{"id":11188,"date":"2013-01-11T08:06:41","date_gmt":"2013-01-11T08:06:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11188"},"modified":"2013-01-11T08:06:41","modified_gmt":"2013-01-11T08:06:41","slug":"lies-do-desmantelamento-nuclear-da-frica-do-sul","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/01\/africa\/lies-do-desmantelamento-nuclear-da-frica-do-sul\/","title":{"rendered":"Li&ccedil;&otilde;es do desmantelamento nuclear da &Aacute;frica do Sul"},"content":{"rendered":"<p>Johannesburgo, &Aacute;frica do Su, 11\/01\/2013 &ndash; Nos &uacute;ltimos dias do regime de segrega&ccedil;&atilde;o racial apartheid, as autoridades da &Aacute;frica do Sul tomaram uma decis&atilde;o com grandes consequ&ecirc;ncias para o pa&iacute;s e o continente: puseram fim ao seu programa de armas nucleares.  <!--more--><br \/>\n <div id=\"attachment_11188\" style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/nuvem.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-11188\" class=\"size-medium wp-image-11188\" title=\"Nuvem de fuma&ccedil;a saindo de uma central nuclear de teste. - National Nuclear Security Administration\/CC-BY-ND-2.0\" src=\"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/fotos\/nuvem.jpg\" alt=\"Nuvem de fuma&ccedil;a saindo de uma central nuclear de teste. - National Nuclear Security Administration\/CC-BY-ND-2.0\" width=\"200\" height=\"133\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-11188\" class=\"wp-caption-text\">Nuvem de fuma&ccedil;a saindo de uma central nuclear de teste. - National Nuclear Security Administration\/CC-BY-ND-2.0<\/p><\/div>  &quot;A primeira etapa implicou o desmantelamento de seis dispositivos nucleares completos (e um parcialmente montado)&quot;, disse Greg Mills, que dirige a Funda&ccedil;&atilde;o Brenthurst, com sede em Johannesburgo e que assessora governos africanos.<\/p>\n<p>&quot;A decis&atilde;o foi tomada pelo presidente na &eacute;poca, F. W. de Klerk, em fevereiro de 1991, pouco depois da liberta&ccedil;&atilde;o de Nelson Mandela e do fim da proibi&ccedil;&atilde;o do Congresso Nacional Africano (CNA), do Congresso Pan-Africano e do Partido Comunista Sul-Africano&quot;, explicou Mills. A &Aacute;frica do Sul assinou o Tratado de N&atilde;o Prolifera&ccedil;&atilde;o Nuclear em 10 de julho de 1991. Sete semanas depois, em 16 de setembro, assinou o Acordo Integral de Salvaguardas com a Ag&ecirc;ncia Internacional de Energia At&ocirc;mica (AIEA), o que permitiu inspe&ccedil;&otilde;es frequentes &agrave;s suas instala&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>&quot;As autoridades sul-africanas cooperaram com a AIEA durante todo o processo de verifica&ccedil;&atilde;o, e foram elogiadas em 1992 pelo ent&atilde;o diretor geral da ag&ecirc;ncia, Hans Blix, por dar aos inspetores acesso ilimitado e mais dados do que os previstos pelo Acordo de Salvaguardas&quot;, destacou Mills. &quot;O segundo passo foi o desmantelamento do programa de m&iacute;sseis bal&iacute;sticos da &Aacute;frica do Sul, que come&ccedil;ou em 1992 e durou 18 meses&quot;, acrescentou. &quot;Este processo levou &agrave; sua incorpora&ccedil;&atilde;o ao Regime de Controle de Tecnologia de M&iacute;sseis em setembro de 1995, ap&oacute;s a verifica&ccedil;&atilde;o da destrui&ccedil;&atilde;o do &uacute;ltimo de seus dispositivos&quot;, prosseguiu.<\/p>\n<p>&quot;E a terceira etapa incluiu o fechamento do programa de guerra biol&oacute;gica e qu&iacute;mica&quot;, afirmou Mills, destacando que a &quot;&Aacute;frica do Sul &eacute; o &uacute;nico pa&iacute;s do mundo que desmantelou de forma volunt&aacute;ria sua capacidade armamentista nuclear&quot;. &quot;A experi&ecirc;ncia sul-africana assinala a import&acirc;ncia de se criar um ambiente prop&iacute;cio,no qual os regimes possam ter suficiente confian&ccedil;a para se desarmar e se manter assim&quot;, ressaltou.<\/p>\n<p>A quest&atilde;o aqui &eacute; qual foi o motivo do desarmamento, o interesse em um continente livre de armas nucleares ou, reconhecendo a queda do apartheid, o de impedir que Nelson Mandela e o futuro governo do CNA tivessem o controle do armamento? &quot;O atual presidente, Jacob Zuma, sem d&uacute;vida, acredita, como muitos de seus companheiros ativos durante a transi&ccedil;&atilde;o democr&aacute;tica, que as pessoas que constru&iacute;ram o arsenal at&ocirc;mico da &Aacute;frica do Sul n&atilde;o quiseram que o CNA pusesse suas m&atilde;os nele&quot;, escreveu Terence McNamee, subdiretor da Funda&ccedil;&atilde;o Brenthurst, no jornal Star, de Johannesburgo.