{"id":11167,"date":"2013-01-08T10:19:13","date_gmt":"2013-01-08T10:19:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11167"},"modified":"2013-01-08T10:19:13","modified_gmt":"2013-01-08T10:19:13","slug":"novo-feminismo-sobe-pelas-paredes-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/01\/america-latina\/novo-feminismo-sobe-pelas-paredes-no-brasil\/","title":{"rendered":"Novo feminismo sobe pelas paredes no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 08\/01\/2013 &ndash; Anarkia Boladona faz das paredes das ruas brasileiras um instrumento contra a viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica. <!--more--> Autodefinida como &quot;grafiteira pol&iacute;tico-feminista&quot;, a artista representa uma nova corrente pelos direitos das mulheres, que busca linguagens menos acad&ecirc;micas, mais ousadas e populares. A entrevista acontece em movimento. Boladona, nascida como Panmela Castro, est&aacute; pintando um mural diante de uma escola municipal do sub&uacute;rbio do Rio de Janeiro, junto com outras jovens.<\/p>\n<p>Mas, ao contr&aacute;rio do passado, quando come&ccedil;ou a pintar paredes como pichadora, agora as autoridades a apoiam. &quot;J&aacute; tinha o costume de escrever nas ruas desde adolescente, e depois comecei a desenhar. Quando passei para o desenho vi que as pessoas gostavam e comentavam no dia seguinte&quot;, contou &agrave; IPS.<\/p>\n<p>Boladona come&ccedil;ou a pintar paredes &quot;por indigna&ccedil;&atilde;o&quot; at&eacute; descobrir que podia utilizar seus desenhos para &quot;contribuir com algo&quot; que servisse &agrave; comunidade, um sub&uacute;rbio pobre do Rio de Janeiro. &quot;Por ser de uma fam&iacute;lia de mulheres, uma das tem&aacute;ticas que percebia era a da viol&ecirc;ncia contra a mulher. Sempre esteve muito presente em minha vida, por minhas irm&atilde;s, minhas primas, minhas tias&quot;, recordou.<\/p>\n<p>A transi&ccedil;&atilde;o para o que chama de &quot;feminismo pol&iacute;tico-grafiteiro&quot; tamb&eacute;m teve a ver com sua origem familiar. Mulheres &quot;influenciadas pela revolu&ccedil;&atilde;o feminista dos anos 1970&quot;, acrescentando que, &quot;ao mesmo tempo em que estavam presas ao casamento e ao patriarcado, eram mulheres que entendiam que tudo caminhava para ser diferente. Eu e minhas primas fomos criadas de uma forma diferente delas&quot;. A educa&ccedil;&atilde;o foi diferente, e o caminho escolhido para lutar pelos direitos das mulheres tamb&eacute;m.<\/p>\n<p>Hoje, aos 31 anos, se sente parte do feminismo de uma nova gera&ccedil;&atilde;o. &quot;Creio que as feministas antigas tinham que ser muito radicais para romper os estere&oacute;tipos. Por isto, tinham esses conceitos fortes, como o de n&atilde;o explorar o corpo nem a imagem do corpo&quot;, afirmou. Tendo lutado no passado por um mundo &quot;sem suti&atilde;&quot;, hoje estas novas feministas n&atilde;o duvidam em tir&aacute;-lo para defender uma boa causa por seus direitos.<\/p>\n<p>&quot;Avan&ccedil;amos tanto que nossa luta n&atilde;o &eacute; mais, por exemplo, para n&atilde;o explorar a imagem do corpo, mas para usar nosso corpo da maneira que queremos, ainda que o expondo. Temos a op&ccedil;&atilde;o de trabalhar com nosso c&eacute;rebro, com nosso corpo, da maneira que nos der vontade&quot;, ressaltou Boladona. A artista escolheu trabalhar com sua arte com paredes como seu instrumento. E as utiliza para retratar os dramas sofridos por milh&otilde;es de mulheres. &Agrave;s vezes, a pintura come&ccedil;a com uma representa&ccedil;&atilde;o teatral. O mural que est&aacute; fazendo &eacute; um protesto contra viol&ecirc;ncia contra a mulher. Um n&uacute;mero de telefone lhes indica para onde ligar e pedir ajuda.<\/p>\n<p>A lei Maria da Penha, aprovada em 2006 para combater a viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica e familiar contra a mulher, aumentou o rigor das penas, at&eacute; chegar &agrave; de pris&atilde;o. Um informe do Instituto Sangari indica que no Brasil uma mulher apanha a cada cinco minutos, sendo que em 70% dos casos os respons&aacute;veis s&atilde;o noivos, maridos, ex-companheiros ou familiares.