{"id":11192,"date":"2013-01-11T08:13:02","date_gmt":"2013-01-11T08:13:02","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11192"},"modified":"2013-01-11T08:13:02","modified_gmt":"2013-01-11T08:13:02","slug":"as-escolas-do-amanh-trincheiras-do-saber-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/01\/america-latina\/as-escolas-do-amanh-trincheiras-do-saber-no-brasil\/","title":{"rendered":"As Escolas do Amanh&atilde;, trincheiras do saber no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 11\/01\/2013 &ndash; Os professores da Escola Municipal IV Centen&aacute;rio, no Rio de Janeiro, est&atilde;o treinados para construir trincheiras com seus alunos no lugar mais seguro no caso de haver tiroteio. <!--more--> Este &eacute; apenas um detalhe de um projeto educacional que vai muito al&eacute;m de tentar dar aten&ccedil;&atilde;o diferenciada a comunidades afetadas pela viol&ecirc;ncia nesta cidade. O centro educacional &eacute; uma das 152 Escolas do Amanh&atilde;, selecionadas dentro da rede municipal de ensino por estarem localizadas em &aacute;reas catalogadas como vulner&aacute;veis.<\/p>\n<p>O Complexo da Mar&eacute; &eacute; uma favela dos sub&uacute;rbios do norte do Rio de Janeiro onde vivem 1,5 milh&atilde;o de pessoas, que, como outros assentamentos surgidos espontaneamente, carece de servi&ccedil;os b&aacute;sicos. As favelas tamb&eacute;m sofrem o dom&iacute;nio hist&oacute;rico de grupos de traficantes e o surgimento recente de grupos parapoliciais, conhecidos como mil&iacute;cias e sustentados por poderes econ&ocirc;micos. &quot;Todos estamos treinados para isso. Fizemos um curso. Assim nos dias em que temos opera&ccedil;&atilde;o policial j&aacute; sabemos o que fazer&quot;, contou &agrave; IPS a diretora da escola IV Centen&aacute;rio, Rita de Cassia Magnino.<\/p>\n<p>A capacita&ccedil;&atilde;o ajuda a minimizar os efeitos de uma guerra urbana n&atilde;o declarada. Os professores levam os alunos para lugares protegidos e longe das janelas, para n&atilde;o ficarem expostas &agrave;s balas e aos peda&ccedil;os de vidro quebrado. Magnino espera que dias assim tenham fim quando, este ano, chegar ao Complexo da Mar&eacute; o processo de pacifica&ccedil;&atilde;o, um plano que come&ccedil;ou a ser desenvolvido nas favelas cariocas em 2008 e que inclui, al&eacute;m da ocupa&ccedil;&atilde;o policial do lugar, projetos de saneamento, infraestrutura, sa&uacute;de e melhoria da renda.<\/p>\n<p>O programa Escolas do Amanh&atilde; foi criado em 2009 pela Secretaria de Educa&ccedil;&atilde;o do munic&iacute;pio do Rio de Janeiro para reduzir a evas&atilde;o escolar e melhorar o aprendizado em &aacute;reas de risco, e seu alcance vai al&eacute;m da prote&ccedil;&atilde;o aos alunos diante de eventuais tiroteios. &quot;O desafio &eacute; estabelecer uma escola com qualidade educacional, que enfrente as car&ecirc;ncias de comunidades tradicionalmente esquecidas&quot;, disse &agrave; IPS o presidente do Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos, Jorge Werthein.<\/p>\n<p>&quot;Para isso, &eacute; preciso saber do que necessita a comunidade atendida por estas Escolas do Amanh&atilde; e como incentiv&aacute;-las a participar das atividades escolares&quot;, destacou Werthein, ex-diretor no Brasil da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Educa&ccedil;&atilde;o, a Ci&ecirc;ncia e a Cultura (Unesco). E Magnino resumiu dizendo que &quot;a &uacute;nica maneira de combater realmente a viol&ecirc;ncia &eacute; com uma educa&ccedil;&atilde;o de qualidade&quot;.<\/p>\n<p>Essa qualidade educacional se baseia em seis pilares e beneficia mais de 109 mil meninos e meninas em comunidades pacificadas e n&atilde;o pacificadas. O primeiro &eacute; o de uma educa&ccedil;&atilde;o integral, com mais de 50 atividades de refor&ccedil;o escolar, cultura, artes e esportes. Ao contr&aacute;rio de outras escolas das redes municipal e estadual, estas contam com salas de leitura, de computa&ccedil;&atilde;o e laborat&oacute;rios de ci&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>O programa Cientistas do Amanh&atilde; &eacute; outro pilar. Baseia-se em uma nova metodologia de ensino de ci&ecirc;ncias da Funda&ccedil;&atilde;o Sangari, que estimula o estudante a desenvolver o racioc&iacute;nio e o senso cr&iacute;tico. &quot;&Eacute; fant&aacute;stico, o aluno aprende como nasce um peixe com um aqu&aacute;rio, como nasce uma flor&quot;, contou a diretora. &quot;A presen&ccedil;a do coordenador pedag&oacute;gico, importante para administrar junto ao diretor o projeto pol&iacute;tico-pedag&oacute;gico&quot;, destacou, ao citar um fundamento da iniciativa: a capacita&ccedil;&atilde;o permanente de professores e outros gestores educacionais.