{"id":11172,"date":"2013-01-09T06:31:21","date_gmt":"2013-01-09T06:31:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11172"},"modified":"2013-01-09T06:31:21","modified_gmt":"2013-01-09T06:31:21","slug":"reportagem-guiana-descobre-o-filo-da-economia-baixa-em-carbono","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/01\/america-latina\/reportagem-guiana-descobre-o-filo-da-economia-baixa-em-carbono\/","title":{"rendered":"REPORTAGEM: Guiana descobre o fil&atilde;o da economia baixa em carbono"},"content":{"rendered":"<p>ROSEAU, 09\/01\/2013 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- O modelo da Guiana de criar uma economia baixa em carbono j&aacute; apresenta resultados positivos.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11172\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/610_Guyana_Desmond_BrownIPS.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11172\" class=\"size-medium wp-image-11172\" title=\"Aproximadamente 80% das florestas da Guiana permanecem intactas - Desmond Brow\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/610_Guyana_Desmond_BrownIPS.jpg\" alt=\"Aproximadamente 80% das florestas da Guiana permanecem intactas - Desmond Brow\/IPS\" width=\"200\" height=\"132\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11172\" class=\"wp-caption-text\">Aproximadamente 80% das florestas da Guiana permanecem intactas - Desmond Brow\/IPS<\/p><\/div>  Imagine a Guiana sem florestas nem rios, ou Antiga, Barbados e Santa L&uacute;cia sem praias. Atherton Martin, um conservacionista que foi ministro da Agricultura da ilha de Dominica, diz que a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica deveria obrigar os pa&iacute;ses caribenhos a reverem seriamente a maneira como manejam seus recursos naturais, do contr&aacute;rio desaparecer&atilde;o. &quot;Os princ&iacute;pios da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica nos dizem, em ess&ecirc;ncia, que, quando nossos sistemas de recursos naturais enfraquecerem ou forem destru&iacute;dos pelo aquecimento global, nossa economia se destruir&aacute;&quot;, disse ao Terram&eacute;rica.<\/p>\n<p>No entanto, nem tudo &eacute; negativo. Martin acredita que a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica tem potencial para beneficiar as na&ccedil;&otilde;es caribenhas em dois aspectos. Em primeiro lugar, obrigando a mudar a mentalidade de rea&ccedil;&atilde;o diante dos fatos por outra de atuar e levar a transforma&ccedil;&otilde;es. Em segundo, permitindo que os governos construam economias mais s&oacute;lidas mediante o acesso a milh&otilde;es de d&oacute;lares em financiamento clim&aacute;tico. Por exemplo, a decis&atilde;o da Guiana de se converter em uma economia baixa em di&oacute;xido de carbono (CO2) j&aacute; atraiu mais de US$ 70 milh&otilde;es em cr&eacute;ditos desse g&aacute;s-estufa para proteger 10% de seus sistemas florestais.<\/p>\n<p>&quot;Eles esperam atrair mais de US$ 250 milh&otilde;es durante este ano. E este &eacute; apenas um acordo de cr&eacute;ditos de carbono e de valoriza&ccedil;&atilde;o do sequestro desse g&aacute;s, realizado com um &uacute;nico pa&iacute;s, a Noruega&quot;, enfatizou Martin. Em julho de 2009, a Guiana lan&ccedil;ou sua estrat&eacute;gia de baixo carbono para promover o desenvolvimento econ&ocirc;mico combatendo, ao mesmo tempo, a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica. Na &eacute;poca, o presidente Bharrat Jagdeo prop&ocirc;s a cria&ccedil;&atilde;o de uma plataforma na qual as na&ccedil;&otilde;es em desenvolvimento como seu pa&iacute;s n&atilde;o fossem vistas como simples receptoras de ajuda, mas como s&oacute;cias na busca por solu&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas.<\/p>\n<p>Uma economia baixa em carbono &eacute; aquela em que as atividades produtivas s&atilde;o concebidas de modo a reduzir a quantidade de di&oacute;xido de carbono, que de outro modo iria para a atmosfera, e na qual todas as a&ccedil;&otilde;es e os estilos de vida buscam minimizar os efeitos da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica. Aproximadamente 80% das florestas da Guiana, equivalentes a cerca de 15 milh&otilde;es de hectares, ainda est&atilde;o intactos. Um estudo cient&iacute;fico encomendado pelo governo estimou que este pa&iacute;s poderia obter US$ 580 milh&otilde;es por ano se voltando para atividades que podem destruir essas florestas, enquanto o valor econ&ocirc;mico que tem para o mundo mant&ecirc;-las em p&eacute; equivaleria a US$ 40 bilh&otilde;es.<\/p>\n<p>Jagdeo defendeu que as florestas da Guiana s&atilde;o um bem mundial, lar de pelo menos oito mil esp&eacute;cies vegetais e animais que as tornam uma das zonas mais biodiversas do planeta. Estas florestas tamb&eacute;m atuam como sumidouros que absorvem CO2, o principal g&aacute;s dentre os que contribuem para o aquecimento global. Mediante incentivos econ&ocirc;micos apropriados para manter baixo o desmatamento, a Guiana poderia evitar emiss&otilde;es globais de di&oacute;xido de carbono equivalentes a 1,5 gigatonelada por ano.