<\/p>\n<p>Os temas dos murais de Anarkia Boladona n&atilde;o se esgotam. Um mundo m&iacute;tico feminino de flores, lib&eacute;lulas, Evas, bruxas apelando por um mundo com igualdade de direitos trabalhistas, culturais, e de liberdade sexual. &quot;Luto principalmente pela igualdade de g&ecirc;nero. Que as mulheres tenham os mesmos direitos que os homens e, quando digo direitos n&atilde;o &eacute; apenas na lei. &Eacute; um direito de igualdade cultural tamb&eacute;m&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p>Silvana Coelho, de 23 anos, participa do mural. Dentro de um ambiente considerado revolucion&aacute;rio como o dos grafiteiros, aprendeu do que se trata essa luta cultural. &quot;&Eacute; um mundo de homens. Eu sofria muito ass&eacute;dio dos pr&oacute;prios artistas. &Agrave;s vezes, me chamavam para pintar j&aacute; com segundas inten&ccedil;&otilde;es. Mas eu me revoltava e dizia a eles que sou artista da rua, n&atilde;o sou dessas mulheres da rua, estou aqui para fazer minha arte&quot;, contou &agrave; IPS.<\/p>\n<p>Enquanto a pintura do mural avan&ccedil;a, aumenta a curiosidade entre homens e mulheres. Um grupo de senhoras, que se orgulha de ter, em m&eacute;dia, mais de 90 anos, aprova a obra. &quot;Antes era muito dif&iacute;cil um homem bater em uma mulher. Agora h&aacute; homens que al&eacute;m de tirar o dinheiro de sua companheira tamb&eacute;m batem nela&quot;, disse a aposentada Francisca de Oliveira, de 92 anos.<\/p>\n<p>Um av&ocirc; com suas duas netas tamb&eacute;m observa a obra. &quot;H&aacute; pessoas que usam esta arte para denegrir, desmoralizar. Por outro lado, a arte destas mo&ccedil;as levanta, faz refletir, educa, e isso na rua, ou seja, &eacute; acess&iacute;vel a todos&quot;, diz o gr&aacute;fico Mauro Torres. &quot;&Eacute; importante porque h&aacute; pessoas que maltratam as mulheres&quot;, diz sua neta Ingrid da Costa, de nove anos. A menina &eacute; parte de uma gera&ccedil;&atilde;o que, segundo Anarkia Boladona, hoje vive novas tem&aacute;ticas feministas.<\/p>\n<p>Uma preocupa&ccedil;&atilde;o da artista &eacute; que, assim como no passado a luta era a liberdade sexual, hoje as pr&eacute;-adolescentes e adolescentes da forte &quot;cultura do bailes funk&quot; das favelas se sentem obrigadas a manter rela&ccedil;&otilde;es sexuais porque, &quot;do contr&aacute;rio, seus namorados as deixam por outras&quot;. Segundo Boladona, &quot;h&aacute; uma invers&atilde;o de pap&eacute;is. Antes, a obriga&ccedil;&atilde;o era manter a virgindade. Hoje, a obriga&ccedil;&atilde;o &eacute; n&atilde;o ser mais virgem&quot;.<\/p>\n<p>&Agrave;s vezes, as paredes n&atilde;o bastam para abordar tantos temas. Por isto, Boladona criou uma organiza&ccedil;&atilde;o chamada Nami (mina, com as s&iacute;labas invertidas, g&iacute;ria para mulher), que usa as artes urbanas para promover o direito das mulheres, especialmente das mais pobres. Daniele Kitty, estudante de arte e vice-presidente da Nami, teve que enfrentar seus pais por n&atilde;o aceitarem que &quot;uma mulher fique pintando por a&iacute;&quot;. E explicou que, &quot;na verdade, estou aqui, como voc&ecirc;s veem, fazendo um trabalho&quot;.<\/p>\n<p>Trata-se de um trabalho que a Nami usa para aproximar-se das mulheres que n&atilde;o t&ecirc;m acesso nem a um jornal. &quot;N&atilde;o se pode ignorar um mural como este. Acaba sendo quase uma mensagem comercial na televis&atilde;o. Uma mensagem subliminar que de tanto algu&eacute;m ver e rever ao passar por ela acaba n&atilde;o se esquecendo&quot;, afirmou a artista. O mural em quest&atilde;o pede &quot;o fim da viol&ecirc;ncia contra a mulher&quot;. Uma flor, pintada por Silvana o complementa. &quot;A mulher &eacute; sagrada, uma flor que se deve ter o cuidado de n&atilde;o machucar. &Eacute; preciso reg&aacute;-la com &aacute;gua, e tamb&eacute;m com amor&quot;, afirmou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 08\/01\/2013 &ndash; Anarkia Boladona faz das paredes das ruas brasileiras um instrumento contra a viol&ecirc;ncia dom&eacute;stica. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/01\/america-latina\/novo-feminismo-sobe-pelas-paredes-no-brasil\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":75,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,6,11],"tags":[19,27],"class_list":["post-11167","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-direitos-humanos","category-politica","tag-arte-y-cultura","tag-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11167","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11167"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11167\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11167"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11167"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11167"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}