{"id":11125,"date":"2012-12-18T08:12:44","date_gmt":"2012-12-18T08:12:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11125"},"modified":"2012-12-18T08:12:44","modified_gmt":"2012-12-18T08:12:44","slug":"visita-surpresa-a-prises-argentinas-para-prevenir-torturas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/12\/america-latina\/visita-surpresa-a-prises-argentinas-para-prevenir-torturas\/","title":{"rendered":"Visita surpresa a pris&otilde;es argentinas para prevenir torturas"},"content":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 18\/12\/2012 &ndash; Delegados do Estado argentino e de organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais visitar&atilde;o pris&otilde;es sem avisar previamente a partir do pr&oacute;ximo ano, para prevenir que os detentos sejam v&iacute;timas de abusos que persistem em plena democracia e com consequ&ecirc;ncias muitas vezes fatais. <!--more--> O Mecanismo Nacional de Preven&ccedil;&atilde;o da Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cru&eacute;is, Desumanas ou Degradantes, criado por lei, formar&atilde;o uma equipe para realizar visitas peri&oacute;dicas e de surpresa a pris&otilde;es, delegacias, hospitais psiqui&aacute;tricos e instituto de menores.<\/p>\n<p>Os integrantes da equipe poder&atilde;o cobrar informa&ccedil;&atilde;o sobre os presos, se reunir com familiares, citar funcion&aacute;rios do sistema penitenci&aacute;rio e portar um registro de habeas corpus apresentados para salvaguardar a seguran&ccedil;a e as condi&ccedil;&otilde;es devidas de deten&ccedil;&atilde;o. A lei, aprovada no final de novembro, colocou o pa&iacute;s em sintonia com um compromisso internacional j&aacute; assumido.<\/p>\n<p>Em 2004, a Argentina ratificou o Protocolo Facultativo da Conven&ccedil;&atilde;o Contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cru&eacute;is, Desumanas e Degradantes, em vigor desde 2006, que considera essas pr&aacute;ticas &quot;viola&ccedil;&otilde;es graves dos direitos humanos&quot;. Este Protocolo, gestado no &acirc;mbito da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU), foi desenhado para tornar efetiva a prote&ccedil;&atilde;o de pessoas privadas de liberdade diante da tortura. Criou um Subcomit&ecirc; Internacional, que acompanha estes temas, e determinou aos Estados-partes que estabelecessem um mecanismo nacional que garanta o sistema de visitas &agrave;s unidades prisionais.<\/p>\n<p>O tratado fixava prazo para a adequa&ccedil;&atilde;o do Estado a esta norma, que foi cumprido pela Argentina em 2007, um ano depois da entrada em vigor do Protocolo. A lei que cria o mecanismo demorou, ent&atilde;o, cinco anos para ser sancionada, devido a desacordos sobre a forma&ccedil;&atilde;o do &oacute;rg&atilde;o de controle.<\/p>\n<p>Em conversa com a IPS, a advogada Eva Asprella, coordenadora da Equipe de Trabalhos sobre Privados de Liberdade, do n&atilde;o governamental Centro de Estudos Legais e Sociais (CELS), explicou que as dificuldades surgiram em raz&atilde;o da organiza&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica da Argentina, que &eacute; um pa&iacute;s federativo mas com autonomias provinciais. O debate terminou com o desenho de um Comit&ecirc; Nacional de 13 membros e um Conselho Federal integrado pelos mecanismos locais (regionais ou provinciais). As duas entidades operar&atilde;o de forma articulada e haver&aacute; tamb&eacute;m representantes de mecanismos locais no Comit&ecirc; Nacional.<\/p>\n<p>Esse Comit&ecirc; estar&aacute; integrado pelo Procurador Penitenci&aacute;rio, por um delegado da Secretaria de Direitos Humanos, seis representantes eleitos pelo parlamento mas que n&atilde;o devem ser legisladores, dois representantes dos mecanismos locais e tr&ecirc;s especialistas da sociedade civil. &quot;Este era um passo necess&aacute;rio, embora n&atilde;o suficiente, para a preven&ccedil;&atilde;o&quot;, explicou Asprella. &quot;&Eacute; uma maneira de colocar um p&eacute; nas pris&otilde;es, ultrapassar esses muros, estabelecer um di&aacute;logo, ver o que acontece dentro, fazer recomenda&ccedil;&otilde;es, recorrer &agrave; justi&ccedil;a com habeas corpus&quot;, destacou.