{"id":11126,"date":"2012-12-18T08:15:32","date_gmt":"2012-12-18T08:15:32","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11126"},"modified":"2012-12-18T08:15:32","modified_gmt":"2012-12-18T08:15:32","slug":"polnia-detidos-na-fronteira-oriental-parte-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/12\/economia\/polnia-detidos-na-fronteira-oriental-parte-1\/","title":{"rendered":"POL&Ocirc;NIA: Detidos na fronteira oriental &#8211; Parte 1"},"content":{"rendered":"<p>Vars&oacute;via, Pol&ocirc;nia, 18\/12\/2012 &ndash; Uma greve de fome, da qual participaram 70 imigrantes confinados em centros de deten&ccedil;&atilde;o fortemente custodiados da Pol&ocirc;nia, obriga o pa&iacute;s a enfrentar suas novas responsabilidades como foco de migra&ccedil;&otilde;es da Uni&atilde;o Europeia.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11126\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/102099-20121217.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11126\" class=\"size-medium wp-image-11126\" title=\" - Claudia Ciobanu\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/102099-20121217.jpg\" alt=\" - Claudia Ciobanu\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11126\" class=\"wp-caption-text\"> - Claudia Ciobanu\/IPS<\/p><\/div>  A Pol&ocirc;nia tem atualmente seis centros de deten&ccedil;&atilde;o de &quot;imigrantes irregulares&quot;, ou estrangeiros pegos vivendo sem documenta&ccedil;&atilde;o no pa&iacute;s, &agrave; espera de serem deportados depois que suas solicita&ccedil;&otilde;es de asilo foram rejeitadas, ou ap&oacute;s serem capturados ao tentarem cruzar a fronteira para adentrar na Europa.<\/p>\n<p>Estima-se que, no final do m&ecirc;s de outubro, havia 375 imigrantes detidos nestes centros, entre eles 33 meninos e meninas, inclu&iacute;dos pelo menos uma crian&ccedil;a com idade abaixo de um ano e outras tr&ecirc;s sem a companhia de um adulto.<\/p>\n<p>Cidad&atilde;os georgianos e russos de origem chechena constituem a maior parte dos imigrantes na Pol&ocirc;nia, embora nos &uacute;ltimos tempos os s&iacute;rios tamb&eacute;m tenham uma presen&ccedil;a significativa nos centros de deten&ccedil;&atilde;o. Os que fizeram a greve de fome, principalmente desses dois grupos, reclamavam melhores condi&ccedil;&otilde;es nos acampamentos, mas tamb&eacute;m questionavam o uso da deten&ccedil;&atilde;o como meio de abordar o espinhoso assunto das migra&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>O protesto foi coordenado em quatro acampamentos: Lesznowola, Bialystok, Biala Podlaska e Przemysl. Durou poucos dias e terminou quando organiza&ccedil;&otilde;es humanit&aacute;rias visitaram esses centros e prometeram trabalhar com suas autoridades para melhorar as condi&ccedil;&otilde;es de vida. Os acampamentos de deten&ccedil;&atilde;o na Pol&ocirc;nia funcionam vinculados &agrave; Guarda Fronteiri&ccedil;a Nacional desde 2008, e as condi&ccedil;&otilde;es em cada um variam amplamente.<\/p>\n<p>Lesznowola, que fica em uma floresta 15 quil&ocirc;metros ao sul de Vars&oacute;via, em um ex-complexo militar, &eacute; conhecido por suas m&aacute;s condi&ccedil;&otilde;es. Biala Podlaska, na localidade de mesmo nome, perto da fronteira com a Bielor&uacute;ssia, &eacute; uma instala&ccedil;&atilde;o moderna, constru&iacute;da em 2008 e financiada quase totalmente pela UE. &Agrave; primeira vista, ambos n&atilde;o poderiam ser mais diferentes. Os estreitos corredores de Lesznowola s&atilde;o substitu&iacute;dos por espa&ccedil;os claros e pintados de novo em Biala Podlaska.<\/p>\n<p>Os que est&atilde;o &agrave; frente de Lesznowola n&atilde;o falam ingl&ecirc;s e nem russo, e contrastam muito com a equipe altamente comunicativa (que tamb&eacute;m conta com tradutores) que dirige Biala Podlaska, onde pessoal vestindo uniforme circula pelos corredores exibindo sorrisos profissionais. Biala Podlaska tamb&eacute;m conta com um campo de futebol, enquanto Lesznowola tem apenas planos de construir um em parte de seu p&aacute;tio de concreto cercado por muros, que terminam em cercas com arame farpado.<\/p>\n<p>Mas, ao entrar em qualquer destas institui&ccedil;&otilde;es, logo fica claro que, para os que vivem atr&aacute;s das grades quase o tempo todo (menos na hora das refei&ccedil;&otilde;es, dos exerc&iacute;cios e de ocasionais atividades educativas), a situa&ccedil;&atilde;o &eacute; exatamente a mesma. Ao menor som indicando que visitantes se aproximam, adultos e crian&ccedil;as colocam suas cabe&ccedil;as para fora das celas que d&atilde;o para o corredor, com suas m&atilde;os e rostos colados &agrave; grade, curiosos, esperando. Mesmo uma visita comum se converte em todo um acontecimento em um lugar onde nada acontece.