{"id":11199,"date":"2013-01-14T08:04:39","date_gmt":"2013-01-14T08:04:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ipsnoticias.net\/portuguese\/?p=11199"},"modified":"2013-01-14T08:04:39","modified_gmt":"2013-01-14T08:04:39","slug":"brasil-ativistas-exigem-contundncia-contra-fbrica-contaminante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/01\/america-latina\/brasil-ativistas-exigem-contundncia-contra-fbrica-contaminante\/","title":{"rendered":"BRASIL: Ativistas exigem contund&ecirc;ncia contra f&aacute;brica contaminante"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 14\/01\/2013 &ndash; A a&ccedil;&atilde;o das autoridades da cidade do Rio de Janeiro suspendendo o funcionamento da Companhia Sider&uacute;rgica do Atl&acirc;ntico (CSA) &eacute; considerada uma boa not&iacute;cia, apesar de insuficiente, pelas organiza&ccedil;&otilde;es denunciantes de graves danos &agrave; popula&ccedil;&atilde;o e ambientais na Ba&iacute;a de Sepetiba. <!--more--> &quot;&Eacute; uma a&ccedil;&atilde;o importante, mas tardia. A prefeitura deveria ter controlado mais rigidamente a CSA h&aacute; muito mais tempo&quot;, disse &agrave; IPS o pesquisador Gabriel Strautman, especialista em direitos econ&ocirc;micos, sociais e culturais da organiza&ccedil;&atilde;o humanit&aacute;ria Justi&ccedil;a Global. &quot;O mais importante &eacute; que esse discurso da CSA de que utiliza a melhor tecnologia e adota todas as medidas necess&aacute;rias est&aacute; sendo sistematicamente colocada em xeque&quot;, acrescentou.<\/p>\n<p>A decis&atilde;o foi publicada na semana passada no Di&aacute;rio Oficial do munic&iacute;pio, informando que no local &quot;est&aacute; sendo realizada atividade de siderurgia sem a competente licen&ccedil;a de funcionamento do estabelecimento. As autoridades afirmaram que a CSA, propriedade do cons&oacute;rcio alem&atilde;o ThyssenKrupp em associa&ccedil;&atilde;o com a brasileira Vale, operava com autoriza&ccedil;&atilde;o provis&oacute;ria, v&aacute;lida apenas por seis meses e com possibilidade de prorroga&ccedil;&atilde;o, que n&atilde;o foi renovada porque a empresa n&atilde;o apresentou os documentos solicitados.<\/p>\n<p>As autoridades alertaram que se a decis&atilde;o n&atilde;o for cumprida a companhia ter&aacute; de pagar multa equivalente a US$ 285 por dia e, al&eacute;m disso, ser&aacute; denunciada como respons&aacute;vel por crime de desobedi&ecirc;ncia perante o Minist&eacute;rio P&uacute;blico.<\/p>\n<p>&quot;Claro que qualquer medida que exponha irregularidades de instala&ccedil;&atilde;o e opera&ccedil;&atilde;o desta empresa tem nosso apoio. Se o mesmo poder p&uacute;blico que lhe concedeu todas as facilidades para se instalar reconhece que est&aacute; operando irregularmente, para n&oacute;s &eacute; uma vit&oacute;ria&quot;, disse Sandra Quintela, socioeconomista do Instituto de Pol&iacute;ticas Alternativas do Cone Sul (PACS). Por&eacute;m, destacou que a falta de autoriza&ccedil;&atilde;o de funcionamento &quot;&eacute; apenas mais uma evid&ecirc;ncia das incont&aacute;veis irregularidades que cercam esta empresa&quot;.<\/p>\n<p>O PACS afirma que a regi&atilde;o da Ba&iacute;a de Sepetiba, localizada no extremo oeste do Rio de Janeiro, sofre enorme impacto socioambiental devido &agrave; contamina&ccedil;&atilde;o causada pela sider&uacute;rgica, considerada a maior da Am&eacute;rica Latina. Segundo Quintela, as primeiras v&iacute;timas foram os pescadores artesanais quando a CSA foi inaugurada em 2010. Depois come&ccedil;aram as den&uacute;ncias sobre danos &agrave; sa&uacute;de dos moradores do vizinho bairro de Santa Cruz pela emiss&atilde;o de uma chuva de metais que aconteceu pelo menos duas vezes de forma aguda, uma no final de 2010 e come&ccedil;o de 2011 e outra em outubro passado.<\/p>\n<p>A Secretaria de Meio Ambiente multou por tr&ecirc;s vezes a empresa por essa emiss&atilde;o contaminante chamada &quot;chuva de prata&quot;. Na &eacute;poca a CSA reconheceu o problema &quot;de que o grafite &eacute; oriundo de seu produ&ccedil;&atilde;o&quot; e se desculpou com os vizinhos. Al&eacute;m disso, se comprometeu a melhorar seus sistemas de filtros para corrigir a emiss&atilde;o de part&iacute;culas.<\/p>\n<p>Na oportunidade a empresa disse que o grafite n&atilde;o &eacute; contaminante, argumento rebatido por Quintela que, baseada em um estudo da Secretaria de Meio Ambiente e da Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica do Rio de Janeiro, afirma que a &quot;chuva de prata&quot; cont&eacute;m outros metais, como zinco.