{"id":11155,"date":"2013-01-03T04:57:52","date_gmt":"2013-01-03T04:57:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11155"},"modified":"2013-01-03T04:57:52","modified_gmt":"2013-01-03T04:57:52","slug":"de-doha-a-dakar-a-insegurana-alimentar-a-regra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/01\/africa\/de-doha-a-dakar-a-insegurana-alimentar-a-regra\/","title":{"rendered":"De Doha a Dakar, a inseguran&ccedil;a alimentar &eacute; a regra"},"content":{"rendered":"<p>DOHA, 03\/01\/2013 &ndash; O Qatar pode ser um dos pa&iacute;ses mais ricos no mundo, mas tem algo em comum com os seus hom&oacute;logos africanos &#8211; inseguran&ccedil;a alimentar. <!--more--> Esta na&ccedil;&atilde;o do M&eacute;dio Oriente produtora de petr&oacute;leo importa 90 por cento da sua alimenta&ccedil;&atilde;o devido ao facto de ser um pa&iacute;s seco.<\/p>\n<p>&quot;A alimenta&ccedil;&atilde;o &eacute; muito dispendiosa aqui,&quot; disse &agrave; IPS um taxista, imigrante gan&ecirc;s, que preferiu ficar an&oacute;nimo.                  &quot;Um litro de gasolina &eacute; mais barato do que &aacute;gua,&quot; disse o taxista, que passou a &uacute;ltima semana a transportar os delegados da d&eacute;cima oitava Confer&ecirc;ncia das Partes (COP 18) da Conven&ccedil;&atilde;o-Quadro das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Altera&ccedil;&otilde;es Clim&aacute;ticas para o local de reuni&atilde;o. <\/p>\n<p>Embora os problemas de inseguran&ccedil;a alimentar do Qatar resultem do seu terreno, os pa&iacute;ses africanos debatem-se com inseguran&ccedil;a alimentar devido &agrave; pobreza e aos padr&otilde;es clim&aacute;ticos irregulares que reduziram dramaticamente a produ&ccedil;&atilde;o agr&iacute;cola nos &uacute;ltimos anos, disse &agrave; IPS Emmanuel Seck, director de programas da organiza&ccedil;&atilde;o Ac&ccedil;&atilde;o em Mat&eacute;ria de Desenvolvimento e Meio Ambiente no Terceiro Mundo, sediada em Dakar.<\/p>\n<p>Uma vez que os pa&iacute;ses africanos porfiam por utilizar os seus vastos recursos terrestres para melhorar a produ&ccedil;&atilde;o alimentar devido &agrave;s altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas, o Qatar, tal como os outros estados do Golfo e as economias emergentes como a China, est&aacute; a alugar ou a comprar terras em &Aacute;frica, explicou Seek. De acordo com um relat&oacute;rio do Instituto de Oakland, os investidores nos Estados Unidos e na Europa s&atilde;o l&iacute;deres na aquisi&ccedil;&atilde;o de terra no estrangeiro.<\/p>\n<p>Mas pa&iacute;ses em desenvolvimento como a Suazil&acirc;ndia est&atilde;o j&aacute; a harmonizar as suas pol&iacute;tcas em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; produ&ccedil;&atilde;o e ao fornecimento de alimentos para o Qatar, tendo as duas mornarquias estabelecido rela&ccedil;&otilde;es diplom&aacute;ticas.<\/p>\n<p>&quot;Temos muita terra virgem no nosso pa&iacute;s que pode ser usada para produzir alimentos para o Qatar a fim de impulsionar a nossa economia,&quot; disse o director da miss&atilde;o t&eacute;cnica d Suazil&acirc;ndia &agrave; COP 18, Mbuso Dlamini.<\/p>\n<p>A Suazil&acirc;ndia, por&eacute;m, n&atilde;o produz produtos alimentares b&aacute;sicos suficientes para os seus cidad&atilde;os, e importa a maioria desses alimentos da &Aacute;frica do Sul, pa&iacute;s vizinho. O sector que mais produz moeda estrangeira na Suazil&acirc;ndia &eacute; o a&ccedil;&uacute;car.<\/p>\n<p>Segundo o &uacute;ltimo relat&oacute;rio do Instituto Worldwatch, dos 70.2 milh&otilde;es de hectares de terras alugados ou comprados em todo o mundo na &uacute;ltima d&eacute;cada, 34.3 por cento encontram-se em &Aacute;frica. O Qatar e outros estados do Golfo adquiriram um total de 6.4 milh&otilde;es de hectares de terra nos pa&iacute;ses em desenvolvimento.<\/p>\n<p>Bruce Campbell, director de programas do Cons&oacute;rcio dos Centros de Pesquisa Agr&iacute;cola Internacional (CGIAR) e Programa de Pesquisa sobre Altera&ccedil;&otilde;es Clim&aacute;ticas, Agricultura e Seguran&ccedil;a Alimentar (CCAFS), afirmou que era necess&aacute;rio estabelecer um equil&iacute;brio para assegurar que as comunidades pobres que dependem da agricultura de subsist&ecirc;ncia n&atilde;o fossem expulsas das suas terras para abrir caminho ao desenvolvimento agr&iacute;cola levado a cabo por governos estangeiros e multinacionais.