{"id":11143,"date":"2012-12-20T10:05:56","date_gmt":"2012-12-20T10:05:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11143"},"modified":"2012-12-20T10:05:56","modified_gmt":"2012-12-20T10:05:56","slug":"remessas-resgatam-zonas-conflitivas-do-paquisto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/12\/direitos-humanos\/remessas-resgatam-zonas-conflitivas-do-paquisto\/","title":{"rendered":"Remessas resgatam zonas conflitivas do Paquist&atilde;o"},"content":{"rendered":"<p>Peshawar, Paquist&atilde;o, 20\/12\/2012 &ndash; Sherdil Shah, de 59 anos, mora no Wazirist&atilde;o do Sul, celeiro de combatentes isl&acirc;micos nas &Aacute;reas Tribais Administradas Federalmente (Fata), do Paquist&atilde;o, teve uma pequena loja de gr&atilde;os com a qual mantinha sua fam&iacute;lia, de dez pessoas.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11143\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/civis.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11143\" class=\"size-medium wp-image-11143\" title=\"Civis das \u00c3\u0081reas Tribais Administradas Federalmente emigram em busca de emprego. - Ashfaq Yusufzai\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/civis.jpg\" alt=\"Civis das \u00c3\u0081reas Tribais Administradas Federalmente emigram em busca de emprego. - Ashfaq Yusufzai\/IPS\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11143\" class=\"wp-caption-text\">Civis das \u00c3\u0081reas Tribais Administradas Federalmente emigram em busca de emprego. - Ashfaq Yusufzai\/IPS<\/p><\/div>  Pelo menos foi assim at&eacute; 2006, quando uma opera&ccedil;&atilde;o do ex&eacute;rcito paquistan&ecirc;s contra o movimento isl&acirc;mico Talib&atilde; destruiu seu neg&oacute;cio e devastou a terra onde cultivava os gr&atilde;os.<\/p>\n<p>Depois, &quot;n&atilde;o pudemos mais us&aacute;-la&quot;, disse Shah &agrave; IPS. Ele precisou vender sua propriedade, por um pre&ccedil;o irris&oacute;rio, e, em um ato de desespero, enviou seus filhos para trabalhar no exterior, uma decis&atilde;o que acabou mudando definitivamente sua vida. Seus dois filhos, residentes em Dubai, um dos Emirados &Aacute;rabes Unidos, lhe enviam mensalmente US$ 1,5 mil, permitindo &agrave; fam&iacute;lia viver com comodidade. Cinco anos depois que os jovens emigraram para o Golfo, &quot;comprei uma casa no distrito vizinho de Dera Ismail Khan e comecei um novo neg&oacute;cio&quot;, contou por telefone.<\/p>\n<p>A hist&oacute;ria de Shah n&atilde;o &eacute; nada incomum no Paquist&atilde;o. Cerca de 5,5 milh&otilde;es de moradores das Fata viveram experi&ecirc;ncias semelhantes pelo conflito iniciado em 2001, quando for&ccedil;as lideradas pelos Estados Unidos derrubaram o governo do Talib&atilde; em Cabul e os fugitivos se refugiaram ao longo dos porosos 2.400 quil&ocirc;metros de fronteira deste pa&iacute;s com o Afeganist&atilde;o.<\/p>\n<p>As Fata ficaram cheias de c&eacute;lulas do Talib&atilde;. Como o Paquist&atilde;o se converteu no cen&aacute;rio de luta da &quot;guerra contra o terrorismo&quot;, lan&ccedil;ada por Washington, as for&ccedil;as armadas deste pa&iacute;s iniciaram, em 2005, uma ofensiva em grande escala nas &aacute;reas tribais para desterrar os talib&atilde;s. A ofensiva do ex&eacute;rcito e a resist&ecirc;ncia do Talib&atilde; tornaram imposs&iacute;vel a vida cotidiana para a popula&ccedil;&atilde;o civil. Agora, pela primeira vez em anos, pessoas como Shah finalmente veem melhora em suas vidas, gra&ccedil;as &agrave;s remessas de dinheiro dos jovens que partiram em busca de emprego no estrangeiro.<\/p>\n<p>Usman Wali &eacute; origin&aacute;rio da Ag&ecirc;ncia Orakzai, um dos sete distritos das Fata, golpeada pela intermin&aacute;vel viol&ecirc;ncia. A vida era dura, a maioria das fam&iacute;lias ficou reclusa dentro de suas casas devido &agrave; atividade do Talib&atilde; e ao toque de recolher determinado pelo ex&eacute;rcito. &quot;Perdemos tudo o que t&iacute;nhamos&quot;, contou Wali &agrave; IPS. Inclusive conseguir suprimentos b&aacute;sicos era uma luta devido &agrave; falta de dinheiro e mobilidade. &quot;Um dia decidimos abandonar nossa aldeia ancestral e nos refugiarmos em um acampamento do governo no distrito de Hangu, na vizinha prov&iacute;ncia de Khyber Pakhtunkhwa (KP)&quot;, contou.