{"id":11177,"date":"2013-01-09T10:15:02","date_gmt":"2013-01-09T10:15:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11177"},"modified":"2013-01-09T10:15:02","modified_gmt":"2013-01-09T10:15:02","slug":"portugal-o-xodo-dos-diplomados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/01\/desenvolvimento\/portugal-o-xodo-dos-diplomados\/","title":{"rendered":"PORTUGAL: O &ecirc;xodo dos diplomados"},"content":{"rendered":"<p>Lisboa, Portugal, 09\/01\/2013 &ndash; Desde a d&eacute;cada de 1960, quando as sa&iacute;das em massa de portugueses eram uma constante, este pa&iacute;s n&atilde;o sofria uma emigra&ccedil;&atilde;o de tal magnitude como a atual, com a agravante de que pela primeira vez inclui profissionais altamente qualificados.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11177\" style=\"width: 142px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Ana.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11177\" class=\"size-medium wp-image-11177\" title=\"A historiadora Ana Lobato Castanheira emigra em busca de uma vida melhor no Brasil. - Ricardo Perna\/IPS\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/Ana.jpg\" alt=\"A historiadora Ana Lobato Castanheira emigra em busca de uma vida melhor no Brasil. - Ricardo Perna\/IPS\" width=\"132\" height=\"200\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11177\" class=\"wp-caption-text\">A historiadora Ana Lobato Castanheira emigra em busca de uma vida melhor no Brasil. - Ricardo Perna\/IPS<\/p><\/div>  Um milh&atilde;o de pessoas, ou 9,8% da popula&ccedil;&atilde;o atual de Portugal, se estabeleceram no exterior nos &uacute;ltimos 14 anos, um indicador que n&atilde;o para de crescer, segundo se depreende das &uacute;ltimas declara&ccedil;&otilde;es do secret&aacute;rio de Estado das Comunidades, Jos&eacute; Ces&aacute;rio, que estimou em 120 mil emigrados em 2011 e algo mais em 2012.<\/p>\n<p>Em 1988 apareceram os primeiros sinais de contra&ccedil;&atilde;o da economia e, com isso, come&ccedil;ava o fluxo emigrat&oacute;rio, embora ainda em propor&ccedil;&otilde;es modestas. Em 2011, a economia nacional come&ccedil;a a entrar em um per&iacute;odo de forte recess&atilde;o com a aplica&ccedil;&atilde;o das receitas do Fundo Monet&aacute;rio Internacional, da Uni&atilde;o Europeia e do Banco Central Europeu, a troika de credores que concederam a Portugal empr&eacute;stimo de US$ 110 bilh&otilde;es com o prop&oacute;sito de resgatar a economia nacional.<\/p>\n<p>O plano da troika se concentrou no saneamento das finan&ccedil;as p&uacute;blicas, com um colossal aumento de impostos e pre&ccedil;os, redu&ccedil;&atilde;o de sal&aacute;rios, elimina&ccedil;&atilde;o de subs&iacute;dios de Natal e de f&eacute;rias, aumento da jornada de trabalho, tudo isso fazendo o desemprego atingir n&iacute;veis sem precedentes, at&eacute; alcan&ccedil;ar 16,9% da popula&ccedil;&atilde;o economicamente ativa, segundo dados oficiais, mas que os estudos de sindicatos elevam para 24%.<\/p>\n<p>Estes indicadores agravaram a recess&atilde;o, elevando a d&iacute;vida p&uacute;blica at&eacute; o equivalente a 129% do produto interno bruto (PIB), um recorde hist&oacute;rico, e provocando a quebra, no ano passado, de 6.150 empresas, o que d&aacute; uma m&eacute;dia de 17 por dia, um crescimento de 750% em rela&ccedil;&atilde;o a uma d&eacute;cada atr&aacute;s. Para fugir da crise, milhares de pessoas veem na emigra&ccedil;&atilde;o a &uacute;nica v&aacute;lvula de escape, especialmente jovens profissionais universit&aacute;rios e com p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, em n&iacute;veis que n&atilde;o t&ecirc;m compara&ccedil;&atilde;o com os demais pa&iacute;ses europeus.