{"id":1119,"date":"2005-10-19T00:00:00","date_gmt":"2005-10-19T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=1119"},"modified":"2005-10-19T00:00:00","modified_gmt":"2005-10-19T00:00:00","slug":"direitos-humanos-h-menos-guerras-no-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2005\/10\/politica\/direitos-humanos-h-menos-guerras-no-mundo\/","title":{"rendered":"Direitos Humanos: H&aacute; menos guerras no mundo"},"content":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 19\/10\/2005 &ndash; Ao contr&aacute;rio da cren&ccedil;a generalizada, houve uma grande redu&ccedil;&atilde;o dos conflitos armados, genoc&iacute;dios, viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos, golpes militares e crises internacionais desde o come&ccedil;o dos anos 90. Pelo menos, &eacute; isso que afirma um estudo divulgado nesta ter&ccedil;a-feira, realizado nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s anos pelo Centro de Seguran&ccedil;a Humana na canadense Universidade de Col&uacute;mbia Brit&acirc;nica, com fundos dos governos do Canad&aacute; e da Gr&atilde;-Bretanha, Noruega, Su&eacute;cia e Su&iacute;&ccedil;a. A quantidade de conflitos armados caiu mais de 40% desde 1992, e os mais mortais &#8211; aqueles onde morreram mais de mil combatentes no campo de batalha &#8211; diminu&iacute;ram ainda mais: 80%. Por outro lado, a quantidade de golpes militares e tentativas de golpes tiveram redu&ccedil;&atilde;o de 60% desde 1963, quando 25 foram registrados. No ano passado, foram apenas 10, todos sem sucesso.<br \/> <!--more--> <br \/> Gr&atilde;-Bretanha e Fran&ccedil;a seguidas de Estados Unidos e R&uacute;ssia (e sua antecessora, a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica) participaram da maioria das guerras internacionais desde 1946. Mas hoje a maioria dos conflitos armados s&atilde;o registrados nos pa&iacute;ses mais pobres, especialmente na &Aacute;frica. Na medida em que a renda econ&ocirc;mica desses pa&iacute;ses aumenta, o risco de guerra diminui, segundo os autores do estudo. A maior quantidade de mortes devido &agrave;s guerras n&atilde;o ocorre em combate, mas pelas doen&ccedil;as e pela desnutri&ccedil;&atilde;o exacerbadas pelos conflitos, que representam 90% das mortes.<\/p>\n<p> &quot;Nos &uacute;ltimos 30 anos, o colapso de aproximadamente 60 ditaduras liberou milh&otilde;es de pessoas de regimes opressivos&quot;, disse o arcebispo sul-africano Desmond Tutu, pr&ecirc;mio Nobel da Paz. &quot;A quantidade de democracias aumentou, os conflitos armados entre Estados se tornaram cada vez mais raros e todas as guerras s&atilde;o menos mortais&quot;, acrescentou Tutu, autor do pref&aacute;cio do estudo. De todo modo, persistem cerca de 60 conflitos em todo o mundo, e ainda s&atilde;o cometidos crimes de guerra e graves viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos, ao mesmo tempo em que ocorrem os piores atos de terrorismo da hist&oacute;ria, segundo o informe.<\/p>\n<p> &quot;As guerras que dominaram as manchetes dos jornais nos anos 90 eram suficientemente reais e brutais. Mas, a maioria dos meios de comunica&ccedil;&atilde;o do mundo ignorou uma centena de conflitos que terminaram sem ru&iacute;do desde 1988. Neste per&iacute;odo, acabaram mais guerras do que come&ccedil;aram&quot;, diz o documento. O diretor do estudo, professor Andrew Mack, afirmou que as &quot;extraordin&aacute;rias mudan&ccedil;as&quot; chamam menos a aten&ccedil;&atilde;o &quot;porque muitos poucos ficam sabendo que aconteceram. Nenhuma ag&ecirc;ncia internacional recolhe dados sobre guerras, genoc&iacute;dios, atos terroristas ou graves abusos de direitos humanos. A ignor&acirc;ncia se deve ao fato de os meios de comunica&ccedil;&atilde;o darem mais coberturas &agrave;s guerras que come&ccedil;am do que &agrave;s que terminam&quot;, acrescentou Mack.<\/p>\n<p> O estudo, intitulado &quot;Informe sobre Seguran&ccedil;a Humana 2005&quot;, atribuiu a redu&ccedil;&atilde;o dos conflitos a tr&ecirc;s raz&otilde;es pol&iacute;ticas. A primeira &eacute; o fim do colonialismo. Desde o in&iacute;cio da d&eacute;cada de 50 at&eacute; princ&iacute;pio dos anos 80, as guerras coloniais representavam entre 60%e 100% dos conflitos internacionais. &quot;Hoje n&atilde;o h&aacute; guerras desse tipo&quot;, afirmam os pesquisadores. A segunda &eacute; o fim da Guerra Fria entre Estados Unidos e a extinta Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica, respons&aacute;vel por um ter&ccedil;o dos conflitos posteriores &agrave; Segunda Guerra Mundial. &quot;Isto removeu qualquer amea&ccedil;a residual de guerra entre as grandes pot&ecirc;ncias, e Washington e Moscou deixaram de incentivar &quot;guerras de apoderados&quot; no mundo em desenvolvimento&quot;, diz a pesquisa.