{"id":11131,"date":"2012-12-19T09:14:38","date_gmt":"2012-12-19T09:14:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11131"},"modified":"2012-12-19T09:14:38","modified_gmt":"2012-12-19T09:14:38","slug":"polnia-detidos-na-fronteira-oriental-parte-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/12\/economia\/polnia-detidos-na-fronteira-oriental-parte-2\/","title":{"rendered":"POL&Ocirc;NIA: Detidos na fronteira oriental &#8211; Parte 2"},"content":{"rendered":"<p>Vars&oacute;via, Pol&ocirc;nia, 19\/12\/2012 &ndash; H&aacute; exatamente 22 anos, em 18 de dezembro de 1990, a Assembleia Geral da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) adotou a Conven&ccedil;&atilde;o Internacional sobre Prote&ccedil;&atilde;o dos Direitos de Todos os Trabalhadores Migrat&oacute;rios e de Suas Fam&iacute;lias.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11131\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/102107-20121218.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11131\" class=\"size-medium wp-image-11131\" title=\" - Claudia Ciobanu\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/102107-20121218.jpg\" alt=\" - Claudia Ciobanu\/IPS\" width=\"200\" height=\"150\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11131\" class=\"wp-caption-text\"> - Claudia Ciobanu\/IPS<\/p><\/div>  Agora, &quot;com as restri&ccedil;&otilde;es or&ccedil;ament&aacute;rias, vemos medidas de austeridade que discriminam os trabalhadores migrantes, uma ret&oacute;rica xen&oacute;foba que incentiva a viol&ecirc;ncia, e propostas de leis que permitem &agrave; pol&iacute;cia elaborar perfis dos migrantes com total impunidade&quot;, disse o secret&aacute;rio-geral da ONU, Ban Ki-moon, em mensagem relativa ao Dia Internacional do Migrante, celebrado ontem.<\/p>\n<p>As migra&ccedil;&otilde;es, t&atilde;o antigas quanto a humanidade, s&atilde;o cada vez mais comuns. Em 2000, havia 15 milh&otilde;es de migrantes internacionais e agora s&atilde;o 214 milh&otilde;es, que constituiriam o &quot;quinto pa&iacute;s mais povoado do mundo&quot;, segundo a ONU. A mira est&aacute; voltada para a Uni&atilde;o Europeia, cujas pol&iacute;ticas migrat&oacute;rias geram cr&iacute;ticas de v&aacute;rios setores.<\/p>\n<p>Desde que aderiu ao bloco, em 2004, a Pol&ocirc;nia deve custodiar uma fronteira de 1.200 quil&ocirc;metros com Bielor&uacute;ssia e Ucr&acirc;nia, dois Estados n&atilde;o membros da UE. Esta &eacute; uma das principais portas de entrada terrestre para a imigra&ccedil;&atilde;o, e assim este pa&iacute;s se viu obrigado a fazer sua parte na seguran&ccedil;a europeia. Enquanto se preparava para integrar-se &agrave; UE, a Pol&ocirc;nia se retirou de antigos acordos de &quot;livre circula&ccedil;&atilde;o&quot; com ex-rep&uacute;blicas sovi&eacute;ticas: em 2003 foram reintroduzidos os vistos para russos, ucranianos e georgianos, que h&aacute; 24 anos circulavam livremente.<\/p>\n<p>Vars&oacute;via tamb&eacute;m restringe a quantidade de pedidos de asilo que aceita. Desde a d&eacute;cada de 1990, houve aumento gradual no n&uacute;mero de solicita&ccedil;&otilde;es, que passaram de 3.400 em 1998, para 10.500 em 2009. Contudo, a partir deste ano, a quantidade de solicitantes de asilo caiu, para cerca de 6.500 pedidos apresentados em 2010, e 6.900 no ano passado.<\/p>\n<p>Em 2010, tamb&eacute;m diminuiu o n&uacute;mero dos que receberam esta prote&ccedil;&atilde;o internacional: segundo o Alto Comissariado das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para os Refugiados (Acnur), a Pol&ocirc;nia reconheceu o car&aacute;ter de refugiadas de apenas 82 pessoas, 38% das reconhecidas em 2009. Este ano, at&eacute; meados do m&ecirc;s passado, 83 pessoas haviam recebido o status de refugiadas e 372 obtiveram uma forma secund&aacute;ria de prote&ccedil;&atilde;o, embora os pedidos tenham aumentado. Em 2008, um ano ap&oacute;s unir-se &agrave; &Aacute;rea de Schengen, espa&ccedil;o de livre circula&ccedil;&atilde;o na Europa, a Pol&ocirc;nia inaugurou ou modernizou os seis centros de deten&ccedil;&atilde;o para imigrantes que atualmente opera.