<\/p>\n<p>O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) aprovou em 2012 um projeto para fortalecer a estrat&eacute;gia de baixo carbono da Guiana, por um valor pr&oacute;ximo dos US$ 6 milh&otilde;es para sua implanta&ccedil;&atilde;o, que se somam a mais de US$ 1 milh&atilde;o entregues a esse pa&iacute;s pela Noruega para os trabalhos preparat&oacute;rios. O fundo de investimentos da Guiana para a Redu&ccedil;&atilde;o de Emiss&otilde;es Causadas por Desmatamento e Degrada&ccedil;&atilde;o das Florestas (REDD+) foi estabelecido em outubro de 2010 para financiar projetos desta estrat&eacute;gia de baixo carbono.<\/p>\n<p>O projeto vai fortalecer a capacidade t&eacute;cnica e administrativa das institui&ccedil;&otilde;es respons&aacute;veis por implantar a estrat&eacute;gia, e tamb&eacute;m desenvolver&aacute; um sistema de monitoramento, relat&oacute;rios e verifica&ccedil;&atilde;o em n&iacute;vel nacional. A sociedade REDD+ entre Noruega e Guiana &eacute; a segunda maior do mundo, segundo o governo guianense. Martin informou que h&aacute; negocia&ccedil;&otilde;es com o Banco Mundial, a Organiza&ccedil;&atilde;o dos Estados Americanos, outras institui&ccedil;&otilde;es financeiras e a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) que podem permitir que os pa&iacute;ses caribenhos obtenham financiamento por suas atividades para alcan&ccedil;ar a resili&ecirc;ncia clim&aacute;tica.<\/p>\n<p>Estes pa&iacute;ses &quot;poderiam valorizar seus recursos naturais a partir do sequestro de carbono, e depois converter a propriedade desse sequestro em dinheiro, como est&aacute; fazendo a Guiana, ou convert&ecirc;- la em um espa&ccedil;o maior para negociar redu&ccedil;&atilde;o de d&iacute;vidas e mais empr&eacute;stimos brandos&quot;, argumentou Martin. O advogado Bernard Wiltshire, presidente e fundador da Waitukubuli Ecological Foundation, com sede em Dominica, tamb&eacute;m acredita que &eacute; necess&aacute;ria uma nova mentalidade. Os pa&iacute;ses do Caribe devem criar ind&uacute;strias apropriadas&quot; e praticar o &quot;tipo de turismo adequado&quot;, afirmou ao Terram&eacute;rica.<\/p>\n<p>&quot;Dominica poderia ter um setor tur&iacute;stico superando, de longe, o de Antiga. Esta tem sol, areia e mar, mas Dominica tem tudo isso e muito mais&quot;, opinou Wiltshire. &quot;Todo o mundo diz que &eacute; necess&aacute;rio sol, areia e mar, mas ignoram o turismo de natureza, de aventuras, o patrimonial e o de bem-estar&quot;, acrescentou. &quot;Estes setores est&atilde;o crescendo. Descansar e beber rum debaixo de uma palmeira est&aacute; saindo de moda. O neg&oacute;cio tur&iacute;stico caribenho est&aacute; decaindo porque competimos com pa&iacute;ses maiores. Os turistas est&atilde;o indo para muito mais longe, querem mais aventuras&quot;, destacou.<\/p>\n<p>As novas atra&ccedil;&otilde;es s&atilde;o o sudeste asi&aacute;tico e as selvas da Birm&acirc;nia. Contudo, &quot;Dominica tem sua pr&oacute;pria selva caribenha aqui mesmo&quot;, que poderia atrair milhares de pessoas em busca de aventuras na selva, pontuou Wiltshire. Martin lamentou que uma regi&atilde;o como esta, com tantas oportunidades extraordin&aacute;rias, tenha economias empobrecidas. &quot;S&atilde;o pa&iacute;ses com or&ccedil;amentos nacionais de US$ 600 milh&otilde;es anuais. Se conseguirem atrair em um ano ou dois a metade dessa quantia, ou mesmo mais, convertendo o trabalho silencioso de nossos sistemas naturais em d&oacute;lares da comunidade financeira internacional, estar&aacute; fora de perigo&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p>O especialista disse que o Caribe pode transformar a si mesmo muito rapidamente, apenas adotando o enfoque de resili&ecirc;ncia clim&aacute;tica de seus sistemas naturais, como resultado do entendimento do quanto &eacute; vulner&aacute;vel e, portanto, do quanto &eacute; vital reorganizar a forma como maneja seus recursos. &quot;Est&aacute; dispon&iacute;vel o conhecimento para fazer os c&aacute;lculos que permitam que o resto do mundo comece a nos recompensar por conservarmos nossas florestas, nossos arrecifes, sistemas h&iacute;dricos, etc.&quot;, indicou Martin. &quot;Esta &eacute; a simples resposta &agrave; pergunta &oacute;bvia que nos faz a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica. Nos diz: senhores, voc&ecirc;s t&ecirc;m op&ccedil;&otilde;es. E sabem do que mais? Pela primeira vez a op&ccedil;&atilde;o &eacute; uma vantagem para pequenas ilhas como as nossas&quot;, concluiu.<\/p>\n<p>*<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ROSEAU, 09\/01\/2013 &ndash; (Tierram&eacute;rica).- O modelo da Guiana de criar uma economia baixa em carbono j&aacute; apresenta resultados positivos. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/01\/america-latina\/reportagem-guiana-descobre-o-filo-da-economia-baixa-em-carbono\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1181,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5],"tags":[15,21],"class_list":["post-11172","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","tag-caribe","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11172","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1181"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11172"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11172\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11172"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11172"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11172"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}