<\/p>\n<p>As consequ&ecirc;ncias anunciadas pela maioria dos analistas s&atilde;o devastadoras para o futuro: r&aacute;pido envelhecimento da popula&ccedil;&atilde;o, com o consequente perigo para a sustentabilidade do sistema de assist&ecirc;ncia social, e a &quot;fuga de c&eacute;rebros&quot;, criando um vazio de profissionais universit&aacute;rios. O fen&ocirc;meno da emigra&ccedil;&atilde;o em massa de jovens &quot;&eacute; o resultado desejado e impulsionado pelos c&iacute;rculos respons&aacute;veis pelas pol&iacute;ticas econ&ocirc;micas e sociais em Portugal&quot;, afirmou o especialista no assunto Bruno Mesquita.<\/p>\n<p>P&oacute;s-graduado em ci&ecirc;ncias pol&iacute;ticas nos Estados Unidos, Mesquita disse &agrave; IPS que &quot;a matriz ideol&oacute;gica do poder portugu&ecirc;s prev&ecirc; a concentra&ccedil;&atilde;o de riqueza no alto da pir&acirc;mide, por meio de clientelismo, favorecimento de cl&atilde;s familiares, empresariais e de banqueiros, reduzindo, ao mesmo tempo, o gasto social em sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o e infraestruturas produtivas&quot;.<\/p>\n<p>Todas estas op&ccedil;&otilde;es &quot;levam &agrave; contra&ccedil;&atilde;o do produto como um todo, enquanto no alto da pir&acirc;mide continua o enriquecimento em um contexto de distribui&ccedil;&atilde;o desigual da riqueza, caminho este que precisa de uma for&ccedil;a de trabalho pouco qualificada, uma economia com estrutura retr&oacute;grada, com pouca produ&ccedil;&atilde;o de valor agregado, baseada na presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os e produ&ccedil;&atilde;o de bens de baixo valor&quot;, ressaltou Mesquita.<\/p>\n<p>Segundo o especialista, neste contexto, &quot;sem um verdadeiro capitalismo, e sim com uma vers&atilde;o moderada do corporativismo, &eacute; que vivem os jovens portugueses: desemprego aumentando, prolifera&ccedil;&atilde;o de empregos prec&aacute;rios e redu&ccedil;&atilde;o de oportunidades&quot;. Desta forma, embora seja apenas para sobreviver &quot;em um n&iacute;vel meramente aceit&aacute;vel, &eacute; que optam por emigrar&quot;, observou.<\/p>\n<p>Mesquita destacou &quot;a dimens&atilde;o perversa da emigra&ccedil;&atilde;o, que beneficia os grupos do v&eacute;rtice da pir&acirc;mide social, que esconde uma economia ref&eacute;m dos cl&atilde;s, pouco produtiva e monopolizada, o que significa que n&atilde;o existem incentivos para manter os jovens em Portugal. Pelo contr&aacute;rio, sua sa&iacute;da do pa&iacute;s atenua o conflito social e pol&iacute;tico. Para os jovens s&oacute; existe a perspectiva vi&aacute;vel de emigrar para viverem decentemente no estrangeiro&quot;.<\/p>\n<p>Esse &eacute; o caso relatado &agrave; IPS por Ana Lobato Castanheira. &quot;Encarei seriamente a emigra&ccedil;&atilde;o no dia em que soube que meu contrato de trabalho n&atilde;o seria renovado ap&oacute;s abril de 2013&quot;, contou. Diplomada em hist&oacute;ria contempor&acirc;nea e rela&ccedil;&otilde;es internacionais, come&ccedil;ou a cursar p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em gest&atilde;o cultural, &quot;com o prop&oacute;sito de ampliar as &aacute;reas de trabalho, mas isto foi antes de saber que ficaria desempregada no m&eacute;dio prazo, e por isto agora pretendo ir embora de Portugal&quot;, contou.