<\/p>\n<p> A terceira raz&atilde;o &eacute; o surgimento, a partir do fim da Guerra Fria, de atividades internacionais sem precedentes destinadas a deter as guerras hoje em curso e impedir que outras comecem. A principal impulsora de tais atividades &eacute; a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, cuja a&ccedil;&atilde;o determinou que aumentassem em seis vezes as miss&otilde;es de diplomacia preventiva (para impedir que as guerras comecem) e quadruplicou as miss&otilde;es de paz (para que tamb&eacute;m acabem as que est&atilde;o em curso). Tamb&eacute;m quadruplicaram as miss&otilde;es de manuten&ccedil;&atilde;o da paz da ONU (para reduzir o risco de que comecem) e multiplicaram por 11 a quantidade de Estados punidos pelas Na&ccedil;&otilde;es Unidas.<\/p>\n<p> Atualmente, est&atilde;o em curso 16 miss&otilde;es de manuten&ccedil;&atilde;o da paz da ONU, com cerca de 17 mil soldados em pa&iacute;ses t&atilde;o diferentes como L&iacute;bano, Ge&oacute;rgia, Haiti e Serra Leoa. O centro acad&ecirc;mico norte-americano Corpora&ccedil;&atilde;o Rand calculou que dois ter&ccedil;os das miss&otilde;es de paz da ONU tiveram &ecirc;xito. O custo destas miss&otilde;es foi de US$ 3,870 bilh&otilde;es no exerc&iacute;cio anual 2005\/2005. Essa quantia &eacute; insignificante diante do gasto militar mundial, que atinge n&iacute;veis pr&oacute;prios da Guerra Fria, com US$ 1 trilh&atilde;o anuais. O estudo canadense indica que o custo total das opera&ccedil;&otilde;es de manuten&ccedil;&atilde;o da paz da ONU para todo um ano &eacute; menor do que o gasto militar dos Estados Unidos no Iraque em apenas um m&ecirc;s.<\/p>\n<p> O or&ccedil;amento militar norte-americano para 2005 chega a US$ 421 bilh&otilde;es. China e R&uacute;ssia gastaram, cada uma, US$ 50 bilh&otilde;es em 2003, enquanto Jap&atilde;o e Gr&atilde;-Bretanha gastaram, cada um, US$ 41 bilh&otilde;es. &quot;As Na&ccedil;&otilde;es Unidas n&atilde;o atuaram sozinhas. O Banco Mundial, Estados doadores, organiza&ccedil;&otilde;es regionais e milhares de organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais trabalharam em estreita liga&ccedil;&atilde;o com ag&ecirc;ncias da ONU, e freq&uuml;entemente desempenharam tarefas independentes&quot;, acrescenta o informe. Mas, a Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas foi a protagonista excludente das a&ccedil;&otilde;es pela paz, adverte o documento. As guerras de hoje s&atilde;o menos mortais porque as que ocorriam durante a Guerra Fria envolviam grandes ex&eacute;rcitos, armas convencionais pesadas e interven&ccedil;&atilde;o estrangeira maci&ccedil;a, explica o estudo. Morriam, ent&atilde;o, centenas de milhares de pessoas, &agrave;s vezes, milh&otilde;es, acrescenta.<\/p>\n<p> No entanto, a esmagadora maioria das guerras atuais s&atilde;o conflitos de baixa intensidade travados com armas pequenas e leves, entre governos fracos e rebeldes mal treinados. Raramente ocorrem grandes combates. &quot;Embora com freq&uuml;&ecirc;ncia essas guerras sejam brutais, nelas morrem relativamente poucas pessoas em compara&ccedil;&atilde;o com os grandes conflitos da &eacute;poca da Guerra Fria, no geral centenas de pessoas mais do que dezenas de milhares&quot;, acrescenta o estudo. Por outro lado, as mortes em combate tamb&eacute;m se reduziram pelo grande aumento da quantidade de refugiados nos anos 80. Se esses milh&otilde;es de pessoas n&atilde;o tivessem abandonado suas casas, centenas de milhares &#8211; ou, talvez, muito mais &#8211; poderiam ter morrido, afirmam os autores do informe. Que o mundo est&aacute; ficando mais pac&iacute;fico, de todo modo, n&atilde;o representa um consolo para as pessoas que hoje sofrem na regi&atilde;o sudanesa de Darfur, no Iraque, na Col&ocirc;mbia, Rep&uacute;blica Democr&aacute;tica do Congo ou no Nepal, conclui o estudo. (IPS\/Envolverde)<\/p>\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na&ccedil;&otilde;es Unidas, 19\/10\/2005 &ndash; Ao contr&aacute;rio da cren&ccedil;a generalizada, houve uma grande redu&ccedil;&atilde;o dos conflitos armados, genoc&iacute;dios, viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos, golpes militares e crises internacionais desde o come&ccedil;o dos anos 90. Pelo menos, &eacute; isso que afirma um estudo divulgado nesta ter&ccedil;a-feira, realizado nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s anos pelo Centro de Seguran&ccedil;a Humana na canadense Universidade de Col&uacute;mbia Brit&acirc;nica, com fundos dos governos do Canad&aacute; e da Gr&atilde;-Bretanha, Noruega, Su&eacute;cia e Su&iacute;&ccedil;a. A quantidade de conflitos armados caiu mais de 40% desde 1992, e os mais mortais &#8211; aqueles onde morreram mais de mil combatentes no campo de batalha &#8211; diminu&iacute;ram ainda mais: 80%. Por outro lado, a quantidade de golpes militares e tentativas de golpes tiveram redu&ccedil;&atilde;o de 60% desde 1963, quando 25 foram registrados. 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