<\/p>\n<p>Mas a vida nesse lugar era o inferno na terra, e logo a fam&iacute;lia de 13 pessoas soube que n&atilde;o tinha alternativa a n&atilde;o ser partir. &quot;Uma empresa local levou meus dois filhos e um irm&atilde;o para a Ar&aacute;bia Saudita, e mudamos de vida&quot;, acrescentou. Gra&ccedil;as &agrave;s remessas, Wali se mudou para o distrito vizinho de Hangu e abriu um pr&oacute;spero com&eacute;rcio de roupas. &quot;Agora temos uma bela casa e um neg&oacute;cio s&oacute;lido&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>O diarista Ghaffar Khan, da atribulada Ag&ecirc;ncia Mohmand, disse que a radicaliza&ccedil;&atilde;o das Fata e a escalada de viol&ecirc;ncia, ironicamente, lhe trouxeram benef&iacute;cios. &quot;Em 2005, ganhava US$ 5 por dia, agora ganho US$ 120&quot;, contou Khan, que veio de Sharjah, outro dos Emirados &Aacute;rabes Unidos, de visita. Sua casa est&aacute; intacta, apesar de sua fam&iacute;lia, agora de sete pessoas, viver no distrito vizinho de Charssada, na prov&iacute;ncia de KP, devido &agrave; deteriora&ccedil;&atilde;o da seguran&ccedil;a em sua aldeia natal. Khan vem de f&eacute;rias um m&ecirc;s por ano.<\/p>\n<p>Abu Zar, funcion&aacute;rio da secretaria das Fata, explicou &agrave; IPS que a militariza&ccedil;&atilde;o da regi&atilde;o deixou na mis&eacute;ria muitos de seus residentes e gerou uma onda de emigra&ccedil;&atilde;o para os pa&iacute;ses do Golfo, como Emirados &Aacute;rabes Unidos, Ar&aacute;bia Saudita e Om&atilde;, o que permite &agrave;s pessoas se recuperarem. &quot;H&aacute; mais de 400 mil pessoas das Fata vivendo e trabalhando no exterior&quot;, muito mais do que os cem mil que havia antes de 2005, acrescentou. &quot;Os jovens v&atilde;o para o exterior em massa devido &agrave; prolongada insurg&ecirc;ncia&quot; e para fugir da dr&aacute;stica deteriora&ccedil;&atilde;o do com&eacute;rcio e das oportunidades de renda nas Fata, ressaltou.<\/p>\n<p>Akhunzada Mohammad Chittan, legislador da Ag&ecirc;ncia Bajaur, disse que os imigrantes das Fata t&ecirc;m fama de serem &quot;muito trabalhadores&quot;, destacando que &quot;uma vez no exterior, ganham muito porque s&atilde;o honestos e aplicados em seu trabalho&quot;. Cerca de 95% das pessoas originarias das &aacute;reas tribais que est&atilde;o no estrangeiro careciam de capacita&ccedil;&atilde;o, mas agora trabalham bem em seus novos empregos, pontuou Chittan. &quot;Conhe&ccedil;o pelo menos 500 pessoas que se formaram em diversas atividades, como condu&ccedil;&atilde;o de ve&iacute;culos, confec&ccedil;&atilde;o e carpintaria, antes de emigrar, o que mostra sua dedica&ccedil;&atilde;o&quot; para come&ccedil;ar de novo, acrescentou.<\/p>\n<p>Adnan Ali, gerente de uma ag&ecirc;ncia de recursos humanos no estrangeiro, com sede em Peshawar, capital de KP, disse que a demanda por trabalhadores das Fata no Golfo cresce de forma exponencial. &quot;No m&ecirc;s passado, mandamos cem homens jovens de diferentes partes das Fata para Dubai. Todos estavam muito contentes&quot;, afirmou &agrave; IPS. Segundo Najamuddin Khan, gerente de emprego no exterior, &quot;colocamos an&uacute;ncios nos jornais sobre vagas no estrangeiro. A maioria dos que respondem s&atilde;o jovens das Fata que est&atilde;o desesperados por encontrar trabalho&quot;, observou &agrave; IPS, em Peshawar. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Peshawar, Paquist&atilde;o, 20\/12\/2012 &ndash; Sherdil Shah, de 59 anos, mora no Wazirist&atilde;o do Sul, celeiro de combatentes isl&acirc;micos nas &Aacute;reas Tribais Administradas Federalmente (Fata), do Paquist&atilde;o, teve uma pequena loja de gr&atilde;os com a qual mantinha sua fam&iacute;lia, de dez pessoas. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2012\/12\/direitos-humanos\/remessas-resgatam-zonas-conflitivas-do-paquisto\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":452,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,11],"tags":[17],"class_list":["post-11143","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-direitos-humanos","category-politica","tag-asia-e-pacifico"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11143","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/452"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11143"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11143\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11143"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11143"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11143"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}