{"id":1117,"date":"2005-10-19T00:00:00","date_gmt":"2005-10-19T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1117"},"modified":"2005-10-19T00:00:00","modified_gmt":"2005-10-19T00:00:00","slug":"qunia-uma-constituio-centralizadora-e-machista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/10\/mundo\/qunia-uma-constituio-centralizadora-e-machista\/","title":{"rendered":"Qu&ecirc;nia: Uma constitui&ccedil;&atilde;o centralizadora e machista"},"content":{"rendered":"<p>Nair&oacute;bi, 19\/10\/2005 &ndash; O acalorado debate sobre o projeto da nova constitui&ccedil;&atilde;o do Qu&ecirc;nia, que ser&aacute; submetido a referendo no dia 21 de novembro, centra-se nos amplos poderes que outorga &agrave; Presid&ecirc;ncia, precisamente contr&aacute;rios &agrave;s redu&ccedil;&otilde;es reclamadas pela sociedade civil. O projeto de constitui&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m causa mal-estar entre as organiza&ccedil;&otilde;es que promovem os direitos da mulher, que reclamam a reincorpora&ccedil;&atilde;o de medidas concretas que incentivem a participa&ccedil;&atilde;o feminina na vida pol&iacute;tica, presentes na vers&atilde;o pr&eacute;via do novo texto constitucional. Essa vers&atilde;o pr&eacute;via recebeu o apoio da Confer&ecirc;ncia Constitucional Nacional (NCC), um &oacute;rg&atilde;o representativo de diversos interesses e setores sociais, convocado em &quot;Bomas do Qu&ecirc;nia&quot;, um centro cultural nos arredores da cidade, e com faculdades constituintes.<br \/> <!--more--> <br \/> O anteprojeto redigido pela NCC, tamb&eacute;m conhecido como o &quot;rascunho de Bomas&quot;, estabelecia que um ter&ccedil;o dos cargos hier&aacute;rquicos, em todos os setores do governo, deveriam ser ocupados por mulheres. Tamb&eacute;m propunha que essa participa&ccedil;&atilde;o fosse de 50% nos conselhos dos governos locais. O projeto de Bomas estabelecia, ainda, procedimentos precisos para atingir esse objetivo, baseados na divis&atilde;o do pa&iacute;s em regi&otilde;es e distritos. &quot;&Eacute; uma forma de garantirmos que as mulheres se envolvam na atividade pol&iacute;tica. Tamb&eacute;m cria uma oportunidade para que a sociedade visualize as mulheres em pap&eacute;is de lideran&ccedil;a, e que isso incentive mais mulheres a disputarem postos pol&iacute;ticos cada vez mais altos&quot;, disse &agrave; IPS Ann Njogu, dirigente da organiza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-governamental Agenda para a Mulher, que re&uacute;ne um grande n&uacute;mero de entidades locais que promovem os direitos femininos.<\/p>\n<p> At&eacute; agora, nesta na&ccedil;&atilde;o da &Aacute;frica Oriental, a cultura dominante e a tradi&ccedil;&atilde;o se combinam para garantir que a esfera pol&iacute;tica seja reservada aos homens. Dos atuais 222 membros do parlamento, apenas 18 s&atilde;o mulheres. Mas, as medidas de a&ccedil;&atilde;o afirmativa que contempla o rascunho de Bomas foram descaracterizadas pelo parlamento. Inicialmente, os legisladores apenas podiam aprovar ou rejeitar o anteprojeto constitucional em sua totalidade, mas eles mesmos cuidaram de aprovar uma lei que os habilita a realizar emendas. Assim, alguns argumentaram que implementar a nova estrutura de governo custaria muito caro: US$ 1 bilh&atilde;o.<\/p>\n<p> A vers&atilde;o da nova constitui&ccedil;&atilde;o que ser&aacute; colocado em vota&ccedil;&atilde;o ainda contempla reservar um ter&ccedil;o dos cargos &agrave;s mulheres, &quot;Mas n&atilde;o estipula nenhuma forma que leve a isso&quot;, disse &agrave; IPS a diretora-executiva do Centro para a Terra, a Economia e os Direitos da Mulher, Akinyi Nzioki. &quot;Uma vez mais, a constitui&ccedil;&atilde;o deixa &agrave; dire&ccedil;&atilde;o de um parlamento dominado por homens a aprova&ccedil;&atilde;o de uma lei que estabele&ccedil;a programas de a&ccedil;&atilde;o afirmativa&quot; a favor das mulheres, ironizou Nzioki. Os grupos de press&atilde;o que defendem a igualdade de g&ecirc;nero n&atilde;o t&ecirc;m muita f&eacute; em um parlamento que nunca demonstrou interesse nessa igualdade.