<\/p>\n<p>Quintela garantiu que a deteriora&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de da popula&ccedil;&atilde;o vizinha &eacute; evidente e mostra que as medidas tomadas n&atilde;o foram suficientes. Os moradores continuam sofrendo problemas respirat&oacute;rios, dermatol&oacute;gicos e al&eacute;rgicos, entre outros, verificados por um estudo de pesquisadores da Funda&ccedil;&atilde;o Oswaldo Cruz, acrescentou.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, a sider&uacute;rgica foi alvo de den&uacute;ncias por outras irregularidades, como ilegalidade e falta de transpar&ecirc;ncia no processo de estudo ambiental e a destrui&ccedil;&atilde;o de mangues da ba&iacute;a. &quot;&Eacute; o retrato de uma empresa retr&oacute;grada com uma administra&ccedil;&atilde;o arcaica e uma planta industrial do s&eacute;culo XIX&quot;, disse &agrave; IPS o coordenador da organiza&ccedil;&atilde;o ambientalista Alternativa Terrazul-RJ, Carlos Painel, ao se referir as CSA, que qualificou como &quot;a maior emissora de gases-estufa do munic&iacute;pio do Rio de Janeiro&quot;.<\/p>\n<p>&quot;Querendo se aproveitar da grande demanda mundial por a&ccedil;o na d&eacute;cada passada, foi surpreendida pela crise financeira de 2007 e se converteu em uma gigantesca nave sem rumo&quot;, acrescentou. Por isso, para Painel, a decis&atilde;o municipal, apesar de &quot;correta, est&aacute; longe de inibir o grande mal que essa sider&uacute;rgica causa &agrave; cidade e sua popula&ccedil;&atilde;o&quot;.<\/p>\n<p>Procurada pela IPS, a assessoria de imprensa da CSA no Brasil respondeu em um comunicado que encaminhou pedido de reconsidera&ccedil;&atilde;o &agrave; prefeitura, que est&aacute; sendo analisado, bem como os documentos requeridos. O cons&oacute;rcio alem&atilde;o esclarece que a decis&atilde;o n&atilde;o tem liga&ccedil;&atilde;o com as licen&ccedil;as de opera&ccedil;&atilde;o ou ambiental do complexo sider&uacute;rgico, emitidas pelo governo estadual, mas com a autoriza&ccedil;&atilde;o municipal.<\/p>\n<p>&quot;Este documento tem que ser renovado semestralmente at&eacute; o cumprimento das exig&ecirc;ncias para emiss&atilde;o da habilita&ccedil;&atilde;o de funcionamento definitivo. A CSA est&aacute; atuando conforme o processo de autoriza&ccedil;&otilde;es ambientais e cumprindo rigorosamente cada ponto do Termo de Conduta (TAC) assinado em mar&ccedil;o de 2012&quot; com a Secretaria do Meio Ambiente, acrescentou.<\/p>\n<p>A CSA &eacute; um complexo sider&uacute;rgico integrado para produzir placas de a&ccedil;o de alta qualidade que se define em sua p&aacute;gina da internet como &quot;a mais moderna planta sider&uacute;rgica integrada da Ba&iacute;a de Sepetiba&quot;, com capacidade anual de produ&ccedil;&atilde;o de cinco milh&otilde;es de toneladas de a&ccedil;o. Sua instala&ccedil;&atilde;o, que significou o maior investimento privado da &uacute;ltima d&eacute;cada no Estado do Rio de Janeiro, foi planejamento em momento de auge do setor.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, fatores como a queda do consumo de a&ccedil;o no mercado mundial e o aumento dos pre&ccedil;os das mat&eacute;rias-primas, como o ferro, somado ao aumento interno dos custos, come&ccedil;ou a dar preju&iacute;zo &agrave; companhia. A isso somaram-se os questionamentos ambientais. a empresa foi colocada &agrave; venda no ano passado. Envolverde\/IPS<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, Brasil, 14\/01\/2013 &ndash; A a&ccedil;&atilde;o das autoridades da cidade do Rio de Janeiro suspendendo o funcionamento da Companhia Sider&uacute;rgica do Atl&acirc;ntico (CSA) &eacute; considerada uma boa not&iacute;cia, apesar de insuficiente, pelas organiza&ccedil;&otilde;es denunciantes de graves danos &agrave; popula&ccedil;&atilde;o e ambientais na Ba&iacute;a de Sepetiba. <a href=\"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/2013\/01\/america-latina\/brasil-ativistas-exigem-contundncia-contra-fbrica-contaminante\/\" class=\"more-link\">Continue Reading <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":75,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[8,2,12,5],"tags":[27,21],"class_list":["post-11199","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ambiente","category-america-latina","category-desenvolvimento","category-economia","tag-brasil","tag-metas-do-milenio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11199","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/users\/75"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11199"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11199\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11199"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11199"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ipsnews.net\/portuguese\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11199"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}