<\/p>\n<p>&quot;Aqui as perspectivas de emprego s&atilde;o cada vez mais escassas e prec&aacute;rias, especialmente na &aacute;rea da cultura&quot;, afirmou Ana Lobato. &quot;Minha vontade de deixar este pa&iacute;s em crise &eacute; cada vez maior, tanto que penso fazer o segundo ano de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, a partir de julho ou agosto deste ano, em uma universidade do Rio de Janeiro, por meio de um interc&acirc;mbio com a universidade portuguesa onde me formei&quot;, acrescentou. Ana Lobato tamb&eacute;m v&ecirc; no Brasil uma perspectiva de vida futura, por isto aproveitar&aacute; sua perman&ecirc;ncia no pa&iacute;s para estabelecer contatos e procurar trabalho, tarefa &agrave; qual j&aacute; se dedica a partir de Lisboa.<\/p>\n<p>Por que Rio de Janeiro?, perguntou a IPS. &quot;Al&eacute;m da empatia natural, ali s&atilde;o necess&aacute;rios profissionais qualificados em v&aacute;rias &aacute;reas e s&atilde;o oferecidas oportunidades de trabalho, diretas ou indiretas, motivadas pela realiza&ccedil;&atilde;o da Copa do Mundo em 2014 e dos Jogos Ol&iacute;mpicos em 2016&quot;, respondeu Ana Lobato. &quot;Creio que a p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o em uma boa universidade me ajudar&aacute; nos contatos e em uma r&aacute;pida integra&ccedil;&atilde;o &agrave; cultura brasileira&quot;, concluiu a historiadora.<\/p>\n<p>A deputada socialista Ana Catarina Mendes, eleita pela primeira vez para o parlamento em 1994, quanto tinha apenas 22 anos, disse &agrave; IPS que Portugal vive hoje &quot;o paradoxo de ter a gera&ccedil;&atilde;o mais qualificada e, ao mesmo tempo, a menos aproveitada&quot;. A democracia iniciada em 1974 &quot;abriu as portas para a igualdade de oportunidades na educa&ccedil;&atilde;o e fez nascer uma gera&ccedil;&atilde;o com altas qualifica&ccedil;&otilde;es, essa que hoje Portugal desperdi&ccedil;a&quot;, lamentou.<\/p>\n<p>O governo do primeiro-ministro conservador, Pedro Passos Coelho, &quot;ditou uma nova realidade: a emigra&ccedil;&atilde;o de muitos jovens qualificados&quot;, ressaltou Ana Catarina. Tamb&eacute;m ressaltou que o Poder Executivo, &quot;diante da enorme crise em que nos encontramos, optou pelo caminho da destrui&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s, reduzindo o investimento na economia, o que fez aumentar o desemprego; imp&ocirc;s sacrif&iacute;cios insuport&aacute;veis fazendo crescer a pobreza e a desigualdade. Esperamos que cheguem novos tempos em Portugal, para, assim, podermos trazer nossos jovens de volta&quot;, enfatizou a deputada. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lisboa, Portugal, 09\/01\/2013 &ndash; Desde a d&eacute;cada de 1960, quando as sa&iacute;das em massa de portugueses eram uma constante, este pa&iacute;s n&atilde;o sofria uma emigra&ccedil;&atilde;o de tal magnitude como a atual, com a agravante de que pela primeira vez inclui profissionais altamente qualificados. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/01\/desenvolvimento\/portugal-o-xodo-dos-diplomados\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":919,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[18,21],"class_list":["post-11177","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-desenvolvimento","tag-europa","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11177","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/919"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11177"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11177\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11177"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11177"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11177"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}