<\/p>\n<p> &quot;No momento, nenhum dos projetos de lei aprovados pelos atuais parlamentares teve alguma coisa a ver com quest&otilde;es que afetem a mulher. Ent&atilde;o, como podemos confiar que este mesmo parlamento vote as leis necess&aacute;rias para efetivar uma maior presen&ccedil;a feminina nos cargos de governo?&quot;, pergunto Njogu. Segundo o Instituto para os Assuntos C&iacute;vicos e o Desenvolvimento, uma organiza&ccedil;&atilde;o que controla a atividade parlamentar com sede em Nair&oacute;bi, a atual legislatura, que j&aacute; tem dois anos e meio em exerc&iacute;cio, n&atilde;o abordou nenhum dos projetos de lei ligados a quest&otilde;es de g&ecirc;nero.<\/p>\n<p> O rascunho de Bomas &quot;criou uma s&eacute;rie de oportunidades que n&atilde;o foram aproveitadas, ao negar &agrave;s mulheres acesso a uma s&eacute;rie de f&oacute;runs, inclusive no &acirc;mbito mais b&aacute;sico, que teriam sido chaves para influir nos processos de governo&quot;, afirmou em entrevista &agrave; IPS Daisy Amdany, a coordenadora da Alian&ccedil;a Pol&iacute;tica das Mulheres do Qu&ecirc;nia, com sede em Nair&oacute;bi. &quot;Ter&iacute;amos conseguido uma massa cr&iacute;tica de mulheres em postos de decis&atilde;o. Algo que incentivaria muitas outras&quot;, lamentou. A quest&atilde;o n&atilde;o pode surpreender ningu&eacute;m que tenha seguido atentamente a evolu&ccedil;&atilde;o dos problemas de g&ecirc;nero no pa&iacute;s, onde a id&eacute;ia de uma a&ccedil;&atilde;o afirmativa que beneficie as mulheres (como uma quota de g&ecirc;nero) &eacute; um tema espinhoso h&aacute; muitos anos.<\/p>\n<p> H&aacute; cinco anos, por exemplo, no contexto de uma cerrada oposi&ccedil;&atilde;o do ent&atilde;o partido governante, a Uni&atilde;o Nacional Africana do Qu&ecirc;nia (Kanu), o parlamento discutiu um projeto sobre a participa&ccedil;&atilde;o feminina. A Kanu governo desde a independ&ecirc;ncia da Gr&atilde;-Bretanha em 1963 at&eacute; 2002, quando o ent&atilde;o presidente, Daniel Arap Moi, foi substitu&iacute;do pelo presidente Mwai Kibaki, da Coaliz&atilde;o Nacional do Arco-&Iacute;ris (Narc), atualmente no governo.<\/p>\n<p> Arap Moi se recusou a ceder &agrave; press&atilde;o das legisladoras e do p&uacute;blico, que pretendia a aprova&ccedil;&atilde;o dessa lei. Segundo os jornais da &eacute;poca, o primeiro mandat&aacute;rio disse: &quot;As mulheres que hoje est&atilde;o no parlamento chegaram por m&eacute;rito pr&oacute;prio, n&atilde;o por terem recebido algum favor. Voc&ecirc;s sabem que n&atilde;o ap&oacute;io uma a&ccedil;&atilde;o afirmativa nesse sentido&quot;. O projeto, que procurava maior representa&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica das mulheres e de outras comunidades marginalizadas foi, finalmente, arquivado. Ativistas pelos direitos das mulheres planejam para o pr&oacute;ximo dia 31 uma caminhada para reclamar que seja colocado para referendo o rascunho de Bomas. No protesto, organizado pela Agenda da Mulher, espera-se a participa&ccedil;&atilde;o de um milh&atilde;o de mulheres procedentes de todos os pontos do Qu&ecirc;nia. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nair&oacute;bi, 19\/10\/2005 &ndash; O acalorado debate sobre o projeto da nova constitui&ccedil;&atilde;o do Qu&ecirc;nia, que ser&aacute; submetido a referendo no dia 21 de novembro, centra-se nos amplos poderes que outorga &agrave; Presid&ecirc;ncia, precisamente contr&aacute;rios &agrave;s redu&ccedil;&otilde;es reclamadas pela sociedade civil. O projeto de constitui&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m causa mal-estar entre as organiza&ccedil;&otilde;es que promovem os direitos da mulher, que reclamam a reincorpora&ccedil;&atilde;o de medidas concretas que incentivem a participa&ccedil;&atilde;o feminina na vida pol&iacute;tica, presentes na vers&atilde;o pr&eacute;via do novo texto constitucional. 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