse &quot;mau vetor&quot; est&aacute; se adaptando. &quot;Atra&iacute;do pelas luzes das casas em &aacute;reas urbanas e periurbanas, entra pelas janelas e cozinhas, vagueia por utens&iacute;lios e alimentos e evacua onde bem entende&quot;, deu como exemplo.<\/p>\n<p>Na transi&ccedil;&atilde;o para a infec&ccedil;&atilde;o oral, &quot;h&aacute; muitos pequenos focos, muitos n&atilde;o diagnosticados&quot;, embora nenhum como o de Chacao, &quot;por ser plenamente urbano e pelo n&uacute;mero de afetados&quot;, que consumiram suco de goiaba infectadas com fezes do inseto, na escola municipal. Dois tipos de cepas originam o mal de Chagas. Uma afeta do M&eacute;xico at&eacute; o norte da Am&eacute;rica do Sul e outra do Brasil at&eacute; o extremo sul. A primeira afeta sobretudo o cora&ccedil;&atilde;o, e a segunda tamb&eacute;m prejudica es&ocirc;fago e c&oacute;lon, disse a especialista do IMT.<\/p>\n<p>Essa enfermidade tem tr&ecirc;s fases: a primeira, aguda, de casos &quot;com sintomas e quadros muito acentuados&quot; e outros suaves ou confund&iacute;veis com outros males. A segunda &eacute; indeterminada ou assintom&aacute;tica. Na terceira, cr&ocirc;nica, &quot;o tecido do mioc&aacute;rdio &eacute; destru&iacute;do e n&atilde;o se regenera, sendo substitu&iacute;do por tecido fibroso. O cora&ccedil;&atilde;o aumenta de tamanho e sua contra&ccedil;&atilde;o j&aacute; n&atilde;o &eacute; efetiva, manda menos sangue para os pulm&otilde;es e cai paulatinamente em insufici&ecirc;ncia card&iacute;aca&quot;, explicou Nola.<\/p>\n<p>H&aacute; apenas dois medicamentos indicados pela OMS para erradicar os parasitas: o nifurtimox, de 1960, e o benznidazol, de 1974. Mas a erradica&ccedil;&atilde;o &eacute; parcial quando os parasitas est&atilde;o alojados em tecidos profundos e na fase cr&ocirc;nica. Al&eacute;m disso, o tratamento tem efeitos colaterais. &quot;Os que provocam maior temor s&atilde;o os efeitos neurot&oacute;xicos, porque geram mol&eacute;stias de neuropatia perif&eacute;rica, com sensa&ccedil;&atilde;o de frio, de calor, p&eacute;s muito sens&iacute;veis e grandes cefaleias&quot;, completou Nola.<\/p>\n<p>Entretanto, as descobertas dos pesquisadores venezuelanos, Julio Urbina e Gustavo Benaim, levaram Argentina e Bol&iacute;via a realizarem exames cl&iacute;nicos baseados em seus experimentos, enquanto na Venezuela &quot;aspiramos fazer um estudo-piloto tamb&eacute;m&quot;, informou a m&eacute;dica.<\/p>\n<p>Benaim, chefe do laborat&oacute;rio de sinaliza&ccedil;&atilde;o celular e bioqu&iacute;mica de parasitas do estatal Instituto de Estudos Avan&ccedil;ados, disse ao Terram&eacute;rica que o objetivo &eacute; &quot;atacar o parasita sem afetar o ser humano, como faz o tratamento atual, e conseguir drogas para a fase cr&ocirc;nica, ainda inexistentes&quot;. O estudo foi baseado em uma propriedade do Trypanosoma cruzi: n&atilde;o apresenta colesterol em suas membranas, mas sim o esterol ergoesterol. &quot;Acabando com o esterol, que lhes &eacute; indispens&aacute;vel, acaba-se com o parasita&quot;, explicou Benaim.<\/p>\n<p>H&aacute; medicamentos efetivos para inibir a s&iacute;ntese do ergoesterol, como o posaconazol, aprovado pela Administra&ccedil;&atilde;o de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos, embora apenas para fungos com esse esterol. Os pesquisadores vincularam isto com outra descoberta cl&iacute;nica: pacientes chag&aacute;sicos cujas arritmias eram tratadas com amiodarona melhoravam substancialmente. &quot;A aplica&ccedil;&atilde;o nos parasitas &eacute; brutal, o efeito &eacute; letal para eles&quot;, disse, entusiasmado, Benaim em seu laborat&oacute;rio.<\/p>\n<p>A amiodarona j&aacute; &eacute; usada para tratar arritmias e 30% dos afetados pelo mal de Chagas nos Estados Unidos a recebem. &quot;N&atilde;o &eacute; in&oacute;cua&quot;, pois cont&eacute;m iodo, mas seus efeitos secund&aacute;rios s&atilde;o muito inferiores aos do tratamento atual, segundo Benaim. &quot;Estudamos o mecanismo de a&ccedil;&atilde;o do posaconazol e da amiodarona; sabia-se que ambos s&atilde;o inibidores de esteroides, mas demonstramos que a amiodarona tamb&eacute;m desorganiza a regula&ccedil;&atilde;o do c&aacute;lcio dos parasitas&quot;, explicou o pesquisador. &quot;Sua combina&ccedil;&atilde;o produz um efeito que se potencializa, permite baixar as doses e limita os efeitos colaterais&quot;, destacou.<\/p>\n<p>Outro novo medicamento contra a arritmia, a dronedarona, com menos iodo e mais elimin&aacute;vel, tamb&eacute;m foi testado em seu laborat&oacute;rio e &quot;resultou muito exitoso, com mais pot&ecirc;ncia e efeitos mais r&aacute;pidos&quot; para aniquilar o parasita, revelou Benaim. Um artigo sobre o novo tratamento foi publicado em outubro na Nature Review Cardiology. Al&eacute;m do mal de Chagas, pode funcionar em outras parasitoses, como leishmaniose. &quot;Um bom inibidor dos esteroides pode acabar com essas doen&ccedil;as parasit&aacute;rias, vistas como de pobres e por isso desatendidas&quot;, afirmou. Nesses casos, &quot;n&atilde;o &eacute; neg&oacute;cio pesquisar tratamentos, uma triste realidade&quot;, ressaltou o cientista.<\/p>\n<p>*<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CARACAS, Venezuela, 18\/12\/2012 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- O mal de Chagas pode ser contra&iacute;do pela ingest&atilde;o de alimentos contaminados, em &aacute;reas urbanas e n&atilde;o necessariamente pobres. Pesquisadores venezuelanos avan&ccedil;am para sua cura. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/12\/america-latina\/reportagem-novo-perfil-e-novo-tratamento-para-o-mal-de-chagas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":421,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,7],"tags":[21],"class_list":["post-11122","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-saude","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11122","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/421"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11122"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11122\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11122"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11122"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11122"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}