<\/p>\n<p>&quot;Os pa&iacute;ses precisam de implementar mecanismos que garantam que o aluguer de terra n&atilde;o marginaliza essas comunidades,&quot; afirmou Campbell &agrave; IPS.<\/p>\n<p>Disse ainda que o aluguer de terra n&atilde;o era necessariamente uma m&aacute; ideia visto que algumas pessoas estavam a afastar-se da agricultura de subsist&ecirc;ncia para procurarem emprego. Segundo Campbell, as directrizes sobre Posse Respons&aacute;vel da Terra, Pescas e Florestas no Contexto da Seguran&ccedil;a Alimentar liderada pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Alimenta&ccedil;&atilde;o e Agricultura (FAO) iria ajudar os pa&iacute;ses a atingirem este equil&iacute;brio.<\/p>\n<p>A Dr&ordf; Emma Limenga, investigadora tanzaniana da Universidade de Dar es Salaam, alertou os governos africanos a n&atilde;o alugarem a terra por longos per&iacute;odos. Normalmente, os acordos de aluguer de terra t&ecirc;m uma dura&ccedil;&atilde;o de 99 anos, o que, segundo Limenga, podia amea&ccedil;ar a seguran&ccedil;a alimentar das gera&ccedil;&otilde;es futuras.<\/p>\n<p>&quot;Lembrem-se que as gera&ccedil;&otilde;es futuras n&atilde;o s&atilde;o respons&aacute;veis pelas decis&otilde;es que tomamos agora,&quot; recordou Limenga numa entrevista concedida &agrave; IPS. &quot;Um aluguer de 10 a 20 anos &eacute; razo&aacute;vel.&quot;<\/p>\n<p>Explicou que o aluguer de terra e a justifica&ccedil;&atilde;o dessa pr&aacute;tica dizendo que criava empregos n&atilde;o eram certa nem errada. Salientou ainda que, embora as comunidades mais pobres possam ter acesso &agrave; terra, podem n&atilde;o ser capazes de comprar os alimentos devido ao desemprego.<\/p>\n<p>&quot;Algumas comunidades n&atilde;o chegam a cultivar a terra devido a padr&otilde;es clim&aacute;ticos imprevis&iacute;veis&#8230;. O acesso a empregos ajuda as pessoas a adquirirem alimentos,&quot; afirmou Limenga. <\/p>\n<p>Burger Patrice, director executivo da ONG Centro de Ac&ccedil;&otilde;es e Realiza&ccedil;&otilde;es Internacionais, disse &agrave; IPS que a pobreza em &Aacute;frica n&atilde;o devia ser uma desculpa para a &quot;apropria&ccedil;&atilde;o de terras&quot;.<\/p>\n<p>Patrice explicou que a reabilita&ccedil;&atilde;o das terras &aacute;ridas constitu&iacute;a a solu&ccedil;&atilde;o para a apropria&ccedil;&atilde;o de terras e a inseguran&ccedil;a alimentar.<\/p>\n<p>&quot;As terras &aacute;ridas s&atilde;o o resultado das varia&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas durante muitos anos,&quot; indicou. &quot;&Eacute; mais barato reabilitar a terra atrav&eacute;s da utiliza&ccedil;&atilde;o de adubos e da agricultura ecol&oacute;gica do que deixar que ela continue a deteriorar.&quot;<\/p>\n<p>&quot;&Eacute; no interesse de pa&iacute;ses como o Qatar come&ccedil;ar a produzir os seus pr&oacute;prios alimentos dado que, a certa altura, o petr&oacute;leo vai esgotar-se e n&atilde;o poder&aacute; depois financiar os elevados custos da importa&ccedil;&atilde;o de produtos b&aacute;sicos,&quot; referiu Patrice. Disse ainda que, apesar de terra ter sofrido o maior impacto das altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas, as negocia&ccedil;&otilde;es em Doha, a capital do Qatar, tinham ignorado esse mesmo aspecto. Afirmou igualmente que a Conven&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas de Combate &agrave; Desertifica&ccedil;&atilde;o era um primo pobre no sistema das Na&ccedil;&otilde;es Unidas porque a terra n&atilde;o tinha recebido o destaque que merecia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DOHA, 03\/01\/2013 &ndash; O Qatar pode ser um dos pa&iacute;ses mais ricos no mundo, mas tem algo em comum com os seus hom&oacute;logos africanos &#8211; inseguran&ccedil;a alimentar. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/01\/africa\/de-doha-a-dakar-a-insegurana-alimentar-a-regra\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":128,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-11155","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11155","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/128"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11155"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11155\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11155"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11155"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11155"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}