<\/p>\n<p>Chutados &quot;como uma bola&quot;<\/p>\n<p>A iraniana Leila Naeimi, de 36 anos, foi libertada no come&ccedil;o de outubro, ap&oacute;s passar dois meses em Lesznowola, e &eacute; dura ao se referir &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es de vida no acampamento. &quot;Por todas as partes, s&oacute; se v&ecirc; muros, por todo lado os guardas est&atilde;o conosco e nos tratam como animais&quot;, contou &agrave; IPS. Os detidos passam por inspe&ccedil;&otilde;es di&aacute;rias &agrave;s 6h, e os guardas entram sem anunciar, acrescentou.<\/p>\n<p>Naeimi, que fugiu do Ir&atilde; por medo de ser levada &agrave; justi&ccedil;a por causa de seu ativismo pelos direitos das mulheres, disse que frequentemente era alvo de coment&aacute;rios sexualmente abusivos por parte dos guardas fronteiri&ccedil;os, tanto ao entrar na Pol&ocirc;nia como no centro de deten&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, no acampamento, os produtos b&aacute;sicos de higiene nunca eram suficientes e os alimentos eram de m&aacute; qualidade, destacou.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, sua maior queixa tem a ver com a atitude da UE em rela&ccedil;&atilde;o aos imigrantes em geral. &quot;Podem as pessoas enviar de um pa&iacute;s para outro quando quiserem. Pensam que podem brincar com a vida das pessoas, como se fossem uma bola que pudessem simplesmente chutar&quot;, afirmou. &quot;Necessitamos de vidas normais. N&atilde;o ter&iacute;amos deixado nossos pa&iacute;ses se as coisas estivessem bem por l&aacute;. Tive demasiados problemas apenas por ser iraniana&quot;, lamentou Naeimi.<\/p>\n<p>Osman Rafik, paquistan&ecirc;s de 33 anos que falou com a IPS em Bialystok, est&aacute; h&aacute; oito meses no acampamento, mas decidiu n&atilde;o aderir &agrave; greve de fome, argumentando que seus objetivos eram mais &quot;ambiciosos&quot; e &quot;diversos&quot;. Quando se queixou das condi&ccedil;&otilde;es do acampamento, e inclusive pediu ajuda &agrave; IPS para garantir medicamentos, sua preocupa&ccedil;&atilde;o principal n&atilde;o era a vida cotidiana do lugar, mas a natureza arbitr&aacute;ria das pol&iacute;ticas sobre migra&ccedil;&otilde;es. &quot;Continuam nos perguntando por que viemos para este pa&iacute;s se somos do Paquist&atilde;o, mas devem entender que n&atilde;o somos criminosos apenas por termos cruzado a fronteira para a Europa&quot;, enfatizou.<\/p>\n<p>Rafik prosseguiu afirmando que &quot;gostaria de ficar na Pol&ocirc;nia se for libertado. No final das contas, j&aacute; passei quase um ano neste pa&iacute;s, e a vida n&atilde;o &eacute; t&atilde;o longa, as pessoas vivem, em m&eacute;dia, cerca de 50 anos. Eles (as autoridades de imigra&ccedil;&atilde;o) j&aacute; levaram um ano da minha vida&quot;, disse. &quot;N&atilde;o podemos voltar ao Paquist&atilde;o, temos problemas l&aacute;, mas as autoridades daqui n&atilde;o entendem e nos tratam a todos de maneira igual, tenhamos ou n&atilde;o problemas em nosso pa&iacute;s&quot;, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Este artigo &eacute; o primeiro de dois sobre imigra&ccedil;&atilde;o na Uni&atilde;o Europeia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vars&oacute;via, Pol&ocirc;nia, 18\/12\/2012 &ndash; Uma greve de fome, da qual participaram 70 imigrantes confinados em centros de deten&ccedil;&atilde;o fortemente custodiados da Pol&ocirc;nia, obriga o pa&iacute;s a enfrentar suas novas responsabilidades como foco de migra&ccedil;&otilde;es da Uni&atilde;o Europeia. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/12\/economia\/polnia-detidos-na-fronteira-oriental-parte-1\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":43,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,6,5,11],"tags":[18],"class_list":["post-11126","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-direitos-humanos","category-economia","category-politica","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11126","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/43"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11126"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11126\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11126"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11126"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11126"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}