{"id":11165,"date":"2013-01-08T10:15:14","date_gmt":"2013-01-08T10:15:14","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11165"},"modified":"2013-01-08T10:15:14","modified_gmt":"2013-01-08T10:15:14","slug":"brasil-quantifica-variao-climtica-e-aumento-da-dengue","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/01\/america-latina\/brasil-quantifica-variao-climtica-e-aumento-da-dengue\/","title":{"rendered":"Brasil quantifica varia&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica e aumento da dengue"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 08\/01\/2013 &ndash; J&aacute; &eacute; do conhecimento popular que o mosquito transmissor da dengue precisa de calor e &aacute;gua limpa parada para se reproduzir. <!--more--> Contudo, agora um estudo conseguiu medir no Brasil a rela&ccedil;&atilde;o entre o aumento de chuvas e de temperatura com o risco de epidemia na cidade do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>A pesquisa da Escola Nacional de Sa&uacute;de P&uacute;blica, divulgada na revista Cadernos de Sa&uacute;de P&uacute;blica, avaliou a rela&ccedil;&atilde;o entre varia&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas e o risco de dengue. Os resultados indicaram que, entre 2001 e 2009, a eleva&ccedil;&atilde;o da temperatura m&iacute;nima em um m&ecirc;s provocou aumento de 45% nos casos de dengue no m&ecirc;s seguinte no Rio de Janeiro. A eleva&ccedil;&atilde;o de dez mil&iacute;metros na quantidade de chuvas tamb&eacute;m esteve relacionada com a alta de 6% nos casos dessa doen&ccedil;a viral aguda.<\/p>\n<p>&quot;A rela&ccedil;&atilde;o chuva-calor e as doen&ccedil;as tropicais &eacute; parte do senso comum. No estudo tentamos dar uma explica&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e uma quantifica&ccedil;&atilde;o te&oacute;rica desta rela&ccedil;&atilde;o&quot;, explicou &agrave; IPS Adriana Fagundes Gomes, uma das autoras do estudo realizado pela escola da Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz. &quot;A hip&oacute;tese foi comprovada matematicamente&quot;, destacou Adriana, atualmente pesquisadora do setor de epidemiologia do Instituto de Microbiologia Paulo de G&oacute;es, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).<\/p>\n<p>A an&aacute;lise permitiu deduzir que o risco de dengue aumenta quando a temperatura supera os 26 graus cent&iacute;grados, j&aacute; que o transmissor da doen&ccedil;a, o mosquito Aedes aegypti, se desenvolve melhor com temperatura mais alta. Al&eacute;m disso, foi observado aumento da m&eacute;dia de chuvas de quase mil mil&iacute;metros entre os meses de dezembro e mar&ccedil;o no Rio de Janeiro, o que tamb&eacute;m contribui para a prolifera&ccedil;&atilde;o dos mosquitos transmissores.<\/p>\n<p>&quot;&Eacute; importante destacar que o que foi divulgado da pesquisa j&aacute; &eacute; de conhecimento h&aacute; muito tempo: o mosquito necessita de &aacute;gua limpa e calor para se reproduzir, e, por isto, o ver&atilde;o &eacute; o per&iacute;odo de maior incid&ecirc;ncia de dengue&quot;, explicou &agrave; IPS o infectologista Alberto Chebabo. &quot;O &uacute;nico dado novo do estudo foi medir quanto aumenta o n&uacute;mero de casos para cada grau cent&iacute;grado ou para cada mil&iacute;metro de chuva durante os anos epid&ecirc;micos&quot;, acrescentou Chebabo, chefe do Servi&ccedil;o de Doen&ccedil;as Infecciosas e Parasit&aacute;rias, do Hospital Universit&aacute;rio Clementino Fraga Filho, da UFRJ.<\/p>\n<p>O estudo cruzou dados de notifica&ccedil;&otilde;es de casos de dengue da Secretaria Municipal de Sa&uacute;de do Rio de Janeiro, de temperatura do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, e de chuvas da Secretaria Municipal de Obras P&uacute;blicas. Devido &agrave; dificuldade para desenvolver vacina contra a dengue, os autores afirmam que o aumento do conhecimento sobre o desenvolvimento do v&iacute;rus permitir&aacute; melhor preven&ccedil;&atilde;o. &quot;O estabelecimento de um sistema de interven&ccedil;&atilde;o precoce envolveria par&acirc;metros que possam prevenir o risco da doen&ccedil;a&quot;, pontuou Adriana Gomes.