<\/p>\n<p>Apesar das novas barreiras, imigrantes desesperados ainda encontram maneiras de entrar na Pol&ocirc;nia, frequentemente com um custo muito alto. Estima-se que cerca de 150 mil imigrantes s&atilde;o empregados informalmente na constru&ccedil;&atilde;o na temporada alta, e que na maioria s&atilde;o ucranianos. &Eacute; mais dif&iacute;cil estimar os n&uacute;meros dos que se dedicam &agrave; agricultura ou fazem trabalhos dom&eacute;sticos. Igualmente dif&iacute;cil &eacute; garantir-lhes direitos.<\/p>\n<p>Georgianos e russos de origem chechena constituem os maiores grupos de solicitantes de asilo na Pol&ocirc;nia. Este ano houve cerca de 4.800 pedidos de cidad&atilde;os russos, na maioria chechenos, e quase tr&ecirc;s mil de georgianos. Os solicitantes de asilo, especialmente os procedentes do leste, despertam pouqu&iacute;ssima simpatia nas autoridades polonesas. At&eacute; agora, nenhum georgiano recebeu status de refugiado na Pol&ocirc;nia. Segundo funcion&aacute;rios, frequentemente os imigrantes s&atilde;o &quot;culpados de mentir&quot; quando pedem asilo pol&iacute;tico, porque, na realidade, buscam trabalho na Europa ocidental.<\/p>\n<p>&quot;Se v&ecirc;m por motivos puramente econ&ocirc;micos, &eacute; preciso atend&ecirc;-los o melhor poss&iacute;vel em nossos centros e depois devolv&ecirc;-los aos seus pa&iacute;ses de origem. De outro modo, podem colocar em risco suas vidas e sua sa&uacute;de tentando avan&ccedil;ar para oeste&quot;, explicou &agrave; IPS o coronel Andrzej Jakubaszek, diretor do Departamento de Estrangeiros da Guarda de Fronteira polonesa.<\/p>\n<p>&quot;Sempre os enviamos de regresso no prazo de dias, uma semana, um m&ecirc;s. Depois a UE nos pergunta o que fazemos para proteger as fronteiras externas da Uni&atilde;o&quot;, acrescentou o coronel. Todas as autoridades migrat&oacute;rias polonesas t&ecirc;m muito presente o Regulamento Dublin II da UE, que exige registro das digitais dos imigrantes t&atilde;o logo ingressem em territ&oacute;rio do bloco e que sejam devolvidos ao primeiro pa&iacute;s pelo qual entraram se forem pegos em outro.<\/p>\n<p>Entretanto, ativistas pelos direitos dos imigrantes criticam que o governo prefira uma pol&iacute;tica de deten&ccedil;&otilde;es maci&ccedil;as antes de explorar outras op&ccedil;&otilde;es. A deten&ccedil;&atilde;o deveria ser usada somente como &uacute;ltimo recurso, segundo Aleksandra Chrzanowska, da Associa&ccedil;&atilde;o para a Interven&ccedil;&atilde;o Legal, uma organiza&ccedil;&atilde;o que trabalha com imigrantes. Ela acredita que, para as popula&ccedil;&otilde;es que chegam &agrave; Pol&ocirc;nia em busca de trabalho, com maioria de georgianos, o Estado polon&ecirc;s deveria considerar emitir permiss&otilde;es de emprego.<\/p>\n<p>Os exageros sobre os imigrantes que chegam para &quot;roubar os empregos poloneses&quot; s&atilde;o resultado do alarmismo, segundo os ativistas. Em um pa&iacute;s de 40 milh&otilde;es de habitantes, alguns milhares de imigrantes que chegam por ano dificilmente representariam uma diferen&ccedil;a significativa nos n&uacute;meros de emprego.<\/p>\n<p>A deten&ccedil;&atilde;o destroi as vidas dos imigrantes. Detidos em v&aacute;rios centros poloneses, que falaram &agrave; IPS, descreveram uma alimenta&ccedil;&atilde;o pobre e falta de rem&eacute;dios essenciais e de uma muito necess&aacute;ria aten&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica. Al&eacute;m disso, denunciaram que n&atilde;o t&ecirc;m acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o sobre seus direitos em idiomas que compreendam, e que s&oacute; podem caminhar ao ar livre uma ou duas horas por dia.