<\/p>\n<p>A legisla&ccedil;&atilde;o a respeito dar&aacute; amparo a numerosas pequenas organiza&ccedil;&otilde;es que operam nas prov&iacute;ncias com muitas dificuldades, disse a advogada. &quot;O CELS &eacute; conhecido e n&atilde;o tinha problemas, mas h&aacute; grupos aos quais era negada a entrada nas pris&otilde;es de maneira arbitr&aacute;ria&quot;, denunciou Asprella. &Eacute; o caso da Rede de Direitos Humanos da prov&iacute;ncia de Corrientes, que tem seu acesso &agrave;s pris&otilde;es proibido, e da Associa&ccedil;&atilde;o Zainuco, da prov&iacute;ncia de Neuqu&eacute;n, acrescentou.<\/p>\n<p>Angie Acosta, uma das advogadas da Zainuco, declarou &agrave; IPS que, para a organiza&ccedil;&atilde;o que representa, &quot;a cria&ccedil;&atilde;o do mecanismo &eacute; fundamental para o controle&quot; nas unidades. &quot;Desde que come&ccedil;amos a denunciar torturas, tivemos a entrada proibida&quot; na Unidade N&uacute;mero 11 de Neuqu&eacute;n, capital da prov&iacute;ncia de mesmo nome, contou. &quot;Diziam que era por raz&otilde;es de seguran&ccedil;a, mas as igrejas podiam entrar&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Acosta recordou que em 2004 houve uma rebeli&atilde;o brutalmente reprimida na unidade, que durou quatro dias e derivou no julgamento de 27 agentes policiais por torturas. Contudo, apenas seis foram condenados, e por delitos menores. A origem deste conflito foi o tratamento abusivo que os agentes aplicavam &agrave; m&atilde;e de Cristian Ibazeta, um preso de 34 anos cego e que sofria de esclerose m&uacute;ltipla. Ibazeta, que fez inumer&aacute;veis den&uacute;ncias por torturas, foi morto a punhaladas dentro da pris&atilde;o em maio, quando faltava apenas um m&ecirc;s para sua liberdade condicional.<\/p>\n<p>Uma investiga&ccedil;&atilde;o publicada pelo CELS no livro Direitos Humanos na Argentina Informe 2012, detalha que torturas, golpes, traslados arbitr&aacute;rios, castigos desmedidos ou falta de higiene s&atilde;o moeda corrente em muitas unidades carcer&aacute;rias do pa&iacute;s. Na prov&iacute;ncia de Buenos Aires, o distrito mais populoso e cujas pris&otilde;es abrigam mais de 50% dos presos da Argentina, tamb&eacute;m h&aacute; superlota&ccedil;&atilde;o, presos dormindo no ch&atilde;o, sem acesso a sanit&aacute;rios e punidos com duchas geladas e golpes, al&eacute;m de manuseio dos familiares que os visitam.<\/p>\n<p>Asprella contou que, em janeiro, Patricio Barros Cisneros, de 26 anos, interno de uma pris&atilde;o dessa prov&iacute;ncia, foi morto a golpes por agentes penitenci&aacute;rios depois de pedir um local reservado para receber sua mulher, gr&aacute;vida de oito meses. &quot;Se um jovem de 26 anos morre na rua em raz&atilde;o de golpes desferidos por um grupo &eacute; um esc&acirc;ndalo para a m&iacute;dia por v&aacute;rios dias, mas, se ocorre dentro de uma pris&atilde;o, a sociedade ignora e, ent&atilde;o, continua acontecendo&quot;, alertou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires, Argentina, 18\/12\/2012 &ndash; Delegados do Estado argentino e de organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais visitar&atilde;o pris&otilde;es sem avisar previamente a partir do pr&oacute;ximo ano, para prevenir que os detentos sejam v&iacute;timas de abusos que persistem em plena democracia e com consequ&ecirc;ncias muitas vezes fatais. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/12\/america-latina\/visita-surpresa-a-prises-argentinas-para-prevenir-torturas\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":129,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,6,11],"tags":[],"class_list":["post-11125","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-direitos-humanos","category-politica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11125","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/129"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11125"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11125\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11125"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11125"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11125"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}