<\/p>\n<p>&quot;Estudos sobre vari&aacute;veis clim&aacute;ticas podem melhorar o conhecimento e a previs&atilde;o de epidemias estacionais, porque a rela&ccedil;&atilde;o vetor e clima &eacute; t&atilde;o importante quanto a intera&ccedil;&atilde;o vetor e ser humano&quot;, diz o estudo. Para a pesquisadora, a principal descoberta &eacute; que no Rio de Janeiro a vari&aacute;vel temperatura (principalmente a m&iacute;nima) &quot;tem uma rela&ccedil;&atilde;o mais significativa com o n&uacute;mero de casos de dengue do que as chuvas&quot;.<\/p>\n<p>O Aedes aegypti precisa de &aacute;gua limpa &#8211; de chuva ou irriga&ccedil;&atilde;o &#8211; para colocar seus ovos. As temperaturas elevadas &quot;facilitam a eclos&atilde;o dos ovos e reduzem o tempo de evolu&ccedil;&atilde;o de larva para mosquito adulto&quot;, explicou Chebabo. &quot;Desta forma, no per&iacute;odo de chuvas e calor, pr&oacute;prio do ver&atilde;o do Rio de Janeiro, o n&uacute;mero de mosquitos aumenta, facilitando a transmiss&atilde;o da doen&ccedil;a&quot;, destacou.<\/p>\n<p>Uma an&aacute;lise da &uacute;ltima d&eacute;cada mostra que na regi&atilde;o Sudeste do Brasil, onde fica o Rio de Janeiro, a dengue prevalece nos meses de dezembro a abril, exatamente a &eacute;poca mais quente e chuvosa. Todas as epidemias da doen&ccedil;a ocorreram nesse per&iacute;odo. Por isto, para Chebabo, as medidas tradicionais de preven&ccedil;&atilde;o, nas quais atua &quot;o vetor humano&quot; continuam sendo fundamentais para combater a dengue.<\/p>\n<p>&quot;O combate ao foco do mosquito por meio da elimina&ccedil;&atilde;o de seus criadouros &eacute; a medida mais efetiva para reduzir a incid&ecirc;ncia da doen&ccedil;a&quot;, enfatizou o especialista. Entre outras medidas, mencionou a necessidade de participa&ccedil;&atilde;o conjunta do governo e da popula&ccedil;&atilde;o para reduzir o ac&uacute;mulo de &aacute;gua em vasos e recipientes descart&aacute;veis, como garrafas de pl&aacute;stico. Tamb&eacute;m se deve incentivar que sejam fechadas as caixas d&#39;&aacute;gua e haja uma coleta de lixo adequada.<\/p>\n<p>O Minist&eacute;rio da Sa&uacute;de apresenta medidas nessa dire&ccedil;&atilde;o em sua campanha para 2013, &quot;Dengue &eacute; f&aacute;cil de combater, s&oacute; n&atilde;o se pode esquecer&quot;, lan&ccedil;ada no come&ccedil;o do ano. O objetivo &eacute; refor&ccedil;ar entre janeiro e maio mensagens educativas que destaquem a necessidade da mobiliza&ccedil;&atilde;o coletiva para prevenir e tratar a doen&ccedil;a a tempo. Em cada regi&atilde;o do pa&iacute;s ser&atilde;o abordadas medidas espec&iacute;ficas segundo as necessidades de cada munic&iacute;pio.<\/p>\n<p>Em seu &uacute;ltimo boletim, do dia 4, o Minist&eacute;rio informou que durante 2012 houve redu&ccedil;&atilde;o de 64% dos casos de dengue confirmados, em compara&ccedil;&atilde;o a 2011. A mortalidade por dengue tamb&eacute;m registrou queda de 49% entre os dois per&iacute;odos. De janeiro at&eacute; a primeira semana de novembro do ano passado, houve 247 mortes confirmadas, enquanto no mesmo per&iacute;odo de 2011 esse n&uacute;mero foi de 481. Dados da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial da Sa&uacute;de estimam que cerca de 2,5 bilh&otilde;es de pessoas vivem em risco de contrair a dengue em &aacute;reas tropicais e subtropicais e que entre 60 milh&otilde;es e cem milh&otilde;es contraem anualmente a doen&ccedil;a, que provoca entre 12 mil e 15 mil mortes. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 08\/01\/2013 &ndash; J&aacute; &eacute; do conhecimento popular que o mosquito transmissor da dengue precisa de calor e &aacute;gua limpa parada para se reproduzir. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/01\/america-latina\/brasil-quantifica-variao-climtica-e-aumento-da-dengue\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":75,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,7],"tags":[27],"class_list":["post-11165","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-saude","tag-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11165","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11165"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11165\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11165"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11165"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11165"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}