<\/p>\n<p>&quot;Uma das coisas mais importantes seria receber tratamento m&eacute;dico adequado&quot;, disse Osman Rafik, um paquistan&ecirc;s detido no centro de Bialystok desde mar&ccedil;o. &quot;Recebi p&iacute;lulas de c&aacute;lcio para a gripe e para minha &uacute;lcera de est&ocirc;mago. Mas, talvez, o mais importante seja mudar o comportamento dos guardas fronteiri&ccedil;os e acabar com as deten&ccedil;&otilde;es, pelo menos com as muito prolongadas&quot;, opinou.<\/p>\n<p>As autoridades de acampamentos como o de Biala Podlaska, perto da fronteira da Bielor&uacute;ssia, e de Lesznowola, 15 quil&ocirc;metros ao sul de Vars&oacute;via, negam a maioria das den&uacute;ncias. &quot;Estamos conscientes de que os detidos aqui cometeram apenas crimes administrativos e n&atilde;o s&atilde;o criminosos, e fazemos o melhor que podemos para melhorar as condi&ccedil;&otilde;es, mas devemos considerar a seguran&ccedil;a&quot;, disse &agrave; IPS o major Wojciech Rogowski, diretor de Biala Podlaska.<\/p>\n<p>A seguran&ccedil;a pode ser invocada muito frequentemente, especialmente quando a deten&ccedil;&atilde;o &eacute; a resposta essencial para a imigra&ccedil;&atilde;o. &Eacute; usada para negar aos imigrantes o direito de usar o telefone celular ou a internet, para justificar uma pol&iacute;tica de controles permanentes de todos os corredores, para restringir as visitas e para reduzir o tempo que os detidos passam fora dos alojamentos. Organiza&ccedil;&otilde;es de direitos humanos alertam que a crise econ&ocirc;mica na Europa alimenta uma arremetida contra os imigrantes.<\/p>\n<p>Em pa&iacute;ses da Europa central e oriental, como a Pol&ocirc;nia, que est&atilde;o dispostos a seguir as tend&ecirc;ncias da UE mas carecem da capacidade para implantar medidas migrat&oacute;rias mais complexas, h&aacute; risco de mais deten&ccedil;&otilde;es maci&ccedil;as. &quot;Cada vez h&aacute; mais solicitantes de asilo detidos (na Europa central e oriental), seja pelas pol&iacute;ticas nacionais mais severas ou pela falta de instala&ccedil;&otilde;es abertas para aloj&aacute;-los, os solicitantes acabam em centros de deten&ccedil;&atilde;o&quot;, diz um informe de 2011 do Acnur.<\/p>\n<p>&quot;Definitivamente, estas s&atilde;o pol&iacute;ticas europeias&quot;, disse Chrzanowska. &quot;Os centros de deten&ccedil;&atilde;o s&atilde;o constru&iacute;dos com dinheiro da UE, e h&aacute; muita press&atilde;o para proteger as fronteiras. No entanto, tudo isso n&atilde;o deveria nos impedir de ver que estas pessoas n&atilde;o s&atilde;o criminosas e que devemos continuar buscando alternativas para elas&quot;, ressaltou. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p>* Este artigo &eacute; o &uacute;ltimo de uma s&eacute;rie de dois sobre imigra&ccedil;&atilde;o na Uni&atilde;o Europeia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vars&oacute;via, Pol&ocirc;nia, 19\/12\/2012 &ndash; H&aacute; exatamente 22 anos, em 18 de dezembro de 1990, a Assembleia Geral da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) adotou a Conven&ccedil;&atilde;o Internacional sobre Prote&ccedil;&atilde;o dos Direitos de Todos os Trabalhadores Migrat&oacute;rios e de Suas Fam&iacute;lias. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/12\/economia\/polnia-detidos-na-fronteira-oriental-parte-2\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":43,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12,6,5,11],"tags":[18],"class_list":["post-11131","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","category-direitos-humanos","category-economia","category-politica","tag-europa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11131","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/43"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11131"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11131\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11131"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11131"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11131"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}