<\/p>\n<p>Outro pilar, Sa&uacute;de nas Escolas, promove o exame peri&oacute;dico dos alunos. Ao ser detectado um problema, o estudante &eacute; encaminhado a um posto m&eacute;dico municipal. Por&eacute;m, Magnino destaca que o programa n&atilde;o seria poss&iacute;vel sem a participa&ccedil;&atilde;o da comunidade e das fam&iacute;lias. O programa Bairro Educador integra os moradores e pais &agrave; escola e tenta detectar problemas em cada fam&iacute;lia. Tamb&eacute;m incorpora m&atilde;es volunt&aacute;rias e estagi&aacute;rios universit&aacute;rios como apoio escolar.<\/p>\n<p>Magnino coordena reuni&otilde;es quinzenais com os pais e representantes, nas quais a presen&ccedil;a oscila entre 85% e 90%, um recorde que ganha maior valor porque muitas fam&iacute;lias t&ecirc;m &agrave; frente uma mulher sozinha que trabalha o dia inteiro. &quot;O problema surge quando a fam&iacute;lia n&atilde;o est&aacute; presente, porque ela &eacute; muito importante&quot;, destacou a diretora da escola, que tem 500 alunos de quatro a 12 anos. &quot;De tanto convocar os pais, estes acabam acreditando no projeto&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>Os professores tamb&eacute;m foram capacitados como mediadores de conflitos entre a escola e a comunidade, e para abordar temas como o consumo de drogas e a viol&ecirc;ncia. Para a diretora, o combate &agrave; viol&ecirc;ncia come&ccedil;a pela escola. &quot;Explica-se &agrave;s crian&ccedil;as que a viol&ecirc;ncia nada resolve e que com di&aacute;logo tudo pode ser resolvido&quot;, enfatizou Magnino.<\/p>\n<p>&quot;O grande diferen&ccedil;a &eacute; promover um ensino distinto, de forma integral e com uma metodologia din&acirc;mica, que elabore o bloqueio das crian&ccedil;as que sofrem com a superexposi&ccedil;&atilde;o &agrave; viol&ecirc;ncia&quot;, afirmou &agrave; imprensa a secret&aacute;ria de Educa&ccedil;&atilde;o do munic&iacute;pio, Claudia Costin. Os resultados j&aacute; s&atilde;o vis&iacute;veis nas Escolas do Amanh&atilde;. &quot;Conseguiram aumentar o interesse dos alunos e diminuiu a evas&atilde;o e a repet&ecirc;ncia&quot;, destacou Werthein, ao qualificar a iniciativa de &quot;extremamente interessante e inovadora&quot;.<\/p>\n<p>Dados oficiais mostram que a taxa de evas&atilde;o escolar caiu entre 2008 e 2011 de 5,1% para 3,2%. Al&eacute;m disso, o &Iacute;ndice de Desenvolvimento de Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica nacional destaca que nestas escolas, entre 2009 e 2011, aumentou a participa&ccedil;&atilde;o de alunos nas &uacute;ltimas s&eacute;ries, aquelas que adolescentes abandonam quando os grupos criminosos os recrutam. O progresso tem especial import&acirc;ncia pelo retorno prec&aacute;rio das escolas. &quot;Funcionam onde h&aacute; ou houve por muito tempo grandes tiroteios e os alunos abandonavam os estudos para trabalhar com o tr&aacute;fico&quot;, recordou Costin.<\/p>\n<p>As Escolas do Amanh&atilde; ainda s&atilde;o uma ilha no total de 1.074 estabelecimentos municipais de ensino, mas as autoridades do Rio de Janeiro buscam estender o programa para toda a rede, enquanto outros Estados estudam replicar a iniciativa. Werthein vai al&eacute;m. &quot;Instalar escolas de qualidade nas favelas &eacute; um exemplo a ser seguido em muitos outros pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina&quot;, afirmou. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 11\/01\/2013 &ndash; Os professores da Escola Municipal IV Centen&aacute;rio, no Rio de Janeiro, est&atilde;o treinados para construir trincheiras com seus alunos no lugar mais seguro no caso de haver tiroteio. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/01\/america-latina\/as-escolas-do-amanh-trincheiras-do-saber-no-brasil\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":75,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2,12,5],"tags":[27,20,21],"class_list":["post-11192","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","tag-brasil","tag-educacion","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11192","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11192"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11192\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11192"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11192"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11192"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}