<\/p>\n<p>McNamee afirmou que De Klerk esperou at&eacute; mar&ccedil;o de 1993 para informar ao mundo sobre o desmantelamento do arsenal nuclear da &Aacute;frica do Sul, e at&eacute; ent&atilde;o &quot;ningu&eacute;m, nem mesmo Nelson Mandela, havia sido notificado de que o programa tinha sido abolido&quot;, e, menos ainda, que existia. As armas at&ocirc;micas j&aacute; n&atilde;o t&ecirc;m lugar na &Aacute;frica do Sul nem no continente, mas h&aacute; grande expectativa por esta alternativa para gerar energia. &quot;A fonte nuclear pode ajudar a responder ao extraordin&aacute;rio atraso dos pa&iacute;ses africanos em mat&eacute;ria energ&eacute;tica, pois o continente tem uma produ&ccedil;&atilde;o semelhante &agrave; da Espanha, mas com 20 vezes mais pessoas&quot;, disse Mills &agrave; IPS. &quot;Por&eacute;m, as preocupa&ccedil;&otilde;es pelo uso da energia at&ocirc;mica na &Aacute;frica v&atilde;o ao pr&oacute;prio cora&ccedil;&atilde;o da raz&atilde;o pela qual h&aacute; um atraso: a governan&ccedil;a&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Segundo o especialista em estrat&eacute;gia de marketing Jeremy Sampson, presidente executivo da consultoria Interbrand Sampson, em termos de imagem, a decis&atilde;o da &Aacute;frica do Sul de desmantelar seu arsenal nuclear melhorou sua autoridade moral em mat&eacute;ria de n&atilde;o prolifera&ccedil;&atilde;o. &quot;Nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas houve um dr&aacute;stico aumento da import&acirc;ncia das quest&otilde;es de marca e reputa&ccedil;&atilde;o. J&aacute; n&atilde;o se aplica apenas a empresas, produtos e servi&ccedil;os, mas tamb&eacute;m a pessoas e at&eacute; pa&iacute;ses&quot;, afirmou.<\/p>\n<p>Sobre as raz&otilde;es que levaram as autoridades sul-africanas a encerrar seu programa nuclear, Sampson especulou que o regime pode ter recebido incentivos que n&atilde;o foram levados ao p&uacute;blico. &quot;A &Aacute;frica do Sul realmente desenvolveu dispositivos nucleares? Quem a ajudou? Houve uma simula&ccedil;&atilde;o no fundo do Atl&acirc;ntico? Como foram usados?&quot;, questionou. Tamb&eacute;m afirmou que a decis&atilde;o volunt&aacute;ria das autoridades sul-africanas apresenta muitas outras interroga&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>&quot;O regime do apartheid estava realmente desesperado? As san&ccedil;&otilde;es estavam causando estragos? Qual foi o interc&acirc;mbio? Quais garantias foram oferecidas? Realmente pagou-se aos integrantes do regime em fuga para usos il&iacute;citos como ocorreu na Alemanha ao final da Segunda Guerra Mundial?, insistiu Sampson. Qualquer que tenha sido o incentivo, o consultor afirmou que deve ter sido &quot;muito, muito significativo. A atividade militar em Angola e o apoio ao l&iacute;der rebelde angolano Jonas Savimbi provavelmente ocuparam um lugar importante na agenda&quot;.<\/p>\n<p>Frans Cronje, subdiretor geral do Instituto de Rela&ccedil;&otilde;es Raciais da &Aacute;frica do Sul, disse que o regime do apartheid sofreu uma forte press&atilde;o do Ocidente, e, talvez, tamb&eacute;m da R&uacute;ssia, para renunciar ao seu programa nuclear. &quot;Todo o assunto foi disfar&ccedil;ado como retirada com honra de uma &Aacute;frica at&ocirc;mica&quot;, disse &agrave; IPS. &quot;&Eacute; como se os pa&iacute;ses ocidentais e a R&uacute;ssia tamb&eacute;m se preocupassem pela exist&ecirc;ncia de um Estado africano independente e com arsenal nuclear&quot;, pontuou.<\/p>\n<p>A &Aacute;frica do Sul teria maior for&ccedil;a no cen&aacute;rio internacional se tivesse armas at&ocirc;micas, afirmou Cronje. &quot;Tivessem levado a s&eacute;rio um Estado africano com arsenal nuclear e ele teria desempenhado um papel de lideran&ccedil;a mais s&oacute;lido, pois obriga as pessoas a levaram a s&eacute;rio&quot;, acrescentou. &quot;Em termos de lideran&ccedil;a, renunciar &agrave;s armas at&ocirc;micas leva ao contr&aacute;rio, reduzindo a influ&ecirc;ncia em assuntos internos e na pol&iacute;tica internacional&quot;, explicou.<\/p>\n<p>Talvez nunca saibamos as verdadeiras raz&otilde;es, mas o desmantelamento do programa nuclear deu &agrave; &Aacute;frica do Sul benef&iacute;cios morais que perduram at&eacute; hoje. Deu uma voz em mat&eacute;ria de n&atilde;o prolifera&ccedil;&atilde;o e autoridade moral para criar sua pr&oacute;pria ind&uacute;stria el&eacute;trica nuclear sem atrair as suspeitas da comunidade internacional, como ocorre com o Ir&atilde;. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Johannesburgo, &Aacute;frica do Su, 11\/01\/2013 &ndash; Nos &uacute;ltimos dias do regime de segrega&ccedil;&atilde;o racial apartheid, as autoridades da &Aacute;frica do Sul tomaram uma decis&atilde;o com grandes consequ&ecirc;ncias para o pa&iacute;s e o continente: puseram fim ao seu programa de armas nucleares. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/01\/africa\/lies-do-desmantelamento-nuclear-da-frica-do-sul\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1358,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3,10,11],"tags":[28],"class_list":["post-11188","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-africa","category-energia","category-politica","tag-africa-do-sul"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11188","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1358"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11188"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11